Je
suis à toi comme la sardine est à l’huile,
le maquereau au vin blanc, le loup au
fenouil, le brochet au beurre blanc.
Je
suis à toi comme la glace est à la pistache,
le
poulet aux hormones, la soupe à la
grimace, mon père avec la bonne.
Je
suis à toi comme le vinaigre est à l’estragon,
la
pêche à l’espadon, la salade aux lardons,
les
gaîtés à l’escadron.
Je
suis à toi comme le moutard à sa nourrice,
le
motard à la police, les aristos à la lanterne,
les
peupliers à la poterne.
Je
suis à toi comme le yaourt est à la vanille, ton
sexe
au parfum de glaïeul, le petit salé
aux
lentilles, la mémère à son épagneul.
Je
suis à toi comme tu es à moi, comme le ver
est
à soie, comme l’avenir est à nous,
comme
le garde est à vous, comme le train
est
à l’heure.
Je
suis à toi
comme les tiques aux bœufs.
On dit n’importe quoi
quand on est amoureux.
Eu
sou para ti como a sardinha para o azeite,
a
cavala para o vinho branco, o barbo
para
o funcho, o lúcio para a manteiga.
Eu
sou para ti como o gelado para o pistachio,
o
frango para as hormonas, a sopa para
a
careta, o meu pai mais a criada.
Eu
estou para ti como o vinagre para o estragão,
a
pesca para o peixe-espada, a salada para o toucinho,
as
vagens para o esquadrão.
Eu
estou para ti como o bebé para a ama,
o
motoqueiro para a polícia, os lordes para a lanterna,
os
choupos para a poterna.
Eu
sou para ti como o iogurte para a baunilha, o teu
sexo
para o odor do gladíolo, o salgadinho
para
as lentilhas, a avozinha para o seu cão.
Eu
estou para ti como tu para mim, como o bicho
está
para a seda, como o futuro para nós,
como
a guarda está para vós, como o comboio
vem
à hora.
Eu
estou para ti
como
as carraças para os bois.
Dizemos
tudo e mais alguma coisa
quando
estamos apaixonados.
A tela é de Vicente Romero Redondo.

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