María Ruiz y La Mare - Mi Revolución



Hoy la pelea que doy es quererme más

Hoy el grito que doy es silencio

Hoy te pido perdón si te lastimé el corazón

Hoy no quiero lo que me hace mal lo oscuro del juego

Hoy que es tiempo de sanar las heridas del tiempo

Hoy que pronto será ayer regálate el momento.


Hoy pude ver quién soy conocerme más

Hoy que el veneno encontró su remedio

Hoy me pido perdón si me lastimé el corazón

Hoy vale más despertar que soñar en este juego

Hoy que es tiempo de sanar las heridas del tiempo

Hoy que es tiempo de ser luz.


Esta es mi revolución

Llenar de amor mi sangre y si reviento

Que se esparza en el viento

El amor que llevo dentro

Esta es mi revolución

Llenar de amor mi sangre y si reviento

Que se esparza en el viento

El amor que llevo dentro

Esta es mi revolucióoon.


Esta es mi revolución

Llenar de amor mi sangre y si reviento

Que se esparza en el viento

El amor que llevo dentro

Esta es mi revolución

Llenar de amor mi sangre y si reviento

Que se esparza en el viento

El amor que llevo dentro.


      Canción original de la banda uruguaya, Cuatro Pesos de Propina.


Julius Exner - Lektionen (La lección), 1908



      The painting portrays a quiet domestic scene where an older woman patiently instructs a young girl, celebrating the importance of education and family traditions. Warm light carefully rendered interiors, and natural gestures create an atmosphere of intimacy and trust. Exner’s meticulous realism captures everyday Danish life with sensitivity, emphasising moral values, intergenerational bonds, and the dignity of ordinary moments.


Livro de Isaías - Is 55,1-3

 


Eis o que diz o Senhor:

"Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas.

Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei.

Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.

Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta

e o vosso trabalho naquilo que não sacia?

Prestai-Me atenção e vinde a Mim;

escutai e a vossa alma viverá.

Firmarei convosco uma aliança eterna,

com as graças prometidas a David."


      Esta leitura será escutada, hoje, nas liturgias católicas em todo o mundo. O profeta representa esse quadro de salvação através da imagem de um "banquete": em Jerusalém, à volta da mesa de Deus, esse Povo sofredor, desolado, carente, faminto, encontrará trigo, "vinho", "leite" e "manjares suculentos". Muito belo!


Glen Hansard - The Parting Glass



And of all the money that e'er I spent

I've spent it in good company

And all the harm that e'er I've done

Alas, it was to none but me.


And all I've done for want of wit

To memory now I can't recall

So, raise to me the parting glass

Good night and joy be with you all.


And to all the comrades that e'er I had

Who might be sorry for my going away

And to all the sweethearts that e'er I've loved

Who would bid me one more day to stay.


And as it falls upon my lot

That I should rise and you should not

So, fill to me the parting glass

Good night and joy be with you all.


So, fill to me the parting glass

Good night and joy be with you all

And if I had money, enough to spare

And leisure time to sit awhile.


There is a girl in this fair land

Who surely has my heart beguiled

With her long dark hair and ruby lips

She surely has my heart enthralled.


So, fill to me the parting glass

Good night and joy be with you all

So, fill to me the parting glass

Good night and joy be with you all.


      "The Parting Glass" has roots in "Armstrong’s Farewell", poem written by a Scottish Border Reiver on the occasion of his imminent execution for the murder of Sir John Carmichael, Warden of the Scottish West March, in the year 1600.

      It remains a hugely popular farewell song in Scotland and Ireland. Despite being commonly sung at merry social occasions, has not lost its implied relevance to humankind’s ultimate, mortal farewell.

      Glen Hansard has died at age 56, following a motorbike accident. Glen led a long, fruitful career as a singer/songwriter, as a solo artist, one half of The Swell Season, and the singer of The Frames. He also starred in the award-winning 'Once' and 'The Commitments'. Rest in peace, Glen.


Gotthard Kuehl - Das Gartenzimmer



      It portrays a tranquil interior bathed in soft natural light filtering through large windows overlooking a garden. The carefully arranged furniture, delicate decorative details, and harmonious colours create an atmosphere of quiet comfort and refined domesticity. Kuehl’s Impressionist sensitivity is evident in his subtle handling of light, shadow, and texture, which enliven everyday surroundings. The painting celebrates the peaceful relationship between interior space and nature, inviting contemplation, intimacy, and appreciation of ordinary beauty.


O Papel e o silêncio

 

  

há momentos em que escrever é como procurar água num deserto

as palavras resistem, escondem-se nas esquinas da folha

fingem que não sabem o caminho de volta

e eu, com as mãos vazias, tento encontrar o fio da frase perdida

como quem procura um eco numa sala sem janelas


a certa altura, é como se o papel me devolvesse o olhar

esperando que eu desista

mas eu persisto, na esperança de que o silêncio

se renda primeiro


    in, xilre


Jorge Ferreira – Vira Dos Namorados

 


As estrelas no Céu correm todas numa carreirinha

Assim corressem os beijos da tua boca p'ra minha

Da tua boca para minha oai o lari lolela.


