Claude Germain Paget - Les petits délinquants



      It’s a pity not having the possibility of obtaining a better copy on the web. I was there ‘cause we all were there.


Soledad, Cazzu, Flor Cazzuchelli, Nati Pastorutti - Alma de Rezabaile (Casa Sole)



El baile ya ha comenzado

Allá por Santiago del Estero

Retumba toda la selva

El repicar de un bombo legüero.


De fiesta toda la noche

El dulce brillo de las estrellas

Bailaba la Telesita

Que era la danza, que era la reina.


Nochecitas santiagueñas

Ardientes, puras noches de plata

La luna sobre del monte

En luz brillante se desparrama.


Que baile la Telesita

Dulce y fragante como las flores

Gritaba la paisanada

Emborrachada de amores.


Que busca la pobrecita

Tal vez la danza le de un consuelo

Tu pollera remolino

Tus pies descalzos, trompo de fuego.


Telesita, Telesita

Te has vuelto lluvia, te has vuelto luna,

Te has vuelto flor de los campos

Te has vuelto brisa que me perfuma.


Han pasado muchos años

Pero tu pueblo nunca te olvida

Bailando en los rezabailes

Para que tu alma siga encendida.


      La historia de la Telesita, una famosa leyenda del folclore Argentino.


Emile Claus (Belgian painter, 1849-1924) - Hay stacks, 1905



      The painting captures the luminous beauty of the Belgian countryside through a vibrant, impressionistic vision. Golden haystacks dominate the landscape, glowing beneath warm sunlight and surrounded by soft green fields. Claus uses loose brushstrokes and shimmering colours to convey the changing effects of natural light. The scene feels peaceful and harmonious, celebrating rural life without idealising it excessively. The bright atmosphere, open composition, and delicate contrasts between yellow, green, and blue create a joyful sense of summer abundance.


Golgona Anghel - Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas

 


Floribunda, minha querida, vim desligar-te das máquinas.

Tens aqui duas bolachas e um sumo para o caminho.

Não havia de pêra como tu querias,

se bem que lá em cima (ou em baixo, conforme)

pouco importa.

Ouvi dizer que sobre a alma tens um calhau e

sobre o calhau um balde de tinta

que te pinta de pobre e te julga inútil.

Sempre foste um mau negócio.

Permaneces igual.

Estragaste o autoclismo cá do sítio

como estragavas os meus dias de folga.

Mas nada te toca.

Moldas em vão estas cruzes de espera.

Na apatia dos crepúsculos,

o Inverno inventa a tua última palavra.

Escuta.

É por ti que os grilos cantam

e a noite se prepara para regressar

no interior das gavetas.


      O poema de Golgona Anghel, confronta o leitor com uma relação marcada pela fragilidade, pela doença e pela proximidade da perda. A expressão «desligar-te das máquinas» adquire um forte valor simbólico, sugerindo simultaneamente despedida, compaixão e libertação. O tratamento íntimo de «minha querida» contrasta com a dimensão técnica das «máquinas», revelando a tensão entre humanidade, sofrimento e inevitabilidade.


Rumo aos Prados Vivos (A.I.)



      "As poças d'água espelham o movimento lento das nuvens passageiras, enquanto narcisos selvagens balançam à beira do caminho. Um cervo repousa no trevo alto, a luz do sol filtra-se suavemente pelas folhas novas, e a chuva mansa deixa caminhos cintilantes sob flores cor-de-rosa e campos dourados. Nas horas calmas, alguém caminha sob um guarda-chuva, enquanto outro folheia lentamente um livro em um banco de madeira entre as flores, à medida que o crepúsculo se suaviza em tons de laranja e violeta.

      Que essas cenas e cores serenas tragam uma pausa suave ao seu dia e lhe ofereçam um momento de descanso e paz."

        in, YouTube video notes


Arthur Hacker - The Sea-Maiden, 1897



      The painting presents a mysterious female figure associated with the sea, blending beauty, fantasy, and melancholy. The maiden appears immersed in an atmospheric marine setting, where soft light and subdued colours create an otherworldly mood. The painting reflects the Victorian fascination with mythology and supernatural themes, transforming the sea into a symbolic realm of enchantment, mystery, and emotional longing.


Golgona Anghel - Devia escrever coisas mais divertidas"



Devia escrever coisas mais divertidas,

entreter as massas.

