Σύννεφο" Συρτό Καραβίτη | Greek Traditional Music | Antonis Dimitra Duet



 

Ήθελα να ‘μαι σύννεφο

να με φυσάει τ’αγέρι

να με φυσήξει μια βραδιά

κοντά σου να με φέρει


I wish I were a cloud

for the breeze to blow me along,

for it to blow me one evening

and bring me close to you.


  Two musical instruments: Lafta and Laute from Crete.

 

A Young Girl by a Fjord, 1900, painted by Hans Dahl



      The painting presents a young woman standing on a grassy hillside above a Norwegian fjord. Dressed in traditional rural clothing, she appears quietly absorbed in the magnificent landscape. Blue water stretches between steep mountains beneath a luminous sky, creating a harmonious sense of depth and openness. Dahl’s precise naturalism and warm, crystalline light transform an ordinary rural moment into a poetic celebration of youth, nature, and the peaceful beauty of Norwegian life.


Almada Negreiros - Eu queria como tu

 


"Eu invejo-te a ti, ó coisa que não tens olhos de ver!

Eu queria como tu sentir a beleza de um almoço pontual

e a f'licidade de um jantar cedinho

co'as bestas da família.

Eu queria gostar das revistas e das coisas que não prestam

porque são muitas mais que as boas

e enche-se o tempo mais!

Eu queria, como tu, sentir o bem-estar

que te dá a bestialidade!"


  in, Cena do ódio


      Dá muito trabalho odiar, contanha-se.


Julius LeBlanc Stewart (1855–1919) - The Huntresses, 1899



      The painting presents an idyllic mythological scene inspired by Artemis and her companions. Set in a sunlit meadow, elegantly posed women and nymphs gather among dogs, trees and dappled foliage. Flowing fabrics contrast with natural figures, creating a graceful, dreamlike atmosphere. Rather than depicting an active hunt, Stewart transforms the subject into an Arcadian celebration of beauty, leisure and harmony with nature. His polished academic technique, luminous palette and sophisticated composition reflect the refined artistic culture of Belle Époque Paris.


Martha Scanlan and Jon Neufeld - Seeds of the pine

 


Rains fell cold through June

Grass is up to my thigh

Say if it dries up it'll burn just like the moon

Say it opens up the seeds of the pine.


I only want to dream about you

The dollar I could spend but I should save

Just to see my fingers in your hair

The golden wheat around us and

Beneath us where we lay.


You're a slow ride down a country mile

You're the smell of apple pie to the blind

You're the last light on a July western sky

You're the centre of the watermelon

You're a sweet, sweet smile.


Cottonwood a-shakin in the breeze

Surrounded by a starry sky

Easy to forget the things we need

Easy to stumble around mostly blind.


I could tell you not to come in from the storm

I could tell you not to be so kind

I could tell you not to close the door

I could say I never wanted you for mine.


Rains fell cold through June

Grass is up to my thigh

Say if it dries up it'll burn just like the moon

Say it opens up the seeds of the pine.


Say it opens up the seeds of the pine.


      Martha Scanlan is an American singer-songwriter and musician, based in Montana. The lyrics evoke a tender, rural world shaped by weather, landscape, memory and desire. Images of rain, tall grass, wheat, cottonwood and starry skies create an intimate atmosphere where love feels both comforting and fragile. Yet uncertainty runs beneath the tenderness: the narrator struggles between inviting closeness and protecting independence. The recurring image of pine seeds suggests renewal, possibility and the quiet transformation that follows hardship.


Julius LeBlanc Stewart (1855–1919) - On the Yacht 'Namouna', Venice, 1890



      The painting evokes the elegance and leisure of the Belle Époque high society. Set aboard a luxurious yacht in Venetian waters, the painting presents elegantly dressed figures enjoying a relaxed moment against a luminous Mediterranean backdrop. Stewart combines meticulous detail with a sophisticated sense of fashion and atmosphere. Sunlight, water and refined surroundings create an impression of effortless pleasure, while the yacht itself symbolises wealth, travel and the cosmopolitan lifestyle of the period.


