Marta Sanz - Chega sempre / Siempre llega

Chega sempre

um momento na vida

em que deixamos

de sentir-nos invulneráveis.


Torcemos

as linhas da mão.


A memória,

o ar feliz,

os gestos de ternura,

o sal e a praia,

não servem já

de nenhum consolo.


Não são carnais.


 Trad. A.M.


  Original:


Siempre llega

un segundo en la vida

en que uno deja

de sentirse invulnerable.


Se tuercen

las rayas de la mano.


La memoria,

los aires felices,

los gestos de ternura,

la sal y la playa,

no representan ya

ningún consuelo.


No son de carne.


      O poema explora a inevitabilidade do tempo e da memória, que transforma a realidade humana em algo maior. Espiritual? O tom intimista e reflexivo evidencia a fragilidade humana perante perdas, mudanças e expectativas. Há um caminho em direção à luz que não entendemos. 


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