Gonzalo Rojas - O que se ama quando se ama?

 

O que se ama quando se ama, meu Deus: a terrível luz da vida

ou a luz da morte? O que se busca, o que se encontra, que

é isso: amor? Quem é? A mulher com a sua profundidade, as suas rosas,

os seus vulcões,

ou este sol colorido que é o meu sangue furioso

quando nela entrou até ás últimas raízes?

 

Ou tudo é um grande jogo, Deus meu, e não há mulher

nem há homem mas um só corpo: o Teu,

repartido em estrelas de formosura, em partículas fugazes

de eternidade visível?

 

Nisto eu morro, oh Deus, nesta guerra

de ir e vir entre elas pelas ruas, de não poder amar

trezentas de cada vez, porque estou condenado sempre a uma,

a essa uma, a essa única que me deste no velho paraíso.

      A vida secular na realidade da última estrofe. A escravização às margens de quem não consegue amar de outro modo. Gonzalo Rojas Pizarro, 1917-2011, poeta chileno, que ganhou o Prémio Cervantes em 2003.

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