The painting presents a
quiet, unsettling encounter between a seated nude woman and a tailor’s
dressmaker’s dummy. Rendered with meticulous realism, the composition contrasts
living flesh with the lifeless mannequin, inviting reflection on identity,
objectification, and human vulnerability. The sparse interior and controlled
lighting heighten the psychological tension, while the figures’ stillness
creates an atmosphere of introspection.
Alex Colville - Nude and Dummy, 1950
Berna Wang - Pequenos acidentes domésticos / Pequeños accidentes caseros
Cortei-me
num dedo a cozinhar,
depois
esfolei outro a abrir uma garrafa,
hoje
arranhei a perna com um pico da mesinha.
Aí,
pus-me séria
e
convoquei todos os objectos de casa,
para
lhes dizer que me custa muito,
que
morro de pena,
que
tenho o coração numa chaga,
que
sou assim uma ferida a sangrar de tristeza,
que
até respirar me dói por ele me não amar
como
eu o amo.
Enfim,
que não precisam, disse-lhes ainda,
de
mo recordar também eles
cada
dia.
Tradução A.M.
Original:
Me hice un tajo en un dedo cuando cocinaba.
Luego
me despellejé otro dedo al abrir una botella.
Hoy
me he raspado la pierna con el pico de la mesita.
Así
que me he puesto seria:
he
reunido en asamblea a todos los objetos de mi casa
y
les he dicho que ya sé
que
me muero de la pena,
que
tengo el corazón en carne viva,
que
ya sé
que
no soy más que una herida que sangra tristeza,
que
hasta respirar me duele porque él no me ama
como
le amo yo;
en
fin: que no hace ninguna falta, les he dicho,
que
me lo recuerden también ellos
cada
día.
É a segunda vez que publico estes versos. Eu sei porquê, mas
não digo. O poema transforma pequenos incidentes domésticos numa poderosa
metáfora da dor emocional. Os cortes, arranhões e feridas quotidianas refletem
um coração devastado pela perda amorosa, tornando os objetos da casa
testemunhas silenciosas do sofrimento. Com ironia subtil e linguagem simples, a
poeta revela como a tristeza invade os gestos mais banais da vida.
Oana Font și Zorina Balan - Cetera din Maramureș
Cântă
ceteră cu strune
Astăzi
ești pă mânuri bune
Noi cu glasu' pângă tine
Om hori cu drag la lume
Ceteră pretina me'
Fă-mi pă voie de-i pute'
Te-am avut în vremuri grele
Cu tine-am trecut prin ele
Ceteraș când îi muri
Moroșenii te-or jeli
Lasă-ți mânurile-acasă
Că-i păcat să-ți putrezască
Ierte-i Dumnezeu păcatu'
La omu' ce-o croit arcu'
Că-n puterea arcului
Șede voia orișicui
Nu gândesc și nici n-aș crede
C-ați uitat horile tăte
Și că nu vă poartă dor
De dulceața strunelor
Raiu' s-o întins la noi
Haidați oameni buni și voi
Nu ni-i fală avuția
Cum ni-i cinstea și-omenia
Aiestea-s la noi, la sate
De alții
demult uitate
Tradução do Google Tradutor:
Violino, faz soar as tuas cordas com doçura
Hoje, tu estás em mãos hábeis
Cantaremos contigo
Compartilhando a alegria com o mundo todo
Violino, meu amigo fiel
Atende ao meu desejo, se puderes
Estiveste comigo nos momentos difíceis
E juntos os superámos
Violinista, quando morreres
O povo de Maramureș chorará
Deixa tuas mãos em casa
Pois é uma pena deixá-las apodrecer
Que Deus perdoe os pecados
Do homem que esculpiu o arco
Pois no próprio poder do arco
Reside o espírito de todos nós.
A alegria e a música tradicional da Roménia.
Antonio Bueno - Still Life
Modern man often lives
between constant connectivity and profound loneliness, facing uncertainty about
the future, economic instability, environmental crises, and rapid technological
change. The pressure to succeed, compare oneself with others, and maintain a
flawless image can fuel anxiety and self-doubt.
Berna Wang
Que
a vida te dê a seu tempo
só a
dor necessária,
nem
tão leve que a não sintas,
nem
tão grande que encha tudo.
Que
não te esqueça,
mas
também não precises
de
pastilhas para a esquecer.
Só o
latejo exato no sítio certo
para
saberes que a ferida está lá,
que
é preciso ter paciência
e
tratá-la até que sare.
