Hermoso!
Marie-François Firmin-Girard (1838–1921) - Children near the pool, 1980
It presents a serene
outdoor scene filled with childhood innocence. Children gather beside a
reflective garden pool, surrounded by lush greenery and soft summer light.
Delicate brushwork captures textures of foliage, clothing, and water, while the
balanced composition creates a sense of calm observation. The painting blends
realism with gentle sentiment, celebrating everyday leisure and the quiet
beauty of nature through a warm, atmospheric nineteenth century lens for
viewers today and beyond.
Maria do Rosário Pedreira - Dorme, meu amor
Dorme,
meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este
dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha
os olhos agora e sossega — o pior já passou
há
muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia
os passos do medo. Dorme, meu amor —
a
morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e
pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres.
Mas nada temas: as suas asas de sombra
não
hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes
e é
ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos
agora
e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas
da
casa que o jardim devorou andam perdidos
nas
brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,
meu
amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada
temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei
a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de
guarda aos pesadelos — a noite é um poema
que
conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
A tela é Le Lit de Toulouse-Lautrec
O poema transforma o amor num refúgio contra o medo, a morte
e a solidão. A voz poética assume um papel protetor, oferecendo segurança
através da presença e da palavra. As imagens sombrias, como fantasmas e
sombras, contrastam com o tom terno da repetição de “dorme, meu amor”. O poema
sugere que o amor não elimina o sofrimento, mas ajuda a enfrentá-lo. Assim, a
noite torna-se espaço de cuidado, resistência e esperança humana.
Caamaño & Ameixeiras - As vidas caladas
Ai!
Canta beleza
No
inconstante devir da natureza
Ai!
Canta xenreira
Oculta
baixo a sombra da indiferenza.
Ai!
Cantas vidas caladas
Silenciadas,
ocultas baixo unha máscara
Ai!
Que dolor gratuíto
Que
preciso dicirlle ao mundo: hoxe existo!
Ai!
Canta beleza
No
inconstante devir da natureza
Ai!
Cantas feridas abertas
Buscan
a fórmula perfecta para sanar.
Ai! Cantas vidas caladas
Silenciadas,
ocultas baixo unha máscara
Ai!
Que dolor gratuíto
Que
preciso que urxente darnos o permiso
Pra
vivir, sentir, dicir,
Querido
mundo: hoxe existo!
Caamaño & Ameixeiras são uma das grandes revelações da
nova música tradicional galega. Sabela Caamaño e Antía Ameixeiras inspiraram-se
no universo popular da Galiza, para criar uma atmosfera onde realidade, magia e
religião convergem.
William Bell Scott - Albrecht Dürer on the Balcony of his House, 1854
The painting portrays
the celebrated German Renaissance artist standing on the balcony of his
Nuremberg home, overlooking a lively city square. Dürer’s commanding figure
dominates the composition, emphasizing his cultural importance. Scott,
influenced by Pre-Raphaelite ideals, renders the architecture and urban setting
with meticulous historical detail and vivid colour.
Ana Paula Tavares - Devia olhar o rei
Devia
olhar o rei,
mas
foi o escravo que chegou
para
me semear o corpo de erva rasteira
Devia
sentar-me na cadeira ao lado do rei,
mas
foi no chão que deixei a marca do meu corpo
Penteei-me
para o rei,
mas
foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo
O
escravo era novo
tinha
um corpo perfeito
as
mãos feitas para a taça dos meus seios
Devia
olhar o rei,
mas
baixei a cabeça doce, terna
diante
do escravo.
No poema, o sujeito poético reflete sobre o poder, a
hierarquia e a condição feminina. A expressão "devia" sugere obrigação social,
revelando expectativas impostas à mulher. A figura do rei simboliza autoridade
e domínio, enquanto o olhar representa consciência e questionamento. O poema
contrapõe submissão e resistência, valorizando a voz feminina.
La muse de Raphaël - Margherita Luti, la fornarina
Margarita Luti (também conhecida como Margherita Luti ou La
Fornarina, "a filha do padeiro") foi amante e modelo de Rafael. A
história do seu amor transformou-se no "arquétipo da relação entre os
artistas e os seus modelos da cultura Ocidental", apesar de pouco se
conhecer sobre a sua vida. Dela, Flaubert escreveu, no seu Dicionário de
Ideias Recebidas, "Fornarina. Era uma mulher muito bonita. É tudo o
que precisamos saber."