Ruy Belo - A Rapariga de Cambridge

 


Queria conhecer intimamente conhecer

a rapariga anónima estendida no relvado

ao sol distante de um colégio de Cambridge

Perdida na distância nem sei bem

se é uma mulher se rapariga

mais uma das amadas raparigas

Sei apenas que lê não sei o quê

e é simples objeto recortado

na margem verde intensamente verde

após a água mansa que reflete os edifícios

Urgente é conhecer aquela que só veio num postal

mandado por alguém que certamente não sabia

o que essa rapariga ao sol para mim significaria

Ela devia saber um português profundíssimo

ou talvez as coisas que eu tinha para lhe dizer

as conseguisse de repente dizer num inglês

que fosse a melhor parte de mim

Definitivamente todo este dia-a-dia

contra o qual esmago a minha melhor lança

como que um sobressalto passaria

O meu reino pela rapariga de Cambridge

Se eu a conhecesse mas no momento da fotografia

sentindo agora o que à distância sinto

pode dizer-se que seria feliz

Só assim o seria finalmente

há uma força obscura que mo diz.


  in, Homem de Palavra(s), 1969


      O poema nasce da contemplação de uma fotografia que desperta no sujeito poético um intenso desejo de conhecer uma jovem anónima e distante. A rapariga transforma-se numa figura idealizada, símbolo de uma felicidade possível, mas inalcançável. A distância alimenta a imaginação e permite projetar nela sonhos, palavras e uma vida diferente. A fotografia funciona como instante suspenso, capaz de interromper a rotina e o desgaste quotidiano.


The Rolling Stones - You Can’t Always Get What You Want



I saw her today at the reception

A glass of wine in her hand

I knew she would meet her connection

At her feet was her footloose man.


  No, you can't always get what you want!

  You can't always get what you want!

  You can't always get what you want!

  But if you try sometime you'll find

  You get what you need!


I went down to the Chelsea drugstore

To get your prescription filled

I was standing in line with Mr. Jimmy

And, man, did he look pretty ill

We decided that we would have a soda

My favourite flavour, cherry red

I sung my song to Mr. Jimmy

Yeah, and he said one word to me, and that was "dead"

I said to him.


      Marianne Faithful, who was Mick Jagger's girlfriend, claimed that her drug use was the inspiration for this song. The lyrics reflect on disappointment, desire and the limits of human expectations. Its central message accepts that life rarely provides exactly what we seek, yet unexpected experiences can offer something meaningful. The song contrasts personal frustrations with wider social realities, creating a bittersweet portrait of existence. Its gospel-influenced arrangement gives the chorus a communal, almost spiritual quality.

 

Edmund Adler, German painter, 1876-1965





      Edmund Adler was a celebrated Austrian genre painter renowned for his warm and intimate portrayals of rural life and childhood. A master of the Vienna Academy, Adler possessed a unique gift for capturing the innocence of youth, often depicting children engaged in simple, everyday activities, playing with pets, sharing meals, or wandering through sun-dappled forests. His work is characterized by a remarkable technical precision and a soft, naturalistic light that gives his canvases a timeless, nostalgic glow.


 

Andrea Cohen - O Comité delibera /The Committee weights in

 


Digo a minha mãe que

ganhei o Prémio Nobel.


Outra vez? diz ela. Em que

categoria agora?


É uma brincadeira

que fazemos: eu finjo


que sou alguém, ela

finge que não está morta.


  Tradução de A.M.


  Original:


I tell my mother

I’ve won the Nobel Prize.


Again? she says. Which

discipline this time?


It’s a little game

we play: I pretend


I’m somebody, she

pretends she isn’t dead.


      O poema constrói, com extrema concisão, uma relação imaginária entre filha e mãe, onde o humor funciona como forma de preservar a ligação afetiva. A referência ao Prémio Nobel introduz ironia e brincadeira, enquanto a resposta da mãe sugere uma cumplicidade antiga. O último verso transforma radicalmente o sentido do poema: percebemos que a mãe morreu e que ambas fingem ignorar essa realidade.


Bárbara Bandeira - Onde Vais (feat. Carminho)



  Onde vais

  Que se eu fico daqui tu não sais

  Vai acabar sempre por doer mais

  E já nem isso eu posso mudar.


