O amor é uma criança que beija o colo luminoso das lavadeiras
que alvejam as suas tristezas submergidas no rio até à
cintura.
Sou riacho a desaguar no oceano.
A vida é um varal
onde o amor e eu penduramos as nossas lembranças e as nossas
roupas
comuns.
Flameja em mim o ardor
pelo vento a balançar o lençol
que assiste todas as noites o meu jeito de amar.
Amo as lavadeiras, as suas cantigas
e as crianças que sopram bolas de sabão leves e lustrosas.
Por estarem limpas as minhas roupas,
estandartes das procissões do desejo,
amo os antúrios que Conceições enfeitam.
A tudo amo, até as pedras que caladas edificam as vozes das
moradias.
Uma casa habitada fala.

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