«Quando um homem medita nos objectos
dos sentidos, desperta o seu apego;
e, do apego, eis que nasce, então, o desejo;
e, do desejo, é que provém a ira;
e, da ira, provém sempre desilusão;
e, da desilusão, a perda de memória;
e, perdida a memória, esvai-se o intelecto;
e, sem o intelecto, eis que o homem perece.
Mas, se passar p'lo meio dos objectos
dos sentidos, com todos os seus sentidos livres
d'apego e d'ódio, mente submetida,
senhor de si, há-de ganhar a serenidade.
E, na serenidade, p'ra ele, não há
mais qualquer espécie d'infortúnio ou d'entrave,
porque, com a consciência em paz imensa,
esse mantém o intelecto inabalável.»
O «Poema do Senhor Bhagavad-Guitá», atribuído a Vyassa,
apresenta um diálogo filosófico entre Krishna e Arjuna, no campo de batalha de
Kurukshetra. O conflito externo simboliza a crise interior do ser humano diante
do dever, do medo e do apego. Krishna ensina diferentes caminhos espirituais —
ação correta, conhecimento e devoção — integrados numa ética do desapego. O
poema concilia vida ativa e transcendência, afirmando que agir sem desejo pelos
frutos conduz à libertação.

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