Ester Vallejo, IXEYA - El pueblo pa las montañas

 


Y que todas las que vengan

Canten este canto

Al valor de nuestra tierra

Que no la destruye cualquiera      

Aunque alguno lo intento.


Que no maten mis paisajes

Que no me abrace tu asfalto

Yo lo único que quiero es

Que seas libre madre tierra

Solo tú nos cuidarás.


 Mi raíz es tan robusta

 Nunca me la arrancaréis

 El pueblo pa las montañas,

 Las montañas para el pueblo

 Nunca nos separaréis.


 Mi raíz es tan profunda

 Nadie me la va a arrancar

 El pueblo pa las montañas,

 Las montañas para el pueblo

 Nadie nos separará.


Mis raíces son profundas

Como de esos viejos arboles

Que un día canto labordeta

Y al igual que otros poetas    

El también es mi raíz.

   

Que nos griten las tormentas

Y que nos azote el viento

Que si tocan a mi tierra

Alguien siempre la defienda

Como un día lo hice yo.


 Refrain:


El pueblo pa las montañas     

Las montañas para el pueblo

No las compréis con dinero

Su valor,lo siento adentro.


El pueblo pa las montañas    

Las montañas para el pueblo   

No las compréis con dinero

Su valor, lo siento adentro.


Montaña y pueblo son uno (x3)

el pueblo es pa las montañas.


      Ester Vallejo "El otro día fuimos a cantarle a las montañas. Les cantamos esta canción que nos abraza a ellas, esta especie de himno-mantra dedicado a la naturaleza, a la conexión que sentimos al pensarlas, al mirarlas… Ojalá aprendamos a cuidarlas, a cuidar a la naturaleza como ella nos cuida."


Robert Reid





      Robert Lewis Reid (1862–1929) was an American Impressionist painter and muralist. His work tended to be very decorative, much of it cantered on depiction of young women set among flowers. He later became known for his murals and designs in stained glass. Where does his beauty come from?


Blanca Varela - Ao despertar / Al despertar

 


Ao despertar

surpreendeu-me a imagem que ontem perdi.

A mesma árvore na manhã

e na levada

o pássaro que bebe

o oiro do dia.

Estamos vivos, ninguém duvida,

o loureiro, a ave, a água

e eu, que observo e tenho sede.


  Tradução de A.M.


  Original:


Al despertar

me sorprendió la imagen que perdí ayer.

El mismo árbol en la mañana

y en la acequia

el pájaro que bebe

todo el oro del día.

Estamos vivos, quién lo duda,

el laurel, el ave, el agua

y yo, que miro y tengo sed.


      É um poema muito belo, ele transforma um instante quotidiano numa revelação existencial. O reencontro com a árvore, a ave e a água restitui à voz poética uma perceção renovada da vida, onde a natureza confirma a permanência do mundo apesar da perda. A simplicidade das imagens contrasta com a profundidade da reflexão. O verso final, “olho e tenho sede”, exprime um desejo inesgotável de conhecimento, beleza e plenitude, revelando a condição humana como permanente procura.


Hélianthème - Pique la Baleine



 

Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Pour retrouver ma douce amie, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


  Pique la baleine, joli baleinier

  Pique la baleine, je veux naviguer

  Pique la baleine, joli baleinier

  Pique la baleine, je veux naviguer.


Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Aux mille mers j'ai navigué, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Des mers du Nord aux mers du Sud, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Dans les grands fonds, elle m'espérait, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala

Tous deux ensemble on a pleuré, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala

En couple à elle j’me suis couchée, oh, mes bouées ouh là ouh lala.


      Auteur anonyme, perdu au fil du temps - chanson de baleinier, écrite en France, possiblement au Havre ou à Dunkerque, au XIXème siècle.


Eastman Johnson - The Old Stagecoach, 1871




      The first trains in the United States began with early industrial tracks, horse-drawn tramways, and landmark lines like the Granite Railway, the Baltimore and Ohio Railroad. The first cars and the first production models, led by the Ford Model T. were on the roads and the old stagecoaches were not needed anymore. Nice painting.

Miquel Martí i Pol - Paisagem incendida / Paisatge incendiat

 


Corta o ar de vidro o diamante

do teu olhar.

                              Tudo é breve

por trás da cortina que me separa

da tarde agonizando no meio de um grande

silêncio.

               Quando voltarmos a ver-nos, toda

a quietude será paisagem incendida,

reduto de desígnios, de esperanças.

