It presents a quiet rural scene bathed in soft, diffused light. Two women lay calmly through an open springtime landscape. One reads, the other listens to. The colour and restrained detail emphasize mood over precision, suggesting warmth and everyday rural labour.
António de Almeida Mattos - Do sol se chega
Do
sol se chega
ao
nada
tão
vibrante a luz
que
se estilhaça
e
fere e por momentos
quedam
os olhos cegos,
vazio
o pensamento.
É como foi o ver-te.
A tela é de Marie Bracquemond.
Myles Birket Foster - Harvest Time
This painting describes
the rural England at gentle dusk, where farm workers gather golden sheaves
across a softly rolling field. Warm autumn light washes the scene, turning
straw, earth, and sky into mellow harmonies of gold and brown. The painter focuses
on everyday labour rather than drama: figures pause, bend, and converse
naturally, embedded in the landscape. Distant cottages and trees anchor the
composition, suggesting community and continuity.
Eduardo Chirinos
Uma
formiga carrega com esforço
uma
folha.
A folha é enorme
e
multiplica o seu tamanho. Trata-se
de
um dever inevitável, de uma
obediência
atávica.
Atrás dela
formigas
idênticas carregam folhas
idênticas.
Amanhã repetirão o ritual,
a
sua razão de ser que ignoro.
Em
breve cumprirei cinquenta anos.
Penso
na formiga.
Na
sua dança cega até à morte.
Objet Trouvé - Cirque
Projet
de Fleur Perneel et Noémie Deumié. "Objet Trouvé - Cirque" est une
vidéo de performance artistique de Fleur Perneel, publiée sur YouTube il y a 5
ans, cumulant plus de 2,2 millions de vues. Cette œuvre, mettant en scène des éléments
circassiens, s'inscrit dans une série "Objet Trouvé" explorant la
manipulation d'objets, souvent en collaboration avec Mickael Kochalski.
in, YouTube
Circense é um adjetivo que significa algo relativo,
pertencente ou próprio do circo e das suas atividades. Derivado do latim circensis,
o termo também pode ser usado figurativamente para descrever algo extravagante
ou espalhafatoso. É o caso. O que pretenderão comunicar estas duas jovens?
Gaetano Chierici - The Propitious Moment, 1882
O
gato espreita o ensejo de almoçar, uma vez que a criança adormeceu. Um momento
de tensão para quem olha.
Juan Antonio González Iglesias - Escuto a água limpa
Para
Victor Herrero de Miguel
Escuto
a água limpa
que
desce da montanha depois da chuva,
o
gorjeio do pássaro
na
tarde
primaveril
de outubro,
a
resposta de
cada
coisa a cada coisa. Caem folhas
sobre a terra como frutos.
Não acredito que a névoa de ontem,
o sol de hoje, esta chuva de agora,
este
aroma sem preço
sejam
só para mim.
Johann Georg - At the Well, 1872
A pintura dá-nos a conhecer uma cena amorosa junto a uma fonte, com alguma intimidade e olhares dificeis de definir. A cara dele sorri, mas o que estará a dizer? Ela deixa-lhe por a mão na sua, mas o que significa também o seu olhar? A cena sugere um tempo suspenso e uma tradição compartilhada pelas gerações mais antigas.
Birds on an old wire - Leonard Cohen and Marianne
"Children show scars like medals. Lovers use them as secrets to reveal. A scar is what happens when the word is made flesh."
Leonard Cohen, in The Favorite Game
Trio vocal - UNIO - La Rosa Enflorece (chant traditionnel juif sépharade - XIVe siècle)
La
roza enflorese
En
el mez de May
Mi
alma s'eskurese,
Sufriendo
del amor.
Los
bilbilikos kantan,
Suspirando
el amor,
I la
pasión me mata,
Muchigua
mi dolor.
Mas
presto ven, palomba,
Mas
presto ven a mí,
Mas
presto tú mi alma,
Ke
yo me vo morir.
La
roza enflorese
En el mez de May
Mi alma s'eskurese,
Sufriendo del amor.
Que bonito!
Ana Blandiana - Humildade
Nada
posso fazer para que o dia
não
tenha vinte e quatro horas.
Apenas
posso dizer:
perdoa-me
pela duração do dia.
Também
não posso impedir
o
voo das borboletas a partir das larvas.
Apenas
posso implorar o teu perdão,
pelo
voo das borboletas, pelas larvas,
perdoa-me
pelas flores que se transformam em frutos
e os
frutos em sementes e as sementes em árvores.
Perdoa-me
pelos mananciais
que
se convertem em rios e os rios
em
mares e os mares em oceanos.
Perdoa-me
pelos amores
que
se transformam em recém-nascidos
e os
recém-nascidos em solidões
e as
solidões em amores...
