It’s a pity not having the possibility of obtaining a better copy on the web. I was there ‘cause we all were there.
Soledad, Cazzu, Flor Cazzuchelli, Nati Pastorutti - Alma de Rezabaile (Casa Sole)
El
baile ya ha comenzado
Allá
por Santiago del Estero
Retumba
toda la selva
El
repicar de un bombo legüero.
De
fiesta toda la noche
El
dulce brillo de las estrellas
Bailaba
la Telesita
Que
era la danza, que era la reina.
Nochecitas
santiagueñas
Ardientes,
puras noches de plata
La
luna sobre del monte
En
luz brillante se desparrama.
Que
baile la Telesita
Dulce
y fragante como las flores
Gritaba
la paisanada
Emborrachada
de amores.
Que
busca la pobrecita
Tal
vez la danza le de un consuelo
Tu
pollera remolino
Tus
pies descalzos, trompo de fuego.
Telesita,
Telesita
Te
has vuelto lluvia, te has vuelto luna,
Te
has vuelto flor de los campos
Te
has vuelto brisa que me perfuma.
Han
pasado muchos años
Pero
tu pueblo nunca te olvida
Bailando
en los rezabailes
Para
que tu alma siga encendida.
La historia de la Telesita, una famosa leyenda del
Emile Claus (Belgian painter, 1849-1924) - Hay stacks, 1905
The painting captures
the luminous beauty of the Belgian countryside through a vibrant,
impressionistic vision. Golden haystacks dominate the landscape, glowing
beneath warm sunlight and surrounded by soft green fields. Claus uses loose brushstrokes
and shimmering colours to convey the changing effects of natural light. The
scene feels peaceful and harmonious, celebrating rural life without idealising
it excessively. The bright atmosphere, open composition, and delicate contrasts
between yellow, green, and blue create a joyful sense of summer abundance.
Golgona Anghel - Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas
Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas.
Tens aqui duas bolachas e um sumo para o caminho.
Não havia de pêra como tu querias,
se bem que lá em cima (ou em baixo, conforme)
pouco importa.
Ouvi dizer que sobre a alma tens um calhau e
sobre o calhau um balde de tinta
que te pinta de pobre e te julga inútil.
Sempre foste um mau negócio.
Permaneces igual.
Estragaste o autoclismo cá do sítio
como estragavas os meus dias de folga.
Mas nada te toca.
Moldas em vão estas cruzes de espera.
Na apatia dos crepúsculos,
o Inverno inventa a tua última palavra.
Escuta.
É por ti que os grilos cantam
e a noite se prepara para regressar
no
interior das gavetas.
O poema de Golgona Anghel, confronta o leitor com uma relação
marcada pela fragilidade, pela doença e pela proximidade da perda. A expressão
«desligar-te das máquinas» adquire um forte valor simbólico, sugerindo
simultaneamente despedida, compaixão e libertação. O tratamento íntimo de «minha querida» contrasta com
a dimensão técnica das «máquinas», revelando a tensão entre humanidade,
sofrimento e inevitabilidade.
Rumo aos Prados Vivos (A.I.)
"As poças d'água espelham o movimento lento das nuvens
passageiras, enquanto narcisos selvagens balançam à beira do caminho. Um cervo
repousa no trevo alto, a luz do sol filtra-se suavemente pelas folhas novas, e
a chuva mansa deixa caminhos cintilantes sob flores cor-de-rosa e campos
dourados. Nas horas calmas, alguém caminha sob um guarda-chuva, enquanto outro
folheia lentamente um livro em um banco de madeira entre as flores, à medida
que o crepúsculo se suaviza em tons de laranja e violeta.
Que essas cenas e cores serenas tragam uma pausa suave ao seu
dia e lhe ofereçam um momento de descanso e paz."
in, YouTube video notes
Arthur Hacker - The Sea-Maiden, 1897
The painting presents a
mysterious female figure associated with the sea, blending beauty, fantasy, and
melancholy. The maiden appears immersed in an atmospheric marine setting, where
soft light and subdued colours create an otherworldly mood. The painting
reflects the Victorian fascination with mythology and supernatural themes,
transforming the sea into a symbolic realm of enchantment, mystery, and
emotional longing.
Golgona Anghel - Devia escrever coisas mais divertidas"
Devia
escrever coisas mais divertidas,
entreter
as massas.
