Graham Nash - Our House



      In October 2013, in an interview with Terry Gross on NPR’s Fresh Air, Nash elaborated:

      "Well, it’s an ordinary moment. What happened is that Joni [Mitchell] and I – I don’t know whether you know anything about Los Angeles, but on Ventura Boulevard in the Valley, there’s a very famous deli called Art’s Deli. And we’d been to breakfast there. We’re going to get into Joan’s car, and we pass an antique store. And we’re looking in the window, and she saw a very beautiful vase that she wanted to buy … I persuaded her to buy this vase. It wasn’t very expensive, and we took it home. It was a very grey, kind of sleety, drizzly L.A. morning. And we got to the house in Laurel Canyon, and I said – got through the front door and I said, you know what? I’ll light a fire. Why don’t you put some flowers in that vase that you just bought? Well, she was in the garden getting flowers. That meant she was not at her piano, but I was … And an hour later ‘Our House’ was born, out of an incredibly ordinary moment that many, many people have experienced."


I'll light the fire

You place the flowers in the vase

That you bought today


Staring at the fire

For hours and hours while I listen to you

Play your love songs all night long

For me, only for me


Come to me now

And rest your head for just five minutes

Everything is done


Such a cozy room

The windows are illuminated by the evening

Sunshine through them, fiery gems

For you, only for you


Our house is a very, very, very fine house

With two cats in the yard

Life used to be so hard

Now everything is easy cause of you

And our...


[Interlude]

La-la, la-la-la la la...


Our house is a very, very, very fine house (fine house)

With two cats in the yard

Life used to be so hard

Now everything is easy cause of you

And our...


I'll light the fire

While you place the flowers in the vase

That you bought today.


Ludwig Knaus - Thorns and Roses



      A pintura explora o contraste simbólico entre velhice e beleza jovem por meio de uma cena intimista e emocionalmente contida. A delicadeza das rosas opõe-se aos espinhos, sugerindo a dualidade da experiência humana: prazer, dor, inocência e desilusão. A composição equilibrada e a iluminação suave intensificam o clima contemplativo, convidando o observador à reflexão moral e emocional, e sugere silêncio, empatia, tempo e fragilidade interior.


James Tate - Quando os nómadas chegam descendo o monte



Quando os nómadas chegam descendo o monte

nos camelos de palha

o anjo da alegria rasteja pelo imenso corredor

e os vegetais frescos na carroça abandonada

desabrocham em chamas azuis

velhos junto à fonte erguem-se

e dizem-se adeus

o brilho do sol é enxaguado na tinta mais negra

cobras dormem deitadas de costas

à volta do relógio de sol dourado

a noite enorme esconde-se nas pupilas do contador de histórias

e o vento é dividido

por uma agulha bem colocada

quando os nómadas chegam descendo o monte

com a sua linguagem invisível.


  Original:


  When The Nomads Come Over the Hill

 

When the nomads come over the hill

on the wheatstraw camels

the angel of joy crawls down a long hallway

and the green vegetables in the abandoned cart

pour into blue flames

old men by the fountain rise

and bid one another adieu

the bright sun is rinsed in blackest ink

snakes sleep on their backs

around the golden sundial

giant night hides in the storyteller’s pupils

and the wind is divided

by a well-placed needle

when the nomads come over the hill

with their invisible language.


      The poem presents an ordinary domestic scene disrupted by the surreal arrival of nomads, blending humour with quiet dread. The nomads function as a metaphor for uncontrollable forces—death, time, strangers, or change—that invade personal life without warning. Tate’s plain, conversational tone contrasts with the absurd situation, heightening unease. The speaker’s compliance and politeness reveal human vulnerability and social conditioning, suggesting how people accommodate intrusion rather than resist it, exposing the fragility beneath everyday normalcy and modern emotional defences.


Le duo Casa Lontana - Bella Ci Dormi



      Le duo Casa Lontana vous présente sa version de Bella Ci Dormi, chanson traditionnelle du Salento (Pouilles, Italie du Sud).


Bella ci dormi sui cuscini

Ea ieu qua fore, ea ieu qua fore

Bella ci dormi sui cuscini

Ea ieu qua fore, minu suspiri.


Minu suspiri fino a murire

Alzate bella e famme trasire

Minu suspiri e fino a murire

Alzate bella e famme trasire.


Bella ci dormi sulla mammace

Ea ieu qua fore, ca ieu qua fore

Bella ci dormi sulla mammace

Ca ieu qua fore nu me do pace


Nu me do pace fino a murire

Alzate bella e famme trasire

Nu me do pace fino a murire

Alzate bella e famme trasire


Bella ci dormi retu a ste mura

Ea ieu qua fore, ca ieu qua fore

Bella ci dormi retu a ste mura

Ca ieu qua fore mo senza paura.


Senza paura fino a murire

Alzate bella e famme trasire

Senza paura fino a murire

Alzate bella e famme trasire.


