The painting portrays a young woman absorbed in writing a cherished letter, capturing a private moment of anticipation and emotion. Rich (poor) Victorian details, warm lighting, and carefully rendered fabrics create an intimate domestic atmosphere. Her expression invites viewers to imagine the message's significance, while the balanced composition emphasises quiet reflection.
Vladimir Holan - Detido por uma mulher
Detido
por uma mulher às portas duma cidade desconhecida
supliquei-lhe:
deixa-me passar, apenas entrarei
para
sair de novo e voltarei a entrar para sair
porque
a obscuridade me mete medo como a todos os homens.
Então
disse-me ela:
"Por
isso deixei lá uma luz acesa!"
Tradução
de Henrique Dória
Vladimír Holan foi um dos maiores expoentes da poesia
checoslovaca do século XX. O poema transforma um encontro simples numa reflexão
sobre o medo, o desejo e o mistério da existência. A escuridão representa a
inquietação humana perante o vazio. A resposta inesperada da mulher, afirmando
ter deixado a luz acesa, introduz uma esperança enigmática e quase paradoxal.
A "luz acesa" remete também para o famoso hábito
nocturno do próprio poeta, cuja janela iluminada era lendária em Praga durante
os seus anos de isolamento e criação artística.
Ивушка зелёная - Народные Песни Русская Музыка
Marion Lamolinerie plays,
sings and dances this Russian folk ballad performed on the bayan accordion:
"Ivushka Zelenaya" (The Little Green Willow). It is a beloved traditional song
about love. What a magnificent,
fairytale-like, vibrant, and beautiful video! I thank you from the bottom of my heart, charming
Marionochka! May you be happy, loved, and radiant.
n This song written in
1957 by outstanding Soviet composer Grigory Ponomarenko to the words by Russian
poet Vassily Alferov and performed by the national Russian folk singer Lyudmila
Zykina touches my heartstrings.
Зорька золотая светит
над рекой,
Ивушка родная, сердце
успокой.
Ивушка зелёная, над
рекой склонённая,
Ты скажи, скажи не тая,
где любовь моя.
Были с милым встречи у
твоих ветвей,
Пел нам каждый вечер
песни соловей,
Ивушка зелёная, над
рекой склонённая,
Ты скажи, скажи не тая,
где любовь моя.
Но ушёл любимый, не
вернётся вновь,
С песней соловьиной
кончилась любовь.
Ивушка зелёная, над
рекой склонённая,
Ты скажи, скажи не тая,
где любовь моя.
Ты скажи, скажи не тая,
где любовь моя.
With the help of Google Translate, here is a personal interpretation of the meaning.
In the golden light of
the setting sun, a weeping willow dips its green boughs over the river,
bringing peace to the hearts of those who seek. Its leaves whisper secrets of
love, of amorous couples who meet under its branches to hear the nightingale
sing. Love comes and goes, but the green weeping willow forever bends low over
the river, whispering its secrets.
Adelaide Claxton (British painter, 1841-1927) - Wonderland
nn n The painting has been
widely reproduced and was famously used as the 2012 book cover reprint for
Lewis Carroll's Alice's Adventures in Wonderland.
Sophia de Mello Breyner Andresen - A Forma Justa
Sei
que seria possível construir o mundo justo
As
cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo
canto dos espaços e das fontes
O
céu o mar e a terra estão prontos
A
saciar a nossa fome do terrestre
A
terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada
dia a cada um a liberdade e o reino
- Na
concha na flor no homem e no fruto
Se
nada adoecer a própria forma é justa
E no
todo se integra como palavra em verso
Sei
que seria possível construir a forma justa
De
uma cidade humana que fosse
Fiel
à perfeição do universo
Por
isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E
este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
in, O
Nome das Coisas
Diz Sophia, «a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é
levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça
é desde sempre uma coordenada fundamental da obra poética. A moral do poema não
depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja
exterior, mas porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido» (Livro
Sexto, 2003). Este poema reflete sobre a possibilidade de construir um mundo
justo, a relação entre a natureza e a humanidade, e o papel ético do poeta.
