Fomo-nos
distanciando passo a passo,
sem
saber quase, distraídos,
caminhamos
deixando esquecida
a
velha ideia de sermos nós mesmos.
E
continuamos desde então, sem motivo,
a
deambular em passo acelerado,
sem
saber para onde ou por que lado,
cientes
sim de nos trairmos,
como
sempre, uma vez mais,
por
cobardia!
Rebeldes
de sonhos
e
atitude conformista,
passeamos
as relíquias do passado
pelas
ruas vazias da vida,
e
onde houve já uma esperança
há
agora uma ferida.
Tradução
de A.M.
Original:
Nos
fuimos distanciando paso a paso,
casi
sin saberlo, distraídos,
caminamos
dejando en el olvido
la
vieja ilusión de ser nosotros.
Y
seguimos desde entonces, sin motivo,
deambulando
a un ritmo acelerado,
sin
saber a dónde, por qué lado,
conscientes
sí, de traicionarnos,
como
siempre, una vez más,
¡por
cobardía!
Rebeldes
de sueños
y
actitud conformista
paseamos
las reliquias del pasado
por
las calles vacías de la vida,
y
donde hubo una esperanza
hay
una herida.
O poema reflete sobre a perda da identidade e o afastamento
progressivo dos próprios ideais. A caminhada simboliza uma existência sem rumo,
marcada pela rotina, pela cobardia e pela incapacidade de agir em coerência com
os sonhos. O contraste entre rebeldia interior e conformismo revela a
contradição humana. As imagens das ruas vazias, das relíquias do passado e da
ferida final traduzem a desilusão, o abandono da esperança e o desencanto
perante o rumo pessoal.

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