Is 55, 1-3

Prophets
Os Profetas de Fra Angelico

    Eis o que diz o Senhor:

«Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas.
Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei.
Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.
Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta
e o vosso trabalho naquilo que não sacia?
Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom;
saboreareis manjares suculentos. 
Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim;
escutai-Me e vivereis.
Firmarei convosco uma aliança eterna,
com as graças prometidas a David.»

    in, Livro de Isaías

Château de Villandry







    O jardim francês, oposto ao jardim inglês, é considerado o mais rígido e formal de todos os jardins, e traduz-se em formas geométricas de simetria perfeita. Criado no século XVII, durante o reinado de Luís XIV, o estilo demonstra o domínio racional do homem sobre a natureza numa opressão matemática.

Maureen Hyde - O Outono


    Não deixes o cuidado de governar teu coração a essas ternuras, pai e mãe do outono, a quem emprestam o plácido andar e a sua afável agonia. Os olhos são precoces em rugas. O sofrimento conhece poucas palavras. Opta por deitar-te sem fardo: sonharás com o dia seguinte e o leito ser-te-á leve. Sonharás que a tua casa já não tem vidraças. Estás impaciente por unir-te ao vento, ao vento que numa só noite percorre um ano. Outros cantarão a incorporação melodiosa, a carne que personifica apenas a feitiçaria da ampulheta. Condenarás a gratidão que se repete. Mais tarde hão-de identificar-te com qualquer gigante desagregado, senhor do impossível.
     Contudo.
    Não fizeste mais do que acrescentar o peso da tua noite. Regressaste à pesca nas muralhas, à canícula sem verão. Estás furioso com o teu amor no centro de uma inteligência que enlouquece. Sonhas com a casa perfeita que jamais verás erguer. Para quando a colheita do abismo? Mas tu vazaste os olhos do leão. Julgaste ver passar a beleza sobre alfazema negra...
Que foi que te levantou outra vez um pouco mais alto sem te convencer?
    Nenhum cerco é puro.

    René Char
    tradução de Eugénio de Andrade

William Wordsworth

Pintura de Brulloff Karl

E, entretanto, conheci uma jovem
que, cheia de espontaneidade, escapou a tal dependência,
porque o seu olhar não era senhor do seu coração,
nem sequer deixava perturbar o seu espírito
pelas leis prescritas por um gosto apenas passivo
ou arrojadas e áridas subtilezas; mas, sensata como as mulheres
que são favorecidas pelo seu especial modo de ser,
ela acolhia o que chegava até ela e nada mais desejava:
o que quer que lhe oferecia a paisagem para ela era
o melhor, e vivia com isso harmoniosamente
devido à sua benigna simplicidade
e a uma perfeita felicidade espiritual
vinda de diversas sensações que eram
como irmãs, sendo cada uma delas uma nova alegria.
Os pássaros nos ramos e os cordeiros nos prados,
se a tivessem conhecido, tê-la-iam amado; parecia-me
que a sua própria presença exalava doçura,
que as flores ou as árvores e mesmo as colinas silenciosas
e tudo para onde olhasse devia adivinhar
quais os seus sentimentos para cada uma delas
e para todas as criaturas. É com um tal ser que Deus
se deleita, porque os seus simples pensamentos
são a piedade, e a sua vida é a gratidão.

    Tradução de Maria de Lourdes Guimarães

And yet I knew a maid,
A young enthusiast, who escaped these bonds;
Her eye was not the mistress of her heart;
Far less did rules prescribed by passive taste,
Or barren intermeddling subtleties,
Perplex her mind; but, wise as women are
When genial circumstance hath favoured them,
She welcomed what was given, and craved no more;
Whate'er the scene presented to her view
That was the best, to that she was attuned
By her benign simplicity of life,
And through a perfect happiness of soul,
Whose variegated feelings were in this
Sisters, that they were each some new delight.
Birds in the bower, and lambs in the green field,
Could they have known her, would have loved; methought
Her very presence such a sweetness breathed,
That flowers, and trees, and even the silent hills,
And everything she looked on, should have had
An intimation how she bore herself                        
Towards them and to all creatures. God delights
In such a being; for, her common thoughts
Are piety, her life is gratitude.

    Valerá ainda a pena celebrar Eva antes de pecar?

Piano Trio No. 1 Schubert - andante con moto


    A intimidade de tocar bem e escutar bem continua perdida. Os espectáculos em grandes salas, quase sempre, só conduzem a música até aos sentidos. Não transcende. Quando acontece é o milagre.

