Aurora Luque - Azul escuro / Azuloscuro

 


Paradoxal, dirás,

mas não minto por certo ao declarar

a imensa inteligência do desejo,

as lentas odisseias por teu corpo

no sábio navio da busca

em todos os sentidos tão exacto,

propício a saturar, com ilhas acesas,

as saudades antigas.


Azul-escuro e sábio é o desejo,

lira que já de longe obrigasse à dança,

a compor um hino de palpitações,

a inteligência apenas de viver

em desejo perpétuo de naufrágio.


  Tradução de A.M.


  Original:


No sé si te parece paradoja

pero quizá no mienta si declaro

la inmensa inteligencia del deseo:

las lentas odiseas por tu cuerpo

en el sabio navío de la búsqueda

en todos los senderos tan exacto,

propicio a saturar, con islas encendidas,

las nostalgias antiguas.


Azuloscuro y sabio es el deseo,

lira que desde lejos obligase a la danza,

a componer un himno de latidos:

la sola inteligencia de vivir

en deseo perpetuo de naufragio.


      O poema explora a dimensão simbólica da cor azul, associando-a ao desejo e ao sentido de vida. A imagem da cor permite transformar sensações íntimas numa reflexão sobre a procura na existência, revelando a tensão entre beleza e destino.


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