 

  Tradução de A.M./ sobre versão cast. Joan B. Fort i Olivella


  Original:


Talla l'aire de vidre el diamante

de la teva mirada.

                            Tot és breu

darrera la cortina que em separa

de la tarda que mor enmig d'un gran

silenci.

                Quan tornem a veure'ns, tota

la quietud serà paisatge encès,

reducte de designis i esperances.


      Miquel Martí i Pol (1929-2003) iniciou a sua carreira literária nos anos 50, vindo a converter-se no poeta catalão mais popular e mais lido, tendo escrito também livros de contos, de memórias e de crónicas e artigos de jornal. Além disso, traduziu numerosos autores, sobretudo franceses. Ganhou diversos prémios literários e, aos setenta anos, surgiu um amplo movimento para apresentar a sua candidatura ao Prémio Nobel.

      in, Blogue, Ovelha Perdida


Antía Muíño - Noviembre

 



Te busco en las caras de la gente

No te puedo encontrar

No te puedo encontrar

Y es que últimamente ando buscando

Un soplo de aire fresco

Un poco de agua pa′ limpiar

Esta sensación de soledad


Y te busco en las caras de la gente

No, no te puedo encontrar

Ay no, no te puedo encontrar

Y es que solo veo ojos

Que claman por un presente

Bien diferente


Amiga ven, dame la mano

Hazme ser valiente

Y recordar que ninguna pena va a callar

Que ninguna tela va a tapar

El ruído de nuestra mente

El ruído de, el ruido de nuestra mente.


      Noviembre, de Antía Muíño, é uma canção intimista que retrata a saudade, a solidão e a procura de um vínculo humano capaz de aliviar a ausência. A letra evoca o mês de novembro como metáfora de um estado emocional melancólico, onde o desejo de reencontro convive com a esperança discreta de recuperar a proximidade perdida.


Christian Friedrich Wilhelm Heinrich Syberg (generally known as Fritz Syberg) - Mother and Child, 1898



      The painting portrays an intimate domestic moment with warmth and quiet realism. The mother’s gentle attention and the child’s calm presence express tenderness, protection, and the enduring bond between parent and child. Soft natural light and muted colours create a peaceful atmosphere. Characteristic of Danish Funen painting, the work celebrates everyday life, transforming an ordinary family scene into a timeless reflection on love and human connection.


Miquel Martí i Pol - Coisas / Cosas

 


Desse Verão quero só recordar

o olhar cúmplice

da vizinha que apanhava sol

despida e sorriu com agrado

ao dar conta de que eu a contemplava,

e esse instante fugaz, irrepetível,

de total quietude, em que o mundo ficou

deserto de si mesmo e era um vidro

transparente e a seguir de novo compacto.

O Verão não será outra coisa,

quero dizer, esse Verão, e se alguém me vier

com as mil bagatelas inefáveis

que compõem os dias e  as noites,

eu direi apenas: - Não me lembro.

 

  Tradução de A.M.

 

  Original:

 

Sólo quiero recordar de este verano

la mirada cómplice

de una vecina que tomaba el sol

desnuda y sonrió complacida

al darse cuenta de que la contemplaba,

y aquel instante fugaz, irrepetible,

de total quietud, en que el mundo quedó

desierto de sí mismo y era un cristal

transparente y de nuevo compacto.

El verano no será otra cosa,

este verano, quiero decir, y si alguien me habla

de aquellas mil bagatelas inefables

que componen los días y las noches,

diré tranquilamente: - No me acuerdo.

 

      O poema valoriza os pequenos elementos do quotidiano como portadores de memória, identidade e afeto. A atenção ao detalhe transforma o banal em símbolo da existência, sugerindo que a verdadeira riqueza reside naquilo que frequentemente ignoramos. O poema celebra, assim, a dignidade do quotidiano e a intimidade da memória.


Starling Arrow - Honor Way



Way honour way,

Way on our way,

Way honour way on our way!


Coming up home

I’m coming up home!

Coming up home

I’m coming up home!


Roses

At the bottom of the garden’

Theres roses

Won’t you sing with me my darlin

We’re braiding roses

At the bottom

And the thorns will be the guard into the night'


    Ancient wisdom of the soul!


Edmund Blair Leighton - A Nibble, 1914



      The painting portrays a poetic childhood moment in a rural place. The brook (a small river) is symbol of life and the dog a symbol of faithfulness. The innocent children are learning how to deal with both. Is the dog waiting for the fish?

      Is this a variant of A.I.? 


