It portrays a tranquil
interior bathed in soft natural light filtering through large windows
overlooking a garden. The carefully arranged furniture, delicate decorative
details, and harmonious colours create an atmosphere of quiet comfort and
refined domesticity. Kuehl’s Impressionist sensitivity is evident in his subtle
handling of light, shadow, and texture, which enliven everyday surroundings.
The painting celebrates the peaceful relationship between interior space and nature,
inviting contemplation, intimacy, and appreciation of ordinary beauty.
Gotthard Kuehl - Das Gartenzimmer
O Papel e o silêncio
há
momentos em que escrever é como procurar água num deserto
as
palavras resistem, escondem-se nas esquinas da folha
fingem
que não sabem o caminho de volta
e
eu, com as mãos vazias, tento encontrar o fio da frase perdida
como
quem procura um eco numa sala sem janelas
a
certa altura, é como se o papel me devolvesse o olhar
esperando
que eu desista
mas
eu persisto, na esperança de que o silêncio
se
renda primeiro
in, xilre
Jorge Ferreira – Vira Dos Namorados
As
estrelas no Céu correm todas numa carreirinha
Assim
corressem os beijos da tua boca p'ra minha
Da
tua boca para minha oai o lari lolela.
Das
estrelas miudinhas mandei fazer um cordão
Para
prender minha alma a tua e a tua ao meu coração
E a
tua ao meu coração, oai o lari lolela.
O
lua da madrugada não venhas cá ao serão
Quem
namora as escondidas quer escuro e lua não
Quer
escuro e lua não oai o lari lolela.
O
estrelinha do norte espera que eu também vou
Tu serás
a minha guia já que o luar me deixou
Já
que o luar me deixou oai o lari lolela.
O
lua da meia-noite o teu brilhar não tem fim
Vai
ter com o meu amor da—lhe beijinhos por mim
Dá—lhe
beijinhos por mim oai o lari lolela.
Esta
noite fui sonhando que me estavas a beijar
Continua
vai beijando que eu continue a sonhar
Que
eu continue a sonhar oai o lari lolela.
A música do Minho é rica em tradições festivas, destacando-se géneros como o Vira, o Malhão e as rusgas populares. É interpretada por ranchos folclóricos com acordeões, braguesas, cavaquinhos e vozes altivas. Tudo regado com vinho verde e muita alegria.
Fernando Álvarez de Sotomayor - Los señores de Saridakis en su automóvil, 1908
The painting portrays
an elegant couple seated in an early motorcar, celebrating the prestige and
modernity associated with the automobile. The painting balances refined
portraiture with the excitement of technological progress, capturing the
confidence of Spain’s affluent bourgeoisie. Rich textures, subtle lighting, and
careful attention to costume and facial expression convey dignity and
sophistication.
Antonio Orihuela - A poesia é um incêndio
A
poesia é um incêndio
por
isso não dá para viver
dá
para arder,
não
escrevas,
arde
nela.
Tradução
de C.Abreu
Houve um tempo em que se acreditava que o fogo purifivava. Daí, o Inferno. Curioso como hoje lhe chamamos Poesia.
Ester Vallejo, IXEYA - El pueblo pa las montañas
Y
que todas las que vengan
Canten
este canto
Al
valor de nuestra tierra
Que
no la destruye cualquiera
Aunque
alguno lo intento.
Que
no maten mis paisajes
Que
no me abrace tu asfalto
Yo
lo único que quiero es
Que
seas libre madre tierra
Solo
tú nos cuidarás.
Mi raíz es tan robusta
Nunca me la arrancaréis
El pueblo pa las montañas,
Las montañas para el pueblo
Nunca nos separaréis.
Mi raíz es tan profunda
Nadie me la va a arrancar
El pueblo pa las montañas,
Las montañas para el pueblo
Nadie nos separará.
Mis
raíces son profundas
Como
de esos viejos arboles
Que
un día canto labordeta
Y al
igual que otros poetas
El
también es mi raíz.
Que
nos griten las tormentas
Y
que nos azote el viento
Que
si tocan a mi tierra
Alguien
siempre la defienda
Como
un día lo hice yo.
Refrain:
El
pueblo pa las montañas
Las
montañas para el pueblo
No
las compréis con dinero
Su
valor,lo siento adentro.
El pueblo pa las montañas
Las
montañas para el pueblo
No
las compréis con dinero
Su
valor, lo siento adentro.
Montaña y pueblo son uno (x3)
el
pueblo es pa las montañas.
Ester Vallejo "El otro día fuimos a cantarle a las montañas.
