Le Mondine - La Lavanderina




La bella lavandaia verso il fiume cantando va

scende dalla collina fresca nella mattina

Porta le cesta piena quanti panni andrà a lavar

lunga è la giornata lunga un'eternità.


Il sole sta per tramontar

lavanderina torna al tuo casolar

Quelle mani gonfie come fai

ti fanno male più che mai.

Di lontano pare la

il tuo villaggio nuovo che aspetta già

Sulla porta mentre il giorno muor

soltanto un bacio con il tenero dolor.


La bella lavandaia verso il fiume cantando va

quel canto si diffonde dal fiume sulle sponde

Come una cantilena fino a sera ripeterà

sempre quel ritornello lungo un'eternità.


      Too Pop for my taste, but I listened lots of these songs during my childhood. Traditional laundry relied heavily on physical labour, using river rocks, wooden paddles, and washboards to clean textiles. A typical historic wash day involved soaking clothes in lye or soap, scrubbing by hand, and wringing out water manually.


Fredrik Kolstø (Norwegian painter, 1860-1945) - Woman by the Window, 1910



      It portrays a quiet, contemplative moment as a woman stands beside a sunlit window, absorbed in thought. Soft natural light gently illuminates her figure, creating subtle contrasts between the interior’s muted tones and the brightness beyond the glass. The restrained palette and careful composition evoke intimacy, solitude, and introspection. Kolstø’s realistic style captures everyday domestic life with warmth and psychological depth, inviting viewers to reflect on stillness, memory, and the silent passage of time.


Andrés Trapiello - Widmung

 


Em silêncio a casa.

Uma lâmpada erguida com o seu universo

pequeno e harmonioso,

e na varanda a lua com o seu manto.


Manto, uma palavra culta

para vós, meus filhos.

Não ouvis no vidro da janela

a borboleta a bater, cega?


Não lhe bastam a noite de verão

nem as estrelas todas.

Quer também entrar,

coroar as vossa frontes e libar

nessas brancas mãos

que o cansaço moldou no lençol,

maçapães de um forno.


O rouxinol abalou e a coruja

do alambique ulula e pensa

com sílabas distantes

para não vos acordar do repouso.


Dormis, dormis, enquanto o vosso pai

vai escrevendo estes versos,

e tal como a borboleta

marra no papel como num vidro

e tenta assim entrar na poesia

como a noite na luz.


  Tradução A.M.


  Original:


En silencio la casa.

Una lámpara en pie con su universo

pequeño y armonioso,

y en el balcón la luna con su peplo.


Peplo, una palabra culta

para vosotros, hijos.

¿No oís en el cristal de la ventana

la mariposa acometiendo ciega?


No le bastan la noche de verano

ni todas las estrellas.

Quiere también entrar,

coronar vuestras frentes y libar

en esas blancas manos

que el cansancio amoldó sobre el embozo,

mazapanes de un horno.


El ruiseñor se ha ido y la lechuza

de la vieja almazara ulula y piensa

con sílabas lejanas

para no despertar vuestro reposo.


Dormís, dormís, y vuestro padre al lado

va escribiendo estos versos,

e igual que la falena misteriosa,

golpea en el papel como en un vidrio

y en la poesía trata así de entrar,

como en la luz la noche.


      No poema "Widmung" ("Dedicatória"), Andrés Trapiello transforma um momento doméstico e silencioso numa reflexão sobre o amor paternal e a criação poética. Enquanto os filhos dormem, o poeta observa a noite e encontra na natureza — a lua, a borboleta, o rouxinol, a coruja — imagens de delicadeza e mistério. A tentativa da borboleta de atravessar o vidro espelha o próprio desejo do poeta de alcançar a poesia, convertendo o quotidiano numa experiência de beleza, ternura e transcendência.


Crêuza de mä - Erica Boschiero e Giua



 

Umbre de muri, muri de mainé

Dunde ne vegnì, duve l'è ch'ané

Da 'n scitu duve a l'ûn-a se mustra nûa

E a nuette a n'à puntou u cutellu ä gua.


E a muntä l'àse gh'è restou Diu

U Diàu l'è in çë e u s'è gh'è faetu u nìu

Ne sciurtìmmu da u mä pe sciugà e osse da u Dria

A funtan-a d'i cumbi 'nta cä de pria.


