Hollow Coves - Blessings



Sunlight fell and reminded me that life can be so gracious sometimes,

And I felt like everything around me was connected somehow.

At night I hear the rhythm of the ocean as it breaks on the shore,

And I think about all the things that I am grateful for.


And they say, "Hold on to the ones you love keep 'em close to you!"

And they say, "Hold on to this time we have and let the light shine through."


Sometimes I get a little bit emotional when I see love unfold

Two hearts bound by reflections of the memories they'll forever hold.


There are blessings all around you open up your eyes

Feel the sunlight fall upon you let it free your mind.

There are blessings all around you take a step outside

Let your heart shine in a new light see it come alive.


      I love how they walk barefoot everywhere, so free~spirited and its really good for their immunity!


Theodor Grust - Kerzenlichtreflexionen (Reflejos a la luz de las velas), 1890

 

      The painting captures an intimate, candlelit interior suffused with warmth and quiet contemplation. A young woman, softly illuminated by flickering light, is absorbed in a reflective moment, while polished surfaces echo the candle’s glow. The composition evokes domestic serenity, nostalgia, and gentle introspection, celebrating the poetic beauty of everyday life under the enchanting shimmer of candlelight and timeless human grace and quiet charm.


Eduardo Galeano - Fogueiras / Fuegos

 


Cada pessoa brilha com luz própria

entre todas as mais.

Não há duas chamas iguais,

há chamas grandes e chamas pequenas

e chamas de todas as cores.

Há gente de chama serena, que nem dá conta do vento,

e gente de chama louca, que deita chispas à volta.

Certas chamas, chamas tolas

não alumiam nem queimam;

mas ardem com tanta gana

que não se podem olhar sem pestanejar,

e quem se chegar muito, pega fogo.


 Trad. A.M.


  Original:


Cada persona brilla con luz propia

entre todas las demás.

No hay dos fuegos iguales.

Hay fuegos grandes y fuegos chicos

y fuegos de todos los colores.

Hay gente de fuego sereno, que ni se entera del viento,

y hay gente de fuego loco, que llena el aire de chispas.

Algunos fuegos, fuegos bobos,

no alumbran ni queman;

pero arden la vida con tantas ganas

que no se puede mirarlos sin parpadear,

y quien se acerca, se enciende.


      O poema celebra a diversidade humana através da metáfora do fogo. Cada pessoa arde de modo singular: algumas iluminam, outras aquecem, outras quase não se notam. Galeano valoriza aqueles fogos intensos que contagiam e inspiram, capazes de acender outros com a sua energia e paixão. (É o objetivo deste blogue!)O poema exalta a individualidade, a força transformadora das relações humanas e a capacidade de certos seres de despertar entusiasmo, esperança e vida nos que os rodeiam.


Paul Émile Chabas - Matinée de Septembre / Manhã de Setembro

 


      Matinée de Septembre é uma pintura em óleo sobre tela do pintor francês Paul Émile Chabas, datada de 1911, que causou polémica na sua época. Pintada ao longo de vários verões, mostra uma rapariga nua, de pé, nas águas pouco profundas de um lago, iluminada pelo sol da manhã. Ela está ligeiramente inclinada para a frente, numa posição ambígua, postura que tem sido interpretada como protegendo a sua intimidade, estando com frio, ou lavando-se com uma esponja. Também tem sido considerada uma pose pouco inocente que deu origem a uma "fetichização da inocência".

      A pintura foi exibida pela primeira vez no Salão de Paris de 1912 e, apesar da identidade do seu primeiro proprietário não seja clara, é certo que Leon Mantashev a adquiriu no final de 1913. Foi levada para a Rússia e, no rescaldo da Revolução de Outubro de 1917, pensou-se que tinha desaparecido. Matinée de Septembre reapareceu em 1935 na coleção de Calouste Gulbenkian, e após a sua morte em 1955, foi vendida a um comerciante de Filadélfia, que a doou anonimamente ao Metropolitan Museum of Art em 1957.

