Rodrigo Bro

 

        

O amor é uma criança que beija o colo luminoso das lavadeiras

que alvejam as suas tristezas submergidas no rio até à cintura.

Sou riacho a desaguar no oceano.

A vida é um varal

onde o amor e eu penduramos as nossas lembranças e as nossas roupas

comuns.

Flameja em mim o ardor  pelo  vento a balançar o lençol

que assiste todas as noites o meu jeito de amar.

Amo as lavadeiras, as suas cantigas

e as crianças que sopram bolas de sabão leves e lustrosas.

Por estarem limpas as minhas roupas,

estandartes das procissões do desejo,

amo os antúrios que Conceições enfeitam.

A tudo amo, até as pedras que caladas edificam as vozes das moradias.

Uma casa habitada fala.

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