Antonio Pérez Morte - Perdidos

 


Fomo-nos distanciando passo a passo,

sem saber quase, distraídos,

caminhamos deixando esquecida

a velha ideia de sermos nós mesmos.

E continuamos desde então, sem motivo,

a deambular em passo acelerado,

sem saber para onde ou por que lado,

cientes sim de nos trairmos,

como sempre, uma vez mais,

por cobardia!

Rebeldes de sonhos

e atitude conformista,

passeamos as relíquias do passado

pelas ruas vazias da vida,

e onde houve já uma esperança

há agora uma ferida.


  Tradução de A.M.


  Original:


Nos fuimos distanciando paso a paso,

casi sin saberlo, distraídos,

caminamos dejando en el olvido

la vieja ilusión de ser nosotros.

Y seguimos desde entonces, sin motivo,

deambulando a un ritmo acelerado,

sin saber a dónde, por qué lado,

conscientes sí, de traicionarnos,

como siempre, una vez más,

¡por cobardía!

Rebeldes de sueños

y actitud conformista

paseamos las reliquias del pasado

por las calles vacías de la vida,

y donde hubo una esperanza

hay una herida.


      O poema reflete sobre a perda da identidade e o afastamento progressivo dos próprios ideais. A caminhada simboliza uma existência sem rumo, marcada pela rotina, pela cobardia e pela incapacidade de agir em coerência com os sonhos. O contraste entre rebeldia interior e conformismo revela a contradição humana. As imagens das ruas vazias, das relíquias do passado e da ferida final traduzem a desilusão, o abandono da esperança e o desencanto perante o rumo pessoal.


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