Vintage Americana
Chronicle most commonly refers to Gore Vidal's Narratives of Empire (published in paperbacks by Vintage International), which is also widely known
as the American Chronicle Series.
Vintage Americana
Chronicle most commonly refers to Gore Vidal's Narratives of Empire (published in paperbacks by Vintage International), which is also widely known
as the American Chronicle Series.
LXII
Para
dar trabalho ao vento
cosia
com fio duplo
as
folhas secas da árvore.
in, Provérbios
e Cantares
"Com a idade de vinte anos, e depois de alguns erros graves de
juventude, eu entrei na poesia como quem entra nas ordens monásticas."
in, Le Requiem
A pintura é de Cristina Bernazzani
Mas
que descanso é viver a morrer todos os dias
Por
ir contra o próprio querer
Esquecer
o que se queria e querer o que Deus quer
Queira eu o que Deus quer.
A oração consiste em elevar a alma a Deus ou em pedir a Deus
bens conformes à sua vontade. Ela é sempre um dom de Deus que vem ao encontro
do homem.
The painting captures a humorous moment of temptation and mischief. Known for his lively genre scenes, the French painter often portrayed everyday characters in amusing situations. The composition invites viewers to consider how circumstances can encourage dishonesty. Chocarne-Moreau combines realism with gentle comedy, transforming an ordinary encounter into a witty reflection on human weakness, opportunism and moral choices.
Do
sol se chega
ao
nada
tão vibrante a luz
que
se estilhaça
e
fere e por momentos
quedam
os olhos cegos,
vazio
o pensamento.
É
como foi o ver-te.
É
tão deserto agora o teu olhar
sem
contornos de longe que dissessem
aonde
o infinito ia acabar.
in, Além do Arco-Íris
O poema explora a intensidade do amor e a dor da perda. A luz solar, inicialmente vibrante, transforma-se em vazio, sugerindo que o excesso de luminosidade pode cegar, tal como a paixão perturba a consciência. A recordação do encontro amoroso contrasta com o presente deserto, marcado pela ausência e pela perda de sentido. O olhar, outrora promessa de infinito, perdeu os seus contornos e horizontes.
Actually brought a tear
to my eye. Some of those colour grades were so good I had to open my eyes wider
to soak them in. Your accent and your poetry, it all combined to make a
poignant statement. I might not feel exactly how you feel, but somehow I felt
it anyway. Wow, well done.
a
mais obscura.
O
leitor é que tem às vezes,
em
lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o
nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se
regressar
outra
vez e outra vez
e
outra vez
a
essas sílabas acesas
ficará
cego de tanta claridade.
Abençoado
seja se lá chegar.
in, Os Sulcos da Sede, 2001
O poema valoriza a palavra poética pela luz e valoriza quem a procuraa. A expressão do título sugere uma procura de
transparência interior, afastando a confusão e as ilusões (nevoeiro). Os versos transmitem serenidade, mas também uma exigência ética: ver claramente implica reconhecer a
beleza, a verdade e a fragilidade da existência.
The painting presents
an intimate scene charged with quiet mystery and emotional tension. A young
woman appears absorbed in a private confidence, her expression suggesting that
she is guarding something from those around her. Blaid’s attention to gesture,
facial expression and subtle details transforms an apparently ordinary moment
into a psychological narrative, inviting viewers to wonder what hidden story
lies behind the woman’s enigmatic silence.
Coisinha
frágil...:
Teu
corpo perdeu-se
no
meu coração.
Queres encontrá-lo?
-
Tenho-o fechado
na
minha mão.
in, Pureza, 1945
O madrigal é uma forma poética curta, de tom lírico, amoroso,
bucólico ou elogioso, que nasceu na Itália no século XIV e se ligou
profundamente à música. Muito belo, sr. Eu-génio.
