Não
sei qual é o barco ou se há barco.
Sei
que navegamos um no outro
que nos encontramos para
a navegação.
A uma
ilha rubra chamamos coração.
Entre
a minha e a tua um sulco de água
se
abre. Por vezes cicatriz. Ou só espuma.
E se há mar
o teu é perfumado
sem
rosa-dos-ventos, portulanos, astrolábios.
Puro mar
salgado. Nele um marinheiro
te
navega. Serei eu, um dia naufragado.
É, ao morrer em alguém, que se habita o amor.

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