Se
eu te pedisse a paz, o que me darias
pequeno
insecto da memória de quem sou
ninho
e alimento? Se eu te pedisse a paz,
a
pedra do silêncio cobrindo-me de pó,
a
voz limpa dos frutos, o que me darias
respiração
pausada de outro corpo
sob
o meu corpo?
Perdoa-me
ser tão só, e falar-te ainda
do
meu exílio. Perdoa-me se não te peço
a
paz. Apenas pergunto: o que me darias
em
troca se ta pedisse? O sol? A sabedoria?
Um
cavalo de olhos verdes? Um campo de batalha
para
nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou
apenas uma faca de fogo, intranquila,
no
centro do coração?
Nada
te peço, nada. Visito, simplesmente,
o
teu corpo de cinza. Falo de mim,
entrego-te
o meu destino. E a morte vivo
só
de perguntar-te: o que me darias
se
te pedisse a paz
e
soubesses de como a quero construída
com
as matérias vivas da liberdade?
in, Jardins
de Guerra, 1966
O poema, com muitas perguntas, descreve a paz como um estado interior simples e
profundo. O eu poético sugere que a paz não depende de grandes acontecimentos,
mas de uma atitude de aceitação, silêncio e harmonia com o mundo. O poema
valoriza a tranquilidade, o desapego e a contemplação do presente.
Pintura de Margaret
Biggs, A Path to Inner Peace
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