The painting captures
an intimate, candlelit interior suffused with warmth and quiet contemplation. A
young woman, softly illuminated by flickering light, is absorbed in a
reflective moment, while polished surfaces echo the candle’s glow. The
composition evokes domestic serenity, nostalgia, and gentle introspection,
celebrating the poetic beauty of everyday life under the enchanting shimmer of
candlelight and timeless human grace and quiet charm.
Há
gente de chama serena, que nem dá conta do vento,
e
gente de chama louca, que deita chispas à volta.
Certas
chamas, chamas tolas
não
alumiam nem queimam;
mas
ardem com tanta gana
que
não se podem olhar sem pestanejar,
e
quem se chegar muito, pega fogo.
Trad. A.M.
Original:
Cada
persona brilla con luz propia
entre
todas las demás.
No
hay dos fuegos iguales.
Hay
fuegos grandes y fuegos chicos
y
fuegos de todos los colores.
Hay
gente de fuego sereno, que ni se entera del viento,
y
hay gente de fuego loco, que llena el aire de chispas.
Algunos
fuegos, fuegos bobos,
no
alumbran ni queman;
pero
arden la vida con tantas ganas
que
no se puede mirarlos sin parpadear,
y
quien se acerca, se enciende.
O poema celebra a diversidade humana através da metáfora do
fogo. Cada pessoa arde de modo singular: algumas iluminam, outras aquecem,
outras quase não se notam. Galeano valoriza aqueles fogos intensos que
contagiam e inspiram, capazes de acender outros com a sua energia e paixão. (É
o objetivo deste blogue!)O poema exalta a individualidade, a força
transformadora das relações humanas e a capacidade de certos seres de despertar
entusiasmo, esperança e vida nos que os rodeiam.
Matinée de Septembre é uma pintura em óleo sobre tela do
pintor francês Paul Émile Chabas, datada de 1911, que causou polémica na sua
época. Pintada ao longo de vários verões, mostra uma rapariga nua, de pé, nas
águas pouco profundas de um lago, iluminada pelo sol da manhã. Ela está
ligeiramente inclinada para a frente, numa posição ambígua, postura que tem
sido interpretada como protegendo a sua intimidade, estando com frio, ou
lavando-se com uma esponja. Também tem sido considerada uma pose pouco inocente
que deu origem a uma "fetichização da inocência".
A pintura foi exibida pela primeira vez no Salão de Paris de
1912 e, apesar da identidade do seu primeiro proprietário não seja clara, é
certo que Leon Mantashev a adquiriu no final de 1913. Foi levada para a Rússia
e, no rescaldo da Revolução de Outubro de 1917, pensou-se que tinha
desaparecido. Matinée de Septembre reapareceu em 1935 na coleção de Calouste
Gulbenkian, e após a sua morte em 1955, foi vendida a um comerciante de
Filadélfia, que a doou anonimamente ao Metropolitan Museum of Art em 1957.
Embora várias mulheres terem alegado serem o modelo de
Matinée de Septembre, Chabas nunca revelou a sua identidade. Ele descreveu o
trabalho como "tudo o que sei sobre pintura", e respondia
afirmativamente quando lhe perguntavam se aquela era a sua obra-prima.
Escritores mais recentes, contudo, descreveram a pintura como sendo kitsch,
apenas com o valor de uma peça histórica.
The painting radiates
youthful freedom and modernity. Set on a sunlit hillside, elegantly dressed
figures recline, converse, and dine amid fresh spring grass. Brilliant greens,
pinks, and blues capture the season’s vitality, while loose brushwork
anticipates Impressionism. The composition balances intimacy with openness,
blending leisure, nature, and social harmony. Celebrated for its luminous
palette and spontaneous atmosphere, the painting marked a bold departure in
Hungarian art toward plein air naturalism and inspired generations of later
painters.
Estes versos condensam numa imagem austera a fragilidade da
existência. A árvore, despojada de folhas e aparente de vitalidade, simboliza a
solidão, o desgaste do tempo e a vulnerabilidade humana. Contudo, permanece
erguida, sugerindo dignidade, memória e perseverança. As palavras confrontam a
aridez exterior com uma vida interior latente, insinuando que, mesmo na
esterilidade ou no abandono, subsiste uma possibilidade de renovação, esperança
e silenciosa transcendência.
