It captures an elegant
social gathering in a richly detailed Rococo-inspired setting. The painting portrays
well-dressed figures enjoying a game of skittles, blending leisure,
conversation, and refined manners. Hamza’s careful attention to costume,
architecture, and gesture creates a lively yet intimate atmosphere. Warm
lighting and meticulous brushwork emphasize the affluence and charm of
bourgeois life, reflecting the artist’s fascination with nostalgic scenes of
18th-century-inspired social entertainment.
Johann Hamza - The Bowling Alley
Alfonso Costafreda - As palavras
Pedras
preciosas do sentido,
diamantes
do real.
Perdem
o brilho, se vão em sonhos,
a sua
luminosa verdade.
Palavras
vivas, não lhes toque
quem
as não saiba cuidar.
Tradução de A.M.
Original:
Piedras
preciosas para el sentido,
diamantes
de realidad.
Si
van en sueños pierden su brillo,
su
luminosa verdad.
Palabras
vivas, nadie las toque
que
no las sepa cuidar.
No poema, as palavras surgem como algo precioso e frágil,
comparadas a "pedras preciosas" e "diamantes de realidade". O poeta valoriza a
sua capacidade de transmitir verdade e sentido, alertando para o perigo de as
afastar da realidade concreta. A metáfora final reforça a responsabilidade de
quem usa a linguagem: apenas aqueles que sabem cuidar das palavras podem
preservar o seu brilho e autenticidade.
Tanxedoras - "Vente vindo" Xota do Hío
Vem-te vindo, vem-te vindo que eu tamém me vou
andando;
Fixem a cama de folha e o vento vai-m'a levando
E o vento vai-m'a levando
Ai a-la la, ai-a la la!
Já fum a Marim, já passei o mar
Já comim laranjas do teu laranjal!
Do teu laranjal, do teu laranjal
Já fum a Marim, ujá passei o mar!
Santo, São André do Hio Santo, São André do Hio
Levavam-no para o mar nunca lhe quixe passar
O rio de São Cibrão, o rio de São Cibrão.
Ai a-la la, la-la la la la!
Zarandeia-te, moça! Zarandeia-te bem!
Se nom é pr'este ano ´r prò ano que vem!
É prò ano que vem, é prò ano que vem
Zarandeia-te, moça! Zarandeia-te bem!
Chamaste-me Moreninha à vista de tanta gente
Chamaste-me Moreninha à vista de tanta gente!
Agora, vais tu ficando, Moreninha para sempre!
Agora, vais tu ficando Moreninha para sempre!
Marinheirinho da nossa Ribeira,
De dia, trabalha e de noite, peneira!
De noite, peneira, de noite, peneira
Marinheirinho da nossa Ribeira!
Ao subí-la e ao baixâ-la, a encostinha de São Pedro
Ao subí-la e ao baixâ-la, a encostinha de São Pedro
Ao subí-la e ao baixâ-la, caéu-me a fita do pêlo!
Ao subí-la e ao baixâ-la, caéu-me a fita do pêlo!
É seis e nom posso-a deixar assim!
Botar ou tesar as fitas do mandil!
Fitas do mandil, fitas do mandil
É seis e nom posso-a deixar assim!
Viva o Hio! Viva o Hio! O Hio há-de vivir!
E o quem nom queira que viva
Os olhos lhe hão de cair! Os olhos lhe hão de cair!
Ai-a la la la, la la la-la!
E no meio, no meio da ria ao compâs, ao compâs dos
cantares
O ventinho que vinha de longe ajudava o gaiteiro a
tocare...
Ajudava o gaiteiro a tocare
Ai-e le lo, ai-e le lo ai-e la-la!
Esta peza tradicional foi recollida polo musicólogo Alan Lomax en Corcubión no ano 1952.
James Archer (Scottish, 1822 - 1904) - The Picnic, 1870
It is a charming
Victorian genre painting that captures a leisurely outdoor gathering in a
sunlit rural setting. Archer portrays elegantly dressed figures enjoying
companionship amid lush greenery, conveying warmth, relaxation, and family
intimacy. The composition balances detailed costumes with a natural landscape,
reflecting the Victorian fascination with domestic life and refined social
pleasure.
Enrique García-Máiquez - Leitura num colégio / Lectura en un colegio
Mais
vale que não saibam para que
serve
a poesia, se é que ainda alguém a lê.
Não
lhes digas,
cala-te,
que
não saibam
que
não é neutra a sua beleza, que torna
insuportáveis
a crueldade, a idiotia e o ruído
e
por isso nos faz solidários.
