Uma
vez li uma história
sobre
um gafanhoto com um dia de vida,
um
aventureiro verde que foi engolido
no
escuro por um morcego.
Logo
a seguir a isto o velho e sábio mocho
apresentou
um breve discurso de consolação:
também
os morcegos têm direito à vida,
e
continuam a andar por aí muitos gafanhotos.
Logo
a seguir a isto veio
o
fim: uma página em branco.
Passaram
entretanto quarenta anos.
Debruçado
ainda sobre essa página em branco
não
me sinto com forças
para
fechar o livro.
A tela é de David Alfaro Siqueiros, Echo of a Scream, 1937.

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