      Embora várias mulheres terem alegado serem o modelo de Matinée de Septembre, Chabas nunca revelou a sua identidade. Ele descreveu o trabalho como "tudo o que sei sobre pintura", e respondia afirmativamente quando lhe perguntavam se aquela era a sua obra-prima. Escritores mais recentes, contudo, descreveram a pintura como sendo kitsch, apenas com o valor de uma peça histórica.

                                               in, Wikipedia


Pál Szinyei Merse - Picnic in May, 1873




      The painting radiates youthful freedom and modernity. Set on a sunlit hillside, elegantly dressed figures recline, converse, and dine amid fresh spring grass. Brilliant greens, pinks, and blues capture the season’s vitality, while loose brushwork anticipates Impressionism. The composition balances intimacy with openness, blending leisure, nature, and social harmony. Celebrated for its luminous palette and spontaneous atmosphere, the painting marked a bold departure in Hungarian art toward plein air naturalism and inspired generations of later painters.


José Jiménez Lozano - Árvore seca / Arbol seco

 


Dez anos esperou que a seca árvore

florisse de novo. Dez anos

de machada afiada e trémula,

mas a árvore

mostrava só os braços nus,

o poleiro da pega e dos corvos.

Cortou-a por fim, e de repente,

viu-lhe o coração verde, a borbotar de seiva;

um ano mais, e floria.


 Trad. A.M.


  Original:


Diez años esperó que el árbol seco

floreciera de nuevo. Diez años

con el hacha aguzada y temblorosa,

pero el árbol

sólo exhibía sus desnudos brazos,

la percha de la urraca y de los cuervos.

Cortóle al fin, y, de repente,

vio su corazón verde, borbotón de savia;

un año más, y hubiera florecido.


      Estes versos condensam numa imagem austera a fragilidade da existência. A árvore, despojada de folhas e aparente de vitalidade, simboliza a solidão, o desgaste do tempo e a vulnerabilidade humana. Contudo, permanece erguida, sugerindo dignidade, memória e perseverança. As palavras confrontam a aridez exterior com uma vida interior latente, insinuando que, mesmo na esterilidade ou no abandono, subsiste uma possibilidade de renovação, esperança e silenciosa transcendência.


Lu rusciu te lu mare - Cantistoria



'Na sira ieu passai te le padule,

e 'ntisi le ranocchiule cantare,

e 'ntisi le ranocchiule cantare.

A una a una ieu le sintia cantare,

ca me pariane lu rusciu te lu mare,

ca me pariane lu rusciu te lu mare.


Lu rusciu te lu mare è mutu forte,

la fija te lu re se tae alla morte,

la fija te lu re se tae alla morte.

Iddhra se tae alla morte e ieu alla vita,

la fija te lu re sta se marita,

la fija te lu re sta se marita.


Iddhra sta se marita e ieu me nzuru,

la fija te lu re me tae nu fiuru,

la fija te lu re me tae nu fiuru.

Iddhra me tae nu fiuru e ieu na palma,

la fija te lu re se 'ndeae alla Spagna,

la fija te lu re se 'ndeae alla Spagna.


Iddhra se 'ndeae alla Spagna e ieu 'n Turchia,

la fija te lu re la zita mia,

la fija te lu re la zita mia.

E vola vola vola palomba vola,

e vola vola vola palomba mia,

ca ieu lu core meu, ca ieu lu core meu,

ca ieu lu core meu te l'aggiu dare.


      "Lu rusciu te lu mare" é uma das canções mais icónicas da tradição popular do Salento, Itália, interpretada por vários cantores populares, incluindo o grupo Cantistoria. A trova é uma seresta que fala sobre o amor, o desejo e o som do mar, com letras tradicionais no dialeto salentino. O título significa "O barulho do mar".