This painting presents
an unsettling vision of American life shaped by the shadow of conflict. The
painting combines ordinary domestic imagery with an atmosphere of tension,
vulnerability and uncertainty. The work explores fear, resilience and the
psychological effects of war, suggesting that violence can influence people
even when battles occur far from their homes and communities.
Naima is a tender, meditative jazz ballad from Coltrane’s 1960 album, Giant Steps. Juanita Naima Grubbs (also known as Juanita Austin) was Coltrane's first wife and gave the name to the composition. She stood by Coltrane during a difficult period as he worked to overcome his heroin and alcohol addiction. The composition’s recurring harmonic structure gives it a hypnotic quality, allowing subtle variations in melody and expression. "Naima" remains one of Coltrane’s most beautiful and enduring compositions.
Uma pátria tem algum sentido
quando é a boca
que nos beija a falar dela,
a trazer nas suas sílabas
o trigo, as cigarras,
a vibração
da alma ou do corpo ou do ar
ou a luz que irrompe pela casa
com as frésias
e torna, amigo, o coração tão leve.
in, Rente ao Dizer
O poema tem sempre de nos convencer primeiro, para gostarmos
dele e o incorporarmos no nosso entendimento. Ainda que as palavras não nos
sejam próximas. Pode até acontecer que desconheçamos o significado de uma ou
outra palavra e que os possíveis sinónimos nos levem a dispersos e
inconclusivos caminhos e motivos. Um esforço que teremos de fazer pela
compreensão do todo, de forma a que o sentido ganhe uma dimensão pacífica de
leitura pessoal ou subjetiva.
Tão
bonito Ana Rute!
Eu
sei que eu posso perder
A
memória desta canção
Mas
um dia eu hei-de trazê-la
De volta
ao meu coração.
Lai
lai la rai...
Oh,
a força do vento que me leva
Oh,
a força da água que me lava
Oh,
a força da terra que me quebra
Oh,
a força do fogo que me mata.
Lai
lai la rai...
Oh,
a força do vento que me leva
Oh,
a força da água que me lava
Oh,
a força da terra que me cura
Oh, a força do fogo que me acorda.
A simbologia dos quatro elementos - Fogo, Terra, Ar e Água -
representa as forças fundamentais da natureza e da psique humana, tendo raízes
na filosofia grega antiga. Aqui, no melhor da música portuguesa.
Eva Milkonskaya is a
contemporary artist whose work explores themes of femininity, identity, nature,
and human emotion. Her artistic practice is associated with expressive,
dreamlike imagery, often combining figurative elements with atmospheric
settings and symbolic details. Through delicate compositions and carefully
controlled colour, she creates scenes that can feel both intimate and
mysterious.
A
morte, às vezes, toca-nos os cabelos,
até
nos despenteia
mas
não entra.
É um grande pensamento que a faz parar?
Ou
talvez sejamos nós que pensamos
algo
maior do que o próprio pensamento?
in, Poesía Vertical.
Original:
La muerte nos roza a veces los cabellos,
nos despeina
y no entra.
¿La detendrá quizás algún gran pensamiento?
¿O acaso pensamos algo mayor
que el pensamiento mismo?
A presença tangível da morte: o poeta argentino aborda a
finitude não como um evento distante, mas como uma proximidade subtil e quase
quotidiana que roça o corpo "toca-nos os cabelos". A morte
aproxima-se, desarruma, ameaça, mas detém-se antes de se concretizar "mas
não entra". O poeta interroga-se sobre o que suspende o fim - se uma força
cognitiva superior ou a centelha de humanidade capaz de conceber o infinito.
The lady in this video wrote for us "In this video, I explore how attention and learning changes how we experience the world. From foraging for mushrooms and reading animal tracks to birdsong and forest ecology, learning doesn't just give us more information - it changes what we're capable of perceiving.
This is an essay about
attention, curiosity, learning, and reconnecting with the natural world. The
more we learn, the more meaning we notice in the ordinary things around us."
