Nikolay Petrovich Bogdanov-Belsky was a prominent Russian realist and impressionistic painter best known for his heartfelt depictions of peasant life and rural children's education. This is what AI can't do, human beauty.
Carlos Drummond de Andrade - Hipótese
E se
Deus é canhoto
e
criou com a mão esquerda?
Isso
explica, talvez, as coisas deste mundo.
in, Corpo, 1984
O poema explora, com ironia e simplicidade, as possibilidades
alternativas da existência. O poema imagina outros caminhos para a vida,
sugerindo que o destino poderia ter sido diferente. Entre o desejo e a
aceitação, o sujeito poético confronta-se com escolhas, acasos e limitações
humanas.
Mariana Root - Canção da Erva
Vem,
meu bem, cavar a terra
Vem,
meu bem, mondar a erva
Vem saudar-te
aqui a serra
Onde
a flora vive em festa.
Erva
mansa, erva agreste
Açafrão,
erva bastarda
Rosmaninho,
alfazema
A borragem
da coragem.
Erva
bruxa, erva santa
Erva
doce, erva amarga
Erva
príncipe ao meu lado
Olho
branco aqui plantado.
Minha calêndula ligeira
Abundante
erva vaqueira
Cheira
Algarve, cheira estêva
Arruda,
a curandeira.
A
silvestre é sagrada
Protetora
perfumada
Afasta
o mau-olhar
No
telhado pendurada.
Erva
férrea, erva de ouro
Alecrim,
erva-cidreira
Rica
sálvia defumada
Espontânea
erva de ovelha.
Mel-solstiço
e pericão
Rasteja
amor-hortelão
Bem-me-quer
e bem-me quis
Bem-me-quer
e bem-me diz
Vem
meu bem cavar a terra
Vem
meu bem mondar a erva
Vem saudar-te
aqui a serra
Onde
a flora vive em festa.
Diz Mariana Root "Este canto é para vós, plantas do dia-a-dia, que aqui bem
postas nos dão vida ao lar e à travessia: que nos afagam as mágoas, nos
purificam, nos fortificam, nos encorajam, nos despertam e nos suavizam."
Paul Hermann Wagner (German, 1852–1937) - Sweet Music
The German painting presents a charming inocent scene filled with childish intimacy. Look at their eyes! A boy appears absorbed in playing his flute, creating an atmosphere of quiet pleasure and poetry, close to nature and his sister or sweet-heart.
José Miguel Silva - Parte poética
Não é fácil ser poeta a tempo
inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos
por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há
que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e
depois,
a poeira que caminha, o massacre dos
culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos
centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar.
Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo
a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens
correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira
nenhuma.
O poema explora, com ironia e contenção, a relação entre
poesia e o "terrorismo" do dia-a-dia. O poema questiona a utilidade da escrita
poética, confrontando o ideal literário com a experiência quotidiana e as suas
limitações. O tom desencantado, mas subtilmente humorístico, transforma a
reflexão numa espécie de autocrítica.
Tom Ribeira - Vovó, vovô
Ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó
talvez antes de enlaçar o nó do amor de bisavó com bisavô.
Meu irmão irmã (meu irmão irmã) conheci vocês lá atrás talvez
nessa vida o meu talismã ninguém realmente está a sós.
Água
do rio e do poço é a mesma
do
brilho do orvalho e da beleza
de
moça de moço de nós.
Ó
meu pai minha mãe, ó minha mãe meu pai
ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó
talvez
antes de enlaçar o nó do amor
de
bisavó com bisavô.
Meu irmão irmã(meu irmão) água do rio e do poço é a mesma
do brilho do orvalho e da beleza de moça de moço de nós.
Ó
meu pai minha mãe(ó meu pai minha mãe )
ó
minha mãe meu pai(ó meu pai)
ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovó vovô.
Natural de Botucatu, interior de São Paulo, Tom Ribeira é uma das mais novas promessas da música brasileira. O jovem cantor já se apresentou em teatros históricos de Paris, como La Cigale e Elysée Montmartre. Tom passou, também, por diversos estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Paraíba.
A partir do rádio do seu avô ouvia sertanejos, boleros e muito samba raiz, passando pelos seus pais, que ouviam e cantavam muito da antiga MPB, Ribeira adquiriu um vasto vocabulário musical, que utiliza para compor sua próprias canções hoje em dia.