      A melodia e texto são originários de Galípoli, na Apúlia, há muitos séculos, que narra a história do amor impossível entre uma dama nobre e um soldado, numa época em que ninguém podia fugir aos seus papéis sociais. As diferentes classes também são expressas nas palavras, como "casar-se", que é "maritare" para a dama, e um dialeto "'nzuru" para a classe mais humilde. Ao longo dos séculos, surgiram diferentes versões; a original era muito lenta e melancólica; na década de 1980, o músico Luigi Cardigliano modificou a melodia, tornando-a mais rápida, e desde então tornou-se um clássico da música folclórica da Apúlia.


Graça Pires - Na periferia da manhã



Na periferia da manhã, levemente adiada,

improviso uma ilha.

Tão nua como páginas em branco.

E concedo-me o direito de esperar Ulisses.

A minha fronte marcada com palavras sem destino.



Isabel Bono - O futuro acabará por chegar

 


desperdiçávamos o tempo

a ordenar num álbum as fotos do Verão

para as olhar um dia com saudade


juntávamos berlindes, pedras

livros, cartas, poemas


adiávamos assim a felicidade, a vida


ainda não sei porquê

nem sei para quando.


   Trad. A.M.


      O poema exprime a inevitabilidade do tempo e a tensão entre espera e medo. O futuro surge como algo certo, quase ameaçador, independentemente da nossa vontade. A voz poética revela fragilidade perante o desconhecido, mas também aceitação: chegará, queira-se ou não. Assim, o poema reflete sobre a condição humana, suspensa entre esperança, ansiedade e resignação, num mundo sempre incerto e transitório para todos.


George Goodwin Kilburne - A seated girl, holding a tennis racquet



      The painting portrays a poised, elegantly dressed young woman seated in quiet contemplation. She cradles a tennis racquet, its presence suggesting leisure, refinement, and the fashionable sporting culture of Victorian society. Warm, nuanced tones and meticulous brushwork create an atmosphere of intimacy, capturing both youthful charm and the restrained elegance of a cultivated, upper-class domestic moment suspended in serene, timeless stillness and quiet anticipation.


Ubuntu Voices – Ancestral Breath | Sacred African Choir



      "Ancestral Breath" is a sacred choral piece inspired by African tradition, shared presence and the quiet strength of communal voice. Ubuntu Voices explore harmony, rhythm and breath as one. Voices rooted in memory. Sound shaped by stillness. This form of music is created using AI - assisted vocal production and artistic composition.


José Corredor-Matheos - Mark Rothko sabe ver

 


Mark Rothko sabe ver

as coisas como elas são:

um resplendor sem corpo,

cor viva no limite

das sombras.

Pega no pincel e deixa-o

incendiar o vermelho,

pintar o ar de azul,

crescer o verde e

sossegar o ocre,

fundir no branco

as cores todas

ou então negá-las

no negro.

Pintura evanescente,

puro espírito,

espelho do vazio.

onde eu me reconheço.

Ter consciência clara

de que nada se sustenta

no nada

torna mais deslumbrante

esta beleza.


 Trad. A.M.


  Original:


Mark Rothko sabe ver

las cosas como son:

un resplandor sin cuerpo,

vivo color al borde

de las sombras.

Coge el pincel y deja

que arda el rojo,

pinte de azul el aire,

crezca el verde y el ocre

se remanse,

que funda el blanco todos

los colores

o que el negro los niegue.

Pintura evanescente,

puro espíritu,

espejo del vacío,

donde me reconozco.

Tener conciencia clara

de que nada en la nada

se sostiene

hace más deslumbrante

esta belleza.


      Markus Yakovlevich Rothkowitz was a Latvian-born American abstract painter. He is best known for his colour field paintings that depicted irregular and painterly rectangular regions of colour, which he produced from 1949 to 1970.    

               from Wiki


Ana Salomé - Ode ao castigo

 


Só mais uma menina entre outras

E o quadro negro onde escrever o teu nome a giz

Como um erro ortográfico do coração.


Castigo.

Entre nós o alto muro do recreio

E a obrigação de permanecer só.