  E e anda e e e anda e e e anda io!


E 'nt'a cä de pria chi ghe saià

Int'à cä du Dria che u nu l'è mainà

Gente de Lûgan facce da mandillä

Qui che du luassu preferiscian l'ä

Figge de famiggia udù de bun

Che ti peu ammiàle senza u gundun


E a 'ste panse veue cose ghe daià

Cose da beive, cose da mangiä.

Frittûa de pigneu giancu de Purtufin

Çervelle de bae 'nt'u meximu vin

Lasagne da fiddià ai quattru tucchi

Paciûgu in aegruduse de lévre de cuppi.


E 'nt'a barca du vin ghe naveghiemu 'nsc'i scheuggi

Emigranti du rìe cu'i cioi 'nt'i euggi

Finch'ou matin crescià da puéilu rechéugge

Frè di ganeuffeni e d'è figge

Bacan d'a corda marsa d'aegua e de sä

Che a ne liga e a ne porta 'nte 'na crêuza de mä.


      Crêuza de mä cantado no dialeto da Ligúria (Génova) significa "caminho de mula junto ao mar". Vejamos o que nos diz a Wikipedia: The song "is about the hard-working life of sailors and fishermen in Genoa, but also displays their serene mood when gathering together for dinner. The lyrics mention various traditional Genoan dishes, which are allegedly served in "Andrea's house".


Alex Colville - Nude and Dummy, 1950



      The painting presents a quiet, unsettling encounter between a seated nude woman and a tailor’s dressmaker’s dummy. Rendered with meticulous realism, the composition contrasts living flesh with the lifeless mannequin, inviting reflection on identity, objectification, and human vulnerability. The sparse interior and controlled lighting heighten the psychological tension, while the figures’ stillness creates an atmosphere of introspection.


Berna Wang - Pequenos acidentes domésticos / Pequeños accidentes caseros

 


Cortei-me num dedo a cozinhar,

depois esfolei outro a abrir uma garrafa,

hoje arranhei a perna com um pico da mesinha.

Aí, pus-me séria

e convoquei todos os objectos de casa,

para lhes dizer que me custa muito,

que morro de pena,

que tenho o coração numa chaga,

que sou assim uma ferida a sangrar de tristeza,

que até respirar me dói por ele me não amar

como eu o amo.

Enfim, que não precisam, disse-lhes ainda,

de mo recordar também eles

cada dia.

 

  Tradução A.M.


  Original:


Me  hice un tajo en un dedo cuando cocinaba.

Luego me despellejé otro dedo al abrir una botella.

Hoy me he raspado la pierna con el pico de la mesita.

Así que me he puesto seria:

he reunido en asamblea a todos los objetos de mi casa

y les he dicho que ya sé

que me muero de la pena,

que tengo el corazón en carne viva,

que ya sé

que no soy más que una herida que sangra tristeza,

que hasta respirar me duele porque él no me ama

como le amo yo;

en fin: que no hace ninguna falta, les he dicho,

que me lo recuerden también ellos

cada día.


      É a segunda vez que publico estes versos. Eu sei porquê, mas não digo. O poema transforma pequenos incidentes domésticos numa poderosa metáfora da dor emocional. Os cortes, arranhões e feridas quotidianas refletem um coração devastado pela perda amorosa, tornando os objetos da casa testemunhas silenciosas do sofrimento. Com ironia subtil e linguagem simples, a poeta revela como a tristeza invade os gestos mais banais da vida.


