Leonard Cohen - Corrente

 


Saí uma destas noites com a maré vazia

E sinais no céu

Mas mal sabia eu que seria apanhado

Pela força da corrente


E largado numa praia aonde o mar odeia ir

Com uma criança nos braços

Um calafrio na alma e o coração em forma

De tigela de pedinte.


  Tradução de Inês Dias


      O poema retrata uma caminhada, onde L. Cohen é arrastado por forças que não controla. A maré simboliza o destino, enquanto a praia rejeitada pelo mar sugere exílio. A criança nos braços representa responsabilidade, esperança ou vulnerabilidade. O "calafrio na alma" traduz inquietação existencial, e o "coração em forma de tigela de pedinte" exprime desejo profundo de acolhimento. Predomina o pessimismo judeu sobre a fragilidade humana perante a vida.


Ir ou não ir



      Uma indecisão é geralmente um estado emocional de aflição em que uma pessoa não consegue escolher uma das opções em que ela é submetida. Muitas vezes, esse bloqueio não significa falta de capacidade, mas sim receio de falhar ou de fazer a escolha errada. Pergunte-se se a hesitação é apenas uma preferência ou se esconde o receio do julgamento ou do fracasso.


Georges Moreau de Tours (French painter) 1848 - 1901 - Le Coup de Vent

 


In Le Coup de Vent, the painter's family serves as the subject: his daughters Jacqueline and Georgette are depicted washing linens, while his wife Thérèse hangs them out to dry. A sudden gust of wind animates Thérèse’s figure, creating a dynamic contrast with the calm concentration of the children. The painting emphasizes atmospheric light and subtle integration of figures into the landscape, reflecting nineteenth century naturalist interests in light and environment.


Carmen Aciar - Mediterráneo

 


Quizás porque mi niñez sigue jugando en tu playa

Y escondido tras las cañas duerme mi primer amor

Llevo tu luz y tu olor por dondequiera que vaya

Y amontonado en tu arena guardo amor, juegos y penas.

 

  Yo, que en la piel tengo el sabor amargo del llanto eterno

  Que han vertido en ti cien pueblos de algeciras a estambul

  Para que pintes de azul sus largas noches de invierno

  A fuerza de desventuras tu alma es profunda y oscura.

 

  A tus atardeceres rojos se acostumbraron mis ojos

  Como el recodo al caminho soy cantor, soy embustero

  Me gusta el juego y el vino tengo alma de marinero

  Qué le voy a hacer, si yo nací en el mediterráneo.

 

Y te acercas, y te vas después de besar mi aldea

Jugando con la marea te vas, pensando en volver

Eres como una mujer perfumadita de brea

Que se añora y que se quiere que se conoce y se teme.

 

  Ay, si un día para mi mal viene a buscarme la parca

  Empujad al mar mi barca con un levante otoñal

  Y dejad que el temporal desguace sus alas blancas

  Y a mí enterradme sin duelo entre la playa y el cielo.

 

  En la ladera de un monte más alto que el horizonte

  Quiero tener buena vista mi cuerpo será camino

  Le daré verde a los pinos y amarillo a la genista

  Cerca del mar porque yo nací en el mediterráneo.


      A canção Mediterráneo, de Joan Manuel Serrat, é uma ode ao mar como símbolo de identidade, memória e pertença. O Mediterrâneo representa as origens do poeta, a infância, os afetos e a própria essência da vida. A letra combina nostalgia, beleza e reflexão sobre o tempo, exaltando a ligação profunda entre o ser humano e a natureza. O desejo de repousar junto ao mar reforça a aceitação serena da morte e a fidelidade às raízes.  A voz de Carmen Aciar, o bombo legüero, com ritmo de chacarera e vidala da Argentina.


Emily Mary Osborn - Nameless and Friendless, 1857



      "Osborn's most famous work is Nameless and Friendless, which has been called "The most ingenious of all Victorian widow pictures." It depicts a recently bereaved woman attempting to make a living as an artist by offering a picture to a dealer, while two "swells" at the left ogle her. The creation of this piece was a product of its time. In the 1850s there was an influx of middle-class women into the urban environment of London. Women began more freely to occupy the streets and travel the city. They would walk the streets, take public transportation, etc. This opened opportunities for women but also introduced new social dynamics and there were many debates about this new dynamic and way of urban life.

