Sim,
disseste que não voltavas.
Que
te ias embora para sempre.
Que
era o melhor para ambos, na tua opinião.
Bem
sei.
Apesar
de tudo, não quis que me devolvesses a chave.
Porque,
embora não me ligasses uma única vez.
Uma
só.
Nem
atendas o telefone quando eu ligo.
Todas
as tardes, ao voltar do trabalho,
antes
de abrir a porta,
eu
toco à campainha.
E
espero.
Para
o caso de.
Tradução
de A.M.
Original:
Sé
que me dijiste que no pensabas volver.
Que
te marchabas definitivamente.
Que,
según tú, era lo mejor para los dos.
Lo
sé.
A
pesar de todo, no quise que me devolvieras las llaves.
Porque
aunque no me hayas llamado ni una vez.
Ni
una sola.
Ni
cojas el teléfono cuando yo lo hago.
Todas
las tardes, al regresar del trabajo,
antes
de abrir la puerta
pulso
el timbre.
Y
espero.
Por
si acaso.
O poeta transforma um objecto quotidiano num símbolo de
espera, ausência e comunicação falhada. O toque do timbre interrompe o silêncio
e desperta tensão emocional, sugerindo memórias persistentes. O poeta utiliza
imagens simples para explorar a solidão contemporânea e a fragilidade das
relações humanas.

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