The River Bend - Emotional Irish Folk Ballad



      Is this made by A.I.? Irish ballads have been an integral part of the country's history and cultural heritage for centuries. These traditional songs have served as a means of preserving and passing down the stories, customs, and values of the Irish people. They have evolved over time, reflecting the changing social and political landscape of Ireland, and have played a significant role in shaping the country's identity. 

      Does this Kilcarrick place exist?

    The line "Past the mill beyond Kilcarrick" likely refers to the historic routes or landscapes around the town of Bagenalstown (also known as Muine Bheag) in County Carlow, Ireland. Kilcarrick is a prominent local area in the district, known for its rural charm and equestrian events.


Firmin Baes -Mother by the crib, 1916



      It portrays a tender domestic moment, with a mother leaning lovingly over her sleeping child. Soft, luminous light envelops the figures, emphasizing warmth, intimacy, and maternal devotion. Baes balances realism with gentle sentiment, celebrating the protective bond between parent and infant in a peaceful, timeless family setting with graceful sensitivity.


Abelardo Linares - Uma estranha certeza / Una extraña certeza

 


Durante muitos anos, muita vez

me lembrei de ti, ou da tua imagem,

para ser mais exacto, pois daquilo

que em tempos amámos fica-nos só

(tal como de um livro) uma muito vaga

impressão geral e um que outro pormenor.

E muita vez também me perguntei,

procurando na névoa da lembrança

não sei se uma resposta, o que deixaste tu

em mim que seja ainda meu,

e se não foi o amor, o meu amor por ti

e não tu própria, o que me importa ainda

e o que procuro eu ainda ao recordar-te.

Se a nossa vida arde, somos nós chama

ou antes aquilo que se queima e é cinza?

Nessa desmesura que é o tempo

acham sua razão o amor e o esquecimento,

mas não a sua medida. Ao recordar-te,

compreendo-o tão bem, que pouco importa

saber ou não saber, mas tão só

sentir que foste parte de mim mesmo,

que estás dentro de mim, como os meus sonhos,

que são e não são eu, mas em mim nascem,

que já nunca de mim te apagarás,

e que, queira eu ou não queira o esquecimento,

hás-de ir vivendo sempre com a minha vida.

Que estranha sensação, essa certeza.


  Tradução de A.M.


  Original:


Durante muchos años, a menudo

me he acordado de ti, o de tu imagen,

para ser más exacto, pues de aquello

que amamos una vez sólo nos queda

(al igual que de un libro) una muy vaga

impresión general y alguna anécdota.

Y a menudo también me he preguntado,

buscando entre la niebla del recuerdo

no sé si una respuesta, qué dejaste

en mí que sea mío todavía

y si no fue el amor, mi amor por ti

y no tú misma, aquello que aún me importa

y lo que busco aún al recordarte.

Si arde nuestra vida, ¿somos llama

o aquello que se quema y es ceniza?

En esa desmesura que es el tiempo

encuentran su razón amor y olvido,

pero no su medida. Al recordarte,

lo comprendo tan bien, que importa poco

saber o no saber, sino tan sólo

sentir que fuiste parte de mí mismo,

que dentro de mí estás, como mis sueños,

que son y no son yo, pero en mí nacen,

que ya nunca de mí podrás borrarte

y que, quiera o no quiera yo el olvido,

has de seguir viviendo con mi vida.

Qué extraña sensación esa certeza.


      O poema explora a persistência da memória amorosa perante a erosão do tempo. O sujeito poético questiona se o que permanece é a pessoa amada ou o próprio sentimento vivido, concluindo que ambos se fundem na identidade. A oposição entre chama e cinza simboliza transformação e perda. Com linguagem sóbria, meditativa e intimista, o poema revela que certas presenças sobrevivem ao esquecimento, tornando-se parte indelével do ser.


Brand New Key - Melanie | Reina del Cid and Toni Lindgren cover





I rode my bicycle past your window last night

I roller-skated to your door at daylight

It almost seems like you're avoiding me

I'm okay alone, but you got something I need.


Well, I got a brand-new pair of roller skates

You got a brand-new key

I think that we should get together

Try 'em out and see

I've been looking around awhile

You got something for me

Oh, I got a brand-new pair of roller skates

You got a brand-new key.


I ride my bike, I roller-skate, I don't drive no car

I don't go too fast, but I go pretty far

For somebody who don't drive, I've been all around the world

And so people say, I've done alright for a girl.


I asked your mother if you were right at home

She said yes, but you weren't alone

Ah, sometimes I think that you're avoiding me

I'm okay alone, but you got something I need.


      Melanie's "Brand New Key" is a playful 1971 hit about a girl on roller skates trying to get a boy's attention. While she claims it was an innocent, nostalgic song about learning to skate, many listeners view the lyrics as a suggestive metaphor for teenage desire, sex, and virginity. We miss you much Melanie Safka.


