Que
a palavra limpe as feridas,
seja
bastão seguro para algumas pernas fracas,
lente para aqueles olhos a que a névoa tira a vista,
altifalante
de gargantas sem sino,
lenço dessas lágrimas que não esperam chegar ao mar,
e colher que não hesita diante de bocas fechadas
que
se negam para a vida.
E
que o homem que leve às costas
a
mochila com as lentes e bastões,
altifalantes,
lenços e colheres,
de seus silêncios faça escola de segredos
e
trono de humildade.
Tradução de A.M.
Original:
Que
la palabra limpie heridas,
sea
bastón seguro para unas piernas débiles,
lente para esos ojos a quien la niebla oculta su horizonte,
altavoz
de gargantas sin campana,
pañuelo de esas lágrimas que no esperan volver a ver el mar,
y cuchara que nunca titubea ante bocas cerradas
negándose a la vida.
Y
que el hombre que cargue a sus espaldas
su
mochila repleta de bastones y lentes,
altavoces,
pañuelos y cucharas,
haga de sus silencios escuela de secretos
y
trono de humildad.
O poema valoriza o cuidado como atitude essencial perante a
vida, os outros e o mundo. A linguagem, aparentemente simples e contida,
transforma gestos quotidianos em expressões de atenção, proximidade e
responsabilidade. O sujeito poético sugere que cuidar implica reconhecer a
fragilidade e a importância de cada existência. O poema contrapõe, assim, a
indiferença à disponibilidade para acolher e proteger.

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