Espelhos negros
paisagens duplas beleza de cartas de jogar
A nuvem saúda a sua
gémea, o céu um círculo.
Um tronco, cada
árvore duas copas.
O teu corpo sou eu,
tu sorris para ti.
Espelhos negros
paisagens duplas beleza de cartas de jogar
A nuvem saúda a sua
gémea, o céu um círculo.
Um tronco, cada
árvore duas copas.
O teu corpo sou eu,
tu sorris para ti.
As lágrimas
foram o que de mais
puro
trouxe da infância
E a fisga
para atirar ao céu
o mais obsceno.
In this house on a hill
Where I've come to see what is real
All I find is illusion.
Urgently she sees Spring grow
Build to a stream on it flows
Till Autumn falls, golden
Leaves her silent, scolded.
Men nearby drain fields
Hopeful for all they yield
Not wond'ring why the days end
With the sun in the West.
At night, I hang from the ledge
By moon, by Pleiades
In all the shining mystery.
In this house on a hill
Where I've come to need less
And
many more will.
Olivia Chaney was born
in Florence, Italy, and grew up in Oxford, England, studying composition, piano
and voice. Early influences include her father's record collections and his own
renditions of early blues and '60s folk songwriters such as Bob Dylan, Fairport
Convention and Bert Jansch.
The song is a haunting folk meditation on memory, desire, and emotional distance. Her voice reminds Anne Briggs. Built with gentle piano fingers, the track unfolds with quiet intensity. The lyrics sketch an image of longing centred on an old country house, symbolizing unattainable love and isolation.
Valdemar Irminger (1850–1938) foi um proeminente pintor
dinamarquês, conhecido pela sua transição do realismo para o romantismo. Esta
pintura, intitulada originalmente em dinamarquês como Modellen varmer sig, é um
momento do quotidiano íntimo com sensibilidade poética. A pintura retrata uma
modelo num momento de pausa, procurando calor junto a uma fonte de fogo ou luz,
um tema comum nas suas observações de figuras humanas em ambientes interiores.
O
tacto e chama daquele
instante,
folha de neve
nos
meus dedos,
corte
e queimadura
na
pele. Os dias passam
e a
ferida não fecha. Volta
o
frio ou imagino que volta
e
uma voz nasce no contacto.
"Sumer is icumen in" is the incipit of a medieval English round or rota of the mid-13th century; it is also known variously as the Summer Canon and the Cuckoo Song.
The line translates
approximately to "Summer has come" or "Summer has arrived".
The song is written in the Wessex dialect of Middle English. Although the
composer's identity is unknown today, it may have been W. de Wycombe or a monk
at Reading Abbey, John of Fornsete [Wikidata]. The manuscript in which it is
preserved was copied between 1261 and 1264.
in, Wikipedia
This is so beautiful.
Sunlight shines gently and lands on her chest, map and the car hood. She is
framed by the open door. This soft, natural light falls across her face and hands, highlighting
delicate features and creating gentle contrasts with the muted background. The
composition feels intimate and calm, with subdued earth tones lending warmth
and restraint. Sijbesma’s brushwork balances realism and atmosphere,
emphasizing mood over detail. The painting suggests themes of curiosity,
journey, and introspection within an everyday scene.
Olhe,
preciso de dinheiro.
Preciso
de muito dinheiro. Quero abrir um negócio.
Algo
meu, sabe como é. Estou farto de patrões.
Não
posso passar a minha vida atrás de um balcão.
A
levar todas as noites com a baba dos perdidos nas trombas.
Já
não tenho paciência.
Com
esta idade, já viu o que é.
Sujeitar-se
a todos os labregos.
Já
tentei noutros bancos, sim.
Pedi
também aos meus pais, é verdade;
disse-lhes
que era para me casar.
Não,
não tenho casa, nem automóvel.
Mas,
olhe, posso garantir com o meu corpo.
