Sozinho em casa procuro nos armários.
Encontro antigos mapas de estradas,
contratos que venceram, esferográficas
que não escreverão mais cartas, velhas
calculadoras
sem pilhas, relógios que o tempo derrotou.
O passado aninha-se no fundo das gavetas
como um rato triste. Vazios, os vestidos pendem
como velhas personagens que nos interpretaram.
Mas de súbito encontro a tua lingerie,
da cor da noite, da areia; fina, com pequenos
bordados.
Cuecas, soutiens e meias que desdobro
e que me fazem regressar ao brilhante, embora
misterioso,
fundo de amor e sexo: é ele que, de facto,
dá vida às casas, como os faróis e as luzes
de barcos e cafés a um porto ignorado.
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