Ao
fim da tarde
quando
a luz amortece
e o
jardim mergulha nas últimas ondas
de
oiro do dia
chega-me
o bulício das crianças
à
caça de pirilampos.
Correndo
na relva
espalham-se
nos arbustos,
gritam
de excitação, deslumbrados,
e
fazem roda em torno da pequena
a
mostrar a concha acesa
das
mãos cintilando.
Humano
ofício antigo
este
de querer agarrar a luz.
Lembras-te
da última vez em que julgámos
poder
iluminar a noite?
O
tempo tirou-nos o fulgor.
Mas
a escuridão
continua
cheia de pirilampos.
No poema, a poeta usa a imagem frágil e luminosa dos
vagalumes como metáfora da resistência e da esperança em contextos de opressão.
A luz intermitente simboliza pequenos gestos de liberdade, amor e dignidade que
persistem mesmo na escuridão histórica e política. O tom é delicado, mas
profundamente político, afirmando que a transformação não nasce apenas de
grandes atos, mas de múltiplas pequenas luzes coletivas.

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