Jean-Luc Godard - Prénom Carmen, 1983



      Na conferencia de imprensa do Festival de Veneza de 1983, do qual Prénom Carmen recebeu o Leão de Ouro de melhor filme, Godard afirmou que estava "interessado em ver as coisas, não antes de elas existirem, mas antes que se lhes dê um nome". Na mesma entrevista, disse ainda: "Acho que, no cinema, não pode haver senão histórias de amor". Godard costumava despistar os jornalistas, mas, dessa vez, foi franco e exato, dando-lhes a melhor explicação possível da simplicidade de Prénom Carmen, uma história de amor que, partindo de um grande mito feminino já conhecido de todos, busca, paradoxalmente, retroceder ao que existe antes do nome, antes da linguagem, antes do conhecimento. 

      Nomear, como se sabe desde os tempos bíblicos, é dominar, designar, classificar. Inversamente, não dizer o nome, ou regredir ao pré-nome, é negar da história de Carmen aquilo que todos já conhecem, é arrancá-la da ordem simbólica em que foi enquadrada pela tradição. É "contar" a sua história ao invés de somente representá-la.


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