Ezra Pound – A Rapariga / The Girl



A árvore penetrou as minhas mãos,

A seiva ascendeu pelos meus braços,

A árvore cresceu-me no peito -

Para baixo,

Os ramos crescem fora de mim, como braços.


Árvore és tu,

Musgo és tu,

Tu és violetas com o vento acima delas.

Uma criança – tão alta – és tu,

E tudo isso é loucura para o mundo.


  Tradução de J. T. Parreira


  Original:


The tree has entered my hands,

The sap has ascended my arms,

The tree has grown in my breast-

Downward,

The branches grow out of me, like arms.


Tree you are,

Moss you are,

You are violets with wind above them.

A child – so high – you are,

And all this is folly to the world.


      O poema explora a transformação provocada pelo amor, apresentando a mulher como uma presença que altera profundamente a identidade do sujeito poético. A beleza da rapariga é a beleza da árvore. O poema exprime a dificuldade de compreender essa transformação interior, revelando a tensão entre a experiência amorosa e a consciência de si próprio.


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