      The young woman is caught in the multiple gazes of the men around her. The setting appears to be the West End, where Cherry says "the legitimate and the obscene are on sale side-by-side". One of the seated male figures is holding a print with a scantily-clad dancer while the other man sitting next to him looks at the young woman in the centre of the painting instead, indicating that the male gaze is sexual in nature and that in the urban landscape where women walk freely, they are still sexualized by the gazes of the men on the streets who can see them. Cherry says that "the gaze of the male customers – which possesses space and simultaneously captures image and body – signifies the hazards of sexual harassment for a respectable working woman in the highly charged and ambivalent spaces of modem London. And it returns us to the mutuality of bodies and space, ocularity and corporeality."

                           in, Wikipedia


Berta Piñán - Estações / Estaciones

 


Saio sozinha, a caminhar pela neve,

como quem se esquecesse de viver

por instantes – depois do amor –

ainda tu dormes.

São os derradeiros frios

e eu já sinto, sob a pele tão branca

deste inverno a terminar,

raízes e mais raízes, bolbos

e sementes, multidões famintas

de sol por baixo da terra.


Caminho sozinha sobre a pele tão branca

deste final de inverno

e em cada passo

adianto, sem querer, a primavera.


  Tradução de A.M.


  Original:


Salgo sola a caminar sobre la nieve.

Como quien se hubiera olvidado de vivir

por un instante -después del amor,

tú aún duermes.

Son los últimos fríos y

ya siento, bajo la piel tan blanca

de este invierno que acaba,

generaciones de raíces, bulbos

y semillas, multitudes hambrientas

de sol bajo la tierra.


Camino sola sobre la piel tan blanca

de este final de invierno

y en cada paso

adelanto, sin querer,

la primavera.


      No poema, Berta Piñán utiliza a sucessão das estações do ano como metáfora das transformações da vida e da memória. O tempo natural acompanha as mudanças interiores, revelando perdas, renascimentos e a permanência das recordações. O ciclo das estações sugere que tudo muda sem deixar de conservar vestígios do passado, afirmando uma esperança discreta perante a passagem inevitável do tempo.


Canopée - Tumbalalaïka



Tumbalalaika Lyrics (Yiddish & English)

Verse 1:

Yiddish: Shteyt a bocher, shteyt un tracht, / Tracht un tracht a gantze nacht, / Vemen tsu nemen un nit far shemen, / Vemen tsu nemen un nit far shemen.

English: A young man is standing, standing and thinking, / Thinking and thinking all night long, / Whom to take and not be ashamed, / Whom to take and not be ashamed.

Chorus:

Yiddish: Tumbalala, tumbalala, tumbalalaika, / Tumbalala, tumbalala, tumbalalaika, / Tumbalalaika, shpil balalaika, / Tumbalalaika, freylach zol zayn!

English: Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika, / Tum-bala, tum-bala, tum-balalaika, / Tum-balalaika, play balalaika, / Tum-balalaika, let there be joy!

Verse 2:

Yiddish: Meydl, meydl, kh'vel bay dir fregn, / Vos ken vaksn, vaksn on regn? / Vos ken brenen, brenen on fayer? / Vos ken benken, veynen on oygn?

English: Maiden, maiden, I will ask you, / What can grow, grow without rain? / What can burn, burn without fire? / What can long, cry without eyes?

Verse 3:

Yiddish: Narisher bocher, vos darfstu fregn? / A shteyn ken vaksn, vaksn on regn, / Libe ken brenen, brenen on fayer, / A harts ken benken, veynen on oygn.

English: Silly young man, why ask again? / A stone can grow, grow without rain, / Love can burn, burn without fire, / A heart can yearn, cry without eyes.


      "Tumbalalaika" é uma canção folclórica tradicional judaica, originária do Leste Europeu e cantada em iídiche. A palavra é uma fusão onomatopeica: "tum" (o som de batidas ou da música) e "balalaika" (um instrumento musical russo de três cordas). A letra é um alegre jogo de adivinhas sobre o amor e a vida.


Harold Harvey - The Critics, 1922



      The painting portrays a small group absorbed in thoughtful conversation, suggesting an intimate moment of artistic or literary discussion. The figures’ attentive expressions and relaxed postures convey quiet concentration rather than confrontation.


Aurora Luque - As pontes inflamáveis / Los puentes inflamables

 


Na hora de atravessar

essa ponte do meio do caminho

quando vais escolhendo malgré toi

os chamados prazeres simples da vida

- sabendo que no fundo são eles que te escolhem a ti,

somando-te a seu séquito caduco -

então simplificas o cálculo do mundo,

até da beleza

que presumias tão incalculável.