      'Bella ci dormi' was traditionally sung by musicians under the balconies of women who were being proposed to, but the tradition of the serenade and the custom of paying a musician to sing as a gesture of love has all but disappeared. Even if the concept of the serenade could do with a little C21st tweaking, I can’t help thinking that making a mixtape or a digital playlist for someone doesn’t have quite the same romantic quality as being sung to under a balcony in the light of the full moon, but I may be wrong!


Ludovic Alleaume - In the countryside, 1910



      It presents a quiet rural scene bathed in soft, diffused light. Two women lay calmly through an open springtime landscape. One reads, the other listens to. The colour and restrained detail emphasize mood over precision, suggesting warmth and everyday rural labour.


António de Almeida Mattos - Do sol se chega




Do sol se chega

ao nada


tão vibrante a luz

que se estilhaça


e fere e por momentos

quedam os olhos cegos,

vazio o pensamento.


É como foi o ver-te.


  A tela é de Marie Bracquemond.


The Beatles - George Martin Breaks Down at the Airport

 

He's crying just.....Because.



Myles Birket Foster - Harvest Time



      This painting describes the rural England at gentle dusk, where farm workers gather golden sheaves across a softly rolling field. Warm autumn light washes the scene, turning straw, earth, and sky into mellow harmonies of gold and brown. The painter focuses on everyday labour rather than drama: figures pause, bend, and converse naturally, embedded in the landscape. Distant cottages and trees anchor the composition, suggesting community and continuity.


Eduardo Chirinos



Uma formiga carrega com esforço

uma folha.

           A folha é enorme

e multiplica o seu tamanho. Trata-se

de um dever inevitável, de uma

obediência atávica.

                    Atrás dela

formigas idênticas carregam folhas

idênticas. Amanhã repetirão o ritual,

a sua razão de ser que ignoro.


Em breve cumprirei cinquenta anos.

Penso na formiga.

Na sua dança cega até à morte.


Objet Trouvé - Cirque



      Projet de Fleur Perneel et Noémie Deumié. "Objet Trouvé - Cirque" est une vidéo de performance artistique de Fleur Perneel, publiée sur YouTube il y a 5 ans, cumulant plus de 2,2 millions de vues. Cette œuvre, mettant en scène des éléments circassiens, s'inscrit dans une série "Objet Trouvé" explorant la manipulation d'objets, souvent en collaboration avec Mickael Kochalski.

                 in, YouTube


      Circense é um adjetivo que significa algo relativo, pertencente ou próprio do circo e das suas atividades. Derivado do latim circensis, o termo também pode ser usado figurativamente para descrever algo extravagante ou espalhafatoso. É o caso. O que pretenderão comunicar estas duas jovens?


Gaetano Chierici - The Propitious Moment, 1882



      O gato espreita o ensejo de almoçar, uma vez que a criança adormeceu. Um momento de tensão para quem olha. 


Juan Antonio González Iglesias - Escuto a água limpa

 


                     Para Victor Herrero de Miguel


Escuto a água limpa

que desce da montanha depois da chuva,

o gorjeio do pássaro

na tarde

primaveril de outubro,

a resposta de

cada coisa a cada coisa. Caem folhas

sobre a terra como frutos.


Não acredito que a névoa de ontem,

o sol de hoje, esta chuva de agora,

este aroma sem preço

sejam só para mim.


Johann Georg - At the Well, 1872



      A pintura dá-nos a conhecer uma cena amorosa junto a uma fonte, com alguma intimidade e olhares dificeis de definir. A cara dele sorri, mas o que estará a dizer? Ela deixa-lhe por a mão na sua, mas o que significa também o seu olhar? A cena sugere um tempo suspenso e uma tradição compartilhada pelas gerações mais antigas.


Birds on an old wire - Leonard Cohen and Marianne




"Children show scars like medals. Lovers use them as secrets to reveal. A scar is what happens when the word is made flesh."

    Leonard Cohen, in The Favorite Game


Trio vocal - UNIO - La Rosa Enflorece (chant traditionnel juif sépharade - XIVe siècle)



La roza enflorese

En el mez de May

Mi alma s'eskurese,

Sufriendo del amor.


Los bilbilikos kantan,

Suspirando el amor,

I la pasión me mata,

Muchigua mi dolor.


Mas presto ven, palomba,

Mas presto ven a mí,

Mas presto tú mi alma,

Ke yo me vo morir.


La roza enflorese

En el mez de May

Mi alma s'eskurese,

Sufriendo del amor.


  Que bonito!


Ana Blandiana - Humildade

 


Nada posso fazer para que o dia

não tenha vinte e quatro horas.

Apenas posso dizer:

perdoa-me pela duração do dia.

Também não posso impedir

o voo das borboletas a partir das larvas.

Apenas posso implorar o teu perdão,

pelo voo das borboletas, pelas larvas,

perdoa-me pelas flores que se transformam em frutos

e os frutos em sementes e as sementes em árvores.

