Daniel Faria - A distância absoluta

 

           

Há muitos metros entre um animal que voa

e a escada que desço para me sentar no chão

Mas basta-me um quadrado de sossego

para a distância absoluta

 

Está para além do que se vê a janela onde me debruço definitivo

Não é uma aparição

Nem se pode alcançar sem se ir em frente caindo

 

Só no fim da paisagem estou de pé como um para-quedista que desce

Suspenso como os santos num arroubo místico

Erguido como um anjo em suas asas

E sinto-me ser alto como um astro. Nuvem

como se fosse um homem

que levita.


      Depois da tua morte - uma clara burrice de Deus - o teu livro de poemas Daniel, passou a ser a minha prenda para toda a gente que conheço. Tu tens sido um dos meus amores.


Sem comentários:

Arquivo do blogue