Hans Dahl - High Summer, western Norway
Hans Dahl (1849–1937)
was a prominent Norwegian painter associated with the Düsseldorf art school,
best known for his radiant, romanticized depictions of Western Norway's fjords
and pastoral landscapes.
Luis Rosales - Quando vivemos tanto / Cuando vivimos tanto
Quando
vivemos tanto que temos de pagar excesso
há
algo no amor como uma luz suicida,
é
talvez só isso,
havendo
amores que duram algo menos que um beijo,
e
beijos que duram algo mais que uma vida.
Original:
Cuando
vivimos tanto que hay que pagar exceso
hay
algo en el amor como una luz suicida,
tal
vez es sólo eso,
y
hay amores que duran algo menos que un beso,
y besos que han durado algo más que una vida.
Tradução de A.M.
Estes versos refletem sobre o desgaste do tempo, a solidão e
a fragilidade humana. O eu lírico observa como a vida prolongada traz memórias,
perdas e consciência da morte. O
poema transmite uma visão profundamente humana e meditativa da passagem do
tempo.
Vocantus - Mirie it is while sumer ilast
Miri it is while sumer ilast
With fugheles song
Oc nu necheth windes blast
And the weder is strong
Ei, ei! What this niht is long
And ich with well michel wrong
Soregh and murne and fast
Miri it is while sumer ilast
With fugheles song
Oc nu necheth windes blast
And the weder is strong
Ei, ei! What this niht is long
And ich with well michel wrong
Soregh and murne and fast
Inglês Medieval Siglo XIII
Absolutely beautiful!
Carlos Drummond de Andrade - Memória
Amar
o perdido
deixa
confundido
este
coração.
Nada
pode o olvido
contra
o sem sentido
apelo
do Não.
As
coisas tangíveis
tornam-se
insensíveis
à
palma da mão.
Mas
as coisas findas,
muito
mais que lindas,
essas ficarão.
Estes versos refletem sobre a permanência do passado na
consciência humana. A memória surge como uma força seletiva, capaz de preservar
emoções e experiências, mesmo quando o tempo apaga factos concretos. O poeta
valoriza a dimensão afetiva das recordações, mostrando que aquilo que permanece
não é necessariamente o que aconteceu, mas o que ganhou significado interior.
Jules Louis Dupré
The
Windmill, 1859
Jules Dupré was born in
1811 in Nantes, France, and initially trained in the family porcelain business
before turning fully to painting. He travelled widely through the French
countryside and became closely associated with the Barbizon painters.
Friendship with Théodore Rousseau encouraged his direct study of nature and
changing weather. By the mid-19th century, he had established himself as a
leading landscape painter of the Romantic generation.
His paintings depict stormy skies, wind-bent trees, ponds, and open fields rendered with broad, energetic brushwork. Composition is often anchored by dark foreground masses set beneath expansive cloud formations. He worked primarily in oil on canvas, building rich surfaces through layered paint and deep tonal contrasts. Light breaks through cloud and foliage in sudden passages, creating movement across the landscape.
Chitty Chitty Bang Bang (1968) - Music Box Dance Scene
m "Doll on a Music Box" is a song originally from the 1968 musical film, Chitty Chitty Bang Bang. It is both a musical and lyrical counterpoint to the freer flowing, legato song, "Truly Scrumptious". In the song, Truly is disguised as a wind up music box doll, metaphorically and actually on a pedestal. In the song, Truly sings about herself and her rigid nature, all behind the mask of the "doll" she is portraying.
Johanes Vermeer (A.I. Imitation)
AI fakes or "deepfakes" are synthetic images, videos, or audio generated by artificial intelligence. Scammers and creators use them to deceive, steal identities, or spread misinformation. While advanced, AI frequently fails to replicate real-world physics and details, making them detectable with critical observation. Vermeer's windows are different, the woman's clothes are different, the map is non-sense. It's nor Vermeer obviously!
Maria Bethânia lê Manoel de Barros
Um monge descabelado me disse no caminho: "Eu queria
construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia
era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para
abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser
apenas um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de
uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que
tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja
sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou:
digamos que a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente
dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela
renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo". E o monge se calou
descabelado.
