Fernando Alves dos Santos - Somos o que somos

 

      

Somos o que somos:

a caravela retórica

ou os noivos coibidos de fazer amor,

o verão onde os ciganos se aquecem

ou os homens que coxeiam conforme as raças,

os joelhos e as coxas torneadas

dos artistas e dos visitantes

dos ritos religiosos,

as crianças que brincam nas lixeiras

controladas pelas forças policiais.

Somos o que somos:

um destino a escassas dezenas de metros do mar.


      O homem pode ser limitado, pode não cumprir as tábuas de Moisés e Jesus Cristo, ele é como é, mas temos melhorado muito. Do poema gosto particularmente das "coxas torneadas dos artistas e dos visitantes dos ritos religiosos". Pois.

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