Das estrelas miudinhas mandei fazer um cordão

Para prender minha alma a tua e a tua ao meu coração

E a tua ao meu coração, oai o lari lolela.


O lua da madrugada não venhas cá ao serão

Quem namora as escondidas quer escuro e lua não

Quer escuro e lua não oai o lari lolela.


O estrelinha do norte espera que eu também vou

Tu serás a minha guia já que o luar me deixou

Já que o luar me deixou oai o lari lolela.


O lua da meia-noite o teu brilhar não tem fim

Vai ter com o meu amor da—lhe beijinhos por mim

Dá—lhe beijinhos por mim oai o lari lolela.


Esta noite fui sonhando que me estavas a beijar

Continua vai beijando que eu continue a sonhar

Que eu continue a sonhar oai o lari lolela.


      A música do Minho é rica em tradições festivas, destacando-se géneros como o Vira, o Malhão e as rusgas populares. É interpretada por ranchos folclóricos com acordeões, braguesas, cavaquinhos e vozes altivas. Tudo regado com vinho verde e muita alegria.


Fernando Álvarez de Sotomayor - Los señores de Saridakis en su automóvil, 1908



      The painting portrays an elegant couple seated in an early motorcar, celebrating the prestige and modernity associated with the automobile. The painting balances refined portraiture with the excitement of technological progress, capturing the confidence of Spain’s affluent bourgeoisie. Rich textures, subtle lighting, and careful attention to costume and facial expression convey dignity and sophistication.


Antonio Orihuela - A poesia é um incêndio

 


A poesia é um incêndio

por isso não dá para viver

dá para arder,


não escrevas,

arde nela.


Tradução de C.Abreu


Houve um tempo em que se acreditava que o fogo purifivava. Daí, o Inferno. Curioso como hoje lhe chamamos Poesia.


Ester Vallejo, IXEYA - El pueblo pa las montañas

 


Y que todas las que vengan

Canten este canto

Al valor de nuestra tierra

Que no la destruye cualquiera      

Aunque alguno lo intento.


Que no maten mis paisajes

Que no me abrace tu asfalto

Yo lo único que quiero es

Que seas libre madre tierra

Solo tú nos cuidarás.


 Mi raíz es tan robusta

 Nunca me la arrancaréis

 El pueblo pa las montañas,

 Las montañas para el pueblo

 Nunca nos separaréis.


 Mi raíz es tan profunda

 Nadie me la va a arrancar

 El pueblo pa las montañas,

 Las montañas para el pueblo

 Nadie nos separará.


Mis raíces son profundas

Como de esos viejos arboles

Que un día canto labordeta

Y al igual que otros poetas    

El también es mi raíz.

   

Que nos griten las tormentas

Y que nos azote el viento

Que si tocan a mi tierra

Alguien siempre la defienda

Como un día lo hice yo.


 Refrain:


El pueblo pa las montañas     

Las montañas para el pueblo

No las compréis con dinero

Su valor,lo siento adentro.


El pueblo pa las montañas    

Las montañas para el pueblo   

No las compréis con dinero

Su valor, lo siento adentro.


Montaña y pueblo son uno (x3)

el pueblo es pa las montañas.


      Ester Vallejo "El otro día fuimos a cantarle a las montañas. Les cantamos esta canción que nos abraza a ellas, esta especie de himno-mantra dedicado a la naturaleza, a la conexión que sentimos al pensarlas, al mirarlas… Ojalá aprendamos a cuidarlas, a cuidar a la naturaleza como ella nos cuida."


Robert Reid





      Robert Lewis Reid (1862–1929) was an American Impressionist painter and muralist. His work tended to be very decorative, much of it cantered on depiction of young women set among flowers. He later became known for his murals and designs in stained glass. Where does his beauty come from?


Blanca Varela - Ao despertar / Al despertar

 


Ao despertar

surpreendeu-me a imagem que ontem perdi.

A mesma árvore na manhã

e na levada

o pássaro que bebe

o oiro do dia.

Estamos vivos, ninguém duvida,

o loureiro, a ave, a água

e eu, que observo e tenho sede.


  Tradução de A.M.


  Original:


Al despertar

me sorprendió la imagen que perdí ayer.

El mismo árbol en la mañana

y en la acequia

el pájaro que bebe

todo el oro del día.

Estamos vivos, quién lo duda,

el laurel, el ave, el agua

y yo, que miro y tengo sed.


      É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente procura.


