Maksymilian Novak-Zempliński

 
As descobertas da ciência, os progressos da técnica e as ideologias políticas levaram de roldão os princípios de fins, as virtudes éticas, morais e religiosos, a dignidade das ações e reações de indivíduos e grupos, de poderes e instituições.
 
Vivemos a radicalidade. Na radicalização de contestar tudo e rejeitar todos, reside a nossa nova ética, que impossibilita qualquer valorização ou juízo de valor. Todos são ao mesmo tempo autores e vítimas. Não há inocentes. Só há culpados. O estado de violência atinge todos e cada um.
 
Todos nós, sem exceção alguma, somos, de alguma maneira, terroristas e vítimas do terrorismo. A morte violenta de Deus levou consigo a humanidade do homem em todos os homens. Não se trata, porém, de um ato singular de um indivíduo. É uma condição histórica, que absorve todos os indivíduos e inclui a própria fonte geradora de valores.
 
Já não se dá um verdadeiro vazio, vazio. Todo o vazio já está cheio de exigências, de reivindicações, de expectativas e demandas. Não se aceita o nada criativo de nada. Toda a ausência é uma falta, todo o nada é somente o negativo.
 
Já não temos esperança, só conhecemos esperas. Já não temos fé nem infidelidade, só dispomos de certezas, probabilidades ou dúvidas. Já não temos nem amor nem ódio, ou sentimos a intolerância às frustações de prazeres insatisfeitos.
 
Quando é que um padeiro baixa o preço do pão? – A resposta de hoje em dia é uma só: só baixa quando um preço menor lhe trouxer maior lucro. Já não basta produzir os bens de satisfação. É imperioso, sobretudo, produzir as necessidades.
 
Nada pode ficar de fora. A peneira é uma só: deve-se produzir mais, para lucrar mais, para investir mais, para produzir mais, para lucrar mais, para investir mais, para produzir mais, para lucrar mais, e assim por diante, e tudo isto a preço!
 
Davi considerava o homem sem Deus um insipiens, um insipiente, um néscio. Hoje em dia, o homem sem Deus não se acha insipiens, um néscio. Considera-se um sapiens, um sábio, no sentido em que sabedoria e sábio são sinônimos de savoir, e savant, de ciência e cientista, hoje considerados o rei, o reino e reinado do poder.


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