Quelques jours à Saint-Tropez partagés avec légendes du cinéma français
C'était
la ville de mes vacances,
Là-bas
dans l'sud, de mon enfance.
Pour
s'éloigner des projecteurs,
Des
caméras et des moteurs.
C'était un peu comme dans un film,
Qu'on regardait tous en famille.
Quelques
instants qu'on a volés,
Dans la plus stricte intimité.
A Saint-Tropez, je me rappelle,
De ces virées comme dans un rêve.
C'était surement le bon vieux temps,
Delon, Schneider ou bien Montand.
A Saint-Tropez, la Côte d'Azur,
Le bruit des vagues, le ciel azur.
Des larmes de joie et des sourires,
Des
cartes postales en souvenirs.
La
nostalgie de cette époque,
Je m'en rappelle avec le cœur.
Au
fond de moi, j'n'ai pas de peine,
J'les
garde en moi, là dans ma tête.
Magnifique! St Tropez
et ses acteurs mythiques. J’ai
une préférence pour BB mais les autres sont également inoubliables.
Generate AI art and images from text prompts
Technological revolutions like artificial intelligence need not signify the "end of art" as many fear. Instead, they can help to kickstart an artistic metamorphosis and move us towards totally different ways of seeing and creating. Am I wrong?
There's a lot of arguments about whether AI artists are truly artists, and they stem from a deeper discussion about whether AI art is truly art. I’m convinced that a work of art will always be a work of art. So, not only AI art is art, but also that the people involved in creating that art are artists.
Henri Lebasque (1865 - 1937) - On the Balcony, 1920
The painting captures a
serene outdoor moment bathed in luminous Mediterranean light. A woman relaxes
on a sunlit balcony listening to a boy learning how to play the violin and overlooking a tranquil
landscape. The interplay of natural light and decorative detail reflects
Lebasque’s Post-Impressionist sensibility, celebrating beauty in everyday life
while evoking the elegance, optimism, and peaceful rhythm of the early
twentieth century.
Maria Azenha - Voltar para casa
Voltar
para casa,
dançar
através dos passeios
atravessar
um verso a cavalo
olhar
para Deus deitado na rua.
É
essa a arte que herdámos dos Anjos?
O
Amor nunca perdoaria
derramar
o sol pelo chão.
O poema transforma o regresso num percurso simultaneamente
físico, espiritual e poético. A casa simboliza um lugar de reencontro com a
essência, onde caminhar, criar e contemplar se fundem. As imagens insólitas,
como "atravessar um verso a cavalo" ou "olhar para Deus deitado na rua",
sugerem uma realidade transfigurada pela imaginação. A referência aos anjos e
ao amor confere ao poema uma dimensão ética, celebrando a beleza, a inocência e
o sagrado do quotidiano.
María Ruiz y La Mare - Mi Revolución
Hoy
la pelea que doy es quererme más
Hoy
el grito que doy es silencio
Hoy
te pido perdón si te lastimé el corazón
Hoy
no quiero lo que me hace mal lo oscuro del juego
Hoy
que es tiempo de sanar las heridas del tiempo
Hoy
que pronto será ayer regálate el momento.
Hoy
pude ver quién soy conocerme más
Hoy
que el veneno encontró su remedio
Hoy
me pido perdón si me lastimé el corazón
Hoy
vale más despertar que soñar en este juego
Hoy
que es tiempo de sanar las heridas del tiempo
Hoy
que es tiempo de ser luz.
Esta
es mi revolución
Llenar
de amor mi sangre y si reviento
Que
se esparza en el viento
El
amor que llevo dentro
Esta
es mi revolución
Llenar
de amor mi sangre y si reviento
Que
se esparza en el viento
El
amor que llevo dentro
Esta
es mi revolucióoon.
Esta
es mi revolución
Llenar
de amor mi sangre y si reviento
Que
se esparza en el viento
El
amor que llevo dentro
Esta
es mi revolución
Llenar
de amor mi sangre y si reviento
Que
se esparza en el viento
El
amor que llevo dentro.
Canción original de la banda uruguaya, Cuatro
Pesos de Propina.