O
meu fígado, senhor, tem que ver o meu fígado.
É
fígado de motard. Isto parece encolhido e tal,
mas
anda a mil.
E
adiantado, não pode pagar nada como entrada?
Entrada,
não sei.
Só
se for o coração.
Ó minha Rosinha eu hei-de te amar
De dia ao sol, de noite ao luar.
De noite ao luar, de noite ao luar,
Ó minha Rosinha eu hei-de te amar.
Ó minha Rosinha eu hei-de ir, hei-de ir
Jurar a verdade que eu não sei mentir
Que eu não sei mentir, que eu não sei mentir
Ó minha Rosinha eu hei-de ir, hei-de ir.
Ó minha Rosinha bailaste, bailei
Bailaste no adro que eu bem te mirei
Que eu bem te mirei, que eu bem te mirei
Ó minha Rosinha bailaste, bailei.
Ai! Oh ai - ó ai ó la rai!
Ai! Oh ai - ó ai ó la rai!
A melodia "Ó minha Rosinha" tem as suas raízes no
folclore português, especificamente na região do Minho. É uma canção
tradicional popular, frequentemente interpretada por ranchos folclóricos da
região de Viana do Castelo. É considerada uma "moda de baile", com
uma melodia típica que passa de geração em geração.
In the Greek mythology,
Charon was the son of Erebus and Nyx (Night), whose duty it was to ferry over
the Rivers Styx and Acheron those souls of the deceased who had received the
rites of burial. In payment he received the coin that was placed in the mouth of
the corpse.
"As
coisas belas,
as
que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por
que motivo serão belas?
E
belas, para quê?
Põe-se
o sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama
cores porque os meus olhos vêem.
Mas
por que será belo o pôr do Sol?
E
belo, para quê?
Se
acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas
só são coisas quando coisas percebidas,
por
que direi das coisas que são belas?
E
belas, para quê?
Se
acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem
precisarem de ser coisas percebidas,
para
quem serão belas essas coisas?
E
belas, para quê"
Com linguagem sensível, o eu lírico convida o leitor a olhar o mundo com mais atenção e gratidão. Através dessa contemplação, revela-se que a verdadeira beleza não está no extraordinário, mas no que é comum e autêntico. São belas para quê? Para através do mistério podermos compreender a possibilidade de Deus existir.
Who knows what tomorrow brings
in a world few hearts survive?
All I know is the way I feel
when it's real, I keep it alive.
The road is long,
there are mountains in our way
but we climb a step every day.
Love lift us up where we belong,
where the eagles cry on a mountain high
Love lift us up where we belong
far from the world below
up where the clear winds blow.
Some hang on to used to be
live their lives looking behind
All we have is here and now
all our lives, out there to find.
The road is long
there are mountains in our way
but we climb a step every day.
Time goes by no time to cry
life's you and I alive today.
Joe put everything into
every performance. What an amazing talent he was. Our generation was blessed
with talent and class. Speechless.
Nada
me pertenceu - nem o vestido indecente
que
pedi emprestado para te oferecer os seios, nem
os
seios, que eram já teus muito antes do vestido.
O sorriso que devassou brevemente o meu rosto não
me
pertenceu; porque ninguém o viu antes de ti,
nem
o espelho se convenceu a devolver-mo.
Todas as coisas que a casa guardou quando partiste não
me
pertenceram; porque, ao tocar-lhe nos dias mais
cinzentos,
sinto que é pelo calor dos teus dedos que ainda
gritam;
e mesmo a cama onde só o teu corpo era bem-vindo
nunca
chegou a ser inteiramente minha, pois, de contrário,
encontraria
nela o meu lugar, e não o teu vazio.