In a Bad Mood by Nicolaas van der Waay



      It captures an intimate domestic moment charged with emotion. A young woman, likely a mother, sits with her child, her posture and expression conveying irritation, fatigue, or quiet frustration. The scene feels deeply human—an honest glimpse of everyday life, where affection and exasperation coexist in the same fleeting moment.


Isabel Nogueira

 

        

Tirou do bolso o canivete que a mãe lhe oferecera aos seis anos.

Acto naturalmente impróprio, a respeito do qual seria desnecessário ajuizar.

Abriu-o, passou ao de leve os dedos pela lâmina, e descascou a maçã.


Os olhos nunca saíam do barco. Nem do mar.

A prática fazia-o retirar a casca à fruta sem necessidade de olhar.

Era tudo uma questão de hábito e de motricidade fina.


      Neste excerto, a caracterização indireta revela uma personagem experiente, disciplinada e concentrada. O canivete, oferecido pela mãe, sugere valor afetivo e memória duradoura. O narrador comenta ironicamente a impropriedade do gesto, mas normaliza-o pela naturalidade com que ocorre. Enquanto descasca a maçã sem olhar, evidencia destreza manual, adquirida pela prática. A atenção fixa no barco e no mar sublinha vigilância, expectativa e possível tensão interior.


Eugénia Melo e Castro - Vira virou



Vou voltar na Primavera e era tudo o que eu queria

levo terra nova daqui,

quero ver o passaredo pelos portos de Lisboa

voa, voa e eu chego já.


Ai, se alguém segura o leme desta nave incandescente

que incendeia a minha vida que era viajante lenta,

tão faminta de alegria, hoje é porto de partida.


Ah, vira virou, meu coração navegador

Ah, gira girou nesta galera.


      Eugénia de Melo e Castro e o disco, já antigo, Terra de Mel de 1982, numa parceria com o compositor gaúcho Kleiton Ramil. "Ele apareceu na minha casa levado pela minha mãe - a minha casa era um lugar de artistas, atores, músicos, escritores, pintores -, onde ele ficou cerca de um mês. Compôs "Vira virou" na minha cozinha, em casa". No Brasil, Kleiton teria uma bem sucedida carreira em dupla com o irmão Kledir, autor da canção reflexiva e faixa título, Terra de Mel.


Virginie Damon Breton - The Fisherman's wife coming from bathing her children, 1881



      The painting presents a monumental seaside mother striding from the surf, one child in her arms and others close behind. Her figure is strong, dignified, and statuesque, echoing classical ideals while remaining firmly rooted in everyday labour. Wind, sea, and sky envelop the scene in cool light. The painting celebrates maternal resilience, working-class nobility, and the quiet heroism of coastal life.


Joaquín Giannuzi - O quadro de referência / El marco de referencia

 


O amante menciona a luz curvada

do seu ventre desnudo:

denuncia a vida alheia como um naufrágio

e subordina o mundo

à referência da amada adormecida.

O amante constrói

o seu território sanguíneo

em torno dessa pulsação dourada:

apanhado

no poder desconhecido

que emana de uma coisa perfeitamente feita.


Tradução de A.M.


  Original:


El amante menciona la luz curvada

de su vientre desnudo:

denuncia la vida ajena como un naufragio

y subordina el mundo

a la referencia de la amada dormida.

El amante construye

su territorio sanguíneo

en torno a esa pulsación dorada:

atrapado

en el poder desconocido

que emana de una cosa perfectamente hecha.


    A pintura é de Magritte, Os Amantes.


      O poema explora a fragilidade da percepção humana diante do real. Os versos sugerem que toda a observação depende de um enquadramento, histórico, mental e sensorial, que limita e organiza a experiência. Assim, o mundo não surge como verdade absoluta, mas como construção provisória. A linguagem, precisa e reflexiva, revela a tensão entre objeto e consciência, mostrando que conhecer implica sempre interpretar, selecionar e, inevitavelmente, distorcer aquilo que julgamos compreender na sua parcial condição humana.