E descobres que tudo se reduz

a viajar do muito para o muito menos,

do povoado para o vento do deserto,

do excesso para o escasso,

a declinar palavras consabidas

ou a declinar sem mais, intransitivamente,

a trocar os magníficos plurais

por um cerco singular

esboçando alguma resistência...


As pontes inflamáveis

do meio do caminho da vida.


  Tradução de A.M.


  Original:


A punto de cruzar         

ese puente del medio del camino          

cuando vas eligiendo malgré toi

los llamados placeres sencillos de la vida

-sabiendo que, en el fondo, te eligen a ti ellos, 

te suman a su séquito caduco- 

simplificas el cálculo del mundo: hasta de la belleza      

que presumías tan incalculable.             

Y descubres que todo se reduce             

a viajar de lo mucho a lo muy menos,   

de lo poblado al viento del desierto,     

del exceso a lo escaso,

a declinar palabras consabidas 

o a declinar sin más, intransitivamente,

a cambiar los magníficos plurales           

por un acorralado singular        

enarbolando alguna resistencia...          


Los puentes inflamables

del medio del camino de la vida.


      O poema reflete sobre a meia-idade como um momento de transição inevitável, em que os ideais grandiosos cedem lugar à aceitação dos limites da existência. A imagem da ponte simboliza a passagem para uma consciência mais sóbria, onde a abundância se transforma em escassez e o plural se reduz ao singular. Contudo, o poema não é resignado: afirma uma resistência discreta perante o tempo, preservando a beleza e a dignidade da experiência humana.


Ester Vallejo - A la fresca



Cuando la luna se apague cuando su luz ya no brille

Ya no habrá nada mas bello que tus dos ojitos linda 

Ya no habrá nada mas bello que tus dos ojitos linda.


No me interesa ser grande ni la fama ni el dinero

Que las mejores estrellas son las que están en el cielo 

Que las mejores estrellas son las que están en el cielo. 


Vente a tomar la fresca las frescas a la fresca

Me quedo con mis amigas a cantar dichas y penas

Yo me quedo con ellas, con la flor y con la hoguera.


Que se despierte la idea que no estemos tan dormidos

Que no me quemen las hojas si soy árbol o soy libro

Que no me quemen las hojas si soy árbol o soy libre.


Y aunque se nuble el montey piense que nada brille

Nos quedara recordarnos en los días más felices

Nos quedara recordarnos en los días más felices.


Vente a tomar la fresca las frescas a la fresca

Me quedo con mis amigas a cantar dichas y penas

Yo me quedo con ellas, con la flor y con la hoguera

con la flor y con la hoguera con la flor…


Y ya no habrá nada más bello que las mejores estrellas

Y ya no habrá nada más bello si soy árbol o soy libro

si soy árbol o soy libre, libre


Que ya no habrá nada que ya no habrá nada más bello

Que ya no habrá nada que ya no habrá nada más bello

Que las frescas a la fresca.


      ¡Qué bonita!


August Malmström - Grindslanten, 1885



      The painting captures a lively group of children eagerly scrambling for a coin tossed near a gate. The animated composition celebrates childhood energy, playfulness, and social interaction, contrasting youthful excitement with the calm presence of observing adults. Rich details, expressive gestures, and warm natural light create a vivid sense of everyday rural Swedish life.


César Simón - Uma noite / Una noche

 


Uma noite, há algum tempo,

caminhávamos os dois.

De repente, a arder

mas conscientes

- nunca o amor turva a consciência -

metemos por ali, para beijar-nos,

no armazém escuro.

Fizemos amor na mais pura chama,

à beira do perigo

- a porta estava partida,

passavam pessoas no passeio...

A vida breve e o amor fugaz.

Como saber se em tais ocasiões

o amor nos preserva

ou nos destrói?

Agora, após o ricto com que mal

assinalo a presença dessa porta,

os passos conduzem-me para longe.

E caminho à chuva.

 

  Tradução A.M.


  Original:


Una noche, hace tiempo, caminábamos.

De pronto, enardecidos,

pero conscientes

-nunca el amor enturbia la consciencia-

nos metimos ahí, para besarnos,

al almacén oscuro.

Hicimos el amor en el más puro fuego,

junto al peligro

-la puerta estaba rota,

por la acera pasaban transeúntes…

La vida breve y el amor en vilo.

¿Cómo saber si en tales ocasiones

el amor nos preserva

o nos destruye?

Ahora tras el rictus con que apenas

señalo la presencia de esa puerta,

mi consideración me lleva lejos.

Y en la lluvia camino.