Tu
não me pertenceste - e, se uma vez acreditei que
acontecias
dentro do meu corpo, das outras vi-te abraçar a
solidão
com tanto ardor que concluí ser a memória quem
te
mantinha vivo. O meu coração, contudo, sempre
te
pertenceu - e a mão desesperada que o procura não
sente
bater longe do teu peito. E mesmo os poemas todos
que
escrevi não me pertenceram, porque essa vida
que
pulsava no papel levaste-a tu contigo na hora
em
que te foste - e a que tenho agora é mais
branca
e vazia do que a morte, não é vida nem nada
que eu queira alguma vez que me pertença.
A tela é de Cinta Vidal.
Há
um lugar na mesa onde a luz
abdicou
do seu ofício.
Já
foi do sol
e do
trigo esse lugar - agora
por
mais que escutes, não voltarás
a
ouvir a voz de quem,
há
muitos anos, era a delicadeza
da
terra a falar: "Não sujes
a
toalha"; "Não comes a maçã?"
Também
já não há quem se debruce
na
janela para sentir
o
corpo atravessado pela manhã.
Talvez
só um ou outro verso
consiga
juntar no seu ritmo
luz,
voz, maçã.
Andrea Kowch has been described as "a powerful voice emerging, demonstrating a highly sensitive consciousness that informs a culturally-laced symbolism." Born in Detroit, Michigan in 1986, her paintings and works on paper are rich in mood, allegory, and precision of medium, reflecting a wealth of influences from Northern Renaissance and American art to the rural landscapes and vernacular architecture of her native Michigan.
In the painting three bees are seduced by the coffee fragrance: one died, the sunflowers died and the barn is also too old. The lady knows that "the time takes its tools on us all."
A obra retrata um jovem casal que se abraça e se beija junto a uma porta. A jovem usa um lenço vermelho na cabeça e uma saia azul-escura, enquanto o homem veste uma camisa clara e calças escuras. Uma mulher mais velha espia pela porta, aparentemente surpresa com a intimidade do casal. A cena tem um ar rural e rústico, com vista para a vegetação além da porta. A pintura é caracterizada por detalhes realistas e uma luz natural e quente. A pintura está exposta no Museu Georg Schäfer em Schweinfurt, Alemanha.
.
Leva-me
outra vez para a mesma mesa
onde
fico de costas para a janela
onde
o tempo me esquece
onde
nada me toca
o
teu gesto protege
o
teu corpo separa
a
água que me dás
interrompe
a memória.
Só à
porta da rua
o
tempo reaparece.
Guardei o recibo, que não serve para nada.
Dados impessoais: o nosso subtotal foi de 6,35
- pediste uma água mineral, um café
e uma sandes de ovo (em que não tocaste);
pagámos caro por estarmos ali os dois,
na cafetaria do aeroporto com uma hora inteira
só para dizer uma palavra. Tudo
processado por computador, IVA incluído.
Uma operação que teve início precisamente
às 04.55 da madrugada. Agora
temos muito tempo para nos contentarmos
por já não termos que disputar as contas,
tu pagas os teus cafés, e eu sem ti
passo bem sem café.
A pulp poetry moderna, da qual
Leonard Cohen aconselhava há alguns anos atrás na canção Field Commander Cohen:
"Leave it all and like a man, come back to nothing special, such as
waiting rooms and ticket lines, silver bullet suicides, and messianic ocean
tides, and racial roller-coaster rides and other forms of boredom advertised as
poetry." Se a poesia de cordel
criar beleza, mesmo por pouco tempo, que viva até morrer.
De
onde vens Maria
Ó
meu amorzinho?
Venho
da ribeira
De ver
o meu linho.
Veste
Maria, ó ai!
Saia
de linho, ó ai!
Que
lindo pano, ó ai!
Todo
branquinho.
Se
ele está maduro
Tirem-lhe
a baganha
Leva-o
ao rio
Depois
à montanha.
Onde
vais Maria
Por
esse caminho?
Vou
para a montanha
Apanhar
o linho.