Evitar,
ao menos, cenas tristes,
mudar
de roupa uma vez por mês.
Podia,
decerto, afastar-me, sair do corpo,
dos
seus humores.
Entrar
na biopolítica, usar os seus métodos.
Engravidar
uma ideia alegre.
Enfim,
nada contra os suicidas de carreira
e os
demais performers do além.
Não
é que não me apeteça largar-te
num
elétrico sem travões.
Deixar-te
num país estrangeiro,
sem
dinheiro e sem memória.
Não
se iludam, ainda sei baixar as calças.
Fazer
o truque.
Mas
se o meu psiquiatra ler isto,
vai
achar que o tratamento
já
não funciona.
O poema utiliza o humor negro, o sarcasmo e o tom
confessional para ironizar as exigências do mercado literário e da sociedade
contemporânea (marcada pelo imperativo da positividade, do bem-estar
obrigatório e da biopolítica). O Eu Lírico confronta a expectativa de que a
poesia deve entreter e ser "alegre" ou leve, contrapondo-a à
realidade crua dos afetos, dos humores do corpo e do descontentamento
existencial.
Ballhaus : Dance me to the end of love - Tanz mit mir bevor du gehst
Vielen
Dank, wunderschön. Oh, Leonard!
Henri Lebasque - La Sieste à Saint-Tropez, 1906
It captures a tranquil
Mediterranean afternoon through soft, luminous colours and relaxed forms. The
painting evokes the warmth and leisure of Saint-Tropez, with figures resting
peacefully within a sunlit outdoor setting. Influenced by Impressionism and
Post-Impressionism, he transforms an ordinary moment of rest into a poetic
celebration of summer, nature and the quiet pleasures of everyday life.
Golgona Anghel - Não gosto de contar
Não
gosto de contar os desastres em detalhe
mas,
se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.
Sou
bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,
condecorar
o medo,
cortar-me
a mão com que limpo as feridas
de
uma civilização em queda.
Posso
perfeitamente
ir
afiando o gume da esperança
com
a flor branca de um cancro.
Sou,
em definitivo, este comediante de rua
que
serve a desconhecidos,
em
copos pequenos,
a
medida certa da sua agonia.
Descobre
sonhos
onde
outros só encontram coelhos.
Hoje,
por exemplo, quando tirou as luvas,
viu
que lhe faltavam os dedos.
O poema explora a dificuldade de transformar a experiência em
narrativa. O poema revela uma voz poética desconfiada da linguagem, como se
contar significasse simplificar ou trair aquilo que foi vivido. Entre a
memória, o silêncio e a fragmentação, constrói-se uma reflexão sobre os limites
da palavra.
Eugénio de Andrade - O poema ensina a cair
Em
cada fruto a morte amadurece,
deixando
inteira, por legado,
uma
semente virgem que estremece
logo
que o vento a tenha desnudado.
Isaac et Nora - No soy de aquí, ni soy de allá (Facundo Cabral)
Me
gusta el sol y la mujer cuando llora
Las
golondrinas y las malas señoras
Saltar
balcones y abrir las ventanas
Y
las muchachas en abril.
Me
gusta el vino tanto como las flores
Y
los amantes, pero no los señores
Me
encanta ser amigo de los ladrones
Y
las canciones en francês.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
No
soy de aquí, ni soy de allí?
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
Me
gusta estar tirado siempre en la arena
Y en
bicicleta perseguir a Manuela
Y
todo el tiempo para ver las estrellas
Con
la Marña en el trigal.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
No
soy de aquí, ni soy de allí
No
tengo edad, ni porvenir
Y
ser feliz es mi color
De identidade.
Isaac
y Nora, mil gracias por dar tanta
alegría al mundo.
Alejandra Pizarnik - Amantes
uma flor
não longe da noite
o meu corpo mudo
se abre
à delicada urgência do orvalho
Tradução de A.M.
Original:
una flor
no lejos de la noche
mi cuerpo mudo
se abre
a la delicada urgencia del rocío
O poema explora o amor como experiência de desejo, intimidade
e inquietação. O poema apresenta os amantes num espaço simultaneamente próximo
e inacessível, onde a união física não elimina a solidão interior. A linguagem,
marcada pela brevidade e pela intensidade emocional, sugere uma relação vivida
entre o sonho e a realidade.
