Tu
tens um medo:
Acabar.
Não
vês que acabas todo o dia.
Que
morres no amor.
Na
tristeza.
Na
dúvida.
No
desejo.
Que
te renovas todo o dia.
No
amor.
Na
tristeza.
Na
dúvida.
No
desejo.
Que
és sempre outro.
Que
és sempre o mesmo.
Que
morrerás por idades imensas.
Até
não teres medo de morrer.
E
então serás eterno.
No poema, Cecília Meireles contrapõe o medo humano à necessidade de viver plenamente. A voz poética critica a existência limitada pela insegurança e pela preocupação excessiva com perdas, fracassos ou sofrimentos. Em tom reflexivo e aconselhador, incentiva a coragem, a liberdade interior e a aceitação da transitoriedade da vida.

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