O Coletivo Capela é um grupo familiar, cujo nome, deve a José
Manuel Rodrigues Capela (1938-2017), o ancião da família Capela que nasceu na
Galafura do Douro.
Quando se encontram obras que não conhecemos deste pintou ficamos sempre admirados. Cada quadro tem um mistério que nos perdura dentro durante muito
tempo. Peter Vilhelm Ilsted foi um pintor dinamarquês importante, que depois da
sua irmã ter casado com Vilhelm Hammershøi, Ilsted foi muito influenciado pelo
estilo artístico deste último. Ele é sobretudo conhecido pelos seus interiores belos.
Meus
olhos eram mesmo água,
— te
juro —
mexendo
um brilho vidrado,
verde-claro,
verde-escuro.
Fiz
barquinhos de brinquedo,
— te
juro —
fui
botando todos eles
naquele
rio tão puro.
Veio
vindo a ventania,
— te
juro —
as
águas mudam seu brilho,
quando
o tempo anda inseguro.
Quando
as águas escurecem,
— te
juro —
todos
os barcos se perdem,
entre
o passado e o futuro.
São
dois rios os meus olhos,
— te
juro —
noite
e dia correm, correm,
mas não acho o que procuro.
O poema apresenta uma reflexão lírica sobre o percurso
interior e espiritual do ser humano. A viagem sugerida não é apenas física, mas
simbólica, marcada pela busca de sentido, pela solidão e pela transitoriedade
da vida. Com linguagem musical, delicada e introspetiva, o eu lírico percorre
paisagens que refletem estados da alma. O tempo surge como elemento fluido, e a
existência revela-se efémera.
Grandpa, tell me 'bout the good old
days
Sometimes it feels like this world's
gone crazy
Grandpa, take me back to yesterday
When the line between right and wrong
Didn't seem so hazy.
Did lovers really fall in love to
stay
And stand beside each other, come
what may?
Was a promise really something people
kept
Not just something they would say and
then forget
Did families really bow their heads
to pray?
Did daddies really never go away?
Whoa, whoa, grandpa, tell me 'bout
the good old days.
Grandpa, everything is changing fast
We call it progress, but I just don't
know
And grandpa, let's wander back into
the past
Then paint me the picture
of long ago.
Do we acept modern times as sinful and put all virtues in the past? Dylan has sung "the times were a-changing", sometimes for good, other times for evil. Let's fight for the quality of our families. Nice song.
deixa
o tempo fazer o resto
fechar
janelas
aplacar
os barcos
recolher
os víveres
semear
a sorte
acender
o fogo
esperar
a ceia
abre
as portas: lê a luz
a
sombra, a arte do passarinheiro
com
três paus
fazes
uma canoa
com
quatro tens um verso,
deixa
o tempo fazer o resto.
The painting shows us a young ragged girl in a quiet inner moment, delicately holding a doll looking to an unripe apple. What does she hold behind in her right hand? Her contemplative gaze and gentle posture suggest inner conflict between innocence and desire. The painting captures a moment of introspection, blending beauty, symbolism, and restrained emotion within a refined narrative scene.
The present painting records the thirteenth birthday celebration of Larsson's daughter Kersti, who is seated at the right-hand side of the picture. The party took place in Larsson's garden and Karin, the Artist's wife, has dressed Kertsi and all of the other girls in the 'Sundborn' dress, which she had designed specifically for the Children's Day celebrations in the neighbouring town of Falun. The day is recorded in an entry of Carl's diary and in a letter from Karin to her mother which reads, "I am sitting here and sewing as much as I can do to be able to get the girls ready for the parade on 'Children's Day'"
In the painting, there is a sense of the pride that Carl Larsson held for his wife's work and the home that she had created and which also served as a basis for the majority of the artist's work. Larsson's decision to paint his child and her friends, is coupled with his need to communicate his message that, " A home is not a lifeless object, but a living entity and like everything that is alive, it must obey the law of life; it must keep changing from moment to moment"