Tradução
de A.M.
Original:
Que
la vida te regale en su momento
sólo
el dolor preciso:
ni
tan leve que pase desapercibido
ni
tan grande que lo invada todo.
Que
no te olvides
ni
necesites analgésicos para olvidar.
Sólo
el latido exacto en el lugar justo
para
saber que la herida está ahí,
que
hay que tener paciencia,
y
cuidarla hasta que cure.
Se
choro? Eu sou como as grutas, choro para dentro.
O Trovante - Fizeram os dias assim, 1986
Por mais que larguem os braços, por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas.
Por mais que rasguem os quadros, por mais que queimem as leis
E
que os costumes esmoreçam.
Por mais que arrasem as feras e que os papões arrefeçam
E que as bruxas se convertam.
Por mais que riam as caras e que ternura se esqueça
Por
mais que o amor prevaleça.
Vocês
fizeram os dias assim!
Não nos venham pedir contas, não venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias não vão ser gastos assim!
Que notícia triste, o ogre mexeu-se. Sinto borboletas no
coração e olho pela janela para o céu. Não te deixarei morrer em mim, Luís Represas.
Henriette Browne - The Pet Goldfinch
The artwork emphasizes
themes of innocence, companionship, and the gentle bond between humans and
animals, showcasing Browne's skill in capturing delicate, intimate moments. The girl is doing her homework, but is she asking for help? The apples are there, the old books, the fading flowers. The cage is opened, but there are the walls. Freedom soon will come.
Karmelo C. Iribarren - O amor / El amor
Como o vento que encontra
uma frincha
e se enfia pela casa
e põe tudo em desordem,
livros
facturas
poemas
assim na vida
chega
o amor.
Nada é igual depois disso,
esse caos
é a felicidade.
Mas um dia tem de acabar.
Sorte se não te calhar a ti.
Tradução de A.M.
Original:
Como el viento que encuentra
una rendija
y se cuela en la habitación
y lo desordena todo:
libros
facturas
poemas
así llega
en la vida
el amor.
Nada es igual a partir de entonces,
ese caos
es la felicidad.
Pero un día habrá que recoger.
Suerte si no te toca a ti.
O poeta reflete sobre a presença constante do amor na vida, silenciosa e discreta, mas fundamental. Destaca a sua capacidade de transformar emoções, de dar sentido às ações quotidianas que nos fazem sentir felizes.
Chant traditionnel de Transylvanie - Októbernek, októbernek elsején - Fáj a szívem
Októbernek,
októbernek elsején,
Nem
süt a nap Csíkkarcfalva mezején.
Elbúcsúzom
a madártól, s az ágtól,
Azután
a csíkkarcfalvi lányoktól.
Ha
kimegyek arra magos tetőre,
Találok
én szeretőre, kettőre.
Ej,
haj, haj, haj, de nagy baj,
Hogy a babám szíve olyan, mint a vaj.
Amerre
mész édes rózsám kívánom,
Hogy
előtted a rét rózsává váljon
A
zöld fű is piros rózsát teremjen,
A te szíved soha el ne feledjen!
Tradução da Língua húngara pelo Google Tradutor.
No
primeiro dia de outubro,
o
sol não brilha sobre os campos de Csíkkarcfalva.
Digo
adeus ao pássaro e ao galho,
e
depois às donzelas de Csíkkarcfalva.
Se
eu for até aquela colina alta,
encontrarei
uma amada — aliás, duas.
Oh, que grande tristeza! Que o coração
da minha amada seja tão mole quanto manteiga.
Para
onde quer que vás, meu doce amor, desejo
que
o prado à tua frente se transforme em rosas,
Que
a relva verde dê rosas vermelhas,
e que o teu coração nunca me esqueça!
Li, que os húngaros têm por hábito cantar esta melodia no dia 1 de outubro, para reforçar a sua situação conjugal e evitar a solidão. Talvez, por essa razão, as senhoras que cantam tentam contrariar a solidão dos montes.
Nina Ahlstedt - Daydreams, 1896
"Daydreams" depicts a
young man resting peacefully in a forest while a mysterious woman appears among
the trees, seemingly as a vision from his imagination. The dreamy atmosphere,
soft light, and hazy figure create a poetic scene that blurs the line between
reality and fantasy.
Miriam Reyes - Começos suspensos / Comienzos suspendidos.
Comecei
dezenas de histórias
e
nem uma terminei,
não
sei para onde me vão as personagens
porque
começam a falar
e de
repente calam-se.