Carlos Lyra - Maria Ninguém
Pode
ser que haja uma melhor, pode ser
Pode
ser que haja uma pior, muito bem
Mas
igual a Maria que eu tenho
No
mundo inteirinho, igualzinha não tem.
Maria
Ninguém
É
Maria e é Maria, meu bem
Se
eu não sou João de nada
A
Maria que é minha, é Maria Ninguém.
Maria
Ninguém
É
Maria como as outras também
Só
que tem que 'inda é melhor
Do
que muita Maria que há por aí.
Marias
tão frias, cheias de manias
Marias
vazias pro nome que tem.
Maria
Ninguém
É um
dom que muito homem não tem
Haja
visto quanta gente
Que
chama Maria e Maria não vem.
Maria Ninguém
É
Maria e é Maria, meu bem
Se
eu não sou João de nada
A
Maria que é minha, é Maria Ninguém!
Maria Ninguém é uma expressão popular que se refere a uma
pessoa comum, anónima ou sem grande destaque social. O termo é usado para
representar a simplicidade, a autenticidade e o valor das pessoas simples.
O termo funciona no feminino de forma
semelhante à expressão "Zé-Ninguém". A canção composta por Carlos
Lyra foi imortalizada na voz de João Gilberto em 1959.
Johan Krouthén - Three Reading Women in a Summer Landscape, 1908
The painting portrays
three women absorbed in reading within a tranquil summer setting. Sunlight
filters softly across the grass and foliage, creating a warm, idyllic
atmosphere. The figures, dressed in light clothing, sit harmoniously within
nature, emphasizing quiet contemplation and leisure. Krouthén’s delicate
brushwork and luminous palette reflect Scandinavian naturalism. The painting also
balances intimacy and openness, inviting viewers to share a serene moment of
reflection amid the beauty of summer.
Cecília Meireles - Retrato
Eu
não tinha este rosto de hoje,
assim
calmo, assim triste, assim magro,
nem
estes olhos tão vazios,
nem
o lábio amargo.
Eu
não tinha estas mãos sem força,
tão
paradas e frias e mortas;
eu
não tinha este coração
que
nem se mostra.
Eu
não dei por esta mudança,
tão
simples, tão certa, tão fácil:
- Em
que espelho ficou perdida a minha face?
A fotografia é de Daniel Iglesias, Creuza - Estátua
Viva, 2007.
Kany García - A La Niña Que Fui
Quiérete
por esta vez
Suelta la trenza y que el viento se haga cargo
Con
esa forma de ser
Sabes desaparecer los días amargos
Hace
tanto no me miraba a los ojos sin desear cerrarlos
Fui una niña que no se dio cuenta que ella tiene la llave maestra.
Y
entonces se disfrazas
Con
el traje de fuerte que solo se quitas al llegar a la casa
Sin
que nadie la vea llorando su pena ella baila descalza (ella baila descalza)
Ella
se ría sola, no tiene ni idea todo lo que falta (todo lo que falta)
Ay ella se levanta! Ay eh eh eh!
Si
te lo cuento no lo crees to’ lo que te espera
Por
poner el corazón muy a tu manera
Tu
siempre fuiste dura con lo que querías
Y
eso aún lo estás pagando todavía
Ay Niña lo tienes to’, lo llevas ahí dentro
Deja
que te guíe el sentimiento
Una estrellita te brilló y un angelito te cuidó.
Y
entonces te disfrazas
Con
el traje de fuerte que solo te quitas al llegar a la casa
Sin
que nadie te vea llorando tu pena tu baila descalza (ella baila descalza)
Y te
ríes sola, no tienes ni idea todo lo que falta
Elle levanta otra vez
Y
otra vez y otra vez y otra vez.
Y
entonces se disfraza
Con
el traje de fuerte que solo se quita al llegar a la casa (al llegar a la casa)
Sin
que nadie la vea llorando su pena ella baila descalza (ella baila descalza)
Ella
se ríe sola, no tienes ni idea todo lo que falta (ay todo lo que falta)
Ay ella se levanta.
Es una bellísima canción, un himno para todas las mujeres que
tuvieron que ser niñas fuertes cuando sólo debían ser niñas.