Claude Monet - Le Parterre aux agapanthes, 1914-1917
Claude Monet’s Le
Parterre aux agapanthes, painted between 1914 and 1917, presents a
luxuriant garden transformed by colour and light. Broad patches of blue
agapanthus emerge among dense vegetation, while water and foliage merge into a
shimmering, almost dreamlike surface. Monet abandons precise outlines, allowing
brushstrokes to suggest flowers, leaves, reflections and atmosphere. The
composition reflects his late fascination with his Giverny garden, where
observation became increasingly abstract. Rich blues, greens and violets create
a vibrant, immersive vision of nature.
José Miguel Silva - A caminho do fogão
Adoro
essa paixão absurda que tens por Hitchcock,
o ar
despenteado com que chegas a casa e me dizes:
outra
vez sopa de nabos; adoro a impaciência com
que
me arrancas aos diálogos com o nada, quando
me
contas os teus feitos na república do frio; adoro
a
tua insónia, os teus escrúpulos morais, a tua esponja
de
banho, o teu espírito lavado por agudos desenganos;
outrossim
acompanhar-te nas perguntas sublinhadas
pelo
tempo, e o teu corpo possuído pela mágica
da
música amorosa, quando dança seminu à minha
frente
e eu só penso: que bem feito está o mundo.
O poema explora o quotidiano através de uma linguagem
aparentemente simples, mas carregada de ironia e reflexão. O gesto doméstico
sugerido pelo título ganha uma dimensão simbólica, revelando como os atos
banais podem expor tensões, hábitos e contradições da existência. O poeta
observa o mundo com lucidez crítica, recusando idealizações e valorizando o
detalhe concreto. A contenção verbal, aliada ao humor subtil, transforma uma
situação comum numa oportunidade de questionar comportamentos e relações
humanas.
Milton Nascimento e Chico Buarque - O que será
O
que será que me dá
Que
me bole por dentro, será que me dá
Que
brota à flor da pele, será que me dá
E
que me sobe às faces e me faz corar
E
que me salta aos olhos a me atraiçoar
E
que me aperta o peito e me faz confessar
O
que não tem mais jeito de dissimular
E
que nem é direito ninguém recusar
E
que me faz mendigo, me faz suplicar
O
que não tem medida, nem nunca terá
O
que não tem remédio, nem nunca terá
O
que não tem receita.
O
que será que será
Que
dá dentro da gente e que não devia
Que
desacata a gente, que é revelia
Que
é feito uma aguardente que não sacia
Que
é feito estar doente de uma folia
Que
nem dez mandamentos vão conciliar
Nem
todos os unguentos vão aliviar
Nem
todos os quebrantos, toda alquimia
E
nem todos os santos, será que será
O
que não tem descanso, nem nunca terá
O
que não tem cansaço, nem nunca terá
O
que não tem limite.
O
que será que me dá
Que
me queima por dentro, será que me dá
Que
me perturba o sono, será que me dá
Que
todos os tremores me vêm agitar
Que
todos os ardores me vêm atiçar
Que
todos os suores me vêm encharcar
Que
todos os meus nervos estão a rogar
Que
todos os meus órgãos estão a clamar
E
uma aflição medonha me faz implorar
O
que não tem vergonha, nem nunca terá
O
que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo.
"O Que Será?" é uma das composições mais
emblemáticas de Chico Buarque, criada em 1976 para a banda sonora do filme Dona
Flor e Seus Dois Maridos. Marcada pela sua forte carga metafórica e poesia
intensa, a canção tornou-se um hino de resistência implícita contra a ditadura
militar brasileira e uma profunda reflexão sobre o desejo, a aflição e o
mistério da natureza humana.
Hubert Kaplan - In the Village
The painting presents a
charming rural scene filled with warmth and everyday activity. The painting
depicts villagers gathered along a quiet country street, surrounded by
traditional buildings and lush vegetation. Kaplan’s detailed realism captures
the textures of stone, wood, clothing, and foliage with remarkable precision.
The harmonious colours and carefully observed details evoke nostalgia for a
simpler, close-knit village life
Alejandra Pizarnik - Os trabalhos e as noites
para
reconhecer na sede o meu emblema
para
significar o único sonho
para
não me sustentar nunca outra vez no amor
fui
toda oferenda
um
puro errar
de
loba no bosque
na
noite dos corpos
para dizer a palavra inocente
O poema apresenta a poesia como uma procura incessante pela
palavra essencial, capaz de traduzir a experiência interior. A noite surge como
espaço de introspeção, desejo e descoberta, onde a poeta vagueia entre o amor,
a solidão e a procura de identidade. A imagem da «loba» sugere liberdade,
instinto e errância. A linguagem, breve e depurada, cria uma atmosfera
simultaneamente misteriosa e melancólica. Assim, escrever torna-se uma
tentativa de alcançar uma palavra «inocente», pura e verdadeira.
