Carlos Drummond de Andrade - Memória

 


Amar o perdido

deixa confundido

este coração.


Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.


As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão


Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.


      O poema reflete sobre a fragilidade das recordações e a permanência do passado. A memória surge como espaço de afetos, perdas e experiências que continuam a influenciar o presente. O sujeito poético interroga aquilo que permanece e aquilo que se desvanece, revelando uma visão simultaneamente nostálgica e lúcida.


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