Elizabeth Jennings (1926-2001) - Demora

 


O brilho dessa estrela que se inclina para mim

já fulgia há muitos anos atrás. A luz que cintila

agora nos meus olhos talvez não veja nunca

o tempo presente que, mais lento, se atrasa como


o amor que nasce pode não atingir de todo o primeiro

desejo, até ser consumido e satisfeito. O impulso

da estrela terá de esperar pelo olhar que a ache bela.

E o amor talvez já nos encontre muito longe daqui.


  Original:


The radiance of the star that leans on me

Was shining years ago. The light that now

Glitters up there my eyes may never see,

And so the time lag teases me with how

 

Love that loves now may not reach me until

Its first desire is spent. The star's impulse

Must wait for eyes to claim it beautiful

And love arrived may find us somewhere else.


      No poema, Jennings explora a espera como experiência emocional, marcada pela incerteza e pela dificuldade de alcançar aquilo que se deseja. A demora transforma o tempo numa dimensão de expectativa, revelando a fragilidade humana perante o que não pode controlar. O silêncