Bala
Grande, se me ouves, diz-me o que aconteceu
Se
quem cantava foi embora, ou se quem cantava morreu
O
fogo que te queimou renovou-te para melhor
Mas
o que mais se renovou parece que foi p’ra pior.
Eu
ouvi a cotovia
cantar
naquela ramada
Cotovia
foste embora, ou tua voz foi calada
diante
de tanta tristeza a morte é quase nada.
Vilarinho
sobe aos altos vai ao encontro do céu
Procura
velhos caminhos onde a vida se perdeu
Vê o
iteiro do vintém ou o alto da sacristia
Foi
lá que o sol se escondeu fez-se noite ao meio-dia
Oh,
alto das cabeçadas que tamanha solidão
O
frio que vem da Estrela congelou-te o coração.
Até
o cruzeiro do Alto símbolo que o amor construiu
O
musgo cobriu-lhe as faces e todo o amor já partiu
A
Mouta e a caparreira velhas parecem melhor,
Se
um dia o fogo queimar não renoveis p’ra pior
Olhai
as terras a monte que um dia foram de pão
Que
os velhinhos cultivavam com o amor do coração.
"Uma canção popular "desenhada" pelo meu tio Silvestre Gomes,
que reflete a tristeza dele ao perceber que, após muitos anos de ausência da
sua terra natal, Vilarinho, esta já não tinha o amor daqueles que cultivavam as
terras, ou os cantares que davam cor às serras".
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