      No poema, César Simón transforma a recordação de um encontro amoroso numa reflexão sobre a fragilidade da existência. O desejo surge ligado ao risco, tornando o amor simultaneamente força vital e possibilidade de destruição. A memória, distante mas persistente, revê esse instante intenso com serenidade melancólica, enquanto a chuva simboliza tempo de depuração. O pedaço de tela é de Francesco Hayez.

 


Grupul Tradițional DOR - Tătî ghina șî pricina



      The song "Tătî ghina șî pricina" is a traditional folk song from the Timok Romanians in Romania, often performed during local celebrations and gatherings. Its lyrics deal with jealousy and gossip in relationships, while encouraging people to let go of resentment and celebrate life, as shown at.


Carl Erik Törner (Swedish, 1862-1911) - Lost in Thoughts



      It portrays a solitary figure absorbed in quiet reflection and emotional stillness. Solitary? Certainly not! The straw hat and the male walking stick prove romance. Soft, natural light gently illuminates the subject, while subdued colours reinforce the contemplative mood.


Paul Celan - Fala também tu / Sprich auch du

 


Fala também tu,

fala em último lugar,

diz a tua sentença.


Fala –

Mas não separes o Não do Sim.

Dá à tua sentença igualmente o sentido:

dá-lhe a sombra.


Dá-lhe sombra bastante,

dá-lhe tanta

quanto exista à tua volta repartida entre

a meia-noite e o meio-dia e a meia-noite.


Olha em redor:

como tudo revive à tua volta! –

Pela morte! Revive!

Fala verdade quem diz sombra.


Mas agora reduz o lugar onde te encontras:

Para onde agora, oh despido de sombra, para onde?

Sobe. Tacteia no ar.

Torna-te cada vez mais delgado, irreconhecível, subtil!

Mais subtil: um fio,

por onde a estrela quer descer:

para em baixo nadar, em baixo,

onde pode ver-se cintilar: na ondulação

das palavras errantes.


in, Sete rosas mais tarde

Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno


  Original:


Sprich auch du,

sprich als letzter,

sag deinen Spruch.


Sprich –

Doch scheide das Nein nicht vom Ja.

Gib deinem Spruch auch den Sinn:

gib ihm den Schatten.


Gib ihm Schatten genug,

gib ihm so viel,

als du um dich verteilt weißt zwischen

Mittnacht und Mittag und Mittnacht.


Blicke umher:

sieh, wie’s lebendig wird rings –

Beim Tode! Lebendig!

Wahr spricht, wer Schatten spricht.


Nun aber schrumpft der Ort, wo du stehst:

Wohin jetzt, Schattenentblößter, wohin?

Steige. Taste empor.

Dünner wirst du, unkenntlicher, feiner!

Feiner: ein Faden,

an dem er herab will, der Stern:

um unten zu schwimmen, unten,

wo er sich schimmern sieht: in der Dünung

wandernder Worte.


      O poema é uma meditação sobre a palavra depois da catástrofe. O poeta convida a falar, mas sem ilusões, procurando uma linguagem depurada, fiel ao silêncio e à verdade. A voz poética recusa discursos fáceis e valoriza a autenticidade, mesmo quando as palavras parecem insuficientes. A tensão entre dizer e calar traduz o trauma histórico e existencial, transformando a poesia num gesto de resistência, memória e responsabilidade perante o outro.


Rimski & Handkerchief - Cross Eyed & Crazy



      "Cross Eyed and Crazy" is an original musical clown tune by Rimski & Handkerchief, known for playing their Bicycle Piano & Double Bassicle. Because it is an exclusive street performance song, formal studio lyrics are not available. However, the chorus and verses feature catchy, old-time country blues lines, and I tried to get the lyrics with some imperfections.


Cross-eyed and crazy, I’m wild about my Daisy

she as happy as she can be!

She doesn’t like potatoes, neither tomato

sausages and beans.


And every time she’s downtown looking for a new clown

you can always see somebody else’s face

She’s a bold and lovely lady

cross-eyed and crazy, lazy on a sunny day.


Well, if you’re going fishing all the time

I’m going fishing, too!

Let me love you, love you

but that she caught more fish than you.


Well, if she caught, now, you got good bait

Here’s a little something I would like to relate

And if she caught now, you got good bait

I’m a going fishing, too!


So, when the morning sun is shining in the West

She’ll be dancing in those ragtime dresses she likes best

Everybody’s watching as the banjo plays

and a two-legged gypsy drives the people hopping away.


Well, Daisy can play it people started crying

"Here’s the dancing lady come walk fast!"

She’s a bow-legged lady, but I said,

"Ain’t crazy, lazy on a sunny day?"


    What about the cat? Lovely!


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