Perdoa-me pelos mananciais

que se convertem em rios e os rios

em mares e os mares em oceanos.

Perdoa-me pelos amores

que se transformam em recém-nascidos

e os recém-nascidos em solidões

e as solidões em amores...

Nada posso impedir.

Tudo segue o seu destino e nunca me pergunta nada.

Nem o último grão de areia, nem sequer o meu sangue.

Apenas posso dizer: perdoa-me.

 

      A culpa é nossa quando não temos culpa nenhuma? Se o destino existe, não existe responsabilidade. Será que perante Deus, o homem participa menos do que deve na criação? Não entendo o poema.


Gillian Hills - Tomorrow is another day



      "Tomorrow Is Another Day" é uma canção escrita pela cantora britânica Gillian Hills. Foi lançada em 1965 como lado B do single "Look at Them" pela gravadora francesa Disques Vogue. A canção conta com a participação de Bob Leaper e sua orquestra. As imagens do videoclipe são do filme "The Knack...and How to Get It", de 1965, dirigido por Richard Lester com os atores Rita Tushingham, Michael Crawford e Donal Donnelly.


Tomorrow is another day so, take what comes now while you may

just take my hand and walk along the sand take what seems the best


Tomorrow is another day don't ask me questions cause I say

I know what's true right now like my love for you take what seems the best


While we are young and the world is for us

why think about the good, the bad, the past, but now


Tomorrow is another day who knows when leaves will fade away

so while they're sweet and bright and still live inside pick what seems the best


Tomorrow is another day before the sun hides away

let's walk alongside them into our land where things are the best

where our lives are at rest.


      Great video! Fantastic editing, and what can I say about Gillian Hills? She's amazing. Pure nostalgia and evocation of a freer and more dreamlike world that no longer exists.


Wilhelm Schütze (1840-1898) - The Schoolmaster



      A pintura apresenta uma cena de sala de aula. O mestre-escola é a autoridade tranquila com o saber no gesto e no olhar. À sua frente, crianças gerem o conhecimento entre a luz, os livros e as maçãs. Quererão saber ou sabedoria? Muito belo.


José Agustín Goytisolo



Viste que nada era duradouro

desde muito menino. Que uma flor

se abre se arroga de aroma e brilha

e cai depois no jardim.

E ainda que outras flores logo apareçam

- muito semelhantes - nenhuma delas

será a flor que despertou

os teus sentidos: aquela flor.

Pessoas meses chuvas e ânsias

se escaparam de ti em bicos de pés

para não te magoarem. Mas tu

aprendeste com a flor única

o amor ao que perece

e a ferida do que já morreu.


      Figura central da Escuela Poética de Barcelona, este escritor suicidou-se aos 70 anos, atirando-se da janela da sua casa para a rua.


Peter Sandelin

 

Nunca

podemos repousar apoiados no ar


- Mas isso é culpa do ar?


Etel Adnan - A primavera floresce à sua maneira



Uma borboleta vem morrer

entre duas pedras

aos pés da montanha.

A montanha derrama sombras

sobre ela

para esconder o segredo da

morte.


Colmeia - Só de uma banda



      "Só de uma banda" é uma canção cantada pelas mulheres da aldeia de Bravães em Ponte da Barca. Aprendemos algumas quadras e acrescentámos outras.


Minha mãe tinha um adufe

Não o pode tocar só

Tocará a minha tia

Tocará a minha avó.


  Só de um abanda

  Só, só, só

  Só de uma banda

  De uma banda só.


Minha mãe, minha mãezinha

Minha mãezinha do céu

Que me trouxe nove meses

Debaixo do seu mantéu.


De uma banda ralha a tia

De outra banda ralha a avó

Imagina o que seria

Se cantássemos uma só.


À procura do destino

Onde quero acabar

Se o que conta é a viagem

É na luta o meu lugar.


O meu corpo à vontade

Liberdade e intenção

Já não há corrente forte

Que impeça a revolução.


Adolphe Jean Louis Thomas - In a valley in Alsace



      It depicts a tranquil rural landscape nestled between gentle hills. A winding path leads the eye through sunlit fields toward clustered village roofs (castle?), softened by mist. Tall trees frame the valley, their foliage rendered with careful, naturalistic brushwork. The muted palette of greens, browns, and pale sky evokes calm and quiet labour. Subtle light suggests early morning, emphasizing harmony between human settlement and the enduring rhythms of the Alsatian countryside. Its mood feels reflective, timeless, and gently affectionate toward place and people.


João Melo - O que fazer diante do fim



Quando o fim assomar

à tua frente

como um monstro

de sete cabeças, catorze línguas

e milhões de braços pavorosos,


quando o fim ameaçar

levar-te na sua bocarra

escancarada e sem fundo,


quando o fim te convencer

que o outro lado do espelho

é menos assustador do que aquilo que vês,

 

– Resiste!

 

Não temos outro mundo

Para tornar mais humano.


   A pintura (detalhe)é de Hieronymous Bosch.


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