Falemos
acerca das cerejeiras de Kudan, no Japão.
É
uma colina onde estão os corpos dos que morreram.
Nela
há muito que crescem as cerejeiras. Todos os anos,
com
a passagem das estações, vêmo-las em flor.
Talvez
na sua seiva passe o espírito dos que apenas receberam
o silêncio que se segue aos combates.
Eram soldados; tinham por isso de matar. Obedeciam a ordens.
A morte era para eles uma cerimónia e se depois partiram para Kudan
é porque a vida já não lhes pertencia.
Outrora
ao amadurecerem as cerejas, principiavam a colhê-las,
mas compreenderam que as iam depois perder.
O tempo passou por ali mais depressa. Agora que idade têm?
in,
Das Mesmas Fontes
No poema, a beleza das flores no pomar de Kudan contrasta com a memória trágica
da guerra. As cerejeiras, que renascem em cada primavera, simbolizam a
continuidade da natureza perante a morte dos soldados. A obediência às ordens
militares revela a perda de liberdade individual, enquanto a juventude é interrompida.
A pergunta final sobre a idade dos mortos reforça a passagem do tempo e a
impossibilidade de recuperar essas vidas.

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