Hélianthème - Pique la Baleine



 

Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


  Pique la baleine, joli baleinier

  Pique la baleine, je veux naviguer

  Pique la baleine, joli baleinier

  Pique la baleine, je veux naviguer.


Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala

En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


      Auteur anonyme, perdu au fil du temps - chanson de baleinier, écrite en France, possiblement au Havre ou à Dunkerque, au XIXème siècle.


Eastman Johnson - The Old Stagecoach, 1871




      The first trains in the United States began with early industrial tracks, horse-drawn tramways, and landmark lines like the Granite Railway, the Baltimore and Ohio Railroad. The first cars and the first production models, led by the Ford Model T. were on the roads and the old stagecoaches were not needed anymore. Nice painting.

Miquel Martí i Pol - Paisagem incendida / Paisatge incendiat

 


Corta o ar de vidro o diamante

do teu olhar.

                              Tudo é breve

por trás da cortina que me separa

da tarde agonizando no meio de um grande

silêncio.

               Quando voltarmos a ver-nos, toda

a quietude será paisagem incendida,

reduto de desígnios, de esperanças.

 

  Tradução de A.M./ sobre versão cast. Joan B. Fort i Olivella


  Original:


Talla l'aire de vidre el diamante

de la teva mirada.

                            Tot és breu

darrera la cortina que em separa

de la tarda que mor enmig d'un gran

silenci.

                Quan tornem a veure'ns, tota

la quietud serà paisatge encès,

reducte de designis i esperances.


      Miquel Martí i Pol (1929-2003) iniciou a sua carreira literária nos anos 50, vindo a converter-se no poeta catalão mais popular e mais lido, tendo escrito também livros de contos, de memórias e de crónicas e artigos de jornal. Além disso, traduziu numerosos autores, sobretudo franceses. Ganhou diversos prémios literários e, aos setenta anos, surgiu um amplo movimento para apresentar a sua candidatura ao Prémio Nobel.

      in, Blogue, Ovelha Perdida


Antía Muíño - Noviembre

 



Te busco en las caras de la gente

No te puedo encontrar

No te puedo encontrar

Y es que últimamente ando buscando

Un soplo de aire fresco

Un poco de agua pa′ limpiar

Esta sensación de soledad


Y te busco en las caras de la gente

No, no te puedo encontrar

Ay no, no te puedo encontrar

Y es que solo veo ojos

Que claman por un presente

Bien diferente


Amiga ven, dame la mano

Hazme ser valiente

Y recordar que ninguna pena va a callar

Que ninguna tela va a tapar

El ruído de nuestra mente

El ruído de, el ruido de nuestra mente.


      Noviembre, de Antía Muíño, é uma canção intimista que retrata a saudade, a solidão e a procura de um vínculo humano capaz de aliviar a ausência. A letra evoca o mês de novembro como metáfora de um estado emocional melancólico, onde o desejo de reencontro convive com a esperança discreta de recuperar a proximidade perdida.


Christian Friedrich Wilhelm Heinrich Syberg (generally known as Fritz Syberg) - Mother and Child, 1898



      The painting portrays an intimate domestic moment with warmth and quiet realism. The mother’s gentle attention and the child’s calm presence express tenderness, protection, and the enduring bond between parent and child. Soft natural light and muted colours create a peaceful atmosphere. Characteristic of Danish Funen painting, the work celebrates everyday life, transforming an ordinary family scene into a timeless reflection on love and human connection.


Miquel Martí i Pol - Coisas / Cosas

 


Desse Verão quero só recordar

o olhar cúmplice

da vizinha que apanhava sol

despida e sorriu com agrado

ao dar conta de que eu a contemplava,

e esse instante fugaz, irrepetível,

de total quietude, em que o mundo ficou

deserto de si mesmo e era um vidro

transparente e a seguir de novo compacto.

O Verão não será outra coisa,

quero dizer, esse Verão, e se alguém me vier

com as mil bagatelas inefáveis

que compõem os dias e  as noites,

eu direi apenas: - Não me lembro.

 

  Tradução de A.M.

 

  Original:

 

Sólo quiero recordar de este verano

la mirada cómplice

de una vecina que tomaba el sol

desnuda y sonrió complacida

al darse cuenta de que la contemplaba,

y aquel instante fugaz, irrepetible,

de total quietud, en que el mundo quedó

desierto de sí mismo y era un cristal

transparente y de nuevo compacto.

El verano no será otra cosa,

este verano, quiero decir, y si alguien me habla

de aquellas mil bagatelas inefables

que componen los días y las noches,

diré tranquilamente: - No me acuerdo.

 

      O poema valoriza os pequenos elementos do quotidiano como portadores de memória, identidade e afeto. A atenção ao detalhe transforma o banal em símbolo da existência, sugerindo que a verdadeira riqueza reside naquilo que frequentemente ignoramos. O poema celebra, assim, a dignidade do quotidiano e a intimidade da memória.


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