The painting depicts
women in soft, flowing fabrics spending time by the water alongside a peaceful
family of swans. It shows the artist’s refined use of colour, delicate lighting
and elegant composition. Soft tones create a harmonious atmosphere, while the
gentle interplay of light and shadow enhances the scene’s intimacy. Bunny’s
characteristic sensitivity to beauty transforms an ordinary moment into
something poetic and timeless.
Rupert Bunny - A Summer Morning
Helena Sacadura Cabral - O mundo do trabalho está a mudar
O mundo do trabalho está a mudar. Durante muito tempo, a produtividade e os resultados estiveram no centro das organizações. Hoje, cresce a preocupação em conciliar desempenho com bem-estar, dignidade e desenvolvimento pessoal.
Humanizar o trabalho significa reconhecer que, por detrás de cada função, existe uma pessoa com capacidades, emoções, necessidades e expectativas. Não significa diminuir a exigência, mas criar condições para que o profissional possa realizar o seu trabalho com responsabilidade, autonomia e equilíbrio.
A expansão da inteligência artificial e da automação torna
esta questão ainda mais importante. À medida que muitas tarefas são realizadas
pela tecnologia, ganham valor competências essencialmente humanas, como a
criatividade, a empatia, o pensamento crítico, a comunicação e a capacidade de
trabalhar em equipa.
Também as relações dentro das organizações estão a mudar. Modelos de liderança mais participativos, baseados na confiança, na autonomia e no reconhecimento, tendem a substituir formas excessivamente hierárquicas de gestão. A flexibilidade e os modelos híbridos reforçam igualmente a necessidade de encontrar um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal.
Helena Sacadura Cabral
Anna Vaus - You're Already There
Just found this at the
end of my day after work. What a wonderful conclusion of another day here on
earth. Thank you.
Hermann von Kaulbach (German,1846 - 1909) - A Happy Reading
It captures a peaceful
moment of domestic pleasure and quiet amusement. The painting portrays children
absorbed in reading, suggesting the delight of discovering an engaging story.
Kaulbach’s careful attention to facial expression, clothing, and surrounding
details creates an intimate, lifelike atmosphere. The artwork celebrates
literature as a source of happiness and imagination.
Gabriel Zaíd - Experiência de Arquimedes / Prueba de Arquimedes
Se
te mergulhasse numa tina
saberia
o volume que deslocas.
Se
te pendurasse pelos pés
medir-te-ia
o tamanho.
Estou
perplexo por seres.
Por
seres isso, isso e mais do que isso.
Acabarei
por entender-te?
Mordo-te
e só te arranco um grito.
Abraço-te
e voas numa gargalhada.
Onde
é que fica a alma, diz o cirurgião?
E tu
quem és, digo eu?
Mergulhei
de cabeça nos teus olhos.
Não
tinham fundo.
Tradução
de A.M.
Original:
Si
te hundiera en una tina,
vería
el volumen que desplazas.
Si
te colgara de un pie,
hasta
qué punto eres un bulto.
Estoy
perplejo porque eres.
Porque
eres eso, eso y más que eso.
¿Acabaré
de entenderte?
Te
muerdo y sólo te desprendo un grito.
Te
aprieto y vuelas en una carcajada.
¿Dónde
está el alma, dicen los cirujanos?
¿Quién
eres tú, digo yo?
Me
fui de bruces en tus ojos.
No
tenían fondo.
O poeta recorre à referência ao sábio grego para explorar a
relação entre conhecimento, experiência e descoberta. A alusão científica
transforma-se numa reflexão sobre a capacidade humana de compreender a realidade
através da observação e da prática. O título sugere que uma experiência
concreta pode revelar princípios universais, mas também questiona os limites da
razão. Com ironia e concisão, o poeta aproxima ciência e poesia, mostrando como
o pensamento pode iluminar o quotidiano e a existência humana.
Anna Anise - Kernow Ow Thre (Cornwall My Home)
Re
sevis war Gilgoodh, y’n howlsedhes kogh,
War
Ji an Woon Lulynn mires an lu ow tos,
Mires
orth rolys Gever ow resek a-dro,
Ha
klewes an werin ow kana war-woelez a-dro.
Ny
wra denvyth nefra ow thenna a’m bro,
Ma’s
galow an Arloedh dh’esedha ganzo;
Rag
hemm yw ow Eden, ragov ha ken re,
Rag
hemm yw ow Hernow, ha hemm yw ow thre!