Oana Font și Zorina Balan - Cetera din Maramureș



Cântă ceteră cu strune

Astăzi ești pă mânuri bune

Noi cu glasu' pângă tine

Om hori cu drag la lume


Ceteră pretina me'

Fă-mi pă voie de-i pute'

Te-am avut în vremuri grele

Cu tine-am trecut prin ele


Ceteraș când îi muri

Moroșenii te-or jeli

Lasă-ți mânurile-acasă

Că-i păcat să-ți putrezască


Ierte-i Dumnezeu păcatu'

La omu' ce-o croit arcu'

Că-n puterea arcului

Șede voia orișicui


Nu gândesc și nici n-aș crede

C-ați uitat horile tăte

Și că nu vă poartă dor

De dulceața strunelor


Raiu' s-o întins la noi

Haidați oameni buni și voi

Nu ni-i fală avuția

Cum ni-i cinstea și-omenia

Aiestea-s la noi, la sate

De alții demult uitate


  Tradução do Google Tradutor:


Violino, faz soar as tuas cordas com doçura

Hoje, tu estás em mãos hábeis

Cantaremos contigo

Compartilhando a alegria com o mundo todo

 

Violino, meu amigo fiel

Atende ao meu desejo, se puderes

Estiveste comigo nos momentos difíceis

E juntos os superámos

 

Violinista, quando morreres

O povo de Maramureș chorará

Deixa tuas mãos em casa

Pois é uma pena deixá-las apodrecer

 

Que Deus perdoe os pecados

Do homem que esculpiu o arco

Pois no próprio poder do arco

Reside o espírito de todos nós.


    A alegria e a música tradicional da Roménia.


Antonio Bueno - Still Life



      Modern man often lives between constant connectivity and profound loneliness, facing uncertainty about the future, economic instability, environmental crises, and rapid technological change. The pressure to succeed, compare oneself with others, and maintain a flawless image can fuel anxiety and self-doubt. Again, Don Quixote, he sees some windmills and thinks they are giants.


Berna Wang

 


Que a vida te dê a seu tempo

só a dor necessária,

nem tão leve que a não sintas,

nem tão grande que encha tudo.

Que não te esqueça,

mas também não precises

de pastilhas para a esquecer.

Só o latejo exato no sítio certo

para saberes que a ferida está lá,

que é preciso ter paciência

e tratá-la até que sare.


  Tradução de A.M.


  Original:


Que la vida te regale en su momento

sólo el dolor preciso:

ni tan leve que pase desapercibido

ni tan grande que lo invada todo.

Que no te olvides

ni necesites analgésicos para olvidar.

Sólo el latido exacto en el lugar justo

para saber que la herida está ahí,

que hay que tener paciencia,

y cuidarla hasta que cure.


      Se choro? Eu sou como as grutas, choro para dentro.


O Trovante - Fizeram os dias assim, 1986



Por mais que larguem os braços, por mais que soltem amarras

E que se tapem as covas.

Por mais que rasguem os quadros, por mais que queimem as leis

E que os costumes esmoreçam.


Por mais que arrasem as feras e que os papões arrefeçam

E que as bruxas se convertam.

Por mais que riam as caras e que ternura se esqueça

Por mais que o amor prevaleça.


  Vocês fizeram os dias assim!


Não nos venham pedir contas, não venham pôr-nos regras

Sabemos que os nossos dias não vão ser gastos assim!


      Que notícia triste, o ogre mexeu-se. Sinto borboletas no coração e olho pela janela para o céu. Não te deixarei morrer em mim, Luís Represas. 


Henriette Browne - The Pet Goldfinch


      The artwork emphasizes themes of innocence, companionship, and the gentle bond between humans and animals, showcasing Browne's skill in capturing delicate, intimate moments. The girl is doing her homework, but is she asking for help? The apples are there, the old books, the fading flowers. The cage is opened, but there are the walls. Freedom soon will come.


Karmelo C. Iribarren - O amor / El amor

 


Como o vento que encontra

uma frincha

e se enfia pela casa

e põe tudo em desordem,

livros

facturas

poemas


assim na vida

chega

o amor.


Nada é igual depois disso,

esse caos

é a felicidade.


Mas um dia tem de acabar.


Sorte se não te calhar a ti.



  Tradução de A.M.


  Original:


Como el viento que encuentra

una rendija

y se cuela en la habitación

y lo desordena todo:

libros

facturas

poemas


así llega

en la vida

el amor.


Nada es igual a partir de entonces,

ese caos

es la felicidad.


Pero un día habrá que recoger.


Suerte si no te toca a ti.


      O poeta reflete sobre a presença constante do amor na vida, silenciosa e discreta, mas fundamental. Destaca a sua capacidade de transformar emoções, de dar sentido às ações quotidianas que nos fazem sentir felizes.

