Muitas
vezes ainda nos doem
aqueles
comboios que passaram ao largo.
E
queixamo-nos da sorte, em silêncio.
Outras,
já dentro do vagão,
maldizemos
o relógio
por
termos chegado a tempo aos carris.
Nós,
que não sabemos ser felizes,
só
precisamos
é de
um culpado.
Tradução de A.M.
Original:
Muchas
veces todavía nos duelen
aquellos
trenes que pasaron de largo.
Y
nos quejamos en silencio de nuestra suerte.
Otras
ya en el interior del vagón
maldecimos
al reloj
por
haber llegado a tiempo a sus raíles.
Los
que no sabemos ser felices,
lo
único que necesitamos
es
un culpable.
O poema aborda a dor provocada pelas oportunidades perdidas e
pelas escolhas da vida. A metáfora dos comboios representa caminhos que se
afastam ou que, pelo contrário, são seguidos no momento certo, mas também podem
trazer arrependimento. O sujeito poético revela uma insatisfação persistente,
marcada pela dificuldade em aceitar a própria existência. No final, surge uma
conclusão irónica e amarga: quem não consegue ser feliz procura um culpado para
justificar as suas frustrações, evitando assumir a responsabilidade pelas
próprias escolhas.


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