Paulo Kellerman - Lixo


      Era uma vez um homem que passava uma parte considerável dos seus dias a mexer no lixo alheio.
      Explicava, a quem desejasse saber, que procurava uma alma. Perdera a sua e, por isso, precisava encontrar outra com urgência.
      Acrescentava que o local mais óbvio para procurar era entre o lixo dos outros. Pois se a bondade apenas se destaca quando contraposta à maldade, se a virtude apenas o é em relação ao pecado, se a verdade apenas existe enquanto a mentira existir, em que outro local procurar a pureza senão entre a impureza?
      Sorria e continuava a revolver o lixo.

      in, Miniaturas

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