Evitar, ao menos, cenas tristes,

mudar de roupa uma vez por mês.

Podia, decerto, afastar-me, sair do corpo,

dos seus humores.

Entrar na biopolítica, usar os seus métodos.

Engravidar uma ideia alegre.

Enfim, nada contra os suicidas de carreira

e os demais performers do além.

Não é que não me apeteça largar-te

num elétrico sem travões.

Deixar-te num país estrangeiro,

sem dinheiro e sem memória.

Não se iludam, ainda sei baixar as calças.

Fazer o truque.

Mas se o meu psiquiatra ler isto,

vai achar que o tratamento

já não funciona.


      O poema utiliza o humor negro, o sarcasmo e o tom confessional para ironizar as exigências do mercado literário e da sociedade contemporânea (marcada pelo imperativo da positividade, do bem-estar obrigatório e da biopolítica). O Eu Lírico confronta a expectativa de que a poesia deve entreter e ser "alegre" ou leve, contrapondo-a à realidade crua dos afetos, dos humores do corpo e do descontentamento existencial.


Ballhaus : Dance me to the end of love - Tanz mit mir bevor du gehst



Vielen Dank, wunderschön. Oh, Leonard! 


Henri Lebasque - La Sieste à Saint-Tropez, 1906



      It captures a tranquil Mediterranean afternoon through soft, luminous colours and relaxed forms. The painting evokes the warmth and leisure of Saint-Tropez, with figures resting peacefully within a sunlit outdoor setting. Influenced by Impressionism and Post-Impressionism, he transforms an ordinary moment of rest into a poetic celebration of summer, nature and the quiet pleasures of everyday life.


Golgona Anghel - Não gosto de contar



Não gosto de contar os desastres em detalhe

mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.


Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,

condecorar o medo,

cortar-me a mão com que limpo as feridas

de uma civilização em queda.


Posso perfeitamente

ir afiando o gume da esperança

com a flor branca de um cancro.


Sou, em definitivo, este comediante de rua

que serve a desconhecidos,

em copos pequenos,

a medida certa da sua agonia.

Descobre sonhos

onde outros só encontram coelhos.

Hoje, por exemplo, quando tirou as luvas,

viu que lhe faltavam os dedos.


      O poema explora a dificuldade de transformar a experiência em narrativa. O poema revela uma voz poética desconfiada da linguagem, como se contar significasse simplificar ou trair aquilo que foi vivido. Entre a memória, o silêncio e a fragmentação, constrói-se uma reflexão sobre os limites da palavra.


Eugénio de Andrade - O poema ensina a cair



Em cada fruto a morte amadurece,

deixando inteira, por legado,

uma semente virgem que estremece

logo que o vento a tenha desnudado.


Isaac et Nora - No soy de aquí, ni soy de allá (Facundo Cabral)



Me gusta el sol y la mujer cuando llora

Las golondrinas y las malas señoras

Saltar balcones y abrir las ventanas

Y las muchachas en abril.


Me gusta el vino tanto como las flores

Y los amantes, pero no los señores

Me encanta ser amigo de los ladrones

Y las canciones en francês.


No soy de aquí, ni soy de allí

No tengo edad, ni porvenir

Y ser feliz es mi color

De identidade.


No soy de aquí, ni soy de allí?

No tengo edad, ni porvenir

Y ser feliz es mi color

De identidade.


Me gusta estar tirado siempre en la arena

Y en bicicleta perseguir a Manuela

Y todo el tiempo para ver las estrellas

Con la Marña en el trigal.


No soy de aquí, ni soy de allí

No tengo edad, ni porvenir

Y ser feliz es mi color

De identidade.


No soy de aquí, ni soy de allí

No tengo edad, ni porvenir

Y ser feliz es mi color

De identidade.


      Isaac y  Nora, mil gracias por dar tanta alegría al mundo.



Alejandra Pizarnik - Amantes

 


uma flor

não longe da noite

o meu corpo mudo

se abre

à delicada urgência do orvalho


  Tradução de A.M.


  Original:


una flor

no lejos de la noche

mi cuerpo mudo

se abre

a la delicada urgencia del rocío


      O poema explora o amor como experiência de desejo, intimidade e inquietação. O poema apresenta os amantes num espaço simultaneamente próximo e inacessível, onde a união física não elimina a solidão interior. A linguagem, marcada pela brevidade e pela intensidade emocional, sugere uma relação vivida entre o sonho e a realidade. 