A personificação do rio Nilo



    A escultura foi encontrada em 1530, foi restaurada no pontificado de Clemente XVI e fazia par com outra obra, o rio Tibre (hoje no Louvre). Mede dois metros de altura, três de comprimento e representa o rio Nilo como divindade em forma de um velho de barbas, que se apoia sobre uma esfinge e sustem uma cornucópia como símbolo da fertilidade das águas. As dezasseis crianças que brincam em seu redor simbolizam as subidas do volume das águas nas inundações anuais. Encontra-se no Museu do Vaticano e estudos calculam que foi realizada 2 séculos depois de Cristo.

Melozzo da Forlì


    Os anjos do pintor renascentista Melozzo da Forli são dos mais belos da história da arte. É o Renascimento com luz. Neste exemplo, o anjo abre uma janela no céu e toca alaúde certificando-se com o olhar de que o som chega cá abaixo. Por alguma razão se certifica. 

Golgona Anghel - Agora que nada mais importa

O desinteresse acumula-se à minha volta
como as camadas seculares
no tronco de uma sequóia.
Fico imune a queixinhas.
Lavo sozinho a minha roupa.
A minha língua está a ganhar uma espessura lenhosa.
No lugar do grito,
uma greta.
Mãos nos bolsos,
bico calado.
Evito vitrinas e espelhos.
Tenho medo que a verdade
me possa desfigurar o rosto.

in, Como uma flor de plástico na montra de um talho.

A aldeia de Conques











    A aldeia medieval de Conques, em Marcillac, é uma povoação construída ao redor da abadia de Saint Foy e é considerada uma das aldeias mais belas de França. O lugar existe desde 819 d.c, quando a área de floresta era desabitada e tornou-se um local de oração e meditação. Este espaço de silêncio verde foi escolhido por um eremita chamado Dadon, que mais tarde fundou uma comunidade de monges beneditinos. Ali fazem paragem os peregrinos a caminho de Compostela.

Serão os humanos que verão a morte do Sol?


    «Gostaria de alargar a consciência das pessoas quanto ao tremendo período de tempo que temos pela frente – para o nosso planeta e para a própria vida. A maior parte das pessoas instruídas tem consciência de que somos o resultado de quase quatro biliões de anos da selecção de Darwin, mas muitos têm tendência a pensar que somos de algum modo o culminar da evolução. O nosso Sol, porém, ainda não chegou a metade do seu período de vida. Não serão os humanos que verão a morte do Sol, daqui a seis biliões de anos. As criaturas que existirão nessa altura serão tão diferentes de nós como nós somos das bactérias ou das amibas.»

    Martin Rees, astrónomo e professor de Cosmologia e Astrofísica em Cambridge. A tela é do pintor americano, de Virginia, Dan Earle.

As coisas tornam-se visíveis

Sempre. Dormiram, acordaram, esgotaram-se. Vivem na escuridão, no vácuo. Têm mãos. Respiram sombriamente sobre as mãos.
Depois param.
Então criam a festa. As forças irrompem do fundo; fazem vacilar o fino e o precário equilíbrio da terra. Para lá da lei abolida, as coisas tornam-se visíveis, com uma intensidade, uma transparência anterior: sinais, vozes, tudo. Como se o mundo inteiro curasse uma ressaca no corpo de cada um, e essa lípida desordem deixasse o coração escorrido.
É a festa dos homens.

Herberto Helder in, Passos em Volta

Lilla Pete - Bach Es-dur Sonata


     Beijar a música como um passarinho e voar.

Vitorino Nemésio - O Pão e a culpa

Desde que me conheço sei o pão
E o corto em companhia.
Por ele me bate o coração,
E em sua dobra quente
Grelava outrora a alegria
De mim e de muita gente.

Uma hastilha de seiva começava-o
Como um fio de luz,
E a eira rasa dava-o
Tal como a rosa de alva a cor produz.

Vinha a nós como o Reino vem na prece,
Sendo feita a vontade ao Lavrador:
Assim numa alma limpa amadurece
A semente de amor.

Era o pão. Chão de pão,
Dizia-se ‑ e era logo;
Caía o gesto à terra, a espiga balouçava,
O tempo, devagar, corria-lhe a sua mão,
E com um pouco de pinho e outro de fogo
A vida clara estava
Naquela combinação.

Hoje, que é pão ainda, e à noite nosso,
Vai-se a cortar, falta-lhe talvez polpa.
Se não parto na mesa o pão que posso
É minha a culpa.