      Interpretação I.A.


Les quatre cents coups , 1959 - Dir. François Truffaut



      O título do filme refere-se a uma expressão popular, em francês (faire les quatre-cent coups), equivalente em português, a "fazer o diabo a quatro", ou seja, provocar desordem, cometer contravenções ou mesmo delitos. O filme narra a história de Antoine Doinel, um jovem parisiense de 14 anos, que se rebela contra o autoritarismo da escola e o desprezo da sua mãe e do padrasto. Rejeitado, Antoine passa a faltar às aulas para frequentar cinemas ou brincar com os amigos, principalmente René. Com o passar do tempo, o rapaz vivenciará algumas descobertas e cometerá pequenos delitos, em busca de atenção, até ser aprisionado num reformatório, levado pelos próprios pais.


Ana Pérez Cañamares - Quando o sol / Cuando el sol

 


Quando o sol já só se adivinha

pelo seu reflexo nos pássaros

que voam fora do teu alcance


é hora de fechar os ouvidos

aos gritos que te oprimem

e escutar os ecos que chegam

de longe a sussurrar-te:


defende as tuas asas.


 Tradução A.M.


  Original:


Cuando el sol ya sólo se adivina

en su reflejo sobre los pájaros

que vuelan fuera de tu alcance


es la hora de cerrar los oídos

a los gritos que te apremian

y escuchar los ecos que vienen

de lejos para susurrarte:


defiende tus alas.


      No poema, Ana Pérez Cañamares transforma o fim do dia em fim da vida, numa revelação íntima. O aproximar da noite prevê a morte e permanece a necessidade de manter a fé.


Fanny Brate - Among the spring blossoms



      Among the Spring Blossoms by Fanny Brate describes a woman gathered beneath flowering trees, immersed in the freshness of spring. Soft sunlight filters through pale blossoms, casting a gentle glow across her face and clothing. Brate captures a moment of lost innocence, natural companionship, and seasonal renewal.


Rosalía - Sexo, Violencia y Llantas

 


Quién pudiera vivir entre los dos

Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios

Quién pudiera vivir entre los dos

Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios.


Quién pudiera venir de esta tierra

Y entrar en el cielo y volver a la tierra

Que entre la tierra, la tierra y el cielo

Nunca había el suelo.


En el primero

Sexo, violencia y llantas

Deportes de sangre, monedas en gargantas.


En el segundo

Destellos, palomas y santas

La gracia y el fruto y el beso de la balanza.


Quién pudiera vivir entre los dos

Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios.


      "Sexo, Violencia y Llantas" é a faixa de abertura do álbum "Lux" de Rosalía, que apresenta de forma clara o principal conflito do disco: a tensão entre o desejo pelos prazeres e dores do mundo físico e a busca por uma dimensão espiritual mais elevada.

      Logo no início, o verso "Quién pudiera vivir entre los dos / Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios" ("Quem pudesse viver entre os dois / Primeiro amarei o mundo e depois amarei a Deus") deixa evidente essa dualidade. Rosalía sugere que a experiência terrena é um passo necessário antes da busca pelo divino, estabelecendo uma ordem de prioridades que parte do concreto para o espiritual.

      A letra constrói dois universos opostos. O primeiro, representado por "sexo, violencia y llantas (pneus?)" e "deportes de sangre, monedas en gargantas" ("desportos sangrentos, moedas nas gargantas”), retrata um cotidiano intenso, industrial, materialista e até brutal, dominado pelo desejo, pelo risco e pelo dinheiro. O segundo universo, com "destellos, palomas y santas" ("clarões, pombas e santas"), traz imagens de pureza e espiritualidade.

      O trecho "la gracia y el fruto y el beso de la balanza" ("a graça, o fruto e o beijo da balança") sugere equilíbrio e recompensa espiritual, reforçando o tema do álbum de buscar harmonia entre extremos. O contexto do álbum, que mistura espiritualidade e orquestra sinfónica, amplia essa busca por transcendência. 


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