Tu não sabes, há bétulas que arrancam as raízes à noite,
enquanto as árvores caminham e viram sonhos.
Pensa que na árvore há um violino de amor.
A árvore ri-se e canta.
A árvore mora numa fenda e depois torna-se vida.
Já te disse, os poetas não se redimem, deixa-os voar pelas
árvores como rouxinóis prestes a morrer.
(Trad. A.M.)
Original:
Tu non sai: ci sono betulle che di notte levano le loro
radici, e tu non crederesti mai che di notte gli alberi camminano o diventano
sogni.
Pensa che in un albero
c'è un violino d'amore.
Pensa che un albero canta e ride.
Pensa che un albero sta in un crepaccio e poi diventa vita.
Te l'ho già detto: i poeti non si redimono, vanno lasciati volare tra gli alberi come usignoli pronti a morire.
Neste poema, Alda Merini expressa a incompreensão entre quem ama e quem observa de fora. A voz lírica revela dor, intensidade e solidão, sugerindo que o verdadeiro sentimento é invisível para os outros. O "tu" desconhece a profundidade do amor vivido, reduzindo-o a aparência. Assim, o poema explora a distância entre experiência interna e julgamento externo, destacando a fragilidade emocional do poeta.
A tela é The Poet in Arcadia pintada por William Bell Scott, 1811-90.

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