Minha
mãe ensinou-me a fazer batota
Batota
para perder
Ganhar
era tão fácil que eu chorava de noite
e
não conseguia adormecer
Ela
acalmava-me com a mão dela na minha
contando-me
histórias que depois aconteceram
A
culpa foi minha,
ela
perguntava se eu as queria reais ou inventadas
e eu
dizia sempre, que lhe tivessem
acontecido
a a ela
E aí
quase sem querer
uma noite minha mãe inventou a realidade.
(Trad.
A. M.)
Fernando Beltrán constrói um poema sobre a aceitação da derrota como parte inevitável da experiência humana. O eu lírico observa as pequenas armadilhas do quotidiano — expectativas, ilusões e desejos — que nos conduzem a fracassos necessários para crescer. A linguagem é simples, mas carregada de ironia e lucidez, sugerindo que perder também pode ser uma forma de liberdade.

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