The painting presents
an elegant young woman selecting flowers from a richly arranged nosegay.
Dressed in a refined white gown, she bends attentively towards the blossoms,
her delicate posture conveying grace and quiet concentration. Perugini
surrounds her with luxuriant flowers, creating a harmonious dialogue between
feminine beauty and nature. The carefully rendered details and serene mood
reflect the Victorian fascination with elegance, refinement and domestic
beauty.
por
cima dos sonhos, ao romper dia, quando o vento
fresco
interroga os pássaros, os meus
mestres
falam por sussurros.
Consigo
ouvir a sua voz trêmula.
O poema apresenta os mestres não como figuras perfeitas e
distantes, mas como presenças frágeis, humanas e silenciosas. Em contraste com
Goethe e Horácio, símbolos da grandeza literária, os verdadeiros mestres do
sujeito poético pedem-lhe conselhos e comunicam através de sussurros. A imagem
dos sobretudos sobre os sonhos e do vento que interroga os pássaros cria uma
atmosfera de delicadeza e mistério. A sua voz trémula sugere que a sabedoria
nasce também da dúvida, da vulnerabilidade e da escuta atenta.
Menci Clement Crnčić (1865-1930)
was a Croatian painter, printmaker, teacher and museum director. He is among
the founders of modern Croatian painting, contributing greatly to its
development. He promoted landscape painting, mainly seascapes, using light,
colour, and soft strokes in an impressionist style. He was the founder of
modern Croatian graphic art and played an important role in teaching several
generations of Croatian painters. Here, we can see two examples of his art.
O poema constrói-se a partir de associações paradoxais sobre
a ideia de pertença. As casas, os países, os filhos, as viagens e as
fotografias parecem pertencer precisamente a quem deles está afastado. Esta
inversão cria uma reflexão sobre o desejo, a ausência e a distância entre
possuir e experimentar. A repetição da estrutura sintática dá ritmo e reforça o
efeito de estranheza. No verso final, a solidão surge como condição paradoxal
do amor, revelando que aquilo que se deseja pode pertencer sobretudo a quem
dele está privado. A pintura é de Edvard Munch, Two Human Beings (The Lonely Ones).
to remind you how I still love you, I
still love you.
According to John Reid,
Freddie Mercury wrote "Love of My Life" about David Minns. Minns was
a man that Freddie was having an affair with behind Mary Austin's back between
1975 and 1978.
It portrays a young
couple sharing an intimate moment with their newborn child in a modest rural
interior. The mother tenderly nurses the baby while the father sits beside her,
his expression combining pride, concern and tenderness. Buland’s meticulous
realism captures worn clothing, simple surroundings and everyday objects,
emphasising the family’s humble circumstances.
O poema parte da contemplação de flores para refletir sobre a
passagem do tempo, a fragilidade e a beleza efémera da existência. O amarelo,
associado à luz, ao amadurecimento e também ao declínio, adquire um valor
simbólico. O sujeito poético observa a natureza com atenção e transforma uma
realidade simples numa meditação sobre a condição humana.
The painting shows two women
absorbed in a calm, solitary task—such as handwork or reading—highlighting a
pause from the rushing outside. The atmosphere is calm and contemplative,
suggesting the beauty of ordinary life and the quiet pleasures of home.
O poema reflete sobre a fragilidade das recordações e a
permanência do passado. A memória surge como espaço de afetos, perdas e
experiências que continuam a influenciar o presente. O sujeito poético
interroga aquilo que permanece e aquilo que se desvanece, revelando uma visão
simultaneamente nostálgica e lúcida.
A canção explora a construção do medo e da ameaça através da figura simbólica que representa aquilo que assusta, oprime ou perturba. A
voz poética confronta o monstro, recusando a submissão e afirmando a coragem, a
resistência e a liberdade individual.
This work of art presents
a quiet domestic scene, bathed in soft, natural light. A woman sits absorbed in
her knitting, her figure viewed from behind, creating a sense of intimacy and
gentle mystery. Warm brown and golden tones contrast with the cooler light
entering through the window. The carefully arranged interior conveys order and
tranquillity.
O poema celebra uma figura feminina que concilia experiência,
trabalho e liberdade. Inspirada no universo de Horácio, Sophia valoriza uma
vida plenamente vivida, onde a construção da casa e o cultivo da terra
coexistem com o desejo de aventura. As referências às sereias, à caça, à noite
e ao vinho evocam a dimensão mítica, sensual e convivial da existência. A
«errância» simboliza a liberdade de seguir o desconhecido, enquanto a partilha
final afirma a comunhão entre natureza, amor, viagem e poesia.
The painting captures a
lively rural gathering with characteristic realism and social observation.
Inside a modest Danish inn, couples dance while other guests watch, converse,
or enjoy the festive atmosphere. Beneath its cheerful surface, the painting
offers an affectionate glimpse of Danish popular life and communal
entertainment in the early twentieth century.