Les cantamos esta canción que nos abraza a ellas, esta especie de himno-mantra
dedicado a la naturaleza, a la conexión que sentimos al pensarlas, al mirarlas…
Ojalá aprendamos a cuidarlas, a cuidar a la naturaleza como ella nos cuida."
Robert Reid
Robert Lewis Reid (1862–1929) was an American Impressionist painter and muralist. His work tended to be very decorative, much of it cantered on depiction of young women set among flowers. He later became known for his murals and designs in stained glass. Where does his beauty come from?
Blanca Varela - Ao despertar / Al despertar
Ao
despertar
surpreendeu-me
a imagem que ontem perdi.
A
mesma árvore na manhã
e na
levada
o
pássaro que bebe
o
oiro do dia.
Estamos
vivos, ninguém duvida,
o
loureiro, a ave, a água
e
eu, que observo e tenho sede.
Tradução
de A.M.
Original:
Al
despertar
me
sorprendió la imagen que perdí ayer.
El
mismo árbol en la mañana
y en
la acequia
el
pájaro que bebe
todo
el oro del día.
Estamos
vivos, quién lo duda,
el laurel, el ave, el agua
y
yo, que miro y tengo sed.
É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação
existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética
uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo
apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da
reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de
conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente
procura.
Hélianthème - Pique la Baleine
Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala
Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
Pique
la baleine, joli baleinier
Pique
la baleine, je veux naviguer
Pique
la baleine, joli baleinier
Pique
la baleine, je veux naviguer.
Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala
Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala
Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala
Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala
Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala
En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala.
Auteur anonyme, perdu au fil du temps - chanson de baleinier,
écrite en France, possiblement au Havre ou à Dunkerque, au XIXème siècle.
Eastman Johnson - The Old Stagecoach, 1871
Miquel Martí i Pol - Paisagem incendida / Paisatge incendiat
Corta
o ar de vidro o diamante
do
teu olhar.
Tudo é breve
por
trás da cortina que me separa
da
tarde agonizando no meio de um grande
silêncio.
Quando voltarmos a ver-nos, toda
a
quietude será paisagem incendida,
reduto
de desígnios, de esperanças.
Tradução
de A.M./ sobre versão cast. Joan B. Fort i Olivella
Original:
Talla
l'aire de vidre el diamante
de
la teva mirada.
Tot és breu
darrera
la cortina que em separa
de
la tarda que mor enmig d'un gran
silenci.
Quan tornem a veure'ns, tota
la
quietud serà paisatge encès,
reducte
de designis i esperances.
Miquel Martí i Pol (1929-2003) iniciou a sua carreira
literária nos anos 50, vindo a converter-se no poeta catalão mais popular e
mais lido, tendo escrito também livros de contos, de memórias e de crónicas e
artigos de jornal. Além disso, traduziu numerosos autores, sobretudo franceses.
Ganhou diversos prémios literários e, aos setenta anos, surgiu um amplo
movimento para apresentar a sua candidatura ao Prémio Nobel.
in, Blogue, Ovelha Perdida
Antía Muíño - Noviembre
Te busco en las caras de la gente
No te puedo encontrar
No te puedo encontrar
Y es que últimamente ando buscando
Un soplo de aire fresco
Un poco de agua pa′ limpiar
Esta sensación de soledad
Y te busco en las caras de la gente
No, no te puedo encontrar
Ay no, no te puedo encontrar
Y es que solo veo ojos
Que claman por un presente
Bien diferente
Amiga ven, dame la mano
Hazme ser valiente
Y recordar que ninguna pena va a callar
Que ninguna tela va a tapar
El ruído de nuestra mente
El ruído de, el ruido de nuestra mente.
Noviembre, de Antía Muíño, é uma canção intimista que retrata
a saudade, a solidão e a procura de um vínculo humano capaz de aliviar a
ausência. A letra evoca o mês de novembro como metáfora de um estado emocional
melancólico, onde o desejo de reencontro convive com a esperança discreta de
recuperar a proximidade perdida.
Christian Friedrich Wilhelm Heinrich Syberg (generally known as Fritz Syberg) - Mother and Child, 1898
The painting portrays
an intimate domestic moment with warmth and quiet realism. The mother’s gentle
attention and the child’s calm presence express tenderness, protection, and the
enduring bond between parent and child. Soft natural light and muted colours create
a peaceful atmosphere. Characteristic of Danish Funen painting, the work
celebrates everyday life, transforming an ordinary family scene into a timeless
reflection on love and human connection.