Karl Witkowski - ( Américain, d'origine polonaise - 1860-1910 ) - Vol de pommes



      The painting shows young boys caught in the act of stealing apples, their animated expressions and lively gestures revealing both excitement and innocence. To become adult you need to try sin and cross the fence. Rather than condemning the prank, the artwork celebrates youthful adventure, playful camaraderie, and the bittersweet charm of everyday childhood experiences.


Abelardo Linares - O café de espelhos / El Café con espejos

 


Era um café e estávamos na conversa,

um estranho café de cadeiras gigantescas

com umas mesas muito pequenas.

Em volta rostos vagos

ou, mais exatamente, alguns homens sem rosto;

e daí que eu não estranhasse aquele silêncio todo

no meio de espelhos infinitos.

Não me consigo lembrar de que falava,

mas sim da minha alegria, da vivacidade dos gestos,

por certo exagerada.

Ele deixava-me falar, indiferente

àquela paixão toda das minhas palavras.

De repente, diz-me com voz rouca:

'E tu que vais fazer, agora que estás morto?'

A princípio não consegui compreender,

de tão estúpido aquilo, tão falto de sentido,

e virei a cabeça. Nos espelhos,

quis olhar para a minha cara, mas era a de meu pai

que estava a ver: 'Afinal deste-te conta?'

'De quê?', perguntei?

'De que és um sonho, meu filho'.


  Tradução de A.M.


  Original:


Era un café y estábamos charlando.

Un extraño café de gigantescas sillas

con unos veladores diminutos.

A nuestro alrededor rostros borrosos

o, más exactamente, unos hombres sin rostro;

y así no me extrañó todo el silencio

de aquel local de espejos infinitos.

No puedo recordar de qué charlaba,

pero sí mi alegría y la viveza,

sin duda exagerada, de mis gestos.

Él me dejaba hablar, indiferente

a toda la pasión que había en mis palabras.

De repente me dijo con voz bronca:

"¿Y tú qué harás ahora que estás muerto?".

Al principio no supe comprenderle,

tan estúpido aquello, tan falto de sentido,

y volví la cabeza. En los espejos

quise mirar mi rostro, pero era el de mi padre

el que veía en ellos. "¿Al fin te has dado

       cuenta?".

"¿De qué?", le pregunté. "De que

       eres un sueño,

hijo mío".


      Neste poema, o espaço onírico transforma-se numa metáfora da identidade e da consciência. O café, povoado por figuras sem rosto e espelhos infinitos, cria uma atmosfera inquietante que culmina na revelação da morte e da natureza ilusória do sujeito. A imagem final, em que o eu vê o rosto do pai e descobre ser um sonho, explora a fragilidade da memória, da individualidade e da existência, com forte dimensão simbólica e filosófica. A tela é de Charles Ginner, 'The Café Royal', 1911.


Federico García Lorca - Desejo / Deseo



Só o teu coração ardente,

nada mais.


Meu paraíso um campo

sem rouxinol

nem liras,

um rio discreto

e uma fontinha.


Sem a espora do vento

na fronde,

nem a estrela que pretende

ser folha.


Uma luz enorme

que fosse

pirilampo

de outra,

num campo de

olhares rasgados.


Um repouso claro

e aí nossos beijos,

sinais sonoros

do eco,

abrindo-se na distância.


E o teu coração ardente,

nada mais.

 

  Tradução de A.M.


  Original


Solo tu corazón caliente,

y nada más.


Mi paraíso un campo

sin ruiseñor

ni liras,

con un río discreto

y una fuentecilla.


Sin la espuela del viento

sobre la fronda,

ni la estrella que quiere

ser hoja.


Una enorme luz

que fuera

luciérnaga

de otra,

en un campo de

miradas rotas.


Un reposo claro

y allí nuestros besos,

lunares sonoros

del eco,

se abrirían muy lejos.


Y tu corazón caliente,

nada más.


      O poema expressa um desejo profundo de ser amado em fusão com uma certa natureza, como forma de alcançar liberdade e transcendência, transformando o desejo numa procura de beleza, harmonia e plenitude espiritual perante a efemeridade da vida.


Xícara - Cantiga Bailada



Tenho à minha janela, eras tão bonita

E eu já te não quero, o que tu não tens à tua

O que tu não tens à tua.


Um vaso de manjerico, eras tão bonita

E eu já te não quero, que dá cheiro a toda a rua

Que dá cheiro a toda a rua.


Adeus ou rua da fonte, eras tão bonita

E eu já te não quero, calçadinha mal segura

Calçadinha mal segura.


E quando o meu amor passa, eras tão bonita

Eu já te não quero, não há pedra que não bula

Não há pedra que não bula.


