Gioconda Belli - Como cântaro

 


Nos dias bons,

de chuva,

os dias em que nos quisemos

totalmente,

em que nos fomos abrindo

um ao outro

como grutas secretas;

nesses dias, amor,

o meu corpo como cântaro

colheu toda a água suave

que derramaste sobre mim

e agora,

nestes dias secos

em que me dói a tua ausência

e me greta a pele,

a água cai-me dos olhos

cheia da tua lembrança

a refrescar a aridez do meu corpo,

tão vazio e tão cheio de ti.


Sem comentários:

Arquivo do blogue