Era uma vez um homem que
passava uma parte considerável dos seus dias a mexer no lixo alheio.
Explicava, a quem
desejasse saber, que procurava uma alma. Perdera a sua e, por isso, precisava
encontrar outra com urgência.
Acrescentava que o local
mais óbvio para procurar era entre o lixo dos outros. Pois se a bondade apenas
se destaca quando contraposta à maldade, se a virtude apenas o é em relação ao
pecado, se a verdade apenas existe enquanto a mentira existir, em que outro
local procurar a pureza senão entre a impureza?
Sorria e continuava a
revolver o lixo.
in, Miniaturas
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