Mais
vale que não saibam para que
serve
a poesia, se é que ainda alguém a lê.
Não
lhes digas,
cala-te,
que
não saibam
que
não é neutra a sua beleza, que torna
insuportáveis
a crueldade, a idiotia e o ruído
e
por isso nos faz solidários.
Ainda
a lêem, alguns.
Se
te perguntarem
o
que é ou para quê, tartamudeia,
faz-te
desentendido e sorri.
Depois,
quando tiverem a alma em carne viva
e
houverem chorado muito, recordarão
que
tu podias mas não os preveniste,
e
hão-de agradecer-te.
Tradução
de A.M.
Original:
Más
vale que no sepan para qué
sirve
leer poesía, si algunos aún la leen.
No
les expliques,
calla,
que
no sepan
que
su belleza no es neutral, que hace
insoportables
la crueldade, la idiotez y el ruido
y
por eso nos vuelve solitarios.
Algunos
aún la leen.
Si
te preguntan
qué
es o para qué, tartamudea,
contesta
imprecisiones, y sonríe.
Más
tarde, cuando tengan el alma en carne viva
y
hayan llorado mucho, recordarán que tú
pudiste
hacerlo y no les previniste,
y te
darán las gracias.
No poema, a poesia surge como uma força transformadora e
discreta. O sujeito poético aconselha que não se revele aos jovens o verdadeiro
poder da poesia: a capacidade de tornar intoleráveis a crueldade, a estupidez e
o ruído do mundo. Através de um tom irónico e cúmplice, sugere que a
compreensão dessa força só chegará com a experiência da dor e da maturidade. O
poema valoriza a leitura poética como uma forma de despertar moral e emocional,
capaz de enriquecer profundamente a vida humana.

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