The painting presents
an intimate domestic scene in a Cornish interior, where three women examine
drawings and artworks around a table. Flowers, fruit, teacups and scattered
papers create a lively yet harmonious composition. The women’s contrasting
poses suggest concentration, curiosity and gentle criticism.
Harold Harvey - The Critics, 1922
Bertolt Brecht - Conselho à atriz C. N.
Refresca-te,
irmã, na água
Da
pequena tigela de cobre com pedacinhos de gelo ‒
Abre
os olhos sob a água, lava-os ‒
Enxuga-te
com a toalha áspera e lança
Um
olhar num livro que amas.
Começa
assim
Um
dia belo e útil.
Bertolt Brecht apresenta um conselho simultaneamente simples
e profundo: começar o dia com cuidado, lucidez e contacto com a leitura. O
gesto de lavar os olhos e consultar um livro simboliza uma preparação para ver
o mundo com maior clareza. A atriz deve cultivar não apenas o corpo e a
técnica, mas também a inteligência e a sensibilidade.
Antonio Deltoro - Uma árvore / Un árbol
Uma
árvore grande,
onde
não cante o pássaro,
nem
subam esquilos,
nem
se esconda inquietação.
Uma
árvore que vá ganhando calma
como
as outras porte e espessura.
Quero
plantar uma árvore de silêncio
e
sentar-me à espera
que
os frutos lhe caiam.
Tradução de A.M.
Original:
Un
árbol ancho,
donde
no cante el pájaro,
ni
las ardillas suban,
ni
se esconda inquietud.
Un
árbol que vaya ganando calma
como
los otros altura y espesor.
Quiero
plantar un árbol de silencio
y
sentarme a esperar
a
que sus frutos caigan.
O poema apresenta a árvore como símbolo de quietude, silêncio
e equilíbrio. O sujeito poético imagina uma árvore larga, alheia ao movimento
dos pássaros, dos animais e da inquietação, que cresce não apenas em altura e
espessura, mas sobretudo em serenidade. A intenção de plantar uma «árvore de
silêncio» traduz o desejo de encontrar um espaço interior de paz e
contemplação. Os frutos tornam-se promessa de uma recompensa futura, recebida
através da espera paciente e da aceitação do tempo.
Ingmar Bergman's The Passion of Anna, 1969
On a remote island,
Andreas Winkelman lives in solitude, nursing the wounds of a broken life. His
quiet isolation is interrupted by three disillusioned neighbours, each
concealing their own private misery. The film interrogates the fragility of
human identity, observing how individuals project their internal fragmentation
onto one another. It is a rigorous examination of the impossibility of
achieving true intimacy when one is fundamentally estranged from the self.
The grave of Ingmar and Ingrid Bergman
The grave of Ingmar and
Ingrid von Rosen Bergman, Ingmar’s wife, is located on the picturesque island
of Fårö, located in the Baltic Sea, a few kilometers north of the Swedish
island of Gotland.
The renowned filmmaker
Ingmar Bergman chose Fårö as his home, where he directed his iconic films:
Vargtimmen (Hour of the Wolf), Skammen (Shame), Persona and En Passion (The
Passion of Anna). He also filmed parts of Scenes from a Marriage on the island.
Ingmar Bergman passed away on Fårö on July 30,
2007.
Johan Krouthén - Three reading women in a summer landscape, 1908
It’s time for holidays,
15 days to rest as in this painting. Krouthén presents three women resting and
reading peacefully beneath the trees. Sunlight filters through the foliage,
creating delicate contrasts between luminous grass and cool patches of shade.
The relaxed poses and intimate setting convey tranquillity, leisure and quiet
companionship. Harmonious celebration of nature, reading and contemplative
simplicity are also waiting for me in Sesimbra, near Lisbon. Bye.
Melodymano - Mi Jardin
Para
ser IA está muy bien.
Desde que te conocí iluminaste mi jardín
De girasoles floreciste más de diez mil emociones
Sos el sol que alumbra todo mi ser y oculta mis
imperfecciones
Apareciste de la nada no me pienso alejar
Porque ahora que te tengo nada más puedo pedir.
Ay, si tus ojos me miraran solo a mí
Yo me enamoraría y sería tan feliz
Y es que hace mucho tiempo que sueño con algo así
Con unos ojitos verdes que me miren solo a mí
Que me miren solo a mí, que me miren solo a mí.
