
O outro que usa o meu nome
passou a desconhecer-me.
Acorda aonde eu durmo,
duplica-me a convicção de estar ausente,
ocupa o meu lugar como se essoutro fosse eu,
imita-me nas vidraças que não amo,
exagera-me as órbitas desistidas,
desarruma os signos que nos unem,
e visita sem mim as outras versões da noite.
Imitando o seu exemplo,
começo agora a desconhecer-me.
Talvez não haja outro modo
de nos passarmos a conhecer.
Tradução: José Eduardo Simões
Nota: Quando o outro, que está dentro de nós, ajuda a purificar o sentido da vida. A imagem é da Pixdaus.
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