  Oh ló, ai lariló lela! Oh ló, ai lariló ló!


As pedras do meu balcão, eras tão bonita

E eu já te não quero, estão todas a três a três

Estão todas a três a três.


Os meus amores de algum dia, eras tão bonita

E eu já te não quero, já os cá tenho outra vez

Já os cá tenho outra vez.


Oh ló, ai lariló lela! Oh ló, ai lariló ló

Oh ló, ai lariló lela! Oh ló, ai lariló ló.


      "Cantiga Bailada" é uma canção emblemática da música tradicional portuguesa . A versão mais famosa foi gravada pelo grupo Brigada Victor Jara em 1984. A melodia tem origem na região de Idanha-a-Nova, na Beira Baixa, e faz parte do espólio das lendárias Adufeiras do Castelo.


Marcel Rieder - Ladies looking at sunset, 1920



      The painting presents a quiet, reflective scene in which elegantly dressed women pause to admire the fading light of day. Warm golden hues illuminate the sky, while soft brushwork creates a tranquil, atmospheric mood. The composition balances the figures with the expansive landscape, emphasizing contemplation and shared experience. Rieder’s mastery of light, colour, and subtle detail transforms an ordinary moment into a poetic meditation on beauty, serenity, and the passage of time.


José Saramago - Cria a natureza

 


      Cria a natureza as suas diversas criaturas com admirável brutidade.

      Entre mortos e aleijados, considera, não faltará quem escape para garantir os resultados da gerência, modo ambivalente e portanto equívoco de substantivar o gerir e o gerar, com aquela confortável margem de imprecisão que produz as mutações do que se diz, do que se faz e do que se é.

      Não marca a natureza coutadas, mas aproveita delas.

      E se depois das ceifas os mil formigueiros da seara não têm celeiro igual, os ganhos e perdas vão todos à grande contabilidade do planeta e nenhuma formiga fica sem a sua estatística parte de alimento.

      Ao apuramento do saldo importa pouco que tenham morrido aos milhões por inundação natural, revolvimento de enxada ou desafio de micções: quem viveu, comeu, quem morreu deixou aos outros.

      A natureza não conta mortos, conta vivos, e, quando estes lhe sobejam, arranja uma nova mortandade.

      É tudo muito fácil, muito claro e muito justo, porque, de memória de formiga ou elefante, ninguém tal contestou no grande reino dos animais.

 

      in, Levantado do Chão, 1980


      Neste excerto de Levantado do Chão, José Saramago apresenta uma reflexão sobre a natureza como uma força imparcial, que privilegia a continuidade da vida acima do destino dos indivíduos. Através da metáfora das formigas, evidencia que a morte faz parte do equilíbrio natural, sendo encarada sem compaixão ou julgamento. O narrador utiliza ironia e linguagem filosófica para questionar a ideia de justiça natural, sugerindo uma crítica indireta às desigualdades e à forma como a sociedade encara a sobrevivência.


Le Mondine - Quel Mazzolin di fiori



Quel mazzolin di Fiori che vien dalla montagna (×2)

E bada ben che non si bagna che lo voglio regalar.(×2)


Lo voglio regalare perché l'e un bel mazzetto (×2)

Lo voglio dare al mio moretto questa sera quando vien.(×2)


Sta sera quando viene, sarà una brutta sera (×2)

E l'è perché il sabato sera lui non l'è venut da me.(×2)


Non è venut da me l'è andat dalla Rosina (×2)

E perché mi son poverina mi fa pianger e sospirare. (×4)


Quel mazzolin di Fiori che vien dalla montagna (×3)

e bada ben che non si bagna

Che lo voglio regalar, regalar, regalar, regalar

Quel mazzolin di Fiori.


      "Quel Mazzolin di Fiori" é uma famosa canção folclórica italiana do final do século XIX, originária da região alpina. A letra narra a história de uma jovem camponesa que planeia oferecer um ramo de flores ao seu amado, mas é tomada pela tristeza ao descobrir que ele a trocou por outra, chamada Rosina. Durante a Primeira Guerra Mundial, a canção tornou-se um dos temas favoritos dos Alpini (tropas de montanha italianas). Longe de casa e dos seus amores, os soldados cantavam-na com forte nostalgia .


Prince Eugen of Sweden and Norway, Duke of Närke - Skogen (The Forest)



      Prince Eugen of Sweden and Norway’s Skogen envelops viewers in a tranquil woodland where tall trees filter soft light through dense foliage. Muted greens, earthy browns, and delicate shadows create a contemplative atmosphere, emphasizing nature’s quiet grandeur rather than dramatic spectacle. The composition draws the eye inward along subtle paths between trunks, inviting reflection and solitude. Balancing realism with poetic mood, the painting expresses the artist’s deep affection for Scandinavian landscapes, transforming an ordinary forest into a timeless, spiritual sanctuary of calm.