Não sei quanto tempo demora a esquecer a solidão

Que tu deixaste à minha porta ao levares o meu coração

Escondes o que queres dizer só pelo medo de me ver sofrer

Mas não dá.


Nada nos une só nos mantém e tudo muda

Nós mudámos também

Talvez o amor seja assim

Mas tudo o que eu quis para mim já não há. Ref:


Diz-me se vais ou não vais

Nem sei se ligo ou deixo passar

Espero que seja o tempo a curar

Que já nem isso eu posso mudar

Acorda-me quando acabar.


O tempo que passou por mim

Fez calar a minha voz

Foi contigo que aprendi

O que é amar alguém a sós

Sonhos que desperdicei

As canções que eu não cantei por ficar.


Nada nos une só nos mantém e tudo muda

Nós mudámos também

Talvez o amor seja assim

Mas tudo o que eu quis para mim já não há. Ref:


Diz-me se vais ou não vais

Nem sei se ligo ou deixo passar

Espero que seja o tempo a curar

Que já nem isso eu posso mudar

Acorda-me quando acabar.


Mas se esta canção foi feita p’ra ti

Talvez isso mude o que ainda não vivi.


Então diz-me se vais ou não vais

Nem sei se ligo ou deixo passar

E espero que seja o tempo a curar

Que já nem isso eu posso mudar.


Acorda-me quando acabar.


      Quando o coração cai dentro da alma e, ali, a matéria e o espírito geram um tempo de Amor maior. Muito belo!


Robert Zünd - Clearance in an Oak Forest, 1882



      It presents a majestic woodland bathed in natural light. Towering oak trees dominate the composition, their intricate branches and foliage rendered with remarkable precision. Sunlight filters through the dense canopy, illuminating the richly detailed undergrowth and creating a striking contrast between shadow and brightness. The absence of human activity (only quiet children and adults) enhances the forest’s peaceful, almost timeless character. Zünd combines Realist observation with Romantic grandeur, transforming an ordinary Swiss landscape into an immersive celebration of nature.


Juan Bello Sánchez - Uma escuridão / Una oscuridad

 


Cai sobre nós

como faria um homem faminto

sobre um prato de sopa quente,

uma noite de inverno.

Tudo se move para onde tem de ser,

mudança nenhuma

é demasiado profunda.


Devíamos prestar mais atenção,

ser mais cuidadosos,

o tempo dobra-se sobre si mesmo

e o que aconteceu,

algo de que julgávamos

que estávamos livres,

podia estar à beira de acontecer de novo,

pela primeira vez.


  Tradução de A.M.


  Original:


Cae sobre nosotros

como lo haría un hombre hambriento

sobre un plato de sopa caliente,

una noche de invierno.

Todo se mueve hacia donde tiene que moverse,

ningún cambio

es un cambio demasiado profundo.


Deberíamos prestar más atención,

deberíamos ser más cuidadosos,

el tiempo se pliega sobre sí mismo

y lo que ocurrió,

algo de lo que creíamos

que nos habíamos librado,

podría estar a punto de ocurrir de nuevo,

por primera vez.


      O poema apresenta a escuridão como metáfora de um recomeço não esperado na vida humana. A noite (velhice?) surge de forma quase física, avançando sobre «nós» com força inevitável. O movimento das coisas parece obedecer a uma ordem prévia, enquanto o tempo se dobra. O poema transmite, assim, uma inquietação discreta: aquilo que julgávamos ultrapassado pode regressar inesperadamente. A linguagem simples e quotidiana reforça o carácter filosófico da reflexão sobre memória, tempo e destino.


Bohemian Rhapsody



      "Sunset in Verbania. We were rehearsing 'Bohemian Rhapsody' by The Queen and suddenly, the streetlights came on... perfectly in time with the music. It was just a rehearsal, but for a moment, it felt like the whole city was magically playing with us." God blessed those feet!


Charles Burton Barber (British painter, 1845–1894) - Only a shower, 1884



      The painting presents a charming domestic scene interrupted by a sudden summer rain. A young girl and her faithful dogs appear indoors, seeking shelter. Barber’s characteristic tenderness towards children and animals is evident in their expressive poses and affectionate companionship. The fleeting shower contrasts with the peaceful setting, transforming an ordinary moment into a gentle, picturesque narrative.