En tu cara yo encontré todo lo que me faltaba
Y en tu alma descubrí que sin ti yo no soy nada
Sos un regalo de Dios que al fin se acordó de mí
Sos mi risa, mi amargura, lo que más me hace feliz
Puede ser que vos comprendas lo que yo siento
y que me entiendas porque desde que te vi.
Iluminaste mi jardín de girasoles
Florecieron más de diez mil emociones
Devolviste poco a poco los colores
Y en el desierto de mi ser crecen las flores.
Sos el sol que alumbra todo mi ser
Y oculta mis imperfecciones
Me robaste el corazón con tan solo una mirada
De los ojos más bonitos que alguien podría mirar
Ay, si tus ojos me miraran solo a mí
Yo me enamoraría y sería tan feliz
Y es que hace mucho tiempo te quiero ver ahí.
Sí, para
ser IA está muy bien.
Civilização e barbárie
Muito se tem insistido numa velha dicotomia, obstinada como um quisto endurecido: civilização e barbárie. Nietzsche e Burckhardt foram talvez os primeiros a invalidar a pertinência desta oposição, quer para uma teoria da cultura entendida num plano sincrónico, quer para uma periodização hierárquica da história. A grande tragédia do século XX não só lhes deu razão como elevou a uma condição hiperbólica, antes inimaginável, a fatal integração da barbárie no interior de toda a civilização.
António Guerreiro
Robert McInnes - Dorotheum
The composition
suggests an elegant moment of beauty. Is the barefoot young woman carrying a
wood container of milk from distant cows? Why does she need it? It's true
"A moment of beauty is a joy forever."
Ángela Vallvey - Choro de criança / Llanto infantil
Senta-te,
Érica. Olha como o fundo do céu
parece
misterioso com o amanhecer.
Este
é o rito, a suavidade com que a luz
do
Sol cruza a linha curva da Terra.
A
luz, peregrina, calor inevitável
neste
vazio todo. A luz não reflete.
enreda-se
nas silvas e no teu cabelo,
enfrentando
os objetos com orgulho.
Importa
, acima de tudo, que olhes os astros e as nuvens,
apesar
de não poderem explicar-te o firmamento.
Não
digas que se adivinha nela
o
desprezo ou a tristeza,
aliás,
o céu não saberia
outro
modo de ser céu. Atenção,
a
Lua começa a confundir-se
com
a cor da manhã,
e os
pássaros olham-na
planeando
em segredo voar até aos seus mares
de
pó negro que desconhecem o verão.
Levanta-te,
Érika, não chores,
põe-te
a correr novamente. Não tropeçarás mais,
o teu
único muro será o céu limpo de Junho.
Tradução de A.M.
Original:
Siéntate,
Érika. Mira cómo el fondo del cielo
parece
misterioso con el amanecer.
Este
es el rito, la suavidad con que la luz
del
Sol cruza la línea curva de la Tierra.
La
luz, que es una peregrina, inevitable calor
en
todo este vacío. La luz no reflexiona,
se
enreda en los zarzales y en tu pelo,
se
enfrenta con orgullo a los objetos.
Importa,
sobre todo, que mires a los astros y a las nubes
aunque
ninguno de ellos pueda explicarte el firmamento.
No
digas que en su forma
se
intuyen el desprecio o la tristeza:
si
no fuese así, el cielo no sabría
otra
manera de ser cielo. Fíjate,
la
Luna empieza a confundirse
con
el color de la mañana,
los
pájaros la miran
planeando
en secreto volar hasta sus mares
de
polvo negro que no conocen el verano.
Levántate,
Érika, y no llores,
echa
a correr de nuevo. No volverás a tropezar
el
cielo limpio de junio será tu único muro.
O poema aborda o choro infantil como expressão primordial de
dor, medo e vulnerabilidade. A voz poética observa esse sofrimento com uma
sensibilidade que ultrapassa o episódio concreto, sugerindo a fragilidade da
infância perante um mundo nem sempre protetor.
The Baltic Sisters' Cuckoo song
The Baltic Sisters is an international folk music project that was born far from the shores of the Baltic Sea, at the end of 2022 at the world music expo WOMEX, in Lisbon, where singers from Estonia, Latvia, and Lithuania first met. It was the passion for sutartinės, ancient polyphonic songs from Lithuania, that initially brought the Baltic sisters together, but now their repertoire also includes Estonian and Latvian music. Their names are: Marion Selgall, Vineta Romāne, Liene Skrebinska and Laurita Peleniūtė.
