Karmelo C. Iribarren - O amor / El amor



Como o vento que encontra

uma frincha

e se enfia pela casa

e põe tudo em desordem,

livros

facturas

poemas


assim na vida

chega

o amor.


Nada é igual depois disso,

esse caos

é a felicidade.


Mas um dia tem de acabar.


Sorte se não te calhar a ti.


 Tradução de A.M.


  Original:


Como el viento que encuentra

una rendija

y se cuela en la habitación

y lo desordena todo:

libros

facturas

poemas


así llega

en la vida

el amor.


Nada es igual a partir de entonces,

ese caos

es la felicidad.


Pero un día habrá que recoger.


Suerte si no te toca a ti.


      No poema, o amor é comparado ao vento que entra por uma fresta e desarruma tudo. A metáfora sugere que o amor surge de forma inesperada e transforma profundamente a vida quotidiana. O poeta valoriza esse "caos" como fonte de felicidade, mostrando o lado intenso e renovador do sentimento. Contudo, o final introduz uma nota de realismo e desencanto: um dia será necessário "arrumar", ou seja, enfrentar as consequências do fim do amor. A pintura é de Lorena Pugh.


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