Iva - Dobro doš'o, Hriste



Из љубави жарке Ти се с неба спусти,
Из вечне светлости у мрак злобни, густи,
Из вечне красоте у ругобу муке,
Дављеним у греху пружи свете руке.

Зачуди се небо, земља затресе се;
Добро дошо, Христе! Људи радујте се!

Љубав не зна страха нити понижења.
Добро дошо Христе, Владико спасења!
Из љубави жарке, Царе свих красота,
У пећину сиђе људскога живота

Девица прекрасна давно Ти се нада,
Да се кроз њу спустиш, из небеског града,
О девице света, кадилнице златна,
Слава ти и хвала, мати благодатна!

   Tradução imperfeita do Google tradutor:

Do amor dos fios da luz desce-te do céu
Da luz eterna para o breu, aviltado, espesso
Da beleza eterna à devastação do tormento,
És sacrificado em pecado por mãos sagradas.

O céu fica atónito, a terra treme;
Bem-vindo, Cristo! As pessoas alegram-se!

O amor não conhece medo ou humilhação.
Bem-vindo Cristo, o Senhor da salvação!
Do amor dos raios, cuidado de toda a beleza,
Na gruta, à vida humana desceu

A mulher linda há muito tempo é esperada,
Para descer da cidade celestial,
Sobre o mundo, as chaminés de ouro,
Obrigado, obrigada minha mãe!

Alberto Pancorbo



A abundância.

Carlos Oliveira Santos


O cartaz ocupava
toda a fachada contrária
à plataforma da Central Park North.

Era branco
e tinha umas letras pequeninas
no meio.

As pessoas tinham tendência
a concentrar-se no meio da plataforma
para lerem o que lá estava.

«Se ao menos fosses tu próprio.»

Era isto,
em letras a preto.

Se ao menos fosses tu próprio?!

Ficava tudo a olhar,
calados.

Alguns deixavam passar
o comboio deles
só para continuarem
a matutar naquilo.

«Se ao menos fosses tu próprio.»

Pior ainda
foi quando um tipo,
lívido,
esperou a vinda
dum comboio
e mandou-se,
choque de corpo,
todos chocados
a olharem para os bocados
a romperem-se
e alguns a arderem
quando tocavam nos carris eléctricos.

Tiraram o cartaz.

Acho que anunciava uma marca de roupa interior.

Carlos Nogueira Pinto

morrer é como entrar definitivamente na simplicidade
dos frutos
com um flutuar de pano branco
a obliterar a memória

é póstumo o silêncio enorme
que vier

Brian Patten - Uma folha de erva


Pedes-me um poema.
Ofereço-te uma folha de erva.
Dizes que não chega.
Pedes-me um poema.

Eu digo que esta folha de erva basta.
Vestiu-se de orvalho.
É mais imediata
do que alguma imagem minha.

Dizes que não é um poema.
É uma simples folha de erva e a erva
não é suficientemente boa.
Ofereço-te uma folha de erva.

Estás indignada.
Dizes que é fácil oferecer uma folha de erva.
Que é absurdo.
Qualquer um pode oferecer uma folha de erva.

Pedes-me um poema.
E então escrevo uma tragédia acerca
de como uma folha de erva
se torna cada vez mais difícil de oferecer

e de como quanto mais envelheces
uma folha de erva
se torna mais difícil de aceitar.

The Unthanks - Do You Ever Remember? (Molly Drake)



      Featuring archive Super 8 film of Molly Drake with her children, Gabrielle and Nick Drake. Life is a mistery, the same is beauty. 

Blaise Cendrars - Vida perigosa


Hoje sou talvez o homem mais feliz do mundo
Possuo tudo o que não desejo
E a única coisa que quero na vida aproxima-se a
cada volta da hélice
E ao chegar talvez tenha perdido tudo.

António Reis - Sei


Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do emprego

Tu
se o ar é fresco

Eu
se deixo de respirar
subitamente.

António Pocinho


Não sei em que rubrica me incluo: endereço insuficiente,
recusado, desconhecido, residente em parte incerta, falecido ou
outros.

in, Os pés frios dentro da cabeça

Antonio Machado


Tomai atenção:
um coração solitário
não é um coração.

La collectionneuse, Éric Rohmer, 1967




How can we define absolute beauty? God? the Universe? Nature? Perhaps the other.

Anne Sexton


Como já foi dito:
O amor e a tosse
não podem ser disfarçados.
Nem mesmo uma pequena tosse.
Nem mesmo um pequeno amor.

António Reis


Há sempre um rapaz triste
em frente a um barco

a água é sempre azul
e sempre fresca

Em que país encontraria
amor e compreensão

em que país
sentiriam
a sua vida e a sua morte

Não respondem as gaivotas
porque voam

Há sempre um rapaz triste
com lágrimas nos olhos
em frente a um barco.

Erzsébet Szilajka - Pebble Art















A pebble art da senhora Erzsébet Szilajka.

Antonio Gamoneda


Amei as desaparições e agora o último rosto saiu de
mim.

