pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.
Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.
Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.
Nota: A Buganvília é uma planta trepadeira, cujas flores no verão atraem a atenção de quem passa onde quer que se
encontre. A mais comum é a de cor roxa, mas nos anos mais recentes podem
facilmente encontrar-se outras cores em qualquer viveiro. O seu nome provém
de Louis Antoine de Bougainville, capitão de navio, advogado, matemático
e explorador, que se juntou à armada francesa por volta de 1767 no Canadá, onde
viria a conhecer e a fazer amizade com Philibert Commerson, viajante e
botânico francês que em 1760 viajava ao serviço de Sua Majestade e veio a
descobrir esta planta no Brasil, de onde é originária. Daí o nome de
Bouganvillea.

1 comentário:
Lindíssimo poema, belíssima composição de imagem e texto(s).
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