Devia
olhar o rei,
mas
foi o escravo que chegou
para
me semear o corpo de erva rasteira
Devia
sentar-me na cadeira ao lado do rei,
mas
foi no chão que deixei a marca do meu corpo
Penteei-me
para o rei,
mas
foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo
O
escravo era novo
tinha
um corpo perfeito
as
mãos feitas para a taça dos meus seios
Devia
olhar o rei,
mas
baixei a cabeça doce, terna
diante
do escravo.
No poema, o sujeito poético reflete sobre o poder, a
hierarquia e a condição feminina. A expressão "devia" sugere obrigação social,
revelando expectativas impostas à mulher. A figura do rei simboliza autoridade
e domínio, enquanto o olhar representa consciência e questionamento. O poema
contrapõe submissão e resistência, valorizando a voz feminina.

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