Bo Bartlett, born in 1955, in Columbus, Georgia, USA - Life During Wartime, 2018



      This painting presents an unsettling vision of American life shaped by the shadow of conflict. The painting combines ordinary domestic imagery with an atmosphere of tension, vulnerability and uncertainty. The work explores fear, resilience and the psychological effects of war, suggesting that violence can influence people even when battles occur far from their homes and communities.


John Coltrane Quartet - Naima, 1965



      Naima is a tender, meditative jazz ballad from Coltrane’s 1960 album, Giant Steps. Juanita Naima Grubbs (also known as Juanita Austin) was Coltrane's first wife and gave the name to the composition. She stood by Coltrane during a difficult period as he worked to overcome his heroin and alcohol addiction. The composition’s recurring harmonic structure gives it a hypnotic quality, allowing subtle variations in melody and expression. "Naima" remains one of Coltrane’s most beautiful and enduring compositions.


Eugénio de Andrade (1923-2005) - Uma pátria tem algum sentido, 1992




Uma pátria tem algum sentido

quando é a boca

que nos beija a falar dela,

a trazer nas suas sílabas

o trigo, as cigarras,

a vibração

da alma ou do corpo ou do ar

ou a luz que irrompe pela casa

com as frésias

e torna, amigo, o coração tão leve.


    in, Rente ao Dizer


      O poema tem sempre de nos convencer primeiro, para gostarmos dele e o incorporarmos no nosso entendimento. Ainda que as palavras não nos sejam próximas. Pode até acontecer que desconheçamos o significado de uma ou outra palavra e que os possíveis sinónimos nos levem a dispersos e inconclusivos caminhos e motivos. Um esforço que teremos de fazer pela compreensão do todo, de forma a que o sentido ganhe uma dimensão pacífica de leitura pessoal ou subjetiva.


Anitxa Root & Adufeiras em Flor - Força dos Elementos



Tão bonito Ana Rute!


Eu sei que eu posso perder

A memória desta canção

Mas um dia eu hei-de trazê-la

De volta ao meu coração.


Lai lai la rai...


Oh, a força do vento que me leva

Oh, a força da água que me lava

Oh, a força da terra que me quebra

Oh, a força do fogo que me mata.


Lai lai la rai...


Oh, a força do vento que me leva

Oh, a força da água que me lava

Oh, a força da terra que me cura

Oh, a força do fogo que me acorda.


      A simbologia dos quatro elementos - Fogo, Terra, Ar e Água - representa as forças fundamentais da natureza e da psique humana, tendo raízes na filosofia grega antiga. Aqui, no melhor da música portuguesa.


Eva Milkonskaya



      Eva Milkonskaya is a contemporary artist whose work explores themes of femininity, identity, nature, and human emotion. Her artistic practice is associated with expressive, dreamlike imagery, often combining figurative elements with atmospheric settings and symbolic details. Through delicate compositions and carefully controlled colour, she creates scenes that can feel both intimate and mysterious.


Roberto Juarroz (1925-1995) - La muerte nos roza a veces los cabellos

 


A morte, às vezes, toca-nos os cabelos,

até nos despenteia

mas não entra.

 

É  um grande pensamento que a faz parar?

Ou talvez sejamos nós que pensamos

algo maior do que o próprio pensamento?


  in, Poesía Vertical.


  Original:


La muerte nos roza a veces los cabellos, 

nos despeina 

y no entra.


¿La detendrá quizás algún gran pensamiento? 

¿O acaso pensamos algo mayor

que el pensamiento mismo?


      A presença tangível da morte: o poeta argentino aborda a finitude não como um evento distante, mas como uma proximidade subtil e quase quotidiana que roça o corpo "toca-nos os cabelos". A morte aproxima-se, desarruma, ameaça, mas detém-se antes de se concretizar "mas não entra". O poeta interroga-se sobre o que suspende o fim - se uma força cognitiva superior ou a centelha de humanidade capaz de conceber o infinito.


The More You Learn, The More You See



      The lady in this video wrote for us "In this video, I explore how attention and learning changes how we experience the world. From foraging for mushrooms and reading animal tracks to birdsong and forest ecology, learning doesn't just give us more information - it changes what we're capable of perceiving.