Nikolay Petrovich Bogdanov-Belsky was a prominent Russian realist and impressionistic painter best known for his heartfelt depictions of peasant life and rural children's education. This is what AI can't do, human beauty.
E se
Deus é canhoto
e
criou com a mão esquerda?
Isso
explica, talvez, as coisas deste mundo.
in, Corpo, 1984
O poema explora, com ironia e simplicidade, as possibilidades
alternativas da existência. O poema imagina outros caminhos para a vida,
sugerindo que o destino poderia ter sido diferente. Entre o desejo e a
aceitação, o sujeito poético confronta-se com escolhas, acasos e limitações
humanas.
Vem,
meu bem, cavar a terra
Vem,
meu bem, mondar a erva
Vem saudar-te
aqui a serra
Onde
a flora vive em festa.
Erva
mansa, erva agreste
Açafrão,
erva bastarda
Rosmaninho,
alfazema
A borragem
da coragem.
Erva
bruxa, erva santa
Erva
doce, erva amarga
Erva
príncipe ao meu lado
Olho
branco aqui plantado.
Minha calêndula ligeira
Abundante
erva vaqueira
Cheira
Algarve, cheira estêva
Arruda,
a curandeira.
A
silvestre é sagrada
Protetora
perfumada
Afasta
o mau-olhar
No
telhado pendurada.
Erva
férrea, erva de ouro
Alecrim,
erva-cidreira
Rica
sálvia defumada
Espontânea
erva de ovelha.
Mel-solstiço
e pericão
Rasteja
amor-hortelão
Bem-me-quer
e bem-me quis
Bem-me-quer
e bem-me diz
Vem
meu bem cavar a terra
Vem
meu bem mondar a erva
Vem saudar-te
aqui a serra
Onde
a flora vive em festa.
Diz Mariana Root "Este canto é para vós, plantas do dia-a-dia, que aqui bem
postas nos dão vida ao lar e à travessia: que nos afagam as mágoas, nos
purificam, nos fortificam, nos encorajam, nos despertam e nos suavizam."
The German painting presents a charming inocent scene filled with childish intimacy. Look at their eyes! A boy appears absorbed in playing his flute, creating an atmosphere of quiet pleasure and poetry, close to nature and his sister or sweet-heart.
Não é fácil ser poeta a tempo
inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos
por dia,
pois levanto-me tarde e primeiro há
que lavar
os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e
depois,
a poeira que caminha, o massacre dos
culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos
centauros.
Chegar por fim a casa para a prosa
de uma carne à jardineira, o estrondo
das notícias, a louça por quebrar.
Concluindo,
só por volta das duas da manhã começo
a despir
o fato de macaco, a deixar as imagens
correr,
simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira
nenhuma.
O poema explora, com ironia e contenção, a relação entre
poesia e o "terrorismo" do dia-a-dia. O poema questiona a utilidade da escrita
poética, confrontando o ideal literário com a experiência quotidiana e as suas
limitações. O tom desencantado, mas subtilmente humorístico, transforma a
reflexão numa espécie de autocrítica.
Ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó
talvez antes de enlaçar o nó do amor de bisavó com bisavô.
Meu irmão irmã (meu irmão irmã) conheci vocês lá atrás talvez
nessa vida o meu talismã ninguém realmente está a sós.
Água
do rio e do poço é a mesma
do
brilho do orvalho e da beleza
de
moça de moço de nós.
Ó
meu pai minha mãe, ó minha mãe meu pai
ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovô, vovó
talvez
antes de enlaçar o nó do amor
de
bisavó com bisavô.
Meu irmão irmã(meu irmão) água do rio e do poço é a mesma
do brilho do orvalho e da beleza de moça de moço de nós.
Ó
meu pai minha mãe(ó meu pai minha mãe )
ó
minha mãe meu pai(ó meu pai)
ó meu pai minha mãe quem criou vocês vovó vovô.