 

Chant traditionnel de Transylvanie - Októbernek, októbernek elsején - Fáj a szívem



 

Októbernek, októbernek elsején,

Nem süt a nap Csíkkarcfalva mezején.

Elbúcsúzom a madártól, s az ágtól,

Azután a csíkkarcfalvi lányoktól.


Ha kimegyek arra magos tetőre,

Találok én szeretőre, kettőre.

Ej, haj, haj, haj, de nagy baj,

Hogy a babám szíve olyan, mint a vaj.


Amerre mész édes rózsám kívánom,

Hogy előtted a rét rózsává váljon

A zöld fű is piros rózsát teremjen,

A te szíved soha el ne feledjen!


Tradução da Língua húngara pelo Google Tradutor.


No primeiro dia de outubro,

o sol não brilha sobre os campos de Csíkkarcfalva.

Digo adeus ao pássaro e ao galho,

e depois às donzelas de Csíkkarcfalva.


Se eu for até aquela colina alta,

encontrarei uma amada — aliás, duas.

Oh, que grande tristeza! Que o coração 

da minha amada seja tão mole quanto manteiga.


Para onde quer que vás, meu doce amor, desejo

que o prado à tua frente se transforme em rosas,

Que a relva verde dê rosas vermelhas,

e que o teu coração nunca me esqueça!


      Li, que os húngaros têm por hábito cantar esta melodia no dia 1 de outubro, para reforçar a sua situação conjugal e evitar a solidão. Talvez, por essa razão, as senhoras que cantam tentam contrariar a solidão dos montes.  


Nina Ahlstedt - Daydreams, 1896



      "Daydreams" depicts a young man resting peacefully in a forest while a mysterious woman appears among the trees, seemingly as a vision from his imagination. The dreamy atmosphere, soft light, and hazy figure create a poetic scene that blurs the line between reality and fantasy.


Miriam Reyes - Começos suspensos / Comienzos suspendidos.

 


Comecei dezenas de histórias

e nem uma terminei,

não sei para onde me vão as personagens

porque começam a falar

e de repente calam-se.


Acontece-me o mesmo no papel e fora dele:

a minha vida é uma série de começos

suspensos.


  Tradução de A.M.


  Original:


He comenzado decenas de historias

y no he terminado ninguna,

no sé hacia dónde van mis personajes

por qué empiezan a hablar

y de pronto se callan.


Sobre el papel me sucede lo mismo que fuera de él:

mi vida es un puñado de comienzos

suspendidos.


      Miriam Reyes transforma a incapacidade de concluir histórias numa metáfora da própria existência. O poema revela uma consciência marcada pela hesitação, pela fragmentação e pela incerteza, onde a vida e a escrita refletem o mesmo estado de suspensão. A interrupção não representa apenas fracasso, mas também abertura a múltiplas possibilidades nunca concretizadas. A autora ensina que a identidade constrói-se tanto pelos começos inacabados como pelas escolhas realizadas.


Valeria Castro - tiene que ser más fácil



Con los 5 sentidos pa que no se rompa en esta plaza

corazón partido no se arregla buscando otra casa

y no había otro camino que vivir las horas como pasan

no era buen amigo el huracán que su cabeza arrasa.


Tiene que ser más fácil el quererse

no puede el cuerpo ser tan cruel al verse.


Es el propio juicio quien presiona y no baja la guardia

no hay quien la convenza de que en esta vida todo cambia

y cómo no le va afectar que la rodee tanta distancia

la soledad no es buena compañía para la nostalgia.


Tiene que ser más fácil

tiene que ser más fácil el quererse

no puede el cuerpo ser tan cruel al verse.

Tiene que haber bien cerca una salida

no es eterno estar a la deriva.


Y sin pensar en otra cosa cómo crees que avanza

pero la culpa estaba rota y todo el peso cansa

lo vulnerable de quien siempre se cargó a la espalda

todas las miradas que pensaba que eran armas.


Tiene que ser más fácil

tiene que ser más fácil el quererse

no puede el cuerpo ser tan cruel al verse

Tiene que haber bien cerca una salida

no es eterno estar a la deriva.


   Gracias por enseñarnos a querernos!


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