Herbert James Draper - The Sea Maiden, 1894
The painting shows a
romantic, mythological vision of a mysterious woman emerging from the sea. Her
flowing hair and pale, luminous figure contrast with the deep blue-green waves
surrounding her. The restless water suggests both danger and allure, while the
maiden’s serene expression evokes the timeless fascination of classical
mythology. The painting exemplifies the Victorian era’s interest in poetic,
sensual and imaginative subjects.
Guillaume de Machaut - Je vivroie liement by Ensemble Parlamento
Je vivroie liement
Douce creature
Se vous savies vraiement
Qu'en vous fust parfaitement ma cure.
Dame
de meintieng joli
Plaisant, nette et pure
Souvent me fait dire: Aimi!
Li
maus que j'endure
Pour vous servir loyauement
Et soies seure
Que
je ne puis nullement
Vivre
einssi, se longuement me dure.
Car vous m'estes sans mercy
Et sans pite dure
Et
s'aves le cuer de mi
Mis en tel ardure
Qu'il morra certeinnement
De mort trop obscure
Se pour son aligement
Merci n'est procheinnement meure.
Beautiful and nice music and performance.
Alejandra Pizarnik - Carência / La Carencia
Eu
não sei de pássaros,
nem
conheço a história do fogo.
Mas
creio que devia ter asas a minha solidão.
Desfolha-se
este lilás.
De
si mesmo cai
e
oculta sua antiga sombra.
Eu
hei-de morrer de coisas assim.
Tradução de A.M.
Original:
Yo
no sé de pájaros,
no
conozco la historia del fuego.
Pero
creo que mi soledad debería tener alas.
Esta
lila se deshoja.
Desde
sí misma cae
y
oculta su antigua sombra.
He
de morir de cosas así.
O poema explora a experiência íntima da ausência,
transformando a falta numa condição existencial. O poema revela uma voz poética
marcada pela solidão, pelo desejo e pela impossibilidade de alcançar plenamente
aquilo que procura. A linguagem, breve e concentrada, cria uma atmosfera de
fragilidade e inquietação, numa experiência profundamente humana e
perturbadora.
Pizzicar Galante - Giovanni Battista Gervasio - Sonata // Per Mandolino solo e Basso (Allegro)
The players are:
Anna Schivazappa, mandolin
Ronald Martin Alonso, viola da gamba
Daniel De Morais, theorbo, archlute
and baroque guitar
Maria Christina Cleary, harp
Anna Fontana, harpsichord
Absolutely beautiful.
Music like this offers hope for a happy and peaceful world. Make this, not war.
Matsuyama Miyabi - Suffocation
Its title intensifies the impression of emotional pressure, suggesting anxiety, isolation and the struggle to breathe freely, both physically and metaphorically. The fingers are the ones of the wedding rings. Does it deal with conjugality?
Alejandra Pizarnik - Cold in hand blues
e
vais dizer o quê
vou
dizer só alguma coisa
e o
que é que vais fazer
vou
esconder-me nas palavras
e
porquê
porque
tenho medo
Tradução de A.M.
Original:
y
qué es lo que vas a decir
voy
a decir solamente algo
y
qué es lo que vas a hacer
voy
a ocultarme en el lenguaje
y
por qué
tengo
miedo
O poema explora a solidão, a fragilidade e a dificuldade de comunicar uma experiência interior marcada pela angústia. O título, associado ao blues, sugere uma atmosfera de tristeza, desencanto e vulnerabilidade. A expressão «cold in hand» transmite uma sensação de vazio e ausência, como se algo essencial tivesse escapado. O poema revela, assim, uma consciência inquieta perante a passagem do tempo e a impossibilidade de alcançar plenitude.
Jehan Georges Vibert (1840 - 1902) - Le Parasol Perdu
It is a charming painting
marked by the artist’s characteristic wit and refined theatricality. The scene
presents a humorous everyday incident, transforming a small mishap into an
elegant visual anecdote. Beneath its playful surface, the painting reveals
Vibert’s talent for capturing social behaviour, irony and the comic side of
ordinary life.
Morreste-nos
Morreste-me.
Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor Doutor
Ai de mim, não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior.
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu
és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos, toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar.
Andava eu sozinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou a mão um minuto sequer.