Tradução
em Português:
Fiquei
em pé no Cabo da Cornualha, no brilho do sol poente,
No
alto de Chywoone em Newlyn a ver as frotas de pesca passar,
A
olhar para as roldanas em Geevor a girar sem parar,
E a
ouvir os homens a cantar enquanto descem ao subsolo.
E
ninguém me tirará jamais desta terra,
Até
que o Senhor me chame para sentar à Sua mão,
Pois
este é o meu Éden e não estou sozinho,
Pois
esta é a minha Cornualha e este é o meu lar!
"Kernow Ow Thre" é a versão em língua
córnea (Kernewek) da famosa canção homónima escrita originalmente por Harry
Glasson.
Alfred Augustus Junior - The Village Postman
The painting presents a
quiet scene of everyday rural life. The postman appears as a familiar figure
moving through the village, carrying letters that connect this peaceful
community with the wider world. The composition emphasises simplicity, routine
and human interaction, while the surroundings create a warm, intimate
atmosphere. Natural light and carefully observed details enhance the painting’s
realism.
José Luis Hidalgo - A sombra desnuda / La sombra desnuda
Estás
aqui tão desnuda
que
ninguém sequer te conhece.
Hoje,
não.
Não
te pergunto nada agora.
Teu
corpo é longa resposta
para
quem te interrogar.
Puseste
uma máscara de aço
depois
de tirar os vestidos.
Ergueste
mil muralhas
em
volta de teu sangue.
Mas
não.
Hoje
não te pergunto nada.
Tradução de A.M.
Original:
Estás
aquí tan desnuda
que
no te conoce nadie.
Hoy,
no.
Ahora
no te pregunto nada.
Tu
cuerpo es larga respuesta
a
quien quiera preguntarte.
Te
has puesto un disfraz de acero
quitándote
los vestidos.
Has
creado mil murallas
alrededor
de tu sangre.
Pero
no.
Hoy
no te pregunto nada.
O poema apresenta a nudez como metáfora da verdade interior e do mistério humano. O sujeito poético contempla uma figura que, apesar de despojada, permanece desconhecida. O corpo transforma-se numa «longa resposta», mas também numa barreira, simbolizada pelo «disfarce de aço» e pelas «mil muralhas». O contraste entre vulnerabilidade e defesa revela a dificuldade de conhecer verdadeiramente o outro. A repetição de «Hoje não» reforça o silêncio, a distância e a aceitação momentânea do mistério.
Claude Germain Paget - Les petits délinquants
It’s a pity not having the possibility of obtaining a better copy on the web. I was there ‘cause we all were there.
Soledad, Cazzu, Flor Cazzuchelli, Nati Pastorutti - Alma de Rezabaile (Casa Sole)
El
baile ya ha comenzado
Allá
por Santiago del Estero
Retumba
toda la selva
El
repicar de un bombo legüero.
De
fiesta toda la noche
El
dulce brillo de las estrellas
Bailaba
la Telesita
Que
era la danza, que era la reina.
Nochecitas
santiagueñas
Ardientes,
puras noches de plata
La
luna sobre del monte
En
luz brillante se desparrama.
Que
baile la Telesita
Dulce
y fragante como las flores
Gritaba
la paisanada
Emborrachada
de amores.
Que
busca la pobrecita
Tal
vez la danza le de un consuelo
Tu
pollera remolino
Tus
pies descalzos, trompo de fuego.
Telesita,
Telesita
Te
has vuelto lluvia, te has vuelto luna,
Te
has vuelto flor de los campos
Te
has vuelto brisa que me perfuma.
Han
pasado muchos años
Pero
tu pueblo nunca te olvida
Bailando
en los rezabailes
Para
que tu alma siga encendida.
La historia de la Telesita, una famosa leyenda del
Emile Claus (Belgian painter, 1849-1924) - Hay stacks, 1905
The painting captures
the luminous beauty of the Belgian countryside through a vibrant,
impressionistic vision. Golden haystacks dominate the landscape, glowing
beneath warm sunlight and surrounded by soft green fields. Claus uses loose brushstrokes
and shimmering colours to convey the changing effects of natural light. The
scene feels peaceful and harmonious, celebrating rural life without idealising
it excessively. The bright atmosphere, open composition, and delicate contrasts
between yellow, green, and blue create a joyful sense of summer abundance.
