As Cantadeiras de Campo do Gerês são um grupo musical tradicional e polifónico que preserva e divulga as canções do Cancioneiro Geresiano, uma herança cultural que se mantém viva há décadas através do canto e a transmissão oral de geração em geração. O Coro dos Anjos é um coro do bairro dos Anjos (Lisboa) que trabalha a música de raiz portuguesa ancestral e dos novos tempos, abraçando criações próprias; com um forte cariz na intervenção social, ao mesmo tempo que tenta resgatar o espírito comunitário e a regeneração cultural através da música.
"𝘉𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘶𝘮𝘢 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘢𝘯𝘪𝘯𝘩𝘢. 𝘕𝘦𝘮 𝘱𝘶́𝘣𝘭𝘪𝘤𝘰 𝘯𝘦𝘮 𝘱𝘳𝘪𝘷𝘢𝘥𝘰, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘴𝘰𝘣𝘳𝘦𝘷𝘪𝘷𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘷𝘪𝘷𝘪𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘱𝘳𝘦́-𝘮𝘰𝘥𝘦𝘳𝘯𝘢 𝘦 𝘪𝘯𝘴𝘱𝘪𝘳𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘶𝘮 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘫𝘢́ 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘢𝘣𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘯𝘦𝘮 𝘧𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳𝘦𝘴. 𝘔𝘢𝘪𝘴 𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘪𝘵𝘰́𝘳𝘪𝘰, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘳𝘦𝘭𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢 𝘦 𝘶𝘮 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘪𝘴𝘵𝘦 — 𝘯𝘢̃𝘰 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘶𝘪𝘳, 𝘮𝘢𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘤𝘪𝘱𝘢𝘳; 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘦 𝘢𝘱𝘳𝘰𝘱𝘳𝘪𝘢𝘳 𝘥𝘰 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳, 𝘮𝘢𝘴 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘳-𝘴𝘦 𝘱𝘳𝘰́𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘢 𝘦𝘭𝘦. 𝘜𝘮 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘪𝘵𝘰́𝘳𝘪𝘰 𝘭𝘪𝘨𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴, 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢, 𝘶𝘮𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢-𝘤𝘰𝘮𝘶𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘦́ 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘪𝘳𝘢. 𝘏𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘵𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘷𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴, 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴 𝘴𝘢̃𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘮 𝘨𝘦𝘴𝘵𝘰𝘴 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘮 𝘯𝘢 𝘳𝘦𝘱𝘦𝘵𝘪𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘰𝘳𝘢𝘭 𝘨𝘶𝘢𝘳𝘥𝘢. 𝘌𝘴𝘴𝘦 𝘴𝘢𝘣𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮𝘶𝘮 𝘦́ 𝘥𝘰 𝘧𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘦 𝘦́ 𝘥𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘳. 𝘚𝘢̃𝘰 𝘤𝘢𝘯𝘤̧𝘰̃𝘦𝘴 𝘢 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘢𝘳 𝘢 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘷𝘰𝘻 𝘦𝘮 𝘷𝘰𝘻, 𝘥𝘦 𝘮𝘢̃𝘰 𝘦𝘮 𝘮𝘢̃𝘰. 𝘕𝘶𝘮 𝘱𝘢𝘪́𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘱𝘰𝘷𝘰𝘢, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘳𝘦𝘢𝘣𝘳𝘦 𝘢 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘪𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘣𝘰𝘮 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘦́ 𝘯𝘦𝘮 𝘰𝘤𝘶𝘱𝘢𝘳 𝘯𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘲𝘶𝘪𝘴𝘵𝘢𝘳. 𝘙𝘦𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘢𝘳 𝘢𝘴 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘴, 𝘰𝘴 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳𝘦𝘴, 𝘢𝘴 𝘢𝘭𝘮𝘢𝘴 𝘦́ 𝘢 𝘮𝘢𝘯𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘢𝘯𝘵𝘪𝘨𝘢 𝘥𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘥𝘦𝘪𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘧𝘶𝘵𝘶𝘳𝘰."
Ai!
Se ao menos um dia o povo sentisse
Que a gente herda terra e a terra herda gente
Se ao menos pudesse ser assim baldia
Espalhada em rosas em dura teonia
Espalhada p’la rua, sem medo nem vão
Em cada pessoa a sentir-me chão.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia, baldia baldia
Ir viver assim se ao menos um dia.
Não sou mãe de ninguém, mas sou tia de todos
Tempero o comer, ai!, com o sal dos choros
Vou venho e ocupo, semeio e faço feito
Zeladora guardo os meus nas covas do meu peito
Hei-de ser por mim, quero a vida verdadeira
Sou de todos de ninguém, da terra por inteira.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia, baldia baldia
Ir viver assim se ao menos um dia.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia já bem me valia
Ir viver assim, baldia baldia
A menos que um dia me seque a alegria.
Ai!
"Baldia" vem cativar à consciência de que a terra deve
pertencer a quem nela nasce, a ama e dela cuida e não a quem a conquista.