Ainda
a lêem, alguns.
Se
te perguntarem
o
que é ou para quê, tartamudeia,
faz-te
desentendido e sorri.
Depois,
quando tiverem a alma em carne viva
e
houverem chorado muito, recordarão
que
tu podias mas não os preveniste,
e
hão-de agradecer-te.
Tradução
de A.M.
Original:
Más
vale que no sepan para qué
sirve
leer poesía, si algunos aún la leen.
No
les expliques,
calla,
que
no sepan
que
su belleza no es neutral, que hace
insoportables
la crueldade, la idiotez y el ruido
y
por eso nos vuelve solitarios.
Algunos
aún la leen.
Si
te preguntan
qué
es o para qué, tartamudea,
contesta
imprecisiones, y sonríe.
Más
tarde, cuando tengan el alma en carne viva
y
hayan llorado mucho, recordarán que tú
pudiste
hacerlo y no les previniste,
y te
darán las gracias.
No poema, a poesia surge como uma força transformadora e
discreta. O sujeito poético aconselha que não se revele aos jovens o verdadeiro
poder da poesia: a capacidade de tornar intoleráveis a crueldade, a estupidez e
o ruído do mundo. Através de um tom irónico e cúmplice, sugere que a
compreensão dessa força só chegará com a experiência da dor e da maturidade. O
poema valoriza a leitura poética como uma forma de despertar moral e emocional,
capaz de enriquecer profundamente a vida humana.
Pé na Terra - Escadas de Luar
Teci de rubros desejos uma ponte nesta rua
Por onde passam meus beijos da minha janela à tua
Gemem guitarras na rua voam cantigas no ar
E as almas sobem à lua por escadas de luar.
Lai,
rai, rai rai…
Tu não me chames ladrão porque um beijo te roubei
Que eu sempre tive tenção de o pôr de onde o tirei
Porque secaram morena os cravos do teu balcão?
Não foi de sede foi pena da minha última ilusão!
Se sim ou não eu te quero, bem no vês no meu olhar
O amor quando é sincero bem se diz sem se falar,
Se sim ou não eu te quero, bem no vês no meu olhar.
Um grupo original que transforma cada concerto numa festa,
cada música num ritual sonoro, com a visão das nossas tradições, aliada a uma
incessante procura do que está para além de uma melodia ou letra cantada por
anciões. Muito agradável.
Hans Gude and Adolph Tidemand - The Jetty at Feste near Moss, 1898
The painting presents a
tranquil Norwegian coastal scene. Created by Hans Gude & Adolph Tidemand, it
depicts a wooden jetty extending into calm water beneath a luminous sky. The
composition balances human presence with the surrounding landscape, celebrating
everyday coastal life while highlighting the beauty, stillness, and expansive
character of Norway’s shoreline in a mood of quiet harmony and timeless
contemplation.
Mary Oliver - O que eu sei fazer / What I can do
A
televisão tem dois comandos
e eu
fico confusa.
A
máquina de lavar pergunta-me, é roupa normal ou delicada?
Francamente,
roupa limpa é o que eu quero.
E é
tudo assim,
já
nem falo dos telemóveis.
Eu
sei ligar a luz da lâmpada ao lado da cadeira,
onde
um livro me espera, mas é tudo.
Ah
sim, e sei riscar um fósforo e fazer lume.
Tradução de A.M.
Original:
The television has two instruments
that control it.
I get confused.
The washer asks me, do you want
regular or delicate?
Honestly, I just want clean.
Everything is like that.
I won’t even mention cell phones.
I can turn on the light of the lamp
beside my chair
Where a book is waiting, but that’s
about it.
Oh yes, and I can strike a match and
make fire.
A voz poética reflete sobre a simplicidade dos gestos humanos
e o valor de agir dentro dos próprios limites. A autora sugere que não é
necessário realizar feitos grandiosos para dar sentido à vida; basta observar,
apreciar e cuidar do mundo que nos rodeia. O poema transmite humildade,
gratidão e ligação à natureza, temas centrais na obra de Oliver. A linguagem
simples reforça a ideia de que a verdadeira sabedoria nasce da atenção ao
quotidiano e à beleza comum.
Mondra, Lina e Lola - Achar con quen casar
Teño
un e teño dous, e contigo três amores
con
algún hei de casar heime de adornar de flores.
Xa
levaches um cabazo, dous ou três has de levar
xa
verás que non has de achar, que non has de achar com quen casar.
