se
dobrares neste instante
o
lugar das palavras lá me encontrarás
conheço
o nome de onde vens porque
este
é o caminho dos labirintos
escrevo
entre os joelhos o desencanto
das
metáforas e sei que morreste
entre
uma pergunta e o in-verso caminho
trago
os olhos límpidos de orvalho de tanto
oscilar
o coração no cais
por
vezes toma a forma dos barcos ausentes
e o
meu corpo é um lugar de redes
conheço
as portas dos teus cabelos
e a
certeza de que vou ardendo
O poema constrói uma atmosfera de desejo, perda e desencanto
através de imagens simbólicas e enigmáticas. A porta representa uma passagem
entre mundos, memórias e sentimentos, enquanto o “labirinto” sugere a
dificuldade de encontrar um caminho afetivo. A morte surge associada à rutura e
à impossibilidade de comunicação. As imagens do cais, dos barcos ausentes e das
redes traduzem espera, abandono e fragilidade. No final, o fogo exprime uma
paixão dolorosa, intensa e inevitável, que permanece ligada à ausência do
outro.

Sem comentários:
Enviar um comentário