Sem
artes
e sem letras
ambições
materiais
um
projecto de vida
agruras
na pele
dramas
existenciais
discriminação
à vista
vizinhos
incómodos
cheias
torrenciais
carências
no bolso
um
frio na barriga.
Feliz
como
as folhas de uma couve.
in, Não
deixaram entrar o cão, 2025
O poema valoriza a felicidade em contraste com a tragédia
existencial. A couve irá, um dia, ser cortada. Através de uma linguagem simples,
o sujeito poético parece encontrar alegria nas pequenas coisas, nos momentos
quotidianos e na capacidade de apreciar o presente. A expressão do título
resume uma atitude perante a vida: ser feliz sem procurar justificações
grandiosas.

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