Miquel Martí i Pol - Coisas / Cosas
Desse Verão quero só recordar
o olhar cúmplice
da vizinha que apanhava sol
despida e sorriu com agrado
ao dar conta de que eu a contemplava,
e esse instante fugaz, irrepetível,
de total quietude, em que o mundo ficou
deserto de si mesmo e era um vidro
transparente e a seguir de novo compacto.
O Verão não será outra coisa,
quero dizer, esse Verão, e se alguém me vier
com as mil bagatelas inefáveis
que compõem os dias e
as noites,
eu direi apenas: - Não me lembro.
Tradução de A.M.
Original:
Sólo quiero recordar de este verano
la mirada cómplice
de una vecina que tomaba el sol
desnuda y sonrió complacida
al darse cuenta de que la contemplaba,
y aquel instante fugaz, irrepetible,
de total quietud, en que el mundo quedó
desierto de sí mismo y era un cristal
transparente y de nuevo compacto.
El verano no será otra cosa,
este verano, quiero decir, y si alguien me habla
de aquellas mil bagatelas inefables
que componen los días y las noches,
diré tranquilamente: - No me acuerdo.
O poema valoriza
os pequenos elementos do quotidiano como portadores de memória, identidade e
afeto. A atenção ao detalhe transforma o banal em símbolo da existência,
sugerindo que a verdadeira riqueza reside naquilo que frequentemente ignoramos.
O poema celebra, assim, a dignidade do quotidiano e a intimidade da memória.
Starling Arrow - Honor Way
Way honour way,
Way on our way,
Way honour way on our way!
Coming up home
I’m coming up home!
Coming up home
I’m coming up home!
Roses
At the bottom of the garden’
Theres roses
Won’t you sing with me my darlin
We’re braiding roses
At the bottom
And the thorns will be the guard into
the night'
Ancient wisdom of the soul!
Edmund Blair Leighton - A Nibble, 1914
The painting portrays a poetic childhood moment in a rural place. The brook (a small river) is symbol of life and the dog a symbol of faithfulness. The innocent children are learning how to deal with both. Is the dog waiting for the fish?
Is this a variant of A.I.?
Alexandre Pinheiro Torres - A Democracia Plural Portuguesa Ocidental
Neste
bairro onde miam gatas há dez mil de gente
Fácil:
contem-se
todas as cabeças uma por uma
uma
de cada vez Façam-se perguntas
Registem-se
as respostas Por exemplo: ao
perguntar-se
Se
ganham menos do que é necessário p’ra viver
façam
uma cruz Mas
façam a mesma cruz
caso
digam o contrário Se tiverem um rádio
vejam
o
rádio e façam uma cruz no rádio
Se
tiverem uma bicicleta cruz na bicicleta
Cruz
nos aparelhos de TV Cruz nos frigoríficos
Cruz
se a barraca for deles Cruz se for alugada
Cruz
na idade que têm Cruz se são solteiros
ou casados
Cruzes
em resumo em tudo o que é máquina
Máquinas
de costura por exemplo Vejam
se
as rodas andam Cruz Cruz Cruz Cruz
Cruz
no número de filhos Não há nada que não conte
Depois de tudo passado a pente fino
contado classificado codificado computorizado
é preciso calcular a média Dividir o que há
por
todos para que ninguém se queixe de injustiça
Os
nomes não interessam Os nomes não têm
significado
Velho
ou doente não se deixe ninguém de fora
Sendo
assim até uma doente estéril ficará com
alguns
filhos Se a maioria passa fome
calcule-se
a fome média Estamos ou não na democracia ocidental?
Todos têm de tê-la igual Não haverá
desempregados
porque todos mas todos terão uma
fracçãozinha
de emprego para sustentar uma fracçãozinha
de
família numa fracçãozinha de barraca Nada
pois
de
sangueiras ódios ressentimentos Sobretudo nada de
provocações
à Guarda nem de atacar o Quartel do
Carmo
ou o palácio onde tanto se esforçam os doutores-deputados
Este
é o conselho das pessoas sábias Está
aliás na
Constituição
que ó diabo é preciso emendar para que
se
prescreva inalienável o
direito a fracções mais pequenas
Assim
é que será bem plural e ocidental a democracia em Portugal.
O poema constitui uma reflexão crítica sobre a identidade política e cultural de Portugal após a ditadura. Com ironia e densidade simbólica, o poeta questiona os limites da democracia, denunciando contradições entre os ideais de liberdade e a realidade social. O título, deliberadamente extenso, sugere uma visão satírica dos discursos oficiais. A linguagem incisiva e o tom desencantado convidam o leitor a pensar criticamente sobre o exercício do poder e a participação cívica.










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