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A
maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse
ponto sou abastado.
Palavras
que me aceitam como sou - eu não
aceito.
Não
aguento ser apenas um sujeito que abre
portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra
pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que
aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas
eu preciso ser Outros.
Eu
penso renovar o homem usando borboletas.
in,
Retrato do Artista quando Coisa, 1998
No poema, Manoel de Barros apresenta a incompletude como a
maior riqueza humana, valorizando a imperfeição e a capacidade de
transformação. O sujeito poético rejeita uma existência limitada às rotinas
quotidianas, procurando ultrapassar os limites da realidade comum. A expressão
«preciso ser Outros» revela o desejo de experimentar diferentes identidades e
possibilidades. A imagem final das borboletas simboliza a renovação, a
liberdade e a imaginação, sugerindo que a poesia pode reinventar o homem e transformar
a sua maneira de ver o mundo.

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