Paradoxal,
dirás,
mas
não minto por certo ao declarar
a
imensa inteligência do desejo,
as
lentas odisseias por teu corpo
no
sábio navio da busca
em
todos os sentidos tão exacto,
propício
a saturar, com ilhas acesas,
as
saudades antigas.
Azul-escuro
e sábio é o desejo,
lira
que já de longe obrigasse à dança,
a
compor um hino de palpitações,
a
inteligência apenas de viver
em
desejo perpétuo de naufrágio.
Tradução de A.M.
Original:
No
sé si te parece paradoja
pero
quizá no mienta si declaro
la
inmensa inteligencia del deseo:
las
lentas odiseas por tu cuerpo
en
el sabio navío de la búsqueda
en
todos los senderos tan exacto,
propicio
a saturar, con islas encendidas,
las
nostalgias antiguas.
Azuloscuro
y sabio es el deseo,
lira
que desde lejos obligase a la danza,
a
componer un himno de latidos:
la
sola inteligencia de vivir
en
deseo perpetuo de naufragio.
O poema explora a dimensão simbólica da cor azul, associando-a ao desejo e ao sentido de vida. A imagem da cor permite transformar sensações íntimas numa reflexão sobre a procura na existência, revelando a tensão entre beleza e destino.

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