Daniel Faria

A sombra da figueira não me lembra a sombra.
Muitas vezes sou o ramo que se quebra
Sem tempestades.

A sombra que tenho na memória é semelhante à tristeza no sangue
E o sangue não me lembra o figo quando escorre
O mel. A mulher estéril vê o homem deitar-se com a escrava

A figueira lança a sua sombra sobre a parede da casa
Branca
A mulher fecha os olhos para ouvir no escuro das folhas
A mulher quase nunca se assemelha ao céu
Sem nuvens

O sangue não ocupa mais o coração do que um filho que nasce
A mulher não queria ser um tronco cheio de ramos

A mulher imagina uma colmeia cheia de favos
Debruça-se à janela como a inclinação dos telhados

Como se os ninhos (como se os filhos ao pescoço) a vergassem.


      O poema é difícil, mas vale a pena tentar encontrar um ou mais sentidos a partir dos símbolos: figueira, mulher, sombra, nuvem, mel, janela. Da sugestão de cada um deles encontra-se o todo.

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