Acontece-me
o mesmo no papel e fora dele:
a
minha vida é uma série de começos
suspensos.
Tradução
de A.M.
Original:
He
comenzado decenas de historias
y no
he terminado ninguna,
no
sé hacia dónde van mis personajes
por
qué empiezan a hablar
y de
pronto se callan.
Sobre
el papel me sucede lo mismo que fuera de él:
mi
vida es un puñado de comienzos
suspendidos.
Miriam Reyes transforma a incapacidade de concluir histórias
numa metáfora da própria existência. O poema revela uma consciência marcada
pela hesitação, pela fragmentação e pela incerteza, onde a vida e a escrita
refletem o mesmo estado de suspensão. A interrupção não representa apenas
fracasso, mas também abertura a múltiplas possibilidades nunca concretizadas. A
autora ensina que a identidade constrói-se tanto pelos começos inacabados como
pelas escolhas realizadas.
Valeria Castro - tiene que ser más fácil
Con
los 5 sentidos pa que no se rompa en esta plaza
corazón
partido no se arregla buscando otra casa
y no
había otro camino que vivir las horas como pasan
no
era buen amigo el huracán que su cabeza arrasa.
Tiene
que ser más fácil el quererse
no
puede el cuerpo ser tan cruel al verse.
Es
el propio juicio quien presiona y no baja la guardia
no
hay quien la convenza de que en esta vida todo cambia
y
cómo no le va afectar que la rodee tanta distancia
la
soledad no es buena compañía para la nostalgia.
Tiene
que ser más fácil
tiene
que ser más fácil el quererse
no
puede el cuerpo ser tan cruel al verse.
Tiene
que haber bien cerca una salida
no
es eterno estar a la deriva.
Y
sin pensar en otra cosa cómo crees que avanza
pero
la culpa estaba rota y todo el peso cansa
lo
vulnerable de quien siempre se cargó a la espalda
todas
las miradas que pensaba que eran armas.
Tiene
que ser más fácil
tiene
que ser más fácil el quererse
no
puede el cuerpo ser tan cruel al verse
Tiene
que haber bien cerca una salida
no
es eterno estar a la deriva.
Gracias por enseñarnos a querernos!
Edith Martineau - In Rokeby Park, Yorkshire, 1875
The painting captures
the quiet elegance of Victorian rural life through luminous colour and delicate
observation. Set within the picturesque landscape of Rokeby Park, the painting
balances cultivated nature with a tranquil human presence. Sunlight filters
through trees, enriching the scene with warmth and subtle contrasts.
Yves Bonnefoy - A Página branca / La page blanche
Os
livros, o que ele rasgou,
A
página devastada, mas a luz
Sobre
a página, o acréscimo da luz,
Compreendeu
ele que se transformava na página branca.
Saiu.
O rosto do mundo, dilacerado,
Pareceu-lhe
de uma outra beleza, mais humana.
A
mão do céu procurava a sua mão no meio das sombras,
A
pedra, onde se vê que o seu nome se apaga,
Entreabria-se,
transformava-se em palavra.
Tradução
de Luís Serrano
Estes versos não designam apenas a angústia da criação, mas
um limiar metafísico. Simboliza o vazio e a renúncia às certezas ou conceitos
que nos alienam, permitindo ao poeta aceitar a finitude e aceder a uma perceção
mais autêntica, humana e luminosa do mundo. A página branca surge como o
momento de despojamento total, onde o poeta se liberta dos seus
"conceitos". É o espaço da voz que se arrisca no desconhecido.
Private Peaceful, 2012
The story begins with flashbacks to Tommo's early life in rural Devon, England. The Peaceful family faces tragedy when Tommo's father dies trying to save him from a falling tree, an incident that leaves Tommo carrying a deep sense of guilt. Tommo grows up closely alongside his siblings: Big Joe, an intellectually disabled brother who loves animals, and Charlie, his protective and capable older brother. The trio, joined by their schoolfriend Molly, share adventures but must also navigate poverty and the harsh rule of their strict aunt, Grandma Wolf.
As the children grow into teenagers, both Tommo and Charlie fall in love with Molly. Ultimately, Molly and Charlie marry and have a child, which causes a brief rift between the brothers, though they reconcile. Their peaceful rural life is suddenly interrupted by the onset of World War I. Because of social pressure from their landlord and a desire to stick together, Charlie and Tommo enlist in the British Army, leaving Molly and the baby behind.