Golgona Anghel - Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas
Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas.
Tens aqui duas bolachas e um sumo para o caminho.
Não havia de pêra como tu querias,
se bem que lá em cima (ou em baixo, conforme)
pouco importa.
Ouvi dizer que sobre a alma tens um calhau e
sobre o calhau um balde de tinta
que te pinta de pobre e te julga inútil.
Sempre foste um mau negócio.
Permaneces igual.
Estragaste o autoclismo cá do sítio
como estragavas os meus dias de folga.
Mas nada te toca.
Moldas em vão estas cruzes de espera.
Na apatia dos crepúsculos,
o Inverno inventa a tua última palavra.
Escuta.
É por ti que os grilos cantam
e a noite se prepara para regressar
no
interior das gavetas.
O poema de Golgona Anghel, confronta o leitor com uma relação
marcada pela fragilidade, pela doença e pela proximidade da perda. A expressão
«desligar-te das máquinas» adquire um forte valor simbólico, sugerindo
simultaneamente despedida, compaixão e libertação. O tratamento íntimo de «minha querida» contrasta com
a dimensão técnica das «máquinas», revelando a tensão entre humanidade,
sofrimento e inevitabilidade.
Rumo aos Prados Vivos (A.I.)
"As poças d'água espelham o movimento lento das nuvens
passageiras, enquanto narcisos selvagens balançam à beira do caminho. Um cervo
repousa no trevo alto, a luz do sol filtra-se suavemente pelas folhas novas, e
a chuva mansa deixa caminhos cintilantes sob flores cor-de-rosa e campos
dourados. Nas horas calmas, alguém caminha sob um guarda-chuva, enquanto outro
folheia lentamente um livro em um banco de madeira entre as flores, à medida
que o crepúsculo se suaviza em tons de laranja e violeta.
Que essas cenas e cores serenas tragam uma pausa suave ao seu
dia e lhe ofereçam um momento de descanso e paz."
in, YouTube video notes
Arthur Hacker - The Sea-Maiden, 1897
The painting presents a
mysterious female figure associated with the sea, blending beauty, fantasy, and
melancholy. The maiden appears immersed in an atmospheric marine setting, where
soft light and subdued colours create an otherworldly mood. The painting
reflects the Victorian fascination with mythology and supernatural themes,
transforming the sea into a symbolic realm of enchantment, mystery, and
emotional longing.
Golgona Anghel - Devia escrever coisas mais divertidas"
Devia
escrever coisas mais divertidas,
entreter
as massas.
Evitar,
ao menos, cenas tristes,
mudar
de roupa uma vez por mês.
Podia,
decerto, afastar-me, sair do corpo,
dos
seus humores.
Entrar
na biopolítica, usar os seus métodos.
Engravidar
uma ideia alegre.
Enfim,
nada contra os suicidas de carreira
e os
demais performers do além.
Não
é que não me apeteça largar-te
num
elétrico sem travões.
Deixar-te
num país estrangeiro,
sem
dinheiro e sem memória.
Não
se iludam, ainda sei baixar as calças.
Fazer
o truque.
Mas
se o meu psiquiatra ler isto,
vai
achar que o tratamento
já
não funciona.
O poema utiliza o humor negro, o sarcasmo e o tom
confessional para ironizar as exigências do mercado literário e da sociedade
contemporânea (marcada pelo imperativo da positividade, do bem-estar
obrigatório e da biopolítica). O Eu Lírico confronta a expectativa de que a
poesia deve entreter e ser "alegre" ou leve, contrapondo-a à
realidade crua dos afetos, dos humores do corpo e do descontentamento
existencial.
Ballhaus : Dance me to the end of love - Tanz mit mir bevor du gehst
Vielen
Dank, wunderschön. Oh, Leonard!
Henri Lebasque - La Sieste à Saint-Tropez, 1906
It captures a tranquil
Mediterranean afternoon through soft, luminous colours and relaxed forms. The
painting evokes the warmth and leisure of Saint-Tropez, with figures resting
peacefully within a sunlit outdoor setting. Influenced by Impressionism and
Post-Impressionism, he transforms an ordinary moment of rest into a poetic
celebration of summer, nature and the quiet pleasures of everyday life.
Golgona Anghel - Não gosto de contar
Não
gosto de contar os desastres em detalhe
mas,
se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.
Sou
bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,
condecorar
o medo,
cortar-me
a mão com que limpo as feridas
de
uma civilização em queda.
