David Mourão-Ferreira - Escolha

 


Entre o vento e a navalha escolho o vento

Entre verde e vermelho aquele azul

que até na morte servirá de espelho

ao vento que por dentro me deslumbra.

Entre vento e cipreste escolho o Sol

Entre as mãos que se dão a que se oculta

Entre o que nunca soube o que já sobra

Entre a relva um milímetro de bruma.


      Por cada passo para a frente fica sempre alguma coisa para trás. O novo deslumbra, o que passou torna-se saudade. De uma maneira ou de outra crescemos na sabedoria, no espanto e na dúvida. Deste poema destaco o último verso, que também é meu.



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