Natural de Botucatu, interior de São Paulo, Tom Ribeira é uma das mais novas promessas da música brasileira. O jovem cantor já se apresentou em teatros históricos de Paris, como La Cigale e Elysée Montmartre. Tom passou, também, por diversos estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Paraíba.
A partir do rádio do seu avô ouvia sertanejos, boleros e muito samba raiz, passando pelos seus pais, que ouviam e cantavam muito da antiga MPB, Ribeira adquiriu um vasto vocabulário musical, que utiliza para compor sua próprias canções hoje em dia.
Claude Monet’s Le
Parterre aux agapanthes, painted between 1914 and 1917, presents a
luxuriant garden transformed by colour and light. Broad patches of blue
agapanthus emerge among dense vegetation, while water and foliage merge into a
shimmering, almost dreamlike surface. Monet abandons precise outlines, allowing
brushstrokes to suggest flowers, leaves, reflections and atmosphere. The
composition reflects his late fascination with his Giverny garden, where
observation became increasingly abstract. Rich blues, greens and violets create
a vibrant, immersive vision of nature.
Adoro
essa paixão absurda que tens por Hitchcock,
o ar
despenteado com que chegas a casa e me dizes:
outra
vez sopa de nabos; adoro a impaciência com
que
me arrancas aos diálogos com o nada, quando
me
contas os teus feitos na república do frio; adoro
a
tua insónia, os teus escrúpulos morais, a tua esponja
de
banho, o teu espírito lavado por agudos desenganos;
outrossim
acompanhar-te nas perguntas sublinhadas
pelo
tempo, e o teu corpo possuído pela mágica
da
música amorosa, quando dança seminu à minha
frente
e eu só penso: que bem feito está o mundo.
O poema explora o quotidiano através de uma linguagem
aparentemente simples, mas carregada de ironia e reflexão. O gesto doméstico
sugerido pelo título ganha uma dimensão simbólica, revelando como os atos
banais podem expor tensões, hábitos e contradições da existência. O poeta
observa o mundo com lucidez crítica, recusando idealizações e valorizando o
detalhe concreto. A contenção verbal, aliada ao humor subtil, transforma uma
situação comum numa oportunidade de questionar comportamentos e relações
humanas.
O
que será que me dá
Que
me bole por dentro, será que me dá
Que
brota à flor da pele, será que me dá
E
que me sobe às faces e me faz corar
E
que me salta aos olhos a me atraiçoar
E
que me aperta o peito e me faz confessar
O
que não tem mais jeito de dissimular
E
que nem é direito ninguém recusar
E
que me faz mendigo, me faz suplicar
O
que não tem medida, nem nunca terá
O
que não tem remédio, nem nunca terá
O
que não tem receita.
O
que será que será
Que
dá dentro da gente e que não devia
Que
desacata a gente, que é revelia
Que
é feito uma aguardente que não sacia
Que
é feito estar doente de uma folia
Que
nem dez mandamentos vão conciliar
Nem
todos os unguentos vão aliviar
Nem
todos os quebrantos, toda alquimia
E
nem todos os santos, será que será
O
que não tem descanso, nem nunca terá
O
que não tem cansaço, nem nunca terá
O
que não tem limite.
O
que será que me dá
Que
me queima por dentro, será que me dá
Que
me perturba o sono, será que me dá
Que
todos os tremores me vêm agitar
Que
todos os ardores me vêm atiçar
Que
todos os suores me vêm encharcar
Que
todos os meus nervos estão a rogar
Que
todos os meus órgãos estão a clamar
E
uma aflição medonha me faz implorar
O
que não tem vergonha, nem nunca terá
O
que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo.
"O Que Será?" é uma das composições mais
emblemáticas de Chico Buarque, criada em 1976 para a banda sonora do filme Dona
Flor e Seus Dois Maridos. Marcada pela sua forte carga metafórica e poesia
intensa, a canção tornou-se um hino de resistência implícita contra a ditadura
militar brasileira e uma profunda reflexão sobre o desejo, a aflição e o
mistério da natureza humana.