Detido
por uma mulher às portas duma cidade desconhecida
supliquei-lhe:
deixa-me passar, apenas entrarei
para
sair de novo e voltarei a entrar para sair
porque
a obscuridade me mete medo como a todos os homens.
Então
disse-me ela:
"Por
isso deixei lá uma luz acesa!"
Tradução
de Henrique Dória
Vladimír Holan foi um dos maiores expoentes da poesia
checoslovaca do século XX. O poema transforma um encontro simples numa reflexão
sobre o medo, o desejo e o mistério da existência. A escuridão representa a
inquietação humana perante o vazio. A resposta inesperada da mulher, afirmando
ter deixado a luz acesa, introduz uma esperança enigmática e quase paradoxal.
A "luz acesa" remete também para o famoso hábito
nocturno do próprio poeta, cuja janela iluminada era lendária em Praga durante
os seus anos de isolamento e criação artística.

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