Eu sei o pão de cada dia e trago-o:
Ontem, como amanhã, já hoje mo dão;
Mas, vago, a meio da dentada, trago-o,
E não, não é bem o mesmo, ou então não posso…

Ou pelo menos não é todo nosso
Este que levo à boca, o nosso pão.

    O sentimento comunitário da partilha, o mistério das coisas simples, o ontem e o hoje, o pão como perda e salvação.

Dolores Fernandes

                 

    A militante e freira carmelita Dolores Ibárruri, também conhecida como La Pasionaria, foi uma líder comunista basca que lutou na linha da frente da Guerra Civil de Espanha, contra Francisco Franco, pelos republicanos. Tinha o dom de inflamar as palavras no discurso politico e é dela o slogan «¡No pasarán!» 'Não passarão!'. A lenda, ou não, diz que rezava o terço antes da luta, fazia preces junto aos mortos e feridos, trazia a imagem da virgem basca junto aos seios e bordou a foice e o martelo no manto da imagem da virgem da sua terra natal.
    Quando nos nasceu outra filha, o nome 'Lorca' não foi aceite pelo Registo Civil e optámos por Dolores. Dolores Fernandes Nunes, numa homenagem à antiga guerrilheira, 60 anos depois. Esta cresceu em graça e sabedoria, sagaz e trabalhadora na touch-screen generation do seu tempo, entre os shoppings e o Facebook, a frequentar Artes no liceu e violino no Conservatório de Música de Viseu. Tem agora 17 anos.
   Esta semana - quis o destino, participou livremente na maior festa do Partido Comunista Português, a Festa do Avante.

Lídia Borges - Como te contar?


Inquieta-me a lucidez de certas horas.
Como te contar? Tudo nelas é perfeito, 
e claro, e inabalável... Até a dor!

A acomodação à realidade
põe-se a subir sorrateira pelo corpo
dos sonhos e dos desejos. Mata-os!

É perigoso viver desarmado 
na lucidez das horas. 
Quando menos se espera, morre-se!

Quero a minha lanterna sempre acesa,
Entrar com ela no inexprimível  sossego
que precede a tempestade;

Escutar o respirar aflito do mundo
entre dois trovões, duas guerras, dois gritos, 
separados apenas por um fio;

Um espaço impreciso, o fio, entre o um e o dois, 
Espaço a que, só por ignorância, 
chamamos silêncio.

 A tela é de Federico Zandomeneghi.

Carel Willink




A vós a quem a luz aquece,
na abertura da luz,
inteiramente resguardados,
não é possível tocar-vos as entranhas e perguntar:
Onde apanhastes isso?

À beira do mar que contém as visões dos outros
e os rostos a quem já não é possível molestar -
a quem perguntas?

Quando se abre uma cratera
a fronteira renova-se, o fogo sossega.

Quando te cobres de flores,
quem sabe se é para adormeceres ou para acordares
para os actos mais puros?

    Ivan Laučik, poeta eslovaco, nasceu em Liptov, em 1944.

João Ricardo Lopes - Compotas


colher, deixá-la amadurecer mais um pouco,
cortar tudo em pedaços, cozer, caramelizar, aromatizar, guardar-lhe
nos frascos (duas vezes lavados em água a ferver) a polpa açucarada,
anotar os nomes, repetir baixinho o esconjuro,
ensinar a tradição: assim é a fruta

como o tempo! importa possuí-lo, conhecê-lo, conservá-lo a nosso favor,
tomar gosto aos gestos,
deixar que eles signifiquem, permaneçam, alimentem,
deixar que sejam o nosso rosto depois e depois,
palavras em compota  não mais que puro silêncio


    A foto é de Serban Mestecaneanu

Marcelle Milo-Gray



                 A intimidade do jardim francês e inglês. 

Cecília Meireles

Os remos batem nas águas:
têm de ferir, para andar.
As águas vão consentindo -
esse é o destino do mar.


   A dor e a vida.

Alexander Sokurov - Fausto




     Fausto é o protagonista de uma lenda popular alemã que conta um pacto entre o homem e o demónio, baseada no médico, mago e alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540). Este nome, Fausto, tem sido usado como base de diversos romances de ficção, o mais famoso deles do escritor Goethe, produzido em duas partes, tendo sido escrito e reescrito ao longo de quase sessenta anos da sua vida.
    Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento do seu tempo, faz um pacto com o demónio Mefistófeles, que o enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso.
    O filme de Sokurov é uma versão sublime. Num lugar estreito, entre tripas que não cabem num cadáver e exposição de ignorâncias, alguém tenta descobrir onde se encontra a alma. Vendida ao diabo, a alma está onde há dinheiro e interesses. Cada sequência entra dentro da sequência seguinte e o todo desarruma-se dentro de cada um de nós.

