A
menina tinha os cabelos louros.
A
boneca também.
A
menina tinha os olhos castanhos.
Os
da boneca eram azuis.
A
menina gostava loucamente da boneca
A
boneca ninguém sabe se gostava da menina.
Mas
a menina morreu.
A
boneca ficou.
Agora
já ninguém sabe se a menina gosta da boneca.
E a
boneca não cabe em nenhuma gaveta.
A
boneca abre as tampas de todas as malas.
A
boneca é maior que a presença de todas as coisas.
A
boneca está em toda a parte.
A
boneca enche a casa toda.
É preciso esconder a boneca.
É
preciso que a boneca desapareça para sempre.
É
preciso matar, é preciso enterrar a boneca.
A
boneca.
A boneca.
No poema, a boneca simboliza a memória e a dor da perda. Após
a morte da menina, o brinquedo permanece e transforma-se numa presença
obsessiva, ocupando toda a casa e a mente dos que ficaram. A repetição da
palavra "boneca" reforça essa ideia de lembrança incessante. O contraste entre
a fragilidade da criança e a permanência do objeto evidencia a força da saudade
e a dificuldade de superar o luto.

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