Atravessei as cortinas brancas:

já há somente luz dentro de meus olhos.

Antonio Gamoneda - Amor


A minha maneira de amar-te é simples:
aperto-te a mim
como se tivesse um pouco de justiça no coração
e ta pudesse dar com o corpo

Quando te revolvo os cabelos
algo de lindo nasce das minhas mãos

E não sei quase mais nada. Aspiro apenas
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes me pesa também no coração.

Antonio Gamoneda


Tenho frio junto aos mananciais. Subi até cansar o
coração.

Há erva negra nas ladeiras e açucenas roxas entre
sombras, mas, - que faço diante do abismo?

Sob as águias silenciosas, a imensidão carece de sig-
nificado.

Anise Kolz


Deus
chamo-te
como se existisses

Desce da tua cruz
precisamos de lenha
para nos aquecer.

Molly Drake - How Wild the Wind Blows

      Devo ao meu professor de guitarra esta dádiva, Molly Drake. A mãe de Nick Drake. Nascida na Birmânia, na capital Rangoon, registada com o nome Mary embora todos lhe chamassem Molly, escritora de versos e de canções que ressoam o vento da alma. Foi educada em Londres mas casou na catedral de Rangoon em 1937. Em 1942, o Japão invadiu a Birmânia e Molly refugiou-se em casa da irmã Nancy em Diu, Índia. A casa tinha um piano e, num lugar onde a guerra era improvável, as duas irmãs passavam as tardes a compor melodias para versos limpos, procurando algum conforto. A radio local convidou-as para cantar e nomeou-as The Lloyd Sisters. O marido regressou da guerra e em 1948 nasceu Nick Drake.



The acorn carries an oak tree
Sleeping but for a little while
Winter lies in the arms of spring
As a mother carries her child
And never knows
How wild the wind blows.

A thought carries a universe
A seed carries a field of grain
Love lies in the arms of change
As a joy carries a pain
And no one knows
How wild the wind blows.

          Repare-se na beleza desta cover pelo grupo The Unthanks.



Truly beautiful.



All compositions from this LP were written by Molly Drake.

"Happiness" (1:49)
"Little Weaver Bird" (1:50)
"Cuckoo Time" (1:37)
"Love Isn’t a Right" (2:03)
"Dream Your Dreams" (1:54)
"How Wild The Wind Blows" (1:19)
"What Can A Song Do To You?" (2:29)
"I Remember" (3:04)
"A Sound" (1:54)
"Ballad" (1:56)
"Woods in May" (1:10)
"Night Is My Friend" (1:39)
"Fine Summer Morning" (1:20)
"Set Me Free" (1:29)
"Breakfast at Bradenham Woods" (1:50)
"Never Pine for the Old Love" (4:00)
"Poor Mum" (1:41)
"Do You Ever Remember?" (1:38)
"The First Day" (2:39)

Sharon Shannon and Alan Connor



      Above, the great button accordian player Sharon Shannon (from County Clare, Ireland) performs "Blackbird: Padraig O'Keefe's/The Happy One-Step" with multi-instrumentalist Alan Connor at the Celtic Colours International Festival, Cape Breton Island, 2014.

Andrés Eloy Blanco - Silêncio


Quando tu ficares muda
e eu ficar cego,
vão-nos restar as mãos
e o silêncio.

Quando tu envelheceres,
e eu envelhecer,
hão-de ficar-nos os lábios
e o silêncio.

Quando tu morreres,
e eu também morrer,
têm de enterrar-nos juntos
e em silêncio;

e quando tu ressuscitares,
quando eu tornar a viver,
voltaremos a amar-nos
em silêncio;

e quando tudo acabar
para sempre no universo,
há-de ser um silêncio de amor
o silêncio.

Ana Salomé - Lume


Comecei a fumar para te pedir lume.
Para arranjar um motivo. Para.
Tens lume? Perguntei-te.
Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.
Engatilhaste o zippo. Todo prateado.
Abeiraste-te e fizeste concha com a mão direita.
Eras canhoto, como o coração.
Agora. Disseste.
E levei o cigarro até à chama.
Já está. E sorriste.
Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.
Não, claro que não. Claro que não.
Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.
O cigarro sempre aquece.
Sim. Tossi.
Estás bem? Perguntaste.
Estou muito bem.
Óptimo. Disseste. E sorriste.
Aquele café além é acolhedor. Não tomas nada?
Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.
Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.
Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida
Que correram mal, imediatamente mal.

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
Nem de cancro pulmonar, nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre.

      É uma pena não nos abraçarmos. É uma pena não dar certo e termos sempre de ficar sozinhos. Não sabemos alimentar o amor. Quanto ao poema, ele está muito bem escrito e é belo.

Guido Reni



Blessed soul


The Virgin sewing accompanied by four angels known as la Couseuse


Bacchus and Ariadne


Angel Appearing to Saint Jerome


Susanna and the Elders


Two fauns in a bacchic dance


The penitent Magdalene

The beauty of Barroco painting.

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