Jean l’Anselme - L' amour fou

 


Je suis à toi comme la sardine est à l’huile,

le maquereau au vin blanc, le loup au

fenouil, le brochet au beurre blanc.

Je suis à toi comme la glace est à la pistache,

le poulet aux hormones, la soupe à la

grimace, mon père avec la bonne.

Je suis à toi comme le vinaigre est à l’estragon,

la pêche à l’espadon, la salade aux lardons,

les gaîtés à l’escadron.

Je suis à toi comme le moutard à sa nourrice,

le motard à la police, les aristos à la lanterne,

les peupliers à la poterne.

Je suis à toi comme le yaourt est à la vanille, ton

sexe au parfum de glaïeul, le petit salé

aux lentilles, la mémère à son épagneul.

Je suis à toi comme tu es à moi, comme le ver

est à soie, comme l’avenir est à nous,

comme le garde est à vous, comme le train

est à l’heure.

Je suis à toi

comme les tiques aux bœufs.

On dit n’importe quoi

quand on est amoureux.


Eu sou para ti como a sardinha para o azeite,

a cavala para o vinho branco, o barbo

para o funcho, o lúcio para a manteiga.

Eu sou para ti como o gelado para o pistachio,

o frango para as hormonas, a sopa para

a careta, o meu pai mais a criada.

Eu estou para ti como o vinagre para o estragão,

a pesca para o peixe-espada, a salada para o toucinho,

as vagens para o esquadrão.

Eu estou para ti como o bebé para a ama,

o motoqueiro para a polícia, os lordes para a lanterna,

os choupos para a poterna.

Eu sou para ti como o iogurte para a baunilha, o teu

sexo para o odor do gladíolo, o salgadinho

para as lentilhas, a avozinha para o seu cão.

Eu estou para ti como tu para mim, como o bicho

está para a seda, como o futuro para nós,

como a guarda está para vós, como o comboio

vem à hora.

Eu estou para ti

como as carraças para os bois.

Dizemos tudo e mais alguma coisa

quando estamos apaixonados.


      A tela é de Vicente Romero Redondo.

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