Nicolaas van der Waay (Dutch:1855-1936) - Shrine with water fountain Catholic life
Catholic shrines with water fountains hold immense spiritual significance, primarily rooted in the tradition of holy water and miraculous springs. It's also a way to protect fields and harvests in rural places.
José María Cumbreño - A campainha / El Timbre
Sim,
disseste que não voltavas.
Que
te ias embora para sempre.
Que
era o melhor para ambos, na tua opinião.
Bem
sei.
Apesar
de tudo, não quis que me devolvesses a chave.
Porque,
embora não me ligasses uma única vez.
Uma
só.
Nem
atendas o telefone quando eu ligo.
Todas
as tardes, ao voltar do trabalho,
antes
de abrir a porta,
eu
toco à campainha.
E
espero.
Para
o caso de.
Tradução
de A.M.
Original:
Sé
que me dijiste que no pensabas volver.
Que
te marchabas definitivamente.
Que,
según tú, era lo mejor para los dos.
Lo
sé.
A
pesar de todo, no quise que me devolvieras las llaves.
Porque
aunque no me hayas llamado ni una vez.
Ni
una sola.
Ni
cojas el teléfono cuando yo lo hago.
Todas
las tardes, al regresar del trabajo,
antes
de abrir la puerta
pulso
el timbre.
Y
espero.
Por
si acaso.
O poeta transforma um objecto quotidiano num símbolo de
espera, ausência e comunicação falhada. O toque do timbre interrompe o silêncio
e desperta tensão emocional, sugerindo memórias persistentes. O poeta utiliza
imagens simples para explorar a solidão contemporânea e a fragilidade das
relações humanas.
The Medievals - Douce Dame Jolie
Douce dame jolie, pour dieu ne pensés
mie
Que nulle ait signorie seur moy fors
vous seulement.
Qu'adès sans tricherie chierie
Vous ay et humblement
Tous les jours de ma vie servie
Sans villain pensement.
Helas!
et je mendie d'esperance et d'aïe;
Dont ma joie est fenie, se pité ne vous en prent.
Mais vo douce maistrie maistrie mon cuer si durement
Qu'elle le contralie et lie en amour tellement
Qu'il n'a de riens envie fors d'estre en vo baillie;
Et se ne li ottrie vos cuers nul aligement.
Et quant ma maladie garie ne sera nullement
Sans vous, douce anemie, qui lie estes de mon tourment,
A
jointes mains deprie vo cuer, puis qu'il m'oublie,
Que
temprement m'ocie, car trop langui longuement.
"Douce Dame
Jolie" - composed by French composer and poet Guillaume de Machaut. He was
a central figure of the ars nova style in late medieval music. Machaut embodies
the culmination of the poet-composer tradition stretching back to the
traditions of troubadour and trouvère. In "Douce Dame Jolie", the
lyrical subject praises the beauty of the young lady, assuring her of his
undying love. A glimpse of the age of the Troubadours.
Anna Alma-Tadema - Sir Lawrence Alma-Tadema's Library in Townshend House, London, 1884
It depicts an elegant
Victorian interior filled with refinement and quiet intimacy. The richly
furnished library glows with warm light, revealing polished wood, patterned
textiles, books, ceramics, and carefully arranged decorative objects. Every
surface demonstrates her meticulous attention to texture and detail. The
composition reflects both aesthetic harmony and intellectual culture, while
offering a personal glimpse into the domestic world of her father, Sir Lawrence
Alma-Tadema, celebrated for his luxurious classical scenes.
Egito Gonçalves
Nenhum amor é total,
nenhum
amor desenha a latitude
e
longitude como linhas ideais;
na
massa em fusão
há
sempre uma impureza,
todo
o amor tem as suas fissuras
a
vigiar constantemente.
O
dia, raro atinge a sua ponta extrema.
O poema reflete sobre os limites inevitáveis do amor humano. O sujeito poético reconhece que qualquer relação permanece incompleta, marcada pela imperfeição, pela ausência e pela impossibilidade de entrega absoluta. Além disso, o poema valoriza a consciência da fragilidade afetiva, mostrando que amar implica aceitar falhas, distâncias e contradições. Assim, o amor surge simultaneamente como experiência e insuficiente, capaz de unir pessoas sem eliminar a solidão.
%20-%20Children%20Near%20the%20Pool,%201980.jpg)
.jpg)







.jpg)





