Egito Gonçalves

 


Nenhum amor é total,

nenhum amor desenha a latitude

e longitude como linhas ideais;

na massa em fusão

há sempre uma impureza,

todo o amor tem as suas fissuras

a vigiar constantemente.

O dia, raro atinge a sua ponta extrema.


      O poema reflete sobre os limites inevitáveis do amor humano. O sujeito poético reconhece que qualquer relação permanece incompleta, marcada pela imperfeição, pela ausência e pela impossibilidade de entrega absoluta. Além disso, o poema valoriza a consciência da fragilidade afetiva, mostrando que amar implica aceitar falhas, distâncias e contradições. Assim, o amor surge simultaneamente como experiência e insuficiente, capaz de unir pessoas sem eliminar a solidão.


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