Se queres ver o mundo inteiro à tua
altura
Tens de olhar p'ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar
E se ás duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance e tens de o encontrar.
"A gente já não sabe o que há-de fazer com a lua, gerou-se um
curto-circuito no canal telepático e a caverna clandestina por detrás da
cascata, onde os amantes se entregavam à eternidade, hoje não passa d'um moderno
armazém de sucata." Como pudeste escrever estes versos, assim!? Até amanhã!
Guilherme de Oliveira - Simplesmente feliz
Sem
artes
e sem letras
ambições
materiais
um
projecto de vida
agruras
na pele
dramas
existenciais
discriminação
à vista
vizinhos
incómodos
cheias
torrenciais
carências
no bolso
um
frio na barriga.
Feliz
como
as folhas de uma couve.
in, Não
deixaram entrar o cão, 2025
O poema valoriza a felicidade em contraste com a tragédia
existencial. A couve irá, um dia, ser cortada. Através de uma linguagem simples,
o sujeito poético parece encontrar alegria nas pequenas coisas, nos momentos
quotidianos e na capacidade de apreciar o presente. A expressão do título
resume uma atitude perante a vida: ser feliz sem procurar justificações
grandiosas.
Aron Wiesenfeld - Transfer, 2026
"A woman and a young
girl stand in the grass, illuminated by a bright, sharp beam of light that
appears to come from the left (as if they are standing in the headlights of a
stationary car). This creates a cinematic tension. Their expressions are serene
yet averted, evoking a sense of anticipation or uncertainty.
Beside them stands a
black dog, gazing alertly into the distance. In art, a dog often symbolizes
loyalty or protection, but here, its dark silhouette also contributes to the
enigmatic and somewhat ominous nature of the scene.
The landscape is
shrouded in deep blue twilight or mist. On the horizon, an industrial facility
or factory is visible, complete with lights and a smokestack.
This contrast between the vulnerable human figures near the tree and the distant, cold industry highlights themes of isolation and the transition between nature and urbanization. The title The title suggests a moment of transition or passage. The bags they are carrying and their position by the roadside indicate that they are on a journey, waiting for a moment of departure or change. Wiesenfeld deliberately avoids presenting a definitive narrative, thereby inviting the viewer to fill in the details and the emotional resonance of this "silent film scene" for themselves."
in, Facebook
dir. Ryutaro Nakagawa - Summer Blooms, 2017
Kasumi, a calligraphy teacher and aspiring writer, has been grieving the loss of her fiancé for three years. Unable to move forward, she finds her routine disrupted by the arrival of a package containing a box of chocolates and a cryptic note. Her journey through grief becomes a search for meaning in the everyday, exploring how the past shapes – and sometimes hinders – the present.
José Jiménez Lozano - Homero
Se
aí viesse Homero
ao
teu jardim, o que farias tu?
Onde
é que guardas o mel, as tâmaras,
o
leite, um pedaço de porco?
Achas
que ele te falaria das Plêiades,
ou
que poderias dar-lhe os teus poemas a ler?
Oh,
pai Homero, senta-te e escuta!
Diz-me
se Ulisses, se Penélope,
se a
lua vermelha de Setembro,
se o
vento ou orvalho, se as vides
ou a
espuma do mar,
se a
rima ou a lua, se a morte
estão
bem postas em meus versos,
apenas
isso.
Tradução
de A.M.
Original:
Si
ahora llegase Homero
a tu
jardín ¿qué harías?
¿Dónde
guardas los dátiles, la miel,
la
leche o un trozo de puerco?
¿Crees
que hablaría contigo de las Pléyades
y
podrías darle a leer tus poemas?
¡Oh,
padre Homero, siéntate y escucha!
Dime
si Ulyses, si Penélope, si la luna roja
de
setiembre, si la escarcha o el viento
cierzo,
si las vides o la marina espuma,
si
la rima o la luna, si la muerte
están
bien situadas en mis versos,
sólo
esto.
O poema convoca a figura do poeta grego como símbolo da
memória, da tradição e da permanência da palavra. Homero representa a
capacidade de transformar experiências humanas em narrativa, preservando
histórias, emoções e valores através dos séculos. A sua presença sugere uma
reflexão sobre a origem da poesia e o poder da linguagem para vencer o
esquecimento.

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