"Sutartinės are a meditation," declares Peleniūtė. "I sometimes do them in workshops of 300 people and after one hour it brings a beautiful relationship between those people. It’s like they had a journey together. A sutartinė is like a mantra. Not so much to be listened to but performed."
One of the most remarkable tracks they devised for the album is ‘Cuckoo Song’ which combines lyrics from all three languages. The basis is a rather brutal Estonian folk tale about a cuckoo: Stepmother kills youngest daughter, who comes back as a cuckoo who sings beautifully and gives a scarf to her older sister, a hat to her brother and drops a millstone on the stepmother who killed her. Then, the cuckoo transforms back into the young girl. A rebirth. "It was harsh for women to live in these times," says Peleniūtė. "Now we are free, so it’s a kind of healing, not to pass on this historical trauma to our daughters."
Émile Claus (belge,1849-1924) - Les Faneurs
Émile Claus’s Les
Faneurs depicts peasants gathering and turning hay beneath the radiant
light of a summer day. The workers, scattered across the sunlit meadow, appear
absorbed in their physical labour, their movements harmoniously integrated into
the landscape. Influenced by Impressionism, he captures fleeting effects of
sunlight and atmosphere. The painting celebrates rural life, transforming
ordinary agricultural work into a joyful, almost poetic vision of nature.
Maria Azenha - A Porta
se
dobrares neste instante
o
lugar das palavras lá me encontrarás
conheço
o nome de onde vens porque
este
é o caminho dos labirintos
escrevo
entre os joelhos o desencanto
das
metáforas e sei que morreste
entre
uma pergunta e o in-verso caminho
trago
os olhos límpidos de orvalho de tanto
oscilar
o coração no cais
por
vezes toma a forma dos barcos ausentes
e o
meu corpo é um lugar de redes
conheço
as portas dos teus cabelos
e a
certeza de que vou ardendo
O poema constrói uma atmosfera de desejo, perda e desencanto
através de imagens simbólicas e enigmáticas. A porta representa uma passagem
entre mundos, memórias e sentimentos, enquanto o “labirinto” sugere a
dificuldade de encontrar um caminho afetivo. A morte surge associada à rutura e
à impossibilidade de comunicação. As imagens do cais, dos barcos ausentes e das
redes traduzem espera, abandono e fragilidade. No final, o fogo exprime uma
paixão dolorosa, intensa e inevitável, que permanece ligada à ausência do
outro.
Krzysztof Klabon - Sławne potomstwo Lechowe, XVI w.
Sławne potomstwo lechowe,
na Wasze troski domowe
zejmę lutnię wielostronną
już od roku zawieszoną
Przy której głosach łagodnych
wzruszę pienia uszu godnych,
wzruszę wdzięcznych rymów lackich,
uciechy krain sarmackich.
Bo po zejściu Stefanowym
kwitnie znowu z panem nowym
Wasza przesławna stolica
za Zygmunta królewica.
Temu gwoli dziś śpiewajmy,
tego z tryumfem witajmy,
temu gwoli wielkim kołem
stanąwszy uderzmy czołem
Cnych Jagiełłów jedynemu
potomkowi fortunnemu
którego kwitnące skronie
zdobią dwie świetne koronie,
Zdobi fortuna łaskawa
i niewinność wszystkim prawa,
zdobi z powagą cześć ona
wielkim królom przyrodzona,
Zdobi tryumf znakomity,
o
czym już głos pospolity
granice
świata przenika,
a
sława obłoków tyka.
English version:
Illustrious scions of Lech,
to address your domestic cares,
I take down the many-stringed lute—
long left hanging in silence—
And to its gentle, soothing tones
I raise a song worthy of the ear,
weaving graceful Polish rhymes—
the delights of Sarmatian lands.
For since the passing of Stefan,
your renowned capital blooms anew
under its new sovereign,
Prince Sigismund.
Let us sing in his honour today,
let us welcome him with triumph;
let us gather in a great circle
and bow low before him—
The sole and fortunate heir
of the noble Jagiellonian line,
whose flourishing brow
is graced by two brilliant crowns,
Graced by Fortune’s favour
and an innocence known to all,
graced by the solemn dignity
inherent in great kings,
And graced by a glorious triumph—
tidings of which now spread
beyond the boundaries of the world,
as his fame reaches the very clouds.
