Caro
amigo como vais? Já faz tempo sem te ver
Vou
direto à boa nova que te escrevo.
Já
senti o pé tricor, tricotei essa raiz
E se
o mar cobriu a areia quero voltar.
De
candeia às avessas com sete pedras na mão
Peço,
corro para ti com pezinhos de lã
Mas
deixa esse lugar-comum que longe não se vê
Rio,
jardim, penumbra, rua que estou a perder.
Tricotei
o som do mar, já senti o pé tricor
A
raiz cobriu a areia, quero voltar.
(Como
vais? Como vens?)
Sem
te ver eu vou direto, como vais meu caro amigo?
Já
faz tempo que te escrevo a boa nova.
Sou
jardim à beira-mar, plantação de vento e cor
Casa
aberta à boa nova podes voltar.
(Como vais? Como vens? Quando vens?)
"Natural de Marco de Canaveses, Alice Boavista constrói aqui uma narrativa centrada na saudade, na memória e na relação afetiva com os lugares que moldam a identidade de cada pessoa. Através da forma de uma carta imaginária, a canção dá voz a alguém que se dirige a um lugar ausente, alimentando a esperança de um futuro reencontro e do regresso a um espaço que continua vivo na memória.
A cantora, compositora e maestrina Alice Boavista procura criar uma ponte entre a música tradicional portuguesa e uma linguagem autoral contemporânea. Entre 2021 e 2025 foi maestrina do Coro de Santa Joana e integra atualmente vários projetos, como Quarteto Nota do Meio, Marca 4 D’Água, Gomo de Tangerina, Eiró, Crua e Zêzere Arts Vocal Ensemble."
in, RadioB