Non has de achar com quen casar, non has de achar com quen casar. (non has)
Ti non has de achar com quen casar, non has de achar com quen casar. (verás)
Teño
dous e teño três e contigo cuatro amores
con
algum hei de casar se me marchan as calores.
Xa
levaches dous cabazos, três ou cuatro has de levar
xa
verás que non has de achar, que non has de achar com quen casar.
Teño
três, eu teño cuatro e contigo cinco amores
con
algum hei de casar para que choren os señores.
Xa
levaches três cabazos, cuatro ou cinco has de levar
xa
verás que non has de achar, que non has de achar com quen casar.
E
levei cinco cabazos, seis ou sete hei de levar
levarei
seis, sete, oito, nove ou dez ou inda mais.
O artista galego Mondra presentou o seu novo álbum, De Ronda,
un traballo que el mesmo define como "máis autoral, máis coral e máis conectado
coas experiencias da mocidade". Mondra
é claro sobre o espírito do disco: "Queremos que as cancións soen a hoxe, pero
están feitas con instrumentación doutra época: frautas, acordeóns, ventos…".
A música tradicional convértese no punto de partida de cada
canción: "Moitas veces partimos dunha melodía tradicional ou dun arquivo sonoro
antigo, dunha muller cantareira. Outras veces, dunha idea ou dunha historia".
Arthur Hacker - The Cloister or the World
The painting presents a
young woman poised between two contrasting paths: the spiritual seclusion of
the convent and the attractions of worldly life. Rich in symbolism, the
painting reflects Victorian concerns with faith, duty, and personal choice.
Ana Salomé - Ode ao Castigo
Só
mais uma menina entre outras
E o
quadro negro onde escrever o teu nome a giz
Como
um erro ortográfico do coração.
Castigo.
Entre
nós o alto muro do recreio
E a
obrigação de permanecer só
O eu lírico recorda um amor juvenil marcado pela distância e
pela solidão. A imagem do nome escrito a giz no quadro negro sugere um
sentimento proibido ou reprimido, comparado a um "erro ortográfico do coração",
metáfora que associa o amor à transgressão. O "castigo" surge simbolicamente no
muro do recreio e na obrigação de permanecer só, representando as barreiras
emocionais e sociais que impedem a aproximação e intensificam a dor afetiva.
Coro dos Anjos & Cantadeiras do Campo do Gerês - Baldia
As Cantadeiras de Campo do Gerês são um grupo musical tradicional e polifónico que preserva e divulga as canções do Cancioneiro Geresiano, uma herança cultural que se mantém viva há décadas através do canto e a transmissão oral de geração em geração. O Coro dos Anjos é um coro do bairro dos Anjos (Lisboa) que trabalha a música de raiz portuguesa ancestral e dos novos tempos, abraçando criações próprias; com um forte cariz na intervenção social, ao mesmo tempo que tenta resgatar o espírito comunitário e a regeneração cultural através da música.
