Legiana Collective - El Fandanguito



Señores que son es este, señores el fandanguito

La primera vez que lo oigo y válgame Dios que bonito

Señores que son es este, señores el fandanguito

Hiza la vela, hiza la vela, hiza la vela, 

Golpe de mar, golpe de mar, barquito de vela

Dile a mi bien para donde me lleva

Si para España o para otra tierra

Por navegar, por navegar mar para fuera.


No Me oyeras decir que yo me pesaré molto

No dudes que si acierto ya no puedo vivir

Entonces oirás decir murió el rey de los amores

Me va a enterrar ya no llores

Entonces Oirás decir murió el rey de los amores

Me van a enterrar no llores que voy a descansar

No dejes nunca de regar sobre mi tumba mis flores.


       El Fandanguito is a traditional Son Jarocho from Tlacotalpan, Veracruz, Mexico. It took me a while to realize that they were not Mexicans, but the whole spirit it was. This is very strange, apart from the lyrics, there is nothing from 'el Fandanguito'. Many reasons to mirror beauty.

Charles Edward Perugini - The Ramparts, Walmer Castle; Portraits of the Countess Granville, and the Ladies Victoria and Mary Leveson-Gower, 1891





      The painting presents an elegant Victorian scene. Set against the historic architecture of Walmer Castle (only in the title), the painting combines aristocratic portraiture with a picturesque outdoor setting. The figures are dressed in fashionable, refined clothing, their graceful poses conveying both intimacy and social distinction. Perugini’s delicate handling of colour, light and texture creates a serene atmosphere, while the hidden castle walls provide a dignified historical backdrop to the composition.


Casa na Chuva - Eugénio de Andrade

 


A chuva, outra vez sobre as oliveiras.

Não sei por que voltou esta tarde

se minha mãe já se foi embora,

já não vem à varanda para a ver cair,

já não levanta os olhos da costura

para perguntar: Ouves?

Oiço, mãe, é outra vez a chuva,

a chuva sobre o teu rosto.


    in, Escrita da Terra, 1974


      O poema expressa a intimidade e a solidão do poeta, que encontra refúgio na casa materna durante um tempo de chuva. A lembrança da mãe a costurar e a ouvir a chuva é bela e triste. A minha mãe que-Deus-tem também sentia a chuva, assim.

 


Eternamente Exausto - Vinicius de Moraes | Júlia Sonati

 


      A conclusão central do poema "Ausência" de Vinícius de Moraes é um profundo paradoxo sobre a natureza do amor: a verdadeira posse não reside na presença física ou na união carnal, mas sim na capacidade de idealização e na aceitação da ausência. O eu lírico, sentindo-se "eternamente exausto" e incapaz de oferecer um amor convencional sem contaminá-lo com as suas mágoas passadas, opta pela renúncia. Ele eleva o sentimento a um plano estético e espiritual, onde a pessoa amada se torna uma fonte de "fé" e inspiração que ameniza sua existência marcada.


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada

Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


      No desfecho, a solidão não é vista como uma derrota, mas como uma condição necessária para uma forma superior de união. Ao abrir mão da realidade compartilhada e aceitar que a amada viverá outros amores, o poeta absorve a essência dela através do universo — o mar, os céus e as estrelas. Essa abstração permite que ele a "possua mais do que ninguém", pois transforma a voz ausente na voz presente e eternamente serenizada da sua própria alma, garantindo que o amor sobreviva e se eternize precisamente porque não foi consumado.

      José Meireles


Marianne von Werefkin - Man with Flock of Sheep



      Marianne von Werefkin’s Man with Flock of Sheep presents a solitary shepherd guiding his animals through a rural landscape. Painted in an expressive, simplified manner, the scene relies on strong contours, vivid contrasts and stylised forms rather than naturalistic detail. The sheep form a rhythmic group across the landscape, while the human figure appears integrated with his surroundings. Darker tones and dramatic shapes lend the composition a contemplative, slightly melancholic atmosphere. The work reflects Werefkin’s interest in transforming everyday rural life through Expressionist intensity and symbolism.


