“O que é que fazia se pudesse mudar o sistema educativo? – perguntou ambiguamente. – Já alguma vez pensou nisso?”
- Tenho mesmo de ir – disse Teddy.
- Responda só a esta pergunta – disse Nicholson. – A educação é a minha paixão, no fundo… É o que eu ensino. É por isso que pergunto.
- Bem… Não sei muito bem o que fazia – disse Teddy. – O que sei é que estou bastante convencido de que não começava com as coisas com que as escolas normalmente começam. – Cruzou os braços, e reflectiu uns instantes. – Acho que primeiro reunia as crianças todas e lhes mostrava como meditar. Tentava mostrar-lhes como descobrir quem são, não apenas os nomes delas e coisas do género… Acho que, mesmo antes disso, as levava a esvaziarem-se de tudo o que os pais e toda a gente lhes disse. Quer dizer, mesmo que os pais só lhes tenham dito que um elefante é grande, fazia com que se esvaziassem disso. Um elefante só é grande se comparado com outra coisa, um cão ou uma senhora, por exemplo. – Teddy reflectiu mais um momento. – Nem sequer lhes dizia que o elefante tem tromba. Podia mostrar-lhes um elefante se tivesse algum à mão, mas limitava-me a deixá-los aproximar-se do elefante sem saberem mais sobre ele do que aquilo que o elefante sabe sobre eles. A mesma coisa com a erva, e outras coisas. Nem sequer lhes dizia que a erva era verde. As cores não passam de nomes. Quer dizer, se lhes dizemos que a erva é verde, isso faz com que estejam à espera que a erva tenha um certo aspecto, o aspecto que está na cabeça delas, em vez de outro aspecto qualquer que pode ser tão bom, ou mesmo muito melhor do que esse… Não sei. Fazia-as só vomitar o pedaço da maçã que os pais e os outros lhes tinham dado a trincar.- Não havia o risco de se estar a educar uma geração de ignorantes?
- Porquê? Não seriam mais ignorantes do que o é um elefante. Ou um pássaro. Ou uma árvore – disse Teddy. – Só porque uma coisa é de certa maneira, em vez de se comportar de certa maneira, não quer dizer que seja ignorante.
- Não?
- Não! – disse Teddy. – Além disso, se quisessem aprender as outras tretas todas, nomes e cores e essas coisas, podiam fazê-lo, se lhes apetecesse, mais tarde, quando fossem mais velhos. Mas eu gostaria que começassem por todas as verdadeiras maneiras de olhar para as coisas, e não só da maneira como todos os outros comedores de maçãs olham para as coisas, é isso que eu quero dizer.
- Tenho mesmo de ir – disse Teddy.
- Responda só a esta pergunta – disse Nicholson. – A educação é a minha paixão, no fundo… É o que eu ensino. É por isso que pergunto.
- Bem… Não sei muito bem o que fazia – disse Teddy. – O que sei é que estou bastante convencido de que não começava com as coisas com que as escolas normalmente começam. – Cruzou os braços, e reflectiu uns instantes. – Acho que primeiro reunia as crianças todas e lhes mostrava como meditar. Tentava mostrar-lhes como descobrir quem são, não apenas os nomes delas e coisas do género… Acho que, mesmo antes disso, as levava a esvaziarem-se de tudo o que os pais e toda a gente lhes disse. Quer dizer, mesmo que os pais só lhes tenham dito que um elefante é grande, fazia com que se esvaziassem disso. Um elefante só é grande se comparado com outra coisa, um cão ou uma senhora, por exemplo. – Teddy reflectiu mais um momento. – Nem sequer lhes dizia que o elefante tem tromba. Podia mostrar-lhes um elefante se tivesse algum à mão, mas limitava-me a deixá-los aproximar-se do elefante sem saberem mais sobre ele do que aquilo que o elefante sabe sobre eles. A mesma coisa com a erva, e outras coisas. Nem sequer lhes dizia que a erva era verde. As cores não passam de nomes. Quer dizer, se lhes dizemos que a erva é verde, isso faz com que estejam à espera que a erva tenha um certo aspecto, o aspecto que está na cabeça delas, em vez de outro aspecto qualquer que pode ser tão bom, ou mesmo muito melhor do que esse… Não sei. Fazia-as só vomitar o pedaço da maçã que os pais e os outros lhes tinham dado a trincar.- Não havia o risco de se estar a educar uma geração de ignorantes?
- Porquê? Não seriam mais ignorantes do que o é um elefante. Ou um pássaro. Ou uma árvore – disse Teddy. – Só porque uma coisa é de certa maneira, em vez de se comportar de certa maneira, não quer dizer que seja ignorante.
- Não?
- Não! – disse Teddy. – Além disso, se quisessem aprender as outras tretas todas, nomes e cores e essas coisas, podiam fazê-lo, se lhes apetecesse, mais tarde, quando fossem mais velhos. Mas eu gostaria que começassem por todas as verdadeiras maneiras de olhar para as coisas, e não só da maneira como todos os outros comedores de maçãs olham para as coisas, é isso que eu quero dizer.
in, Nove Contos
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