Álamo Oliveira - Lua de ganga

 


quando te via

na ganga azul do teu fato

embandeirava-me de ternura

e propunha despir-te como

se lua fosses ou nada


tocava

com a ponta dos dedos

o poema do teu corpo


era azul mas eu morria de medo


      O poema transforma o desejo amoroso numa imagem simultaneamente quotidiana e poética. A ganga azul do vestuário aproxima a pessoa amada da lua, criando uma associação entre intimidade, beleza e idealização. O eu poético revela ternura e vontade de aproximação, mas também hesitação e receio. O corpo é metaforicamente apresentado como um «poema», sugerindo que amar implica descobrir e interpretar o outro. O contraste entre o azul e o medo confere ao poema uma delicada tensão emocional.


Legiana Collective - El Fandanguito



Señores que son es este, señores el fandanguito

La primera vez que lo oigo y válgame Dios que bonito

Señores que son es este, señores el fandanguito

Hiza la vela, hiza la vela, hiza la vela, 

Golpe de mar, golpe de mar, barquito de vela

Dile a mi bien para donde me lleva

Si para España o para otra tierra

Por navegar, por navegar mar para fuera.


No Me oyeras decir que yo me pesaré molto

No dudes que si acierto ya no puedo vivir

Entonces oirás decir murió el rey de los amores

Me va a enterrar ya no llores

Entonces Oirás decir murió el rey de los amores

Me van a enterrar no llores que voy a descansar

No dejes nunca de regar sobre mi tumba mis flores.


       El Fandanguito is a traditional Son Jarocho from Tlacotalpan, Veracruz, Mexico. It took me a while to realize that they were not Mexicans, but the whole spirit it was. This is very strange, apart from the lyrics, there is nothing from 'el Fandanguito'. Many reasons to mirror beauty.

Charles Edward Perugini - The Ramparts, Walmer Castle; Portraits of the Countess Granville, and the Ladies Victoria and Mary Leveson-Gower, 1891





      The painting presents an elegant Victorian scene. Set against the historic architecture of Walmer Castle (only in the title), the painting combines aristocratic portraiture with a picturesque outdoor setting. The figures are dressed in fashionable, refined clothing, their graceful poses conveying both intimacy and social distinction. Perugini’s delicate handling of colour, light and texture creates a serene atmosphere, while the hidden castle walls provide a dignified historical backdrop to the composition.


Casa na Chuva - Eugénio de Andrade

 


A chuva, outra vez sobre as oliveiras.

Não sei por que voltou esta tarde

se minha mãe já se foi embora,

já não vem à varanda para a ver cair,

já não levanta os olhos da costura

para perguntar: Ouves?

Oiço, mãe, é outra vez a chuva,

a chuva sobre o teu rosto.


    in, Escrita da Terra, 1974


      O poema expressa a intimidade e a solidão do poeta, que encontra refúgio na casa materna durante um tempo de chuva. A lembrança da mãe a costurar e a ouvir a chuva é bela e triste. A minha mãe que-Deus-tem também sentia a chuva, assim.

 


Eternamente Exausto - Vinicius de Moraes | Júlia Sonati

 


      A conclusão central do poema "Ausência" de Vinícius de Moraes é um profundo paradoxo sobre a natureza do amor: a verdadeira posse não reside na presença física ou na união carnal, mas sim na capacidade de idealização e na aceitação da ausência. O eu lírico, sentindo-se "eternamente exausto" e incapaz de oferecer um amor convencional sem contaminá-lo com as suas mágoas passadas, opta pela renúncia. Ele eleva o sentimento a um plano estético e espiritual, onde a pessoa amada se torna uma fonte de "fé" e inspiração que ameniza sua existência marcada.


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


      No desfecho, a solidão não é vista como uma derrota, mas como uma condição necessária para uma forma superior de união. Ao abrir mão da realidade compartilhada e aceitar que a amada viverá outros amores, o poeta absorve a essência dela através do universo — o mar, os céus e as estrelas. Essa abstração permite que ele a "possua mais do que ninguém", pois transforma a voz ausente na voz presente e eternamente serenizada da sua própria alma, garantindo que o amor sobreviva e se eternize precisamente porque não foi consumado.

      José Meireles


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