Manuel Moya / Violeta C. Rangel - Poética final

 


Se não sentes que teus pés

levantam o pó de todos caminhos,

se não sabes que te afundas e contigo vai o mundo,

se não mordes, se não escutas

o rasgar das térmitas,

se te escondes, se vais atrás

do aplauso dos palermas,

se ao passar essas portas

baixas a cabeça ou pedes caramelos ou desculpas,

se já no matadouro te resignas

e não te cagas cem mil vezes nos seus mortos,

 

para que porra escreves,

a quem queres servir,

a quem pretendes enganar?

 

  Tradução de A.M.


  Original:


Si no sientes que tus pies

levantan el polvo de todos los caminos,

si no sabes que te hundes y contigo el mundo,

si no muerdes, si no escuchas

el rasgar de las termitas,

si te escondes, si corres al aplauso de los gilis,

si al pasar por esas puertas

agachas la cabeza o pides caramelos o disculpas,

si ya en el matadero te resignas

y no te cagas cien mil veces en sus muertos,

 

para qué coño escribes,

a quién quieres servir,

a quién pretendes enganar?


      «Poética final», de Manuel Moya, através da heterónima Violeta C. Rangel, apresenta uma reflexão sobre o próprio ato de escrever e sobre os limites da poesia. O poema assume um tom de balanço e despedida, sugerindo que a palavra poética nasce da experiência, mas também da consciência da sua insuficiência. O título reforça essa dimensão conclusiva: escrever torna-se uma forma de enfrentar o tempo, a perda e o inevitável fim.


Alex Amen - Peaches




If you don't want my lovin’ honey stay away from me

If you don't want my peaches honey don't you shake my tree

Shake my tree let my peaches be

If you don't want my lovin’ stay away from me.


Wake up in the early morning and my heart is full of pain

Wake up in the early morning honey babe I call your name

Call your name I call your name

Laying in morning listening to the rain.


Think of all the times together think on words that you once said

How you sang into my heart and whispered dreams into my head

But you blocked me out, shut me down, closed the door

I walk the floor

Can't call your phone

Left me alone

It's all wrong

Your love is gone.


Someday when the sun is rising you'll wake up, I'll be gone

You'll look up through your big brass window and think about how you was wrong

You was wrong, you was wrong

You said you'd be mine forever and you was wrong

If you don't want my lovin’ honey stay away from me

If you don't want my peaches honey don't you shake my tree

Shake my tree let my peaches be

If you don't want my lovin’ stay away from me.


      Alex Amen is a twenty-five-year-old artist and songwriter from Texas.


Charles Edward Perugini (Italian-born English painter, 1839-1918) - Choosing a nosegay



      The painting presents an elegant young woman selecting flowers from a richly arranged nosegay. Dressed in a refined white gown, she bends attentively towards the blossoms, her delicate posture conveying grace and quiet concentration. Perugini surrounds her with luxuriant flowers, creating a harmonious dialogue between feminine beauty and nature. The carefully rendered details and serene mood reflect the Victorian fascination with elegance, refinement and domestic beauty.


Adam Zagajewski - Os meus mestres

 


Os meus mestres não são infalíveis.

Não se trata de Goethe, que só conseguia

adormecer quando ao longe

gemiam os vulcões, nem de Horácio,

que escrevia na língua dos deuses

e dos sacerdotes. Os meus mestres

pedem-me conselhos. Vestindo macios

sobretudos deitados velozmente

por cima dos sonhos, ao romper dia, quando o vento

fresco interroga os pássaros, os meus

mestres falam por sussurros.

Consigo ouvir a sua voz trêmula.


      O poema apresenta os mestres não como figuras perfeitas e distantes, mas como presenças frágeis, humanas e silenciosas. Em contraste com Goethe e Horácio, símbolos da grandeza literária, os verdadeiros mestres do sujeito poético pedem-lhe conselhos e comunicam através de sussurros. A imagem dos sobretudos sobre os sonhos e do vento que interroga os pássaros cria uma atmosfera de delicadeza e mistério. A sua voz trémula sugere que a sabedoria nasce também da dúvida, da vulnerabilidade e da escuta atenta.


A Cor que Ficou — Canção Oficial do livro "A Última Cor do Mundo" de Maria Clara Lopes de Almeida

 


Quando o dia amanheceu o mundo deixou de ter cor

As montanhas perderam o verde, nem o vento trouxe flor

Dizem que existe uma pena azul guardada no coração da mata

À espera que alguém descubra a última cor que ainda canta.


