Sou
insignificante. Não sou alto
nem
bem-posto. Não sou rico. Nem a saúde
sequer
despertará inveja a ninguém.
Por
isso quando estou com estranhos,
falo
muitíssimo bem de mim mesmo,
dos
meus grandes projectos, da minha enorme
capacidade
– 'Heis-de ver' – ao realizá-los.
Edifico em praças e jardins
-
mentalmente, entenda-se – altos pedestais.
- 'Ora vêde – diria – Aquele busto ali
é
meu. E meu nome está aquí, ora lêde'
– E digo 'Amigo', 'Tu', essas coisas.
Creio, todavia, que não engano ninguém,
já
que ou se calam ou me respondem
na
mesma moeda.
Insisto,
contudo, pois não sou
tal
como vejo os outros:
ricos,
bem-postos, altos e saudáveis…
Ou,
porventura, não são, e apenas fingem?
O poema apresenta uma visão crua e desencantada da
experiência urbana. Fonollosa retrata a Rambla como um espaço de solidão, de desejo
frustrado e anonimato, onde o sujeito lírico observa sem participar. A
linguagem direta, quase brutal, denuncia a mercantilização dos corpos e a indiferença social, convertendo a cidade num
cenário de derrota íntima contínua.

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