Sozinha
no bosque
com
meus pensamentos.
calei
as saudades,
fiz
trégua aos tormentos.
Olhei
para a Lua,
que
as sombras rasgava,
nas
trémulas águas
seus
raios soltava.
Naquela
torrente
que
vai despedida,
encontro,
assustada,
a
imagem da vida.
Do
peito, em que as dores
já
iam cessar,
revoa
a tristeza,
e
torno a pensar.
A "Cantiga", um dos poemas mais conhecidos da
poeta portuguesa Marquesa de Alorna (D. Leonor de Almeida Portugal), é uma
reflexão profunda sobre a solidão, a memória e a natureza. Escrito durante o
seu longo confinamento no Convento de Chelas, o texto combina a sensibilidade
romântica com a observação minuciosa do mundo natural.
O poema ganha maior significado ao lembrar que a autora viveu
grande parte da sua juventude fechada num convento devido a um escândalo
político que envolveu a sua família (os Távoras). A solidão expressa nos versos
é o eco da sua própria reclusão forçada.

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