Longe e onde a água ainda canta e a floresta

Nunca deixou de sonhar.


Há uma cor que ninguém levou dorme no coração da mata

Enquanto houver quem saiba amar a vida há-de voltar

Se escutares o vento chamar talvez encontres o caminho

Porque a última cor do mundo ainda vive bem devagar.


Entre árvores muito antigas onde o tempo sabe esperar

Viviam mãos sem violência e olhos capazes de escutar

Nem o ouro nem as fronteiras lhes ensinaram ambição

Só o nome das águas claras e a voz do coração.


Depois veio o silêncio, a aldeia adormeceu

Mas uma pena azul continuou a pintar o céu.

Há uma cor que nunca morreu, nem quando o mundo escureceu

Viaja escondida na luz de um olhar que ainda sabe ver


E quando tudo parecia perdido

Foi Irapuã quem guardou a última cor do mundo.


      A canção é da autoria de R. Grant de Vasconcelos, inspirada no livro "A Última Cor do Mundo", de Maria Clara Lopes de Almeida.


Menci Clement Crnčić




      Menci Clement Crnčić (1865-1930) was a Croatian painter, printmaker, teacher and museum director. He is among the founders of modern Croatian painting, contributing greatly to its development. He promoted landscape painting, mainly seascapes, using light, colour, and soft strokes in an impressionist style. He was the founder of modern Croatian graphic art and played an important role in teaching several generations of Croatian painters. Here, we can see two examples of his art.

 

Ana Martins Marques - As casas pertencem aos vizinhos

 


As casas pertencem aos vizinhos

os países aos estrangeiros

os filhos são das mulheres

que não quiseram filhos

as viagens são daqueles

que nunca deixaram a sua aldeia

como as fotografias por direito pertencem

aos que não saíram na fotografia


— é dos solitários, o amor.


      O poema constrói-se a partir de associações paradoxais sobre a ideia de pertença. As casas, os países, os filhos, as viagens e as fotografias parecem pertencer precisamente a quem deles está afastado. Esta inversão cria uma reflexão sobre o desejo, a ausência e a distância entre possuir e experimentar. A repetição da estrutura sintática dá ritmo e reforça o efeito de estranheza. No verso final, a solidão surge como condição paradoxal do amor, revelando que aquilo que se deseja pode pertencer sobretudo a quem dele está privado. A pintura é de Edvard Munch, Two Human Beings (The Lonely Ones).


Brian May - Love Of My Life



Love of my life, you've hurt me,

You've broken my heart and now you leave me.

Love of my life can't you see,

Bring it back, bring it back,

Don't take it away from me

because you don't know what it means to me.


Love of my life, don't leave me,

You've taken my love, you now desert me,

Love of my life, can't you see?

Bring it back, bring it back,

Don't take it away from me

because you don't know what it means to me.


You will remember

When this is blown over

And everything's all by the way

When I grow older

I will be there at your side

to remind you how I still love you, I still love you.

 

      According to John Reid, Freddie Mercury wrote "Love of My Life" about David Minns. Minns was a man that Freddie was having an affair with behind Mary Austin's back between 1975 and 1978.


Jean-Eugène Buland - Bonheur des Parents, 1903



      It portrays a young couple sharing an intimate moment with their newborn child in a modest rural interior. The mother tenderly nurses the baby while the father sits beside her, his expression combining pride, concern and tenderness. Buland’s meticulous realism captures worn clothing, simple surroundings and everyday objects, emphasising the family’s humble circumstances.

 

A.M.Pires Cabral - A umas flores amarelas

 


Encontro-as por acaso numa ilharga

sombria do caminho. São amarelas.

Reluzem como um sol que arda na noite.


Estas flores tão densamente de ouro,

eriçadas de estames que parecem

a pelagem dum gato posto à prova,


a mim, que me comovo com igrejas singelas

de preferência a grandes catedrais,


mostram um esplendor totalmente inesperado

neste chão de pedra que ninguém diria

poder florir assim.