      This is an essay about attention, curiosity, learning, and reconnecting with the natural world. The more we learn, the more meaning we notice in the ordinary things around us."


Nikolay Petrovich Bogdanov - Belsky (1868-1945)








      Nikolay Petrovich Bogdanov-Belsky was a prominent Russian realist and impressionistic painter best known for his heartfelt depictions of peasant life and rural children's education. This is what AI can't do, human beauty.


Carlos Drummond de Andrade - Hipótese

 


E se Deus é canhoto

e criou com a mão esquerda?

Isso explica, talvez, as coisas deste mundo.


in, Corpo, 1984


      O poema explora, com ironia e simplicidade, as possibilidades alternativas da existência. O poema imagina outros caminhos para a vida, sugerindo que o destino poderia ter sido diferente. Entre o desejo e a aceitação, o sujeito poético confronta-se com escolhas, acasos e limitações humanas.


Mariana Root - Canção da Erva



Vem, meu bem, cavar a terra

Vem, meu bem, mondar a erva

Vem saudar-te aqui a serra

Onde a flora vive em festa.


Erva mansa, erva agreste

Açafrão, erva bastarda

Rosmaninho, alfazema

A borragem da coragem.


Erva bruxa, erva santa

Erva doce, erva amarga

Erva príncipe ao meu lado

Olho branco aqui plantado.


Minha calêndula ligeira

Abundante erva vaqueira

Cheira Algarve, cheira estêva

Arruda, a curandeira.


A silvestre é sagrada

Protetora perfumada

Afasta o mau-olhar

No telhado pendurada.


Erva férrea, erva de ouro

Alecrim, erva-cidreira

Rica sálvia defumada

Espontânea erva de ovelha.


Mel-solstiço e pericão

Rasteja amor-hortelão

Bem-me-quer e bem-me quis

Bem-me-quer e bem-me diz


Vem meu bem cavar a terra

Vem meu bem mondar a erva

Vem saudar-te aqui a serra

Onde a flora vive em festa.


      Diz Mariana Root "Este canto é para vós, plantas do dia-a-dia, que aqui bem postas nos dão vida ao lar e à travessia: que nos afagam as mágoas, nos purificam, nos fortificam, nos encorajam, nos despertam e nos suavizam."


Paul Hermann Wagner (German, 1852–1937) - Sweet Music



      The German painting presents a charming inocent scene filled with childish intimacy. Look at their eyes! A boy appears absorbed in playing his flute, creating an atmosphere of quiet pleasure and poetry, close to nature and his sister or sweet-heart.  


José Miguel Silva - Parte poética

 


Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.

Eu, por exemplo, nem cinco minutos por dia,

pois levanto-me tarde e primeiro há que lavar

os dentes, suportar os incisivos

à face do espelho, pentear a cabeça e depois,

a poeira que caminha, o massacre dos culpados,

assistir de olhos frios à refrega dos centauros.

Chegar por fim a casa para a prosa

de uma carne à jardineira, o estrondo

das notícias, a louça por quebrar. Concluindo,

só por volta das duas da manhã começo a despir

o fato de macaco, a deixar as imagens correr,

simulacro do desastre.

Mas entretanto já é hora de dormir.

Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.


      O poema explora, com ironia e contenção, a relação entre poesia e o "terrorismo" do dia-a-dia. O poema questiona a utilidade da escrita poética, confrontando o ideal literário com a experiência quotidiana e as suas limitações. O tom desencantado, mas subtilmente humorístico, transforma a reflexão numa espécie de autocrítica.


Tom Ribeira - Vovó, vovô



Ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó

talvez antes de enlaçar o nó do amor de bisavó com bisavô.

Meu irmão irmã (meu irmão irmã) conheci vocês lá atrás talvez

nessa vida o meu talismã ninguém realmente está a sós.


Água do rio e do poço é a mesma

do brilho do orvalho e da beleza

de moça de moço de nós.


Ó meu pai minha mãe, ó minha mãe meu pai

ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó

talvez antes de enlaçar o nó do amor

de bisavó com bisavô.


Meu irmão irmã(meu irmão) água do rio e do poço é a mesma

do brilho do orvalho e da beleza de moça de moço de nós.

Ó meu pai minha mãe(ó meu pai minha mãe )

ó minha mãe meu pai(ó meu pai)

ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovó vovô.