The horrors of the Western Front severely test the brothers. While Tommo is injured and suffers from shell shock, Charlie's strong sense of morality repeatedly brings him into conflict with their cruel Sergeant Major, Hanley. When Charlie refuses to leave an injured Tommo behind during a dangerous retreat, the Sergeant Major brands him a coward and charges him with insubordination. Charlie is court-martialed and sentenced to death by a firing squad.
Is the book better than the film? Why are the English students reading it at school in Year 7. compulsorily? Because it's a work of art!
Sydney Richard Percy - Llyn-y-Ddinas, North Wales, 1873
The painting portrays
the tranquil beauty of Snowdonia with remarkable atmospheric sensitivity. A
calm lake reflects rugged mountains, while soft light filters through drifting
clouds, creating a harmonious balance between land, water, and sky. Tiny human
figures and grazing animals emphasise the grandeur of the landscape and
humanity's modest place within it.
Antonio Porchia - Venho de morrer / Vengo de morirme
Venho
de morrer, não de ter
nascido.
De ter nascido me vou.
Tradução
de A.M.
Original:
Vengo
de morirme, no de haber
nacido.
De haber nacido me voy.
O poema condensa numa imagem paradoxal a experiência da
renovação interior. A morte evocada é sobretudo simbólica: representa o
abandono de ilusões, certezas ou identidades antigas. A voz poética regressa
transformada, mais consciente da fragilidade e do mistério da existência. Ou tens outra interpretação?
Valeria Castro - La raíz
Todo
se inunda y piensas que nunca
Toca
la bala en tu pecho y asusta
Y
todo parece que en unos meses
Sigues
pensando en que igual es tu culpa.
Y tú
mirando a todos lados por si alguien ha llorado
Y
tus ojitos tan mojados no han secado
Y tú
que tanto te mereces, no todos permanecen
Y no
por ello no amanece, no florece.
Pasó
lo que tenía que pasar
Y no
pienso hacer nada más
Más
que quedarme aquí
Cuidándola.
Pasó
lo que tenía que pasar
Y no
pienso hacer nada más
Más
que quedarme aquí
Cuidando
la raíz
Cuidando
la raíz
Cuidándola.
Y
aunque a veces llores, tienen las flores
Que
tener agua aunque no sea la justa
Y es
recurrente al la'o de tu frente
Unos
ojitos que piden desculpas.
Y tú
que siempre has intentado tener tanto cuidado
Con
lo que estaba cerca pero no en tu mano
Y tú
tendrías que ver el alma que tiene tu garganta
Que
solo así se aprende a ver el mar en calma.
"Qué bonito es lo bonito!" A importância de regar a raiz de
todas as convicções que fizeram os alicerces da nossa vida.
Leonard Cohen - Corrente
Saí
uma destas noites com a maré vazia
E
sinais no céu
Mas
mal sabia eu que seria apanhado
Pela
força da corrente
E
largado numa praia aonde o mar odeia ir
Com
uma criança nos braços
Um
calafrio na alma e o coração em forma
De
tigela de pedinte.
Tradução
de Inês Dias
O poema retrata uma caminhada noturna, onde L. Cohen é
arrastado por forças que não controla. A maré simboliza o
destino, enquanto a praia rejeitada pelo mar sugere exílio. A
criança nos braços representa responsabilidade, esperança ou vulnerabilidade. O "calafrio na alma" traduz inquietação existencial, e o "coração em forma de
tigela de pedinte" exprime desejo profundo de
acolhimento. Predomina o pessimismo judeu sobre a fragilidade humana
perante a vida.
Ir ou não ir
Uma indecisão é geralmente um estado emocional de aflição em
que uma pessoa não consegue escolher uma das opções em que ela é submetida.
Muitas vezes, esse bloqueio não significa falta
de capacidade, mas sim receio de falhar ou de fazer a escolha errada. Pergunte-se
se a hesitação é apenas uma preferência ou se esconde o receio do julgamento ou
do fracasso.
Georges Moreau de Tours (French painter) 1848 - 1901 - Le Coup de Vent
In Le Coup de Vent, the painter's family serves as the subject: his daughters Jacqueline and Georgette are
depicted washing linens, while his wife Thérèse hangs them out to dry. A sudden
gust of wind animates Thérèse’s figure, creating a dynamic contrast with the
calm concentration of the children. The painting emphasizes atmospheric light
and subtle integration of figures into the landscape, reflecting nineteenth
century naturalist interests in light and environment.
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