Ó flores cujo nome desconheço,

prolongai esse fulgor humilde em cada dia

de que ainda disponho para ver as flores,


antes de as flores virem ter comigo.


      O poema parte da contemplação de flores para refletir sobre a passagem do tempo, a fragilidade e a beleza efémera da existência. O amarelo, associado à luz, ao amadurecimento e também ao declínio, adquire um valor simbólico. O sujeito poético observa a natureza com atenção e transforma uma realidade simples numa meditação sobre a condição humana.


Garota não - Eva

 


Quantos animais descobres no céu meu pequeno floco de neve

Nesses olhos de princesa em cada nuvem delicadeza.


Quantossorrisostraz o teudedo do pé filhote de pai chimpanzé

Vemgotinha de pureza alegrar mãe natureza.


Com o que sonhas tu quandosorris

Deixandoomundo há voltamais feliz

Moreninha daboca bonita

Na tua pestana a vida é finita

Tão longa que rasga toda a solidão

Que acolhe e que tira os meus olhos do chão

Serena, serena, doce motorzinho

Que bate no peito tum tum de mansinho.


Tum tum tum tum tum tum

Se queres um beijinho eu dou-te um

Tum tum tum tum tum tum

Se queres um abraço eu dou-te um

Tum tum tum tum tum tum

Se queres um colinho eu dou-te um

Tum tum tum tum tum tum

Se queres um amigo posso ser um

Tum tum tum tum tum tum!


      Garota não é o nome artístico da cantautora portuguesa Cátia Mazari Oliveira, nascida em Setúbal a 29 de outubro de 1983. O que leva no coração é luz.


Peter Vilhelm Ilsted (1861-1933) - A Quiet Moment



      The painting shows two women absorbed in a calm, solitary task—such as handwork or reading—highlighting a pause from the rushing outside. The atmosphere is calm and contemplative, suggesting the beauty of ordinary life and the quiet pleasures of home.


Carlos Drummond de Andrade - Memória

 


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão


Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.


      O poema reflete sobre a fragilidade das recordações e a permanência do passado. A memória surge como espaço de afetos, perdas e experiências que continuam a influenciar o presente. O sujeito poético interroga aquilo que permanece e aquilo que se desvanece, revelando uma visão simultaneamente nostálgica e lúcida.


A garota não - Monstro



 

Toma de mim a loucura

Leva os sonhos e a mão que cura

Na palma quente da terra

Dói a solidão mais do que o dente que ferra,

Que ferra grosso e imundo

Fundo mais que o fim do mundo

É quando o medo me abraça

Tremendo o monstro que passa


E eu vou

Com toda a calma

Sou do tamanho da minha alma

Ao encontro imperfeito

De Deus em ti,

tu no meu peito.


      A canção explora a construção do medo e da ameaça através da figura simbólica que representa aquilo que assusta, oprime ou perturba. A voz poética confronta o monstro, recusando a submissão e afirmando a coragem, a resistência e a liberdade individual.


Peter Ilsted (Danish, 1861-1933) - Woman Knitting by a Window, 1902



      This work of art presents a quiet domestic scene, bathed in soft, natural light. A woman sits absorbed in her knitting, her figure viewed from behind, creating a sense of intimacy and gentle mystery. Warm brown and golden tones contrast with the cooler light entering through the window. The carefully arranged interior conveys order and tranquillity.


Sophia de Mello Breyner Andresen - Ode à maneira de Horácio



Feliz aquela que efabulou o romance

Depois de o ter vivido

A que lavrou a terra e construiu a casa

Mas fiel ao canto estridente das sereias

Amou a errância o caçador e a caçada

E sob o fulgor da noite constelada

À beira da tenda partilhou o vinho e a vida


  in, O Búzio de Cós e outros Poemas, 1997


      O poema celebra uma figura feminina que concilia experiência, trabalho e liberdade. Inspirada no universo de Horácio, Sophia valoriza uma vida plenamente vivida, onde a construção da casa e o cultivo da terra coexistem com o desejo de aventura. As referências às sereias, à caça, à noite e ao vinho evocam a dimensão mítica, sensual e convivial da existência. A «errância» simboliza a liberdade de seguir o desconhecido, enquanto a partilha final afirma a comunhão entre natureza, amor, viagem e poesia.


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