Posso
perfeitamente
ir
afiando o gume da esperança
com
a flor branca de um cancro.
Sou,
em definitivo, este comediante de rua
que
serve a desconhecidos,
em
copos pequenos,
a
medida certa da sua agonia.
Descobre
sonhos
onde
outros só encontram coelhos.
Hoje,
por exemplo, quando tirou as luvas,
viu
que lhe faltavam os dedos.
O poema explora a dificuldade de transformar a experiência em
narrativa. O poema revela uma voz poética desconfiada da linguagem, como se
contar significasse simplificar ou trair aquilo que foi vivido. Entre a
memória, o silêncio e a fragmentação, constrói-se uma reflexão sobre os limites
da palavra.
Eugénio de Andrade - O poema ensina a cair
Em
cada fruto a morte amadurece,
deixando
inteira, por legado,
uma
semente virgem que estremece
logo
que o vento a tenha desnudado.
Isaac et Nora - No soy de aquí, ni soy de allá (Facundo Cabral)
Me
gusta el sol y la mujer cuando llora
Las
golondrinas y las malas señoras
Saltar
balcones y abrir las ventanas
Y
las muchachas en abril.
Me
gusta el vino tanto como las flores
Y
los amantes, pero no los señores
Me
encanta ser amigo de los ladrones
Y
las canciones en francês.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
No
soy de aquí, ni soy de allí?
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
Me
gusta estar tirado siempre en la arena
Y en
bicicleta perseguir a Manuela
Y
todo el tiempo para ver las estrellas
Con
la Marña en el trigal.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
Isaac
y Nora, mil gracias por dar tanta
alegría al mundo.
Alejandra Pizarnik - Amantes
uma flor
não longe da noite
o meu corpo mudo
se abre
à delicada urgência do orvalho
Tradução de A.M.
Original:
una flor
no lejos de la noche
mi cuerpo mudo
se abre
a la delicada urgencia del rocío
O poema explora o amor como experiência de desejo, intimidade
e inquietação. O poema apresenta os amantes num espaço simultaneamente próximo
e inacessível, onde a união física não elimina a solidão interior. A linguagem,
marcada pela brevidade e pela intensidade emocional, sugere uma relação vivida
entre o sonho e a realidade.
Herbert James Draper - The Sea Maiden, 1894
The painting shows a
romantic, mythological vision of a mysterious woman emerging from the sea. Her
flowing hair and pale, luminous figure contrast with the deep blue-green waves
surrounding her. The restless water suggests both danger and allure, while the
maiden’s serene expression evokes the timeless fascination of classical
mythology. The painting exemplifies the Victorian era’s interest in poetic,
sensual and imaginative subjects.
Guillaume de Machaut - Je vivroie liement by Ensemble Parlamento
Je vivroie liement
Douce creature
Se vous savies vraiement
Qu'en vous fust parfaitement ma cure.
Dame
de meintieng joli
Plaisant, nette et pure
Souvent me fait dire: Aimi!
Li
maus que j'endure
Pour vous servir loyauement
Et soies seure
Que
je ne puis nullement
Vivre
einssi, se longuement me dure.
Car vous m'estes sans mercy
Et sans pite dure
Et
s'aves le cuer de mi
Mis en tel ardure
Qu'il morra certeinnement
De mort trop obscure
Se pour son aligement
Merci n'est procheinnement meure.
Beautiful and nice music and performance.
Alejandra Pizarnik - Carência / La Carencia
Eu
não sei de pássaros,
nem
conheço a história do fogo.
Mas
creio que devia ter asas a minha solidão.
Desfolha-se
este lilás.
De
si mesmo cai
e
oculta sua antiga sombra.
Eu
hei-de morrer de coisas assim.
Tradução de A.M.
Original:
Yo
no sé de pájaros,
no
conozco la historia del fuego.
Pero
creo que mi soledad debería tener alas.
Esta
lila se deshoja.
Desde
sí misma cae
y
oculta su antigua sombra.
He
de morir de cosas así.
O poema explora a experiência íntima da ausência,
transformando a falta numa condição existencial. O poema revela uma voz poética
marcada pela solidão, pelo desejo e pela impossibilidade de alcançar plenamente
aquilo que procura. A linguagem, breve e concentrada, cria uma atmosfera de
fragilidade e inquietação, numa experiência profundamente humana e
perturbadora.


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