Bea Almar, Pilar Almalé, IXEYA, Irene Mezcal, Ester Vallejo - Todo Cambia
Cambia lo superficial, cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar, cambia todo en este mundo
Cambia el clima con los años, cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia que yo cambie no es extraño.
Cambia el más fino brillante de mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo, cambia el sentir un amante
Cambia el rumbo el caminante aunque esto le cause daño
Y así como todo cambia que yo cambie no extraño.
Cambia,
todo cambia, cambia, todo cambia,
Cambia,
todo cambia, cambia, todo cambia.
Cambia el sol en su carrera cuando la noche subsiste
Cambia la planta y se viste de verde en la primavera
Cambia el pelaje la fiera, cambia el cabello el anciano
Y así como todo cambia que yo cambie no es extraño.
Pero no cambia mi amor por más lejos que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor de mi pueblo y de mi gente
Y lo que cambió ayer tendrá que cambiar mañana
Así como cambio yo en estas tierras lejanas.
Pero
no cambia tu amor (cambia, todo cambia)
Por
más lejos que te encuentres
Ni
el recuerdo, ni el dolor (cambia, todo cambia)
De
tu pueblo y de tu gente
Y lo
que cambió ayer (cambia, todo cambia)
Tendrá
que cambiar mañana
Y
así como cambio yo (cambia, todo cambia)
En
tu tierra tan amada.
«Todo cambia» es una canción compuesta por el cantautor chileno Julio Numhauser, en Suecia en 1982, durante su exilio. La canción fue grabada posteriormente como cover por Mercedes Sosa en 1984, versión con la cual se popularizó la pieza. Julio Numhauser fue uno de los fundadores de la agrupación de canto nuevo Quilapayún. En 1973, tras el golpe militar de Augusto Pinochet a Salvador Allende y el comienzo de la dictadura pinochetista, Numhauser se exilia en Europa, estableciéndose en Suecia en 1975. En 1982 compuso y grabó «Todo cambia», junto al grupo Somos, dentro de un disco que no se lanzó al mercado oficialmente, pero que circuló en Chile de manera informal.
in, Wikipedia
Henry Woods - Fruit Sellers from The Islands, Venice, 1903
The painting presents a
lively Venetian scene centred on local fruit vendors beside the city’s
waterways. The figures, dressed in traditional clothing, convey the colourful
character of everyday life and commerce. Baskets overflowing with fruit
introduce vibrant accents, contrasting with the muted architectural and
waterside surroundings. The painting celebrates Venice not through grand
monuments, but through its people, markets, boats, and ordinary moments of
Mediterranean life.
Escolhas
Ódio tem 4 letras, amor também;
Mal tem 3 letras, bem também;
Mentira tem 7 letras, verdade também;
Tudo tem 4 letras, nada também;
Forte tem 5 letras, fraco também;
Chorar tem 6 letras, sorrir também;
Vazio tem 5 letras, cheio também;
Doentio tem 7 letras, saudável também;
Negatividade tem 12 letras, positidade também;
Maldade tem 7 letras, bondade também;
Corajoso tem 8 letras, temeroso também.
A vida tem dois lados, escolha o melhor.
As
nossas escolhas diárias moldam o nosso destino, definindo o rumo entre a
realização pessoal e as consequências que acumulamos ao longo do tempo.
Anavitória e Orquestra Ouro Preto - Trevo (Ao vivo no Rio de Janeiro)
Tu
É
trevo de quatro folhas, é manhã de domingo à toa
Conversa
rara e boa
Pedaço
de sonho que faz meu querer acordar p'ra vida, ai, ai, ai
Tu
Que
tem esse abraço casa, se decidir bater asa
Me
leva contigo p’ra passear
Eu
juro afeto e paz não vão te faltar, ai, ai, ai
Ah,
eu só quero o leve da vida p’ra te levar
E o
tempo para
Ah,
é a sorte de levar a hora p’ra passear
Pra
cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando
aqui tu tá.
Tu.