      Natural de Botucatu, interior de São Paulo, Tom Ribeira é uma das mais novas promessas da música brasileira. O jovem cantor já se apresentou em teatros históricos de Paris, como La Cigale e Elysée Montmartre. Tom passou, também, por diversos estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Paraíba.

        A partir do rádio do seu avô ouvia sertanejos, boleros e muito samba raiz, passando pelos seus pais, que ouviam e cantavam muito da antiga MPB, Ribeira adquiriu um vasto vocabulário musical, que utiliza para compor sua próprias canções hoje em dia.


Claude Monet - Le Parterre aux agapanthes, 1914-1917



      Claude Monet’s Le Parterre aux agapanthes, painted between 1914 and 1917, presents a luxuriant garden transformed by colour and light. Broad patches of blue agapanthus emerge among dense vegetation, while water and foliage merge into a shimmering, almost dreamlike surface. Monet abandons precise outlines, allowing brushstrokes to suggest flowers, leaves, reflections and atmosphere. The composition reflects his late fascination with his Giverny garden, where observation became increasingly abstract. Rich blues, greens and violets create a vibrant, immersive vision of nature.


José Miguel Silva - A caminho do fogão

 


Adoro essa paixão absurda que tens por Hitchcock,

o ar despenteado com que chegas a casa e me dizes:

outra vez sopa de nabos; adoro a impaciência com

que me arrancas aos diálogos com o nada, quando

me contas os teus feitos na república do frio; adoro

a tua insónia, os teus escrúpulos morais, a tua esponja

de banho, o teu espírito lavado por agudos desenganos;

outrossim acompanhar-te nas perguntas sublinhadas

pelo tempo, e o teu corpo possuído pela mágica

da música amorosa, quando dança seminu à minha

frente e eu só penso: que bem feito está o mundo.


      O poema explora o quotidiano através de uma linguagem aparentemente simples, mas carregada de ironia e reflexão. O gesto doméstico sugerido pelo título ganha uma dimensão simbólica, revelando como os atos banais podem expor tensões, hábitos e contradições da existência. O poeta observa o mundo com lucidez crítica, recusando idealizações e valorizando o detalhe concreto. A contenção verbal, aliada ao humor subtil, transforma uma situação comum numa oportunidade de questionar comportamentos e relações humanas.


Milton Nascimento e Chico Buarque - O que será



O que será que me dá

Que me bole por dentro, será que me dá

Que brota à flor da pele, será que me dá

E que me sobe às faces e me faz corar

E que me salta aos olhos a me atraiçoar

E que me aperta o peito e me faz confessar

O que não tem mais jeito de dissimular

E que nem é direito ninguém recusar

E que me faz mendigo, me faz suplicar

O que não tem medida, nem nunca terá

O que não tem remédio, nem nunca terá

O que não tem receita.


O que será que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia

Que nem dez mandamentos vão conciliar

Nem todos os unguentos vão aliviar

Nem todos os quebrantos, toda alquimia

E nem todos os santos, será que será

O que não tem descanso, nem nunca terá

O que não tem cansaço, nem nunca terá

O que não tem limite.


O que será que me dá

Que me queima por dentro, será que me dá

Que me perturba o sono, será que me dá

Que todos os tremores me vêm agitar

Que todos os ardores me vêm atiçar

Que todos os suores me vêm encharcar

Que todos os meus nervos estão a rogar

Que todos os meus órgãos estão a clamar

E uma aflição medonha me faz implorar

O que não tem vergonha, nem nunca terá

O que não tem governo, nem nunca terá

O que não tem juízo.


      "O Que Será?" é uma das composições mais emblemáticas de Chico Buarque, criada em 1976 para a banda sonora do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos. Marcada pela sua forte carga metafórica e poesia intensa, a canção tornou-se um hino de resistência implícita contra a ditadura militar brasileira e uma profunda reflexão sobre o desejo, a aflição e o mistério da natureza humana."Se Deus cantasse, ele teria a voz de Milton Nascimento" é uma frase dita por Elis Regina.