Julius Exner - Lektionen (La lección), 1908
The painting portrays a
quiet domestic scene where an older woman patiently instructs a young girl,
celebrating the importance of education and family traditions. Warm light
carefully rendered interiors, and natural gestures create an atmosphere of
intimacy and trust. Exner’s meticulous realism captures everyday Danish life
with sensitivity, emphasising moral values, intergenerational bonds, and the
dignity of ordinary moments.
Livro de Isaías - Is 55,1-3
Eis
o que diz o Senhor:
"Todos
vós que tendes sede, vinde à nascente das águas.
Vós
que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei.
Vinde
e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.
Porque
gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta
e o
vosso trabalho naquilo que não sacia?
Prestai-Me
atenção e vinde a Mim;
escutai
e a vossa alma viverá.
Firmarei
convosco uma aliança eterna,
com
as graças prometidas a David."
Esta leitura será escutada, hoje, nas liturgias católicas em
todo o mundo. O profeta representa esse quadro de salvação através da imagem de
um "banquete": em Jerusalém, à volta da mesa de Deus, esse Povo
sofredor, desolado, carente, faminto, encontrará trigo, "vinho",
"leite" e "manjares suculentos". Muito belo!
Glen Hansard - The Parting Glass
And of all the money that e'er I
spent
I've spent it in good company
And all the harm that e'er I've done
Alas, it was to none but me.
And all I've done for want of wit
To memory now I can't recall
So, raise to me the parting glass
Good night and joy be with you all.
And to all the comrades that e'er I
had
Who might be sorry for my going away
And to all the sweethearts that e'er
I've loved
Who would bid me one more day to stay.
And as it falls upon my lot
That I should rise and you should not
So, fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all.
So, fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all
And if I had money, enough to spare
And leisure time to sit awhile.
There is a girl in this fair land
Who surely has my heart beguiled
With her long dark hair and ruby lips
She surely has my heart enthralled.
So, fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all
So, fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all.
"The Parting Glass" has roots in "Armstrong’s Farewell", poem written by a Scottish Border Reiver on the occasion of his imminent execution for the murder of Sir John Carmichael, Warden of the Scottish West March, in the year 1600.
It remains a hugely popular farewell song in Scotland and Ireland. Despite being commonly sung at merry social occasions, has not lost its implied relevance to humankind’s ultimate, mortal farewell.
Glen Hansard has died at age 56, following a motorbike accident. Glen led a long, fruitful career as
a singer/songwriter, as a solo artist, one half of The Swell Season, and the
singer of The Frames. He also starred in the award-winning 'Once' and 'The
Commitments'. Rest in peace, Glen.
Gotthard Kuehl - Das Gartenzimmer
It portrays a tranquil
interior bathed in soft natural light filtering through large windows
overlooking a garden. The carefully arranged furniture, delicate decorative
details, and harmonious colours create an atmosphere of quiet comfort and
refined domesticity. Kuehl’s Impressionist sensitivity is evident in his subtle
handling of light, shadow, and texture, which enliven everyday surroundings.
The painting celebrates the peaceful relationship between interior space and nature,
inviting contemplation, intimacy, and appreciation of ordinary beauty.
O Papel e o silêncio
há
momentos em que escrever é como procurar água num deserto
as
palavras resistem, escondem-se nas esquinas da folha
fingem
que não sabem o caminho de volta
e
eu, com as mãos vazias, tento encontrar o fio da frase perdida
como
quem procura um eco numa sala sem janelas
a
certa altura, é como se o papel me devolvesse o olhar
esperando
que eu desista
mas
eu persisto, na esperança de que o silêncio
se
renda primeiro
in, xilre
Jorge Ferreira – Vira Dos Namorados
As
estrelas no Céu correm todas numa carreirinha
Assim
corressem os beijos da tua boca p'ra minha
Da
tua boca para minha oai o lari lolela.
Das
estrelas miudinhas mandei fazer um cordão
Para
prender minha alma a tua e a tua ao meu coração
E a
tua ao meu coração, oai o lari lolela.
O
lua da madrugada não venhas cá ao serão
Quem
namora as escondidas quer escuro e lua não
Quer
escuro e lua não oai o lari lolela.
O
estrelinha do norte espera que eu também vou
Tu serás
a minha guia já que o luar me deixou
Já
que o luar me deixou oai o lari lolela.