"Lu rusciu te lu mare" é uma das canções mais
icónicas da tradição popular do Salento, Itália, interpretada por vários cantores
populares, incluindo o grupo Cantistoria. A trova é uma seresta que fala sobre
o amor, o desejo e o som do mar, com letras tradicionais no dialeto salentino. O
título significa "O barulho do mar".
A melodia e texto são originários de Galípoli, na Apúlia, há
muitos séculos, que narra a história do amor impossível entre uma dama nobre e
um soldado, numa época em que ninguém podia fugir aos seus papéis sociais. As
diferentes classes também são expressas nas palavras, como
"casar-se", que é "maritare" para a dama, e um dialeto
"'nzuru" para a classe mais humilde. Ao longo dos séculos, surgiram
diferentes versões; a original era muito lenta e melancólica; na década de
1980, o músico Luigi Cardigliano modificou a melodia, tornando-a mais rápida, e
desde então tornou-se um clássico da música folclórica da Apúlia.
O poema exprime a inevitabilidade do tempo e a tensão entre
espera e medo. O futuro surge como algo certo, quase ameaçador,
independentemente da nossa vontade. A voz poética revela fragilidade perante o
desconhecido, mas também aceitação: chegará, queira-se ou não. Assim, o poema
reflete sobre a condição humana, suspensa entre esperança, ansiedade e
resignação, num mundo sempre incerto e transitório para todos.
The painting portrays a
poised, elegantly dressed young woman seated in quiet contemplation. She
cradles a tennis racquet, its presence suggesting leisure, refinement, and the
fashionable sporting culture of Victorian society. Warm, nuanced tones and
meticulous brushwork create an atmosphere of intimacy, capturing both youthful
charm and the restrained elegance of a cultivated, upper-class domestic moment
suspended in serene, timeless stillness and quiet anticipation.
"Ancestral Breath" is a
sacred choral piece inspired by African tradition, shared presence and the
quiet strength of communal voice. Ubuntu Voices explore harmony, rhythm and
breath as one. Voices rooted in
memory. Sound shaped by stillness. This form of music is created using AI -
assisted vocal production and artistic composition.
Markus Yakovlevich
Rothkowitz was a Latvian-born American abstract painter. He is best known for
his colour field paintings that depicted irregular and painterly rectangular
regions of colour, which he produced from 1949 to 1970.
It captures an intimate
domestic moment charged with emotion. A young woman, likely a mother, sits with
her child, her posture and expression conveying irritation, fatigue, or quiet
frustration. The scene feels deeply human—an honest glimpse of everyday life,
where affection and exasperation coexist in the same fleeting moment.
Tirou
do bolso o canivete que a mãe lhe oferecera aos seis anos.
Acto
naturalmente impróprio, a respeito do qual seria desnecessário ajuizar.
Abriu-o,
passou ao de leve os dedos pela lâmina, e descascou a maçã.
Os
olhos nunca saíam do barco. Nem do mar.
A
prática fazia-o retirar a casca à fruta sem necessidade de olhar.
Era
tudo uma questão de hábito e de motricidade fina.
Neste excerto, a caracterização indireta revela uma
personagem experiente, disciplinada e concentrada. O canivete, oferecido pela
mãe, sugere valor afetivo e memória duradoura. O narrador comenta ironicamente
a impropriedade do gesto, mas normaliza-o pela naturalidade com que ocorre.
Enquanto descasca a maçã sem olhar, evidencia destreza manual, adquirida pela
prática. A atenção fixa no barco e no mar sublinha vigilância, expectativa e
possível tensão interior.
Vou
voltar na Primavera e
era tudo o que eu queria
levo
terra nova daqui,
quero
ver o passaredo pelos
portos de Lisboa
voa,
voa e eu chego já.
Ai,
se alguém segura o leme desta
nave incandescente
que
incendeia a minha vida que
era viajante lenta,
tão
faminta de alegria, hoje
é porto de partida.
Ah,
vira virou, meu
coração navegador
Ah,
gira girou nesta
galera.
