Russia's
Kamchatka Peninsula (AI?)
1
Cobre-nos,
neve, com o teu silêncio
faz-nos
mudos
põe
as estrelas no traço obsceno
dos
pneus, vela as engrenagens
pousa
devagar sobre os detritos, não deixes
de
cobrir as chagas,
abafa
a blasfémia, o riso,
o
vómito do mundo,
branca
luz brilhando sobre a sebe
que
nos faz claros contra o vidro
olhando o nosso puro irmão,
o
pássaro.
2
Terá
ela conhecido a infância, esta mulher
cheia
de vinho
que
procura o isqueiro debaixo da mesa?
E o
homem de costas que divaga
sentado
no banco com uma cerveja preta
gesticulando
entre fantasmas
habitados
pelo vento?
Cobre,
neve, com as tuas flores piedosas
as
feridas dos homens desiludidos
cobre
a ceifa dos seus sonhos
neste
bar onde se finge viver.
Tradução de A.M.
Original:
1
Coprici,
neve, con il tuo silenzio
rendici
muti
metti
le stelle sopra il calco osceno
dei
copertoni, fa’ velo agli ingranaggi
pòsati
adagio sui detriti, non smettere
di
coprire le piaghe
spegni
la bestemmia il cachinno
il
vomito del mondo
bianca
luce che splendi sulla siepe
e ci
fai chiari contro il vetro
a
guardare l’uccello,
il
nostro puro fratello.
2
Avrà
avuto un’infanzia questa donna
piena
di vino
che
cerca l’accendino sotto il tavolo?
E
l’uomo di schiena che straparla
seduto
al banco con la birra scura
gesticolando
tra fantasmi
abitati
dal vento?
Copri,
neve, coi tuoi fiori pietosi
le
ferite degli uomini delusi
copri
la segatura dei loro sogni
in
questo bar dove si finge di vivere.
No poema, a neve surge como símbolo de silêncio, solidão,
reflexão interior e purificação. A paisagem branca cria um ambiente calmo, revelando
sentimentos de isolamento humano. A neve representa a passagem do tempo e a
fragilidade das memórias, mostrando como o ser humano procura sentido e
conforto num mundo marcado pela mudança e pela incerteza.