According to Polish
folklore, Lech was the mythical founder of the Polish state (alongside his
brothers Czech and Rus). The lyrics celebrate "the glorious descendants of
Lech". It refers poetically to the Polish nation or the Lechites, tracing
ancestry back to the legendary founding father of Poland, Lech.
David Inshaw - She did not turn, 1974
This painting presents
a mysterious, dreamlike rural scene charged with emotional tension. A solitary
woman walks away along a country lane, her back turned towards the viewer,
while the surrounding landscape stretches into a hazy distance. The quiet
fields, trees and subdued light create an atmosphere of melancholy and
separation. Inshaw’s precise, almost surreal composition transforms an ordinary
English countryside into a psychological space, suggesting departure, unspoken
longing and the painful finality of a relationship or missed encounter.
Hilda Hilst - Dez chamamentos ao amigo
I
Se
te pareço noturna e imperfeita
Olha-me
de novo. Porque esta noite
Olhei-me
a mim, como se tu me olhasses.
E
era como se a água
desejasse
Escapar
de sua casa que é o rio
E
deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te
olhei. E há tanto tempo
Espero
Que
o teu corpo de água mais fraterno
Se
estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me
de novo. Com menos altivez.
E
mais atento.
Estes versos pertencem ao célebre poema "Dez Chamamentos
ao Amigo", publicados no livro Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão
(1974). A obra de Hilda Hilst explora com intensidade a paixão, a solidão, a
morte e o apelo ao outro num tom confessional e lírico profundo.
O eu lírico pede ao outro um olhar mais atento e despido de
soberba "Com menos altivez. E mais atento". Revela uma
vulnerabilidade profunda ao assumir-se "noturna e imperfeita". Há uma
metáfora com a água e a terra, onde a voz poética se reconhece matéria e deseja
a comunhão fraterna com o outro ("Espero que o teu corpo de água mais
fraterno se estenda sobre o meu")
A foto é do tempo de criança.
Rita Payés - Nunca vas a comprender
Nunca
vas a compreender que yo te quise
Nunca
vas a compreender cómo lo hice
Tú
me hablabas del amor de eso tan bello
Te
faltó por demostrar
Que
eras capaz de vivir aquello.
Pero
no te olvides por favor
Que
sigo aquí ya no quiero sufrir más por ti mi amor
Con
el tiempo decidí que es un recuerdo
Todo
aquello que viví y me mató por dentro.
"Com o tempo, cheguei à conclusão de que tudo o que vivi
não passa de uma lembrança, e isso me destruiu por dentro." Uma mistura de
jazz e bolero com o toque sutil de "Sabor a mí".
Alda Merini - Temor dos teus olhos / Paura dei tuoi occhi
Temor
dos teus olhos,
desse
vértice puro
onde
bate o pensamento,
temor
do teu olhar
oculto
veludo de álgebra
com
que me percorres,
temor
das tuas mãos
magnetos
ligeiros
reclamando
seiva,
temor
dos teus joelhos
que
me apertam o ventre
e
depois temor ainda,
até
o mar cobrir
este
meu corpo débil
e eu
por terra, desfeita
debaixo
de ti feito praia
e eu
então feita onda
que
tu feres uma vez e outra
com
o teu remo de Amor.
Tradução de A. M.
Original:
Paura
dei tuoi occhi,
di
quel vertice puro
entro
cui batte il pensiero,
paura
del tuo sguardo
nascosto
velluto d'algebra
col
quale mi percorri,
paura
delle tue mani
calamite
leggere
che
chiedono linfa,
paura
dei tuoi ginocchi
che
premono il mio grembo
e
poi ancora paura,
finché
il mare sommerge
questa
mia debole carne
e io
giaccio sfinita
su
di te che diventi spiaggia
e io
che divento onda
che
tu percuoti e percuoti
con
il tuo remo d'Amore.
O poema transforma o amor numa experiência simultaneamente
fascinante e inquietante. O eu poético sente medo do olhar, das mãos e da
proximidade física do amado, revelando vulnerabilidade perante um desejo que o
domina. As imagens do mar, da praia e da onda exprimem a fusão dos corpos e a
perda dos limites individuais. O amor surge, assim, como força irresistível,
sensual e quase dolorosa, capaz de conduzir à exaustão e à entrega absoluta.








.jpg)
%20-%20Les%20Faneurs.jpg)




