Naqueles dias,
Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o:
«Abraão!»
Ele respondeu: «Aqui estou».
Deus disse: «Toma o teu filho,
o teu único filho, a quem tanto amas, Isaac,
e vai à terra de Moriá,
onde o oferecerás em holocausto,
num dos montes que Eu te indicar.
Quando chegaram ao local designado por Deus,
Abraão levantou um altar e colocou a lenha sobre ele.
Depois, estendendo a mão, puxou do cutelo para degolar o
filho.
Mas o Anjo do Senhor gritou-lhe do alto do Céu:
«Abraão, Abraão!»
«Aqui estou, Senhor», respondeu ele.
O Anjo prosseguiu:
«Não levantes a mão contra o menino,
não lhe faças mal algum.
Agora sei que na verdade temes a Deus,
uma vez que não Me recusaste o teu filho, o teu único filho».
Abraão ergueu os olhos
e viu atrás de si um carneiro, preso pelos chifres num
silvado.
Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em vez do filho.
O Anjo do Senhor chamou Abraão do Céu pela segunda vez
e disse-lhe:
«Por Mim próprio te juro - oráculo do Senhor –
já que assim procedeste
e não Me recusaste o teu filho, o teu único filho,
abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência
como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar,
e a tua descendência conquistará as portas das cidades
inimigas.
Porque obedeceste à minha voz,
na tua descendência serão abençoadas todas as nações da
terra».
Esta leitura faz
parte de um bloco de textos a que se dá o nome genérico de "tradições
patriarcais". Trata-se de um conjunto de relatos singulares, originalmente
independentes uns dos outros, sem grande unidade e sem carácter de documento
histórico. Nesses capítulos aparecem, de forma indiferenciada, "mitos de
origem" ou "lendas cultuais", indicações mais ou menos concretas
sobre a vida dos clãs nómadas que circularam pela Palestina durante o 2º
milénio e reflexões teológicas posteriores destinadas a apresentar aos crentes
israelitas modelos de vida e de fé.
O relato do sacrifício de Isaac é uma "lenda cultual". Nasceu, provavelmente, num santuário do sul do país, muito antes de os patriarcas bíblicos se terem instalado na zona. A lenda primitiva contava como num lugar sagrado (o texto sugere que esse lugar se chamaria "El Yreêh") o deus aí adorado tinha salvo uma criança destinada a ser oferecida em sacrifício (no mundo dos cananeus, os sacrifícios humanos eram relativamente frequentes). A partir daí, nesse lugar, os sacrifícios de crianças tinham sido substituídos por sacrifícios de animais.
The door it opened
slowly
My father he came in, I
was nine years old
And he stood so tall
above me
Blue eyes they were
shining
And his voice was very
cold.
Said, "I've had a
vision
And you know I'm strong
and holy
I must do what I've
been told."
So he started up the
mountain
I was running, he was
walking
And his axe was made of
burning gold.
Well, the trees they
got much smaller
The lake was like a
lady's mirror
We stopped to drink
some wine
Then he threw the
bottle over
Broke a minute later
And he put his hand on
mine.
Thought I saw an eagle
But it might have been
a vulture
I never could decide
Then my father built an
altar
He looked once behind
his shoulder
He knew I would not
hide.
You who build the
altars now
To sacrifice these
children
You must not do it
anymore
A scheme is not a
vision
And you never have been
tempted
By a demon or a god.
You who stand above
them now
Your hatchets blunt and
bloody
You were not there
before
When I lay upon a
mountain
And my father's hand
was trembling
With the beauty of the
word.
And if you call me
brother now
Forgive me if I inquire
"Just according to
whose plan?"
When it all comes down
to dust
I will kill you if I
must
I will help you if I
can.
When it all comes down
to dust
I will help you if I
must
I will kill you if I
can
And mercy on our
uniform
Man of peace or man of
war
The peacock spreads his deadly fan.
Esta é a versão de Leonard Cohen e que sempre fez parte dos meus "songbooks". Quando Cohen canta ou recita, digo sempre "Fala, mestre, estou a escutar-te." Acredito que Cohen ouviu "Masters of War" de Bob Dylan e tentou fazer melhor. As manchas gráficas dos dois poemas são parecidas, todavia a nível da qualidade poética e melódica, Cohen tem uma canção mais criativa e mais bela.
Era o tempo da guerra israelo-árabe
dos Seis Dias e do Vietname com grandes contestações sociais. Cohen pensou em
ajudar fazendo uma anti-war song partindo da história bíblica de Abraão e
Isaque. A melhor que conheço. Repare-se no modo como ele compara os jovens soldados de todos os exércitos a Isaque e na oração final "and mercy on our uniform, man of peace or man of war and the peacock spreads his deadly fan." Muito, muito belo.

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