Nada
posso impedir.
Tudo
segue o seu destino e nunca me pergunta nada.
Nem
o último grão de areia, nem sequer o meu sangue.
Apenas
posso dizer: perdoa-me.
A
culpa é nossa quando não temos culpa nenhuma? Se o destino existe, não existe responsabilidade. Será que perante Deus, o homem
participa menos do que deve na criação? Não entendo o poema.
Gillian Hills - Tomorrow is another day
"Tomorrow Is Another Day" é uma canção escrita pela cantora britânica Gillian Hills. Foi lançada em 1965 como lado B do single "Look at Them" pela gravadora francesa Disques Vogue. A canção conta com a participação de Bob Leaper e sua orquestra. As imagens do videoclipe são do filme "The Knack...and How to Get It", de 1965, dirigido por Richard Lester com os atores Rita Tushingham, Michael Crawford e Donal Donnelly.
Tomorrow is another day so, take what comes now while you may
just take my hand and walk along the sand take what seems the best
Tomorrow is another day don't ask me questions cause I say
I know what's true right now like my love for you take what seems the best
While we are young and the world is
for us
why think about the good, the bad, the past, but now
Tomorrow is another day who knows when leaves will fade away
so while they're sweet and bright and still live inside pick what seems the best
Tomorrow is another day before the sun hides away
let's walk alongside them into our land where things are the best
where our lives are at rest.
Great video! Fantastic
editing, and what can I say about Gillian Hills? She's amazing. Pure nostalgia
and evocation of a freer and more dreamlike world that no longer exists.
Wilhelm Schütze (1840-1898) - The Schoolmaster
A pintura apresenta uma cena de sala de aula. O mestre-escola é a autoridade tranquila com o saber no gesto e no olhar. À sua frente, crianças gerem o conhecimento entre a luz, os livros e as maçãs. Quererão saber ou sabedoria? Muito belo.
José Agustín Goytisolo
Viste
que nada era duradouro
desde
muito menino. Que uma flor
se
abre se arroga de aroma e brilha
e
cai depois no jardim.
E
ainda que outras flores logo apareçam
-
muito semelhantes - nenhuma delas
será
a flor que despertou
os
teus sentidos: aquela flor.
Pessoas
meses chuvas e ânsias
se
escaparam de ti em bicos de pés
para
não te magoarem. Mas tu
aprendeste
com a flor única
o
amor ao que perece
e a
ferida do que já morreu.
Figura
central da Escuela Poética de Barcelona, este escritor suicidou-se aos 70 anos, atirando-se
da janela da sua casa para a rua.
Etel Adnan - A primavera floresce à sua maneira
Uma
borboleta vem morrer
entre
duas pedras
aos
pés da montanha.
A montanha derrama sombras
sobre
ela
para
esconder o segredo da
morte.
Colmeia - Só de uma banda
"Só de uma banda" é uma canção cantada pelas
mulheres da aldeia de Bravães em Ponte da Barca. Aprendemos algumas
quadras e acrescentámos outras.
Minha mãe tinha um
adufe
Não o pode tocar só
Tocará a minha tia
Tocará a minha avó.
Só de um abanda
Só, só, só
Só de uma banda
De uma banda só.
Minha mãe, minha mãezinha
Minha mãezinha do céu
Que me trouxe nove meses
Debaixo do seu mantéu.
De uma banda ralha a tia
De outra banda ralha a avó
Imagina o que seria
Se cantássemos uma só.
À procura do destino
Onde quero acabar
Se o que conta é a viagem
É na luta o meu lugar.
O meu corpo à vontade
Liberdade e intenção
Já não há corrente forte
Que impeça a revolução.
Adolphe Jean Louis Thomas - In a valley in Alsace
It depicts a tranquil
rural landscape nestled between gentle hills. A winding path leads the eye
through sunlit fields toward clustered village roofs (castle?), softened by mist. Tall
trees frame the valley, their foliage rendered with careful, naturalistic
brushwork. The muted palette of greens, browns, and pale sky evokes calm and
quiet labour. Subtle light suggests early morning, emphasizing harmony between
human settlement and the enduring rhythms of the Alsatian countryside. Its mood
feels reflective, timeless, and gently affectionate toward place and people.
João Melo - O que fazer diante do fim
Quando
o fim assomar
à
tua frente
como
um monstro
de
sete cabeças, catorze línguas
e
milhões de braços pavorosos,
quando
o fim ameaçar
levar-te
na sua bocarra
escancarada
e sem fundo,
quando o fim te convencer
que
o outro lado do espelho
é
menos assustador do que aquilo que vês,
–
Resiste!
Não
temos outro mundo
Para
tornar mais humano.
A pintura (detalhe)é de Hieronymous Bosch.