"𝘉𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘶𝘮𝘢 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘢𝘯𝘪𝘯𝘩𝘢. 𝘕𝘦𝘮 𝘱𝘶́𝘣𝘭𝘪𝘤𝘰 𝘯𝘦𝘮 𝘱𝘳𝘪𝘷𝘢𝘥𝘰, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘴𝘰𝘣𝘳𝘦𝘷𝘪𝘷𝘦𝘯𝘵𝘦 𝘥𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘷𝘪𝘷𝘪𝘢𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘱𝘳𝘦́-𝘮𝘰𝘥𝘦𝘳𝘯𝘢 𝘦 𝘪𝘯𝘴𝘱𝘪𝘳𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘶𝘮 𝘵𝘦𝘮𝘱𝘰 𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘫𝘢́ 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘢𝘣𝘦𝘮𝘰𝘴 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘯𝘦𝘮 𝘧𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳𝘦𝘴. 𝘔𝘢𝘪𝘴 𝘥𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘪𝘵𝘰́𝘳𝘪𝘰, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘦́ 𝘳𝘦𝘭𝘢𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢 𝘦 𝘶𝘮 𝘤𝘶𝘪𝘥𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘪𝘴𝘵𝘦 — 𝘯𝘢̃𝘰 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘶𝘪𝘳, 𝘮𝘢𝘴 𝘱𝘢𝘳𝘵𝘪𝘤𝘪𝘱𝘢𝘳; 𝘯𝘢̃𝘰 𝘴𝘦 𝘢𝘱𝘳𝘰𝘱𝘳𝘪𝘢𝘳 𝘥𝘰 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳, 𝘮𝘢𝘴 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘳-𝘴𝘦 𝘱𝘳𝘰́𝘱𝘳𝘪𝘰 𝘢 𝘦𝘭𝘦. 𝘜𝘮 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘪𝘵𝘰́𝘳𝘪𝘰 𝘭𝘪𝘨𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘳 𝘨𝘦𝘯𝘵𝘦𝘴, 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴, 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢, 𝘶𝘮𝘢 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢-𝘤𝘰𝘮𝘶𝘯𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘢𝘴𝘴𝘪𝘮 𝘦́ 𝘪𝘯𝘵𝘦𝘪𝘳𝘢. 𝘏𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘵𝘦𝘮 𝘲𝘶𝘦 𝘷𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴, 𝘩𝘢́𝘣𝘪𝘵𝘰𝘴 𝘴𝘢̃𝘰 𝘤𝘰𝘮𝘱𝘰𝘳𝘵𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘵𝘰𝘳𝘯𝘢𝘮 𝘨𝘦𝘴𝘵𝘰𝘴 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢𝘮 𝘯𝘢 𝘳𝘦𝘱𝘦𝘵𝘪𝘤̧𝘢̃𝘰 𝘦 𝘲𝘶𝘦 𝘢 𝘤𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘰𝘳𝘢𝘭 𝘨𝘶𝘢𝘳𝘥𝘢. 𝘌𝘴𝘴𝘦 𝘴𝘢𝘣𝘦𝘳 𝘤𝘰𝘮𝘶𝘮 𝘦́ 𝘥𝘰 𝘧𝘢𝘻𝘦𝘳 𝘦 𝘦́ 𝘥𝘰 𝘦𝘴𝘵𝘢𝘳. 𝘚𝘢̃𝘰 𝘤𝘢𝘯𝘤̧𝘰̃𝘦𝘴 𝘢 𝘱𝘢𝘴𝘴𝘢𝘳 𝘢 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘢𝘨𝘦𝘮 𝘥𝘦 𝘷𝘰𝘻 𝘦𝘮 𝘷𝘰𝘻, 𝘥𝘦 𝘮𝘢̃𝘰 𝘦𝘮 𝘮𝘢̃𝘰. 𝘕𝘶𝘮 𝘱𝘢𝘪́𝘴 𝘲𝘶𝘦 𝘴𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘱𝘰𝘷𝘰𝘢, 𝘰 𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘰 𝘳𝘦𝘢𝘣𝘳𝘦 𝘢 𝘱𝘰𝘴𝘴𝘪𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘦 𝘣𝘰𝘮 𝘩𝘢𝘣𝘪𝘵𝘢𝘳 𝘲𝘶𝘦 𝘯𝘢̃𝘰 𝘦́ 𝘯𝘦𝘮 𝘰𝘤𝘶𝘱𝘢𝘳 𝘯𝘦𝘮 𝘤𝘰𝘯𝘲𝘶𝘪𝘴𝘵𝘢𝘳. 𝘙𝘦𝘣𝘢𝘭𝘥𝘪𝘢𝘳 𝘢𝘴 𝘵𝘦𝘳𝘳𝘢𝘴, 𝘰𝘴 𝘭𝘶𝘨𝘢𝘳𝘦𝘴, 𝘢𝘴 𝘢𝘭𝘮𝘢𝘴 𝘦́ 𝘢 𝘮𝘢𝘯𝘦𝘪𝘳𝘢 𝘢𝘯𝘵𝘪𝘨𝘢 𝘥𝘦 𝘶𝘮𝘢 𝘪𝘥𝘦𝘪𝘢 𝘱𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘧𝘶𝘵𝘶𝘳𝘰."
Ai!
Se ao menos um dia o povo sentisse
Que a gente herda terra e a terra herda gente
Se ao menos pudesse ser assim baldia
Espalhada em rosas em dura teonia
Espalhada p’la rua, sem medo nem vão
Em cada pessoa a sentir-me chão.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia, baldia baldia
Ir viver assim se ao menos um dia.
Não sou mãe de ninguém, mas sou tia de todos
Tempero o comer, ai!, com o sal dos choros
Vou venho e ocupo, semeio e faço feito
Zeladora guardo os meus nas covas do meu peito
Hei-de ser por mim, quero a vida verdadeira
Sou de todos de ninguém, da terra por inteira.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia, baldia baldia
Ir viver assim se ao menos um dia.
Ir viver assim, baldia baldia
Se ao menos um dia já bem me valia
Ir viver assim, baldia baldia
A menos que um dia me seque a alegria.
Ai!
"Baldia" vem cativar à consciência de que a terra deve
pertencer a quem nela nasce, a ama e dela cuida e não a quem a conquista.


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