Manoel de Barros (1916-2014)

 


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A maior riqueza do homem é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou - eu não

aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre

portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que

compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,

que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.

Perdoai.

Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem usando borboletas.


  in, Retrato do Artista quando Coisa, 1998


      No poema, Manoel de Barros apresenta a incompletude como a maior riqueza humana, valorizando a imperfeição e a capacidade de transformação. O sujeito poético rejeita uma existência limitada às rotinas quotidianas, procurando ultrapassar os limites da realidade comum. A expressão «preciso ser Outros» revela o desejo de experimentar diferentes identidades e possibilidades. A imagem final das borboletas simboliza a renovação, a liberdade e a imaginação, sugerindo que a poesia pode reinventar o homem e transformar a sua maneira de ver o mundo.


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