Colmeia - Bela
Ò
bela vem à janela
Há
dias que não te vi
E eu
quero saber notícias
Da
carta que te escrevi
Da carta que me escreveste
Dói
me o meu peito lê-la
Ocupa
todos os andares
Matriz
de cada costela
Ò bela sai à janela
Deita
o cabelo à rua
Quero
levar na guitarra
Uma
recordação tua
Podes
poupar a guitarra
Uma
outra serenata
Deixaste-me
a roupa velha
E
ainda levaste a prata
A
porta que deixei aberta
Nela
queria ver-te entrar
Sem
dó, fechaste a janela
Ficou-me
o peito a chorar
Cantei-te
uma outra moda
Explanei
o meu coração
Esperei-te,
não vi mais nada
Brotou-me nova paixão.
"Ò bela vem à janela" é um romance transmontano cantado por Lúcia Augusta Rodrigues e recolhido pelo etnomusicólogo Domingos Morais em 1985.
August Schiøtt (Danish, 1823–1895) - A Kitchen, 1892
The painting describes
a quiet domestic interior filled with warm, natural light. The scene captures a
woman engaged in everyday tasks, surrounded by simple household objects—pots,
utensils, and food ingredients—that emphasize the intimacy and realism of
ordinary life. Schiøtt’s careful attention to detail and soft, harmonious colour
palette convey both serenity and authenticity. The painting reflects
19th-century Danish art’s appreciation for domestic tranquillity and the subtle
beauty of familiar, lived-in spaces.
Javier Salvago - Ano Novo / Año nuevo
Como
as coisas não podiam
piorar - escreveu Kafka,
no
seu Diário -, melhoraram.
Como gostaria, diante deste negro
e
inóspito horizonte que se abre
diante
de mim - como um ano mais,
ou
como um ano menos -,
de
poder dizer o mesmo.
Sinto
porém
que
não toquei o fundo,
que
há mais miséria, mais dor, mais tédio
mais
à frente, que as coisas
podem
piorar.
Que
o pior, como alguém disse,
ainda
está para chegar.
31,
dezembro, 1996
Como
las cosas no podían
ir a
peor —escribió Kafka,
en
su Diario—, mejoraron.
Cómo
me gustaría, ante este negro
e
inhóspito horizonte que se abre,
ante
mí —como un año más,
o
como un año menos—,
poder
decir lo mismo.
Pero siento
que
no he tocado fondo,
que
hay más miseria, más dolor, más tedio
más
adelante, que las cosas
pueden
empeorar.
Que
lo peor, como quien dice,
aún
está por llegar.
31, diciembre, 1996
Max von Schmaedel - Milchmädchen und Gärtner
It describes a quiet
pastoral encounter between a young milkmaid and a gardener, set within a sunlit
rural landscape. The figures are rendered with gentle realism, emphasizing
everyday labour rather than idealized romance. Soft, earthy tones and careful
brushwork create a calm, intimate mood. Gestures and gazes subtly suggest
conversation, highlighting human connection, simplicity, and dignity within
agrarian life, typical of nineteenth-century genre painting.
Do Lord
I've got a home in Gloryland that outshines
the sun,
I've got a home in Gloryland that outshines
the sun,
I've got a home in Gloryland that outshines
the sun,
Look away beond the blue.
Do Lord, oh, do Lord, oh, do remember
me,
Do Lord, oh do Lord, oh, do remember
me,
Do Lord, oh, do Lord, oh, do remember
me,
Look away beond the blue.
I took Jesus as my Savior, you take
him too,
I took Jesus as my Savior, you take
him too,
I took Jesus as my Savior, you take
him too,
While he's calling you.
"Do Lord" is
a traditional African-American spiritual and gospel hymn, often featuring
verses about heaven ("home in Gloryland") and requesting divine
remembrance during trouble or death. Key lyrics focus on, "Do Lord, oh do
Lord, oh do remember me way beyond the blue".
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Billy Collins - O Aprendiz
O
meu livro e ensinamentos poéticos,
comprado
numa banca ao ar livre junto ao rio,
apresenta muitas regras
sobre
o que escrever e não escrever.
Mais do que duas pessoas num poema
é
uma multidão, é uma.
Falar na roupa que se tem vestida
quando
se escreve, é outra.
Fugir de palavras como vórtice,
aveludado
e cigarra.
Quando não souber como acabar,
ponha
umas galinhas castanhas à chuva.
Nunca admita que faz correções.
E
mantenha sempre o poema numa só estação.
Procuro tê-las presentes
mas, nestes últimos dias de verão,
sempre
que ergo os olhos da minha página
e
vejo uma mancha seca de folhas amarelas,
penso nos ventos gélidos
que
em breve golpearão o meu casaco.
in, A aranha irlandesa & outros poemas

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