O poema apresenta, com ironia subtil, manifestações de
solidariedade num mundo dominado pelo capitalismo e pela ameaça da violência. O
socorro imediato, a generosidade inesperada e a tranquilidade das ruas
contrastam com a ideia de uma sociedade desenfreada e potencialmente perigosa.
A expressão "Como em plena paz" adquire um tom ambíguo: aquilo que deveria ser
banal parece extraordinário. Enzensberger questiona, assim, a fragilidade da
paz quotidiana e celebra ironicamente os gestos humanos que ainda escapam à
lógica económica.
os
sonhos, as lutas, as frutas, as pontes, cornetas
de
guerra e paz
Nas palavras d’A garota não: "Aconteceu que nos cruzámos num
mesmo palco, onde se homenageava Chico Buarque. Enquanto aguardávamos a nossa
vez de entrar, falávamos baixinho atrás do pano sobre a vida no geral e nada em
particular. E vai daí disse para o Luca: 'vamo fazê uma música em conjunto,
menino?' Ele não pareceu entusiasmado, mas foi amável como sempre é. Não
voltámos a tocar no assunto, até que alguns dias depois recebi um pequeno audio
cantarolado. Era o início da nossa canção". A letra fala sobre o espaço íntimo, os sonhos e a liberdade
que resistem a qualquer ataque exterior.
Huleeb é o nome de (Hugo), um artista digital 3D
autodidata que vive em Montreal, Canadá, conhecido pelo seu estilo surrealista
melancólico. Aqui, ele tenta transmitir que a pessoa humana é limitada pela sua
biologia, pelo tempo de vida e pelas suas capacidades físicas, mas é justamente
essa condição que dá significado às nossas ações e ao nosso esforço.
Há duas semanas que ele anda a observar a mesma rapariga,
Alguém que costuma ver na praça. Na casa dos vinte, talvez,
tomando café à tarde, uma pequena cabeça escura
inclinada sobre uma revista.
Fica a observá-la do outro lado da praça, fingindo
comprar alguma coisa, cigarros, um ramo de flores, talvez.
Por ela ignorar o seu próprio poder,
este é agora imenso, fundido nas necessidades da imaginação
dele.
Ele é seu prisioneiro. Ela diz as palavras que ele lhe
atribui
numa voz por si imaginada, num tom baixo e brando,
uma voz do Sul, tal como os cabelos negros serão certamente
do Sul.
Em breve, ela irá reconhecê-lo, e depois começará a
esperá-lo.
E talvez a partir daí traga todos os dias os cabelos acabados
de lavar
e olhe abertamente em redor na praça antes de baixar outra
vez o olhar.
E depois disso tornar-se-ão amantes.
Mas ele espera que isso não aconteça logo,
pois seja que poder for que ela agora exerça sobre o seu
corpo,
sobre as suas
emoções,
é um poder que ela deixará de possuir assim que se
comprometer –
recolher-se-á naquele mundo privado do sentimento
a que as mulheres acedem quando amam. E, aí vivendo, será
como
uma pessoa que não projeta sombra, que não está presente no
mundo;
nesse sentido, achando-a ele de pouca serventia,
pouco importa se ela vive ou morre.
Tradução de Frederico Pedreira
Original:
For two weeks he’s been
watching the same girl,
someone he sees in the
plaza. In her twenties maybe,
drinking coffee in the
afternoon, the little dark head
bent over a magazine.
He watches from across
the square, pretending
to be buying something,
cigarettes, maybe a bouquet of flowers.
Because she doesn’t know it exists,
her power is very great
now, fused to the needs of his imagination.
He is her prisoner. She
says the words he gives her
in a voice he imagines,
low-pitched and soft,
a voice from the south
as the dark hair must be from the south.
Soon she will recognize
him, then begin to expect him.
And perhaps then every
day her hair will be freshly washed,
she will gaze outward
across the plaza before looking down.
And after that they
will become lovers.
But he hopes this will
not happen immediately
since whatever power
she exerts now over his body, over his emotions,
she will have no power
once she commits herself —
she will withdraw into
that private world of feeling
women enter when they
love. And living there, she will become
like a person who casts
no shadow, who is not present in the world;
in that sense, so
little use to him
it hardly matters
whether she lives or dies.
O poema explora o desejo, a fantasia e a distância entre
imaginar alguém e realmente conhecê-lo. Um homem observa secretamente uma jovem
e constrói, a partir dela, uma relação inteiramente imaginária. A sua
fascinação depende precisamente da ausência de reciprocidade: enquanto ela
permanece desconhecida, conserva poder sobre ele. Quando imagina uma possível
relação, teme perder esse encantamento. O poema revela, assim, a natureza
possessiva da fantasia amorosa e a fragilidade das expectativas humanas,
através de uma linguagem simples, fria e profundamente inquietante.