No
imaginário popular a fruta proibida é a maçã, associada ao pecado original de
Adão e Eva. Entretanto, a bíblia não faz referência directa, nos primeiros
capítulos do Génesis, à maçã. Porém, dois factores influenciaram a
popularização desta fruta enquanto símbolo do "pecado original", levando muitos escritores e artistas a reproduzirem esse mito.
O
primeiro factor deve-se às traduções da bíblia hebraica para Latim, feitas por São Jerónimo,
um linguista a serviço do então Papa Dâmaso I, no século IV. De acordo com
Robert Appelbaum, professor de Literatura Inglesa da Universidade de Uppsala,
da Suécia, ao traduzir a bíblia hebraica para o latim, Jerónimo deparou-se com
a palavra hebraica "Peri", que se escreve פרי, e representa qualquer fruto que
possa ser encontrado pendurado numa árvore. O linguista optou traduzir "Peri" para latim como "malus", que pode significar "mal" (se usada como adjectivo) ou "fruta" (se utilizada como substantivo). Por muito tempo, o termo malus foi compreendido como referindo-se a qualquer fruta com sementes, como pêras,
pêssegos e a própria maçã.
Porém,
quando se observa o segundo factor, pode-se entender por que razão a maçã
passou a ser a principal tradução do termo. A interpretação e reprodução de
artistas plásticos como o renascentista alemão Albrecht Dürer do termo "Malus" como maçã foi ampla. Uma gravura de Dürer, do início do século XVI, que
mostrava Adão e Eva ao lado de uma macieira ganhou popularidade, influenciando
outros artistas, como o poeta britânico John Milton, que associaria, no século
seguinte, a maçã ao pecado na sua maior obra, "Paraíso Perdido". No poema épico
do século XVII, Milton constrói, em dez cantos, a história das disputas
angelicais durante a "criação" do homem.
Matheus Moreira
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