Eugénia de Melo e Castro e o disco, já antigo, Terra de
Mel de 1982, numa parceria com o compositor gaúcho Kleiton Ramil. "Ele
apareceu na minha casa levado pela minha mãe - a minha casa era um lugar de
artistas, atores, músicos, escritores, pintores -, onde ele ficou cerca de um
mês. Compôs "Vira virou" na minha cozinha, em casa". No Brasil, Kleiton
teria uma bem sucedida carreira em dupla com o irmão Kledir, autor da canção
reflexiva e faixa título, Terra de Mel.
The painting presents a
monumental seaside mother striding from the surf, one child in her arms and
others close behind. Her figure is strong, dignified, and statuesque, echoing
classical ideals while remaining firmly rooted in everyday labour. Wind, sea,
and sky envelop the scene in cool light. The painting celebrates maternal
resilience, working-class nobility, and the quiet heroism of coastal life.
O poema explora a fragilidade da percepção humana diante do
real. Os versos sugerem que toda a observação depende de um enquadramento,
histórico, mental e sensorial, que limita e organiza a experiência. Assim, o
mundo não surge como verdade absoluta, mas como construção provisória. A
linguagem, precisa e reflexiva, revela a tensão entre objeto e consciência,
mostrando que conhecer implica sempre interpretar, selecionar e,
inevitavelmente, distorcer aquilo que julgamos compreender na sua parcial
condição humana.
O título do filme refere-se a uma expressão popular, em
francês (faire les quatre-cent coups), equivalente em português, a "fazer
o diabo a quatro", ou seja, provocar desordem, cometer contravenções ou
mesmo delitos. O filme narra a história de Antoine Doinel, um jovem parisiense
de 14 anos, que se rebela contra o autoritarismo da escola e o desprezo da sua
mãe e do padrasto. Rejeitado, Antoine passa a faltar às aulas para frequentar
cinemas ou brincar com os amigos, principalmente René. Com o passar do tempo, o
rapaz vivenciará algumas descobertas e cometerá pequenos delitos, em busca de
atenção, até ser aprisionado num reformatório, levado pelos próprios pais.
No poema, Ana Pérez Cañamares transforma o fim do dia em fim da
vida, numa revelação íntima. O aproximar da noite prevê a morte e permanece a
necessidade de manter a fé.
Among the Spring
Blossoms by Fanny Brate describes a woman gathered beneath flowering trees,
immersed in the freshness of spring. Soft sunlight filters through pale
blossoms, casting a gentle glow across her face and clothing. Brate captures a
moment of lost innocence, natural companionship, and seasonal renewal.
"Sexo, Violencia y Llantas" é a faixa de abertura
do álbum "Lux" de Rosalía, que apresenta de forma clara o principal
conflito do disco: a tensão entre o desejo pelos prazeres e dores do mundo
físico e a busca por uma dimensão espiritual mais elevada.
Logo no início, o verso "Quién pudiera vivir entre los dos /
Primero amaré el mundo y luego amaré a Dios" ("Quem pudesse viver entre os dois
/ Primeiro amarei o mundo e depois amarei a Deus") deixa evidente essa
dualidade. Rosalía sugere que a experiência terrena é um passo necessário antes
da busca pelo divino, estabelecendo uma ordem de prioridades que parte do
concreto para o espiritual.
A letra constrói dois universos opostos. O primeiro,
representado por "sexo, violencia y llantas (pneus?)" e "deportes de sangre, monedas en
gargantas" ("desportos sangrentos, moedas nas gargantas”), retrata um cotidiano
intenso, industrial, materialista e até brutal, dominado pelo desejo, pelo risco e pelo
dinheiro. O segundo universo, com "destellos, palomas y santas" ("clarões,
pombas e santas"), traz imagens de pureza e espiritualidade.
O trecho "la gracia y el fruto y el beso de la balanza" ("a
graça, o fruto e o beijo da balança") sugere equilíbrio e recompensa
espiritual, reforçando o tema do álbum de buscar harmonia entre extremos. O
contexto do álbum, que mistura espiritualidade e orquestra
sinfónica, amplia essa busca por transcendência.