María García Zambrano - O sonho da felicidade

 


Apanhar caranguejos à meia-noite

às apalpadelas

escolher as pedras mais aguçadas

e erguê-las

pegar neles pelo lado inofensivo

metê-los no balde

e continuar

com a lanterna na cabeça.

Procurar

a mão do meu pai

com emoção

e os pés tiritando de mar

e salitre,

observar

no meio das sombras

a mão dele segurando com força na minha


cuidado para não pisar o reflexo da lua.


  Tradução de A.M. e imagem de Karoliina Ahvenainen


      O poema apresenta a felicidade como um sonho simultaneamente desejado e inalcançável. A criança que vai apanhar carangueijos com o pai. A voz poética reflete sobre a fragilidade das expectativas humanas, mostrando que a procura constante pode gerar inquietação. As imagens sugerem esperança, mas também desencanto, revelando que a verdadeira felicidade talvez resida na aceitação do presente e na capacidade de encontrar sentido nas experiências vividas com serenidade, transformando o sonho em aprendizagem humana.


Mimi Fariña - In the Quiet Morning




In the quiet morning there was much despair

And in the hours that followed no one could repair

That poor girl tossed by the tides of misfortune

Barely here to tell her tale rolled in on a sea of disaster

Rolled out on a mainline rail.


She once walked right at my side I'm sure she walked by you

Her striding steps could not deny torment from a child who knew

That in the quiet morning there would be despair

And in the hours that followed

No one could repair.


That poor girl

She cried out her song so loud

It was heard the whole world round

A symphony of violence the great southwest unbound.


La laa laa laa la la la laa laa

La laa laa laa la la laa laa

La laa laa laa la la la laa laa

La la la laa laa

La la la laa.


In the quiet morning there was much despair

And in the hours that followed no one could repair

That poor girl tossed by the tides of misfortune

Barely here to tell her tale rolled in on a sea of disaster

Rolled out on a mainline rail.


      The song was written by Mimi Baez Fariña, after Janis Joplin’s death by drug overdose on October 4, 1971. She deserved it much. Through gentle imagery, heartfelt lyrics, and a calm melody, the song expresses grief, remembrance, and enduring love. Rather than dwelling on loss alone, it celebrates the lasting presence of cherished memories, offering comfort and hope while honouring a life that ended too soon with quiet grace.


Rene Magritte - Two Girls Walking Along a Street, year1954



      Magritte juxtaposes familiar figures with an atmosphere of mystery, encouraging viewers to question everyday reality. The calm composition, restrained palette, and dreamlike quality blur the boundary between the real and the imagined. Rather than telling a clear story, the painting invites contemplation, emphasizing perception, ambiguity, and the hidden strangeness beneath ordinary life.


Miguel Torga - Alvorada

 


Foi tudo simples: aconteceu.

O dia amanheceu,

Acordei.

E reparei no milagre concreto de viver.

E cantei

Como um galo feliz.

O que esse canto diz

É que não sei.


  in, Diário XII


      No poema, o nascer do dia simboliza a renovação, a esperança e a força da vida. A natureza surge como expressão de liberdade e harmonia, despertando o ser humano para um novo começo. O eu lírico apenas não entende o mistério e ainda bem.


Mary Evelina Kindon - Las gracias antes de la cena



      The Mary Evelina's painting offers to the viewer, a warm domestic scene cantered on gratitude, family and everyday ritual. Before sharing a meal, the figures pause in prayer, emphasizing humility, togetherness and Victorian moral values. It also celebrates the importance of faith, family bonds, and appreciation for simple blessings, transforming an ordinary pre-dinner moment into a touching expression of shared devotion. When I was a child I was used to similar moments owing to Catholic rituals.


Gabrielle Hope - The Hummingbird's nest

 


I want a house that is full of wind chimes

So we can hum along while we bake, hmm

And I want to rest in a place with no yelling

Where the hummingbird lays her nest.


Four green eyes and a duck with a diaper

Porcelain teapots and Junes

But we'll never have fish 'cause ya know we won't feed 'em

And the cats would eat 'em too.


I want a house that is full of wind chimes

So we can hum along while we bake, hmm

And I want to rest in a place with no yelling

Where the hummingbird lays her nest.


Come to our house that is full of wind chimes

And we will hum along while we bake, hmm

Oh, come and rest in a place with no yelling

Where the hummingbird lays her nest.


      The song is a whimsical, comforting folk song that paints a picture of a peaceful, domestic sanctuary. It focuses on simple joys—like wind chimes and baking—and escaping the chaos of the outside world to find a safe space of your own.  What a wonderful unique beam of light.


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