Henri Le Sidaner
"Discreto entre os grandes nomes da pintura francesa da viragem do século XX, Henri Le Sidaner ocupa um lugar singular, na fronteira entre o impressionismo tardio, o simbolismo e o intimismo. Pintor de mesas postas em jardins, ruelas desertas e luzes crepusculares, construiu uma obra paciente e contemplativa, onde a ausência de figuras humanas deixa todo o espaço à atmosfera."
in, Artem Legrand
Ruy Belo - Muriel
Eu
chegava primeiro e tinha de esperar-te
e
antes de chegares, já lá estavas
naquele
preciso sítio combinado
onde
chegavas sempre tarde
ainda
que antes mesmo de chegares lá estivesses
se
ausente mais presente pela expectativa
por
isso mais te via do que ao ter-te à minha frente.
Mas
sabia e sei que um dia não virás
que
até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou
até se exististe ou se eu mesmo existi
pois
na dúvida tenho a única certeza
Terá
mesmo existido o sítio onde estivemos?
O poema explora a complexidade dos sentimentos humanos,
cruzando memória, desejo e consciência da passagem do tempo. A figura evocada
no título poderá representar uma presença marcante, associada à experiência
amorosa e à reflexão sobre a fragilidade das relações. O poema convida o leitor
a refletir sobre a distância entre o que se vive, o que se recorda e aquilo que
permanece.
Gabriela Cuicchi - Soy de la tierra
Soy un latido en la tierra, tal vez un pájaro, un alma,
tal
vez un pájaro, un alma.
Soy fantasia constante, la voz, el eco y la tarde,
la
voz, el eco y la tarde.
A donde grillos y estrellas se vuelven una ilusión.
Soy un ayer y un mañana, sólo un perfume en el aire,
pañuelo alegre en la zamba terron agreste es mi carne
Y un triste arrullo de urpila agita mi corazón.
Y en las alas de una nube micorazon alza vuelo
Y en la flor de una esperanza baila un malambo de fuego,
baila
un malambo de fuego.
Cuando en mis párpados arden las rubias trenzas del Sol.
hachando el monte del tiempo desgajo rima y poesía
tiernas plegarias que anidan en alas algún silencio,
en alas algún silencio.
Tierra desde el sentimiento por donde va mi ilusión.
Y en las alas de una nube mi corazón alza vuelo
Y en la flor de una esperanza baila un malambo de fuego,
baila
un malambo de fuego.
Cuando en mis párpados arden las rubias trenzas del Sol.
Soy un latido en la tierra, tal vez un pájaro, un alma
tal vez un pájaro, un alma.
Voz y guitarra en una sublime sinfonía del alma, belleza en
su máxima pureza. "Soy de la tierra", obra perteneciente a Horacio
Banegas, gran autor
santiagueño. Presenta la magia de
la guitarra Ayacuchana.
Rupert Bunny - A Summer Morning
The painting depicts
women in soft, flowing fabrics spending time by the water alongside a peaceful
family of swans. It shows the artist’s refined use of colour, delicate lighting
and elegant composition. Soft tones create a harmonious atmosphere, while the
gentle interplay of light and shadow enhances the scene’s intimacy. Bunny’s
characteristic sensitivity to beauty transforms an ordinary moment into
something poetic and timeless.
Helena Sacadura Cabral - O mundo do trabalho está a mudar
O mundo do trabalho está a mudar. Durante muito tempo, a produtividade e os resultados estiveram no centro das organizações. Hoje, cresce a preocupação em conciliar desempenho com bem-estar, dignidade e desenvolvimento pessoal.
Humanizar o trabalho significa reconhecer que, por detrás de cada função, existe uma pessoa com capacidades, emoções, necessidades e expectativas. Não significa diminuir a exigência, mas criar condições para que o profissional possa realizar o seu trabalho com responsabilidade, autonomia e equilíbrio.
A expansão da inteligência artificial e da automação torna
esta questão ainda mais importante. À medida que muitas tarefas são realizadas
pela tecnologia, ganham valor competências essencialmente humanas, como a
criatividade, a empatia, o pensamento crítico, a comunicação e a capacidade de
trabalhar em equipa.
Também as relações dentro das organizações estão a mudar. Modelos de liderança mais participativos, baseados na confiança, na autonomia e no reconhecimento, tendem a substituir formas excessivamente hierárquicas de gestão. A flexibilidade e os modelos híbridos reforçam igualmente a necessidade de encontrar um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal.
Helena Sacadura Cabral
%204.jpg)
%203.jpg)
.jpg)
%202.jpg)
%201.jpg)


%20-%20Sweet%20Music.jpg)
.jpg)