João César das Neves



    "Somos herdeiros da primeira tentativa humana de erradicação sistemática do transcendente. Nos últimos 250 anos, em toda Europa, filósofos argumentaram e oradores ridicularizaram; autoridades proibiram, encerraram, prenderam, por vezes devastaram e executaram. No conjunto, representou o maior esforço colectivo da história da humanidade. E foi contra Deus.
    Finalmente os promotores entenderam que não só o processo os transformara em monstros piores do que os que diziam perseguir, mas os resultados eram desanimadores. A religião, debaixo da terrível pressão, resistiu e prosperou. Então mudaram o método. O Todo-Poderoso deixou de ser atacado abertamente para ser ignorado. Passou de inimigo a desconhecido."

    in, DN de 1 de Setembro 2014

    Muitos seres humanos sentem o divórcio entre a Palavra e a vida e defendem que Deus foi apenas deduzido pelo imperativo de um modelo de perfeição. Este não os activa e, ao contrário, necessita de ser activado por interesse e inevitabilidade. Em vez do coração colocam-O no cérebro.

John Keats - Bright Star


    O amor, entre Fanny Brawne e o poeta romântico do séc XIX John Keats, revela que houve um tempo em que as palavras despertavam virtude, afectos e paixão. Consciente da transitoriedade da vida humana, John Keats quis ser eterno como uma estrela do céu e escreveu este poema. Deus, depois de o ler, veio buscá-lo. Tinha 25 anos.

Bright star, would I were steadfast as thou art —
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like Nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors —
No — yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft swell and fall,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever — or else swoon to death.

   
 Tradução com margem para melhoria:

Ó estrela cintilante, quisera eu ser estável como tu -
Não no esplendor solitário, pairando sobre a noite,
Espreitando, de pálpebras sempre abertas,
Como um Ermita perseverante, um vigilante da Natureza
As águas na sua tarefa sacerdotal
De purificar as margens do homem na terra,
Ou reparando no manto maciço de neve
Que caiu sobre as montanhas e os pântanos -
Não - todavia estável, todavia imutável,
Quisera pousar a cabeça sobre o jovem seio da minha amada,
Sentir para sempre a sua curva suave,
Acordar sempre em doce agitação,
Escutar, escutar o seu terno respirar,
E assim viver para sempre - ou então morrer.

Gigliola Cinquetti - Non ho l'età


    Dizia Hugo Hofmannsthal 'Amadurecer significa separar de forma mais nítida, ligar de forma mais íntima'. É, depois da infância, o tempo intenso de viver.

Félix de Cárdenas




    Reinterpretar o interior pelo exercício do despojamento. Deixar de possuir, retirar os adornos, não levar nada para o caminho. O pintor nasceu em Sevilha em 1950.

Robert Louis Stevenson - O que acende os candeeiros




O meu chá está quase pronto e o sol abandonou o céu;
É hora de ir à janela para ver Leerie passar;
Todas as noites à hora do chá e antes de nos sentarmos,
Com a sua lanterna e a sua escada ele vem e acende a rua.

Tom será condutor e Maria irá para o mar,
O papá é banqueiro e muito rico;
Mas eu, quando for grande e puder decidir,
Oh, Leerie, irei contigo todas as noites e farei a ronda dos candeeiros!

Nós temos muita sorte, temos um candeeiro à nossa porta,
E Leerie pára para o acender e acende muitos mais;
Oh, Leerie, antes de te ires embora com a tua escada e a tua lanterna,
Oh, Leerie, cumprimenta a criança que te está a olhar!


    O Leerie é agora um fio, onde de vez em quando pousa o pássaro.

Mia Couto - O Espelho

Esse que em mim envelhece
assomou ao espelho
a tentar mostrar que sou eu.

Os outros de mim,
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me a sós, perplexo,
com o meu súbito reflexo.

A idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.


    Ser feliz quando a luz não tiver peso.

A Viagem dos cem passos



    Os trailers são o que tristemente são, mais vale uma cena completa do filme. Como não existe nenhuma no Youtube partilho esta entrevista de Charlotte Le Bon, uma das actrizes principais da história, de beleza fresca, simples e europeia - apesar de ter nascido no Canadá. O filme é terno e em muitos momentos belo, sobre o modo como a comida, o bom senso e a amizade podem unir culturas diferentes. 

    Nota: Só para quem já "reparou" no filme.

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