O
lua da meia-noite o teu brilhar não tem fim
Vai
ter com o meu amor da—lhe beijinhos por mim
Dá—lhe
beijinhos por mim oai o lari lolela.
Esta
noite fui sonhando que me estavas a beijar
Continua
vai beijando que eu continue a sonhar
Que
eu continue a sonhar oai o lari lolela.
A música do Minho é rica em tradições festivas, destacando-se géneros como o Vira, o Malhão e as rusgas populares. É interpretada por ranchos folclóricos com acordeões, braguesas, cavaquinhos e vozes altivas. Tudo regado com vinho verde e muita alegria.
Fernando Álvarez de Sotomayor - Los señores de Saridakis en su automóvil, 1908
The painting portrays
an elegant couple seated in an early motorcar, celebrating the prestige and
modernity associated with the automobile. The painting balances refined
portraiture with the excitement of technological progress, capturing the
confidence of Spain’s affluent bourgeoisie. Rich textures, subtle lighting, and
careful attention to costume and facial expression convey dignity and
sophistication.
Antonio Orihuela - A poesia é um incêndio
A
poesia é um incêndio
por
isso não dá para viver
dá
para arder,
não
escrevas,
arde
nela.
Tradução
de C.Abreu
Houve um tempo em que se acreditava que o fogo purifivava. Daí, o Inferno. Curioso como hoje lhe chamamos Poesia.
Ester Vallejo, IXEYA - El pueblo pa las montañas
Y
que todas las que vengan
Canten
este canto
Al
valor de nuestra tierra
Que
no la destruye cualquiera
Aunque
alguno lo intento.
Que
no maten mis paisajes
Que
no me abrace tu asfalto
Yo
lo único que quiero es
Que
seas libre madre tierra
Solo
tú nos cuidarás.
Mi raíz es tan robusta
Nunca me la arrancaréis
El pueblo pa las montañas,
Las montañas para el pueblo
Nunca nos separaréis.
Mi raíz es tan profunda
Nadie me la va a arrancar
El pueblo pa las montañas,
Las montañas para el pueblo
Nadie nos separará.
Mis
raíces son profundas
Como
de esos viejos arboles
Que
un día canto labordeta
Y al
igual que otros poetas
El
también es mi raíz.
Que
nos griten las tormentas
Y
que nos azote el viento
Que
si tocan a mi tierra
Alguien
siempre la defienda
Como
un día lo hice yo.
Refrain:
El
pueblo pa las montañas
Las
montañas para el pueblo
No
las compréis con dinero
Su
valor,lo siento adentro.
El pueblo pa las montañas
Las
montañas para el pueblo
No
las compréis con dinero
Su
valor, lo siento adentro.
Montaña y pueblo son uno (x3)
el
pueblo es pa las montañas.
Ester Vallejo "El otro día fuimos a cantarle a las montañas.
Les cantamos esta canción que nos abraza a ellas, esta especie de himno-mantra
dedicado a la naturaleza, a la conexión que sentimos al pensarlas, al mirarlas…
Ojalá aprendamos a cuidarlas, a cuidar a la naturaleza como ella nos cuida."
Robert Reid
Robert Lewis Reid (1862–1929) was an American Impressionist painter and muralist. His work tended to be very decorative, much of it cantered on depiction of young women set among flowers. He later became known for his murals and designs in stained glass. Where does his beauty come from?
Blanca Varela - Ao despertar / Al despertar
Ao
despertar
surpreendeu-me
a imagem que ontem perdi.
A
mesma árvore na manhã
e na
levada
o
pássaro que bebe
o
oiro do dia.
Estamos
vivos, ninguém duvida,
o
loureiro, a ave, a água
e
eu, que observo e tenho sede.
Tradução
de A.M.
Original:
Al
despertar
me
sorprendió la imagen que perdí ayer.
El
mismo árbol en la mañana
y en
la acequia
el
pájaro que bebe
todo
el oro del día.
Estamos
vivos, quién lo duda,
el laurel, el ave, el agua
y
yo, que miro y tengo sed.
É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação
existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética
uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo
apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da
reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de
conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente
procura.
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