Herbert James Draper - The Sea Maiden, 1894



      The painting shows a romantic, mythological vision of a mysterious woman emerging from the sea. Her flowing hair and pale, luminous figure contrast with the deep blue-green waves surrounding her. The restless water suggests both danger and allure, while the maiden’s serene expression evokes the timeless fascination of classical mythology. The painting exemplifies the Victorian era’s interest in poetic, sensual and imaginative subjects.


Guillaume de Machaut - Je vivroie liement by Ensemble Parlamento

 


Je vivroie liement

Douce creature

Se vous savies vraiement

Qu'en vous fust parfaitement ma cure.


Dame de meintieng joli

Plaisant, nette et pure

Souvent me fait dire: Aimi!

Li maus que j'endure

Pour vous servir loyauement

Et soies seure

Que je ne puis nullement

Vivre einssi, se longuement me dure.


Car vous m'estes sans mercy

Et sans pite dure

Et s'aves le cuer de mi

Mis en tel ardure

Qu'il morra certeinnement

De mort trop obscure

Se pour son aligement

Merci n'est procheinnement meure.


    Beautiful and nice music and performance.


Franz Russ the Elder (1817–1892) was an Austrian painter



What does the painting reveal? An image of herself or herself?



Alejandra Pizarnik - Carência / La Carencia

 



Eu não sei de pássaros,

nem conheço a história do fogo.

Mas creio que devia ter asas a minha solidão.


Desfolha-se este lilás.

De si mesmo cai

e oculta sua antiga sombra.

Eu hei-de morrer de coisas assim.


  Tradução de A.M.


  Original:


Yo no sé de pájaros,

no conozco la historia del fuego.

Pero creo que mi soledad debería tener alas.

 

Esta lila se deshoja.

Desde sí misma cae

y oculta su antigua sombra.

He de morir de cosas así.


      O poema explora a experiência íntima da ausência, transformando a falta numa condição existencial. O poema revela uma voz poética marcada pela solidão, pelo desejo e pela impossibilidade de alcançar plenamente aquilo que procura. A linguagem, breve e concentrada, cria uma atmosfera de fragilidade e inquietação, numa experiência profundamente humana e perturbadora.


Pizzicar Galante - Giovanni Battista Gervasio - Sonata // Per Mandolino solo e Basso (Allegro)

 


The players are:

Anna Schivazappa, mandolin

Ronald Martin Alonso, viola da gamba

Daniel De Morais, theorbo, archlute and baroque guitar

Maria Christina Cleary, harp

Anna Fontana, harpsichord


       Absolutely beautiful. Music like this offers hope for a happy and peaceful world. Make this, not war.


Matsuyama Miyabi - Suffocation



      Its title intensifies the impression of emotional pressure, suggesting anxiety, isolation and the struggle to breathe freely, both physically and metaphorically. The fingers are the ones of the wedding rings. Does it deal with conjugality? 


Alejandra Pizarnik - Cold in hand blues



e vais dizer o quê

vou dizer só alguma coisa

e o que é que vais fazer

vou esconder-me nas palavras

e porquê

porque tenho medo


  Tradução de A.M.


  Original:


y qué es lo que vas a decir

voy a decir solamente algo

y qué es lo que vas a hacer

voy a ocultarme en el lenguaje

y por qué

tengo miedo


      O poema explora a solidão, a fragilidade e a dificuldade de comunicar uma experiência interior marcada pela angústia. O título, associado ao blues, sugere uma atmosfera de tristeza, desencanto e vulnerabilidade. A expressão «cold in hand» transmite uma sensação de vazio e ausência, como se algo essencial tivesse escapado. O poema revela, assim, uma consciência inquieta perante a passagem do tempo e a impossibilidade de alcançar plenitude.


Jehan Georges Vibert (1840 - 1902) - Le Parasol Perdu



      It is a charming painting marked by the artist’s characteristic wit and refined theatricality. The scene presents a humorous everyday incident, transforming a small mishap into an elegant visual anecdote. Beneath its playful surface, the painting reveals Vibert’s talent for capturing social behaviour, irony and the comic side of ordinary life.


Morreste-nos


Morreste-me.


Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor Doutor
Ai de mim, não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior.

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos, toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar.

Andava eu sozinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou a mão um minuto sequer.

Se queres ver o mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar p'ra fora sem esquecer que dentro é que é o teu lugar
E se ás duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance e tens de o encontrar.


      "A gente já não sabe o que há-de fazer com a lua, gerou-se um curto-circuito no canal telepático e a caverna clandestina por detrás da cascata, onde os amantes se entregavam à eternidade, hoje não passa d'um moderno armazém de sucata." Como pudeste escrever estes versos, assim!? Até amanhã!


Guilherme de Oliveira - Simplesmente feliz

 


Sem

artes e sem letras

ambições materiais

um projecto de vida

agruras na pele

dramas existenciais

discriminação à vista

vizinhos incómodos

cheias torrenciais

carências no bolso

um frio na barriga.


Feliz

como as folhas de uma couve.


   in, Não deixaram entrar o cão, 2025


      O poema valoriza a felicidade em contraste com a tragédia existencial. A couve irá, um dia, ser cortada. Através de uma linguagem simples, o sujeito poético parece encontrar alegria nas pequenas coisas, nos momentos quotidianos e na capacidade de apreciar o presente. A expressão do título resume uma atitude perante a vida: ser feliz sem procurar justificações grandiosas.


Aron Wiesenfeld - Transfer, 2026

 


      "A woman and a young girl stand in the grass, illuminated by a bright, sharp beam of light that appears to come from the left (as if they are standing in the headlights of a stationary car). This creates a cinematic tension. Their expressions are serene yet averted, evoking a sense of anticipation or uncertainty.

       Beside them stands a black dog, gazing alertly into the distance. In art, a dog often symbolizes loyalty or protection, but here, its dark silhouette also contributes to the enigmatic and somewhat ominous nature of the scene.

      The landscape is shrouded in deep blue twilight or mist. On the horizon, an industrial facility or factory is visible, complete with lights and a smokestack.

      This contrast between the vulnerable human figures near the tree and the distant, cold industry highlights themes of isolation and the transition between nature and urbanization. The title The title suggests a moment of transition or passage. The bags they are carrying and their position by the roadside indicate that they are on a journey, waiting for a moment of departure or change. Wiesenfeld deliberately avoids presenting a definitive narrative, thereby inviting the viewer to fill in the details and the emotional resonance of this "silent film scene" for themselves." 

                   in, Facebook


dir. Ryutaro Nakagawa - Summer Blooms, 2017





        Kasumi, a calligraphy teacher and aspiring writer, has been grieving the loss of her fiancé for three years. Unable to move forward, she finds her routine disrupted by the arrival of a package containing a box of chocolates and a cryptic note. Her journey through grief becomes a search for meaning in the everyday, exploring how the past shapes – and sometimes hinders – the present.


José Jiménez Lozano - Homero

 


Se aí viesse Homero

ao teu jardim, o que farias tu?

Onde é que guardas o mel, as tâmaras,

o leite, um pedaço de porco?

Achas que ele te falaria das Plêiades,

ou que poderias dar-lhe os teus poemas a ler?

Oh, pai Homero, senta-te e escuta!

Diz-me se Ulisses, se Penélope,

se a lua vermelha de Setembro,

se o vento ou orvalho, se as vides

ou a espuma do mar,

se a rima ou a lua, se a morte

estão bem postas em meus versos,

apenas isso.


Tradução de A.M.


Original:


Si ahora llegase Homero

a tu jardín ¿qué harías?

¿Dónde guardas los dátiles, la miel,

la leche o un trozo de puerco?

¿Crees que hablaría contigo de las Pléyades

y podrías darle a leer tus poemas?

¡Oh, padre Homero, siéntate y escucha!

Dime si Ulyses, si Penélope, si la luna roja

de setiembre, si la escarcha o el viento

cierzo, si las vides o la marina espuma,

si la rima o la luna, si la muerte

están bien situadas en mis versos,

sólo esto.  


      O poema convoca a figura do poeta grego como símbolo da memória, da tradição e da permanência da palavra. Homero representa a capacidade de transformar experiências humanas em narrativa, preservando histórias, emoções e valores através dos séculos. A sua presença sugere uma reflexão sobre a origem da poesia e o poder da linguagem para vencer o esquecimento. 


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