 

Alexandre Pinheiro Torres - A Democracia Plural Portuguesa Ocidental

 


Neste bairro onde miam gatas há dez mil de gente   Fácil:

contem-se todas as cabeças    uma por uma

uma de cada vez    Façam-se perguntas

Registem-se as respostas     Por exemplo: ao perguntar-se


Se ganham menos do que é necessário p’ra viver

façam uma cruz    Mas façam a mesma cruz

caso digam o contrário   Se tiverem um rádio vejam

o rádio e façam uma cruz no rádio


Se tiverem uma bicicleta cruz na bicicleta

Cruz nos aparelhos de TV     Cruz nos frigoríficos

Cruz se a barraca for deles    Cruz se for alugada

Cruz na idade que têm     Cruz se são solteiros ou casados


Cruzes em resumo em tudo o que é máquina

Máquinas de costura por exemplo  Vejam

se as rodas andam   Cruz   Cruz    Cruz   Cruz

Cruz no número de filhos     Não há nada que não conte


Depois de tudo passado a pente fino   

contado classificado    codificado   computorizado

é preciso calcular a média   Dividir o que há

por todos para que ninguém se queixe de injustiça


Os nomes não interessam   Os nomes não têm significado

Velho ou doente não se deixe ninguém de fora

Sendo assim até uma doente estéril ficará com

alguns filhos    Se a maioria passa fome calcule-se


a fome média    Estamos ou não na democracia  ocidental?   

Todos têm de tê-la igual     Não haverá

desempregados porque todos    mas todos   terão uma

fracçãozinha de emprego para sustentar uma fracçãozinha


de família numa fracçãozinha de barraca    Nada pois

de sangueiras   ódios   ressentimentos    Sobretudo nada de

provocações à Guarda nem de atacar o Quartel do

Carmo ou o palácio onde tanto se esforçam os doutores-deputados


Este é o conselho das pessoas sábias    Está aliás na

Constituição que    ó diabo    é preciso emendar para que

se prescreva   inalienável   o direito a fracções mais pequenas

Assim é que será bem plural e ocidental a democracia em Portugal.


      O poema constitui uma reflexão crítica sobre a identidade política e cultural de Portugal após a ditadura. Com ironia e densidade simbólica, o poeta questiona os limites da democracia, denunciando contradições entre os ideais de liberdade e a realidade social. O título, deliberadamente extenso, sugere uma visão satírica dos discursos oficiais. A linguagem incisiva e o tom desencantado convidam o leitor a pensar criticamente sobre o exercício do poder e a participação cívica.


Blaze Foley's Clay Pigeons - John Prine's cover by Toni Lindgren

 


I'm goin' down to the Greyhound station

Gonna get a ticket to ride

Gonna find that lady with two or three kids

And sit down by her side.


Ride 'til the sun comes up and down around me

'Bout two or three times

Smokin' cigarettes in the last seat

Tryin' to hide my sorrow from the people I meet

And get along with it all.


Go down where the people say y'all

Sing a song with a friend

Change the shape that I'm in

And get back in the game and start playin' again.


I'd like to stay, but I might have to go

To start over again

Might go back down to Texas

Might go to somewhere that I've never been.


And get up in the mornin' and go out at night

And I won't have to go home

Get used to bein' alone

Change the words to this song

And start singin' again.


I'm tired of runnin' 'round

Lookin' for answers to questions that I already know

I could build me a castle of memories

Just to have somewhere to go.


Count the days and the nights that it takes

To get back in the saddle again

Feed the pigeons some clay, turn the night into day

And start talkin' again when I know what to say.


I'm goin' down to the Greyhound station

Gonna get a ticket to ride

Gonna find that lady with two or three kids

And sit down by her side.


Ride 'til the sun comes up and down around me

'Bout two or three times

Smokin' cigarettes in the last seat

Try to hide my sorrow from the people I meet

And get along with it all.


Go down where the people say y'all

Feed the pigeons some clay

Turn the night into day

And start talkin' again when I know what to say.


      "Clay Pigeons" is a song about personal renewal, starting over, and seeking quiet peace after a hard life. It was written by the Texas outlaw country musician Blaze Foley, and later made famous by John Prine, who loved the track so much he felt he should have written it himself.


Richard Schmid - The Sound of the Night, 2004



      The painting invites viewers to experience the silence of the night as something almost audible, celebrating nature’s tranquil beauty and the artist’s extraordinary observational skill. The three "selves" live tan inner intimacy.


Arquivo do blogue