Hubert Kaplan - In the Village



      The painting presents a charming rural scene filled with warmth and everyday activity. The painting depicts villagers gathered along a quiet country street, surrounded by traditional buildings and lush vegetation. Kaplan’s detailed realism captures the textures of stone, wood, clothing, and foliage with remarkable precision. The harmonious colours and carefully observed details evoke nostalgia for a simpler, close-knit village life


Alejandra Pizarnik - Os trabalhos e as noites

 


para reconhecer na sede o meu emblema

para significar o único sonho

para não me sustentar nunca outra vez no amor


fui toda oferenda

um puro errar

de loba no bosque

na noite dos corpos


para dizer a palavra inocente


      O poema apresenta a poesia como uma procura incessante pela palavra essencial, capaz de traduzir a experiência interior. A noite surge como espaço de introspeção, desejo e descoberta, onde a poeta vagueia entre o amor, a solidão e a procura de identidade. A imagem da «loba» sugere liberdade, instinto e errância. A linguagem, breve e depurada, cria uma atmosfera simultaneamente misteriosa e melancólica. Assim, escrever torna-se uma tentativa de alcançar uma palavra «inocente», pura e verdadeira.


Bea Almar, Pilar Almalé, IXEYA, Irene Mezcal, Ester Vallejo - Todo Cambia



Cambia lo superficial, cambia también lo profundo

Cambia el modo de pensar, cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años, cambia el pastor su rebaño

Y así como todo cambia que yo cambie no es extraño.

 

Cambia el más fino brillante de mano en mano su brillo

Cambia el nido el pajarillo, cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante aunque esto le cause daño

Y así como todo cambia que yo cambie no extraño.

 

Cambia, todo cambia, cambia, todo cambia,

Cambia, todo cambia, cambia, todo cambia.

 

Cambia el sol en su carrera cuando la noche subsiste

Cambia la planta y se viste de verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera, cambia el cabello el anciano

Y así como todo cambia que yo cambie no es extraño.

 

Pero no cambia mi amor por más lejos que me encuentre

Ni el recuerdo ni el dolor de mi pueblo y de mi gente

Y lo que cambió ayer tendrá que cambiar mañana

Así como cambio yo en estas tierras lejanas.

 

Pero no cambia tu amor (cambia, todo cambia)

Por más lejos que te encuentres

Ni el recuerdo, ni el dolor (cambia, todo cambia)

De tu pueblo y de tu gente

Y lo que cambió ayer (cambia, todo cambia)

Tendrá que cambiar mañana

Y así como cambio yo (cambia, todo cambia)

En tu tierra tan amada.


      «Todo cambia» es una canción compuesta por el cantautor chileno Julio Numhauser, en Suecia en 1982, durante su exilio. La canción fue grabada posteriormente como cover por Mercedes Sosa en 1984, versión con la cual se popularizó la pieza. Julio Numhauser fue uno de los fundadores de la agrupación de canto nuevo Quilapayún. En 1973, tras el golpe militar de Augusto Pinochet a Salvador Allende y el comienzo de la dictadura pinochetista, Numhauser se exilia en Europa, estableciéndose en Suecia en 1975. En 1982 compuso y grabó «Todo cambia», junto al grupo Somos, dentro de un disco que no se lanzó al mercado oficialmente, pero que circuló en Chile de manera informal.

        in, Wikipedia


Henry Woods - Fruit Sellers from The Islands, Venice, 1903



      The painting presents a lively Venetian scene centred on local fruit vendors beside the city’s waterways. The figures, dressed in traditional clothing, convey the colourful character of everyday life and commerce. Baskets overflowing with fruit introduce vibrant accents, contrasting with the muted architectural and waterside surroundings. The painting celebrates Venice not through grand monuments, but through its people, markets, boats, and ordinary moments of Mediterranean life.


Escolhas

 


Ódio tem 4 letras, amor também;

Mal tem 3 letras, bem também;

Mentira tem 7 letras, verdade também;

Tudo tem 4 letras, nada também;


Forte tem 5 letras, fraco também;

Chorar tem 6 letras, sorrir também;

Vazio tem 5 letras, cheio também;

Doentio tem 7 letras, saudável também;


Negatividade tem 12 letras, positidade também;

Maldade tem 7 letras, bondade também;

Corajoso tem 8 letras, temeroso também.

A vida tem dois lados, escolha o melhor.


      As nossas escolhas diárias moldam o nosso destino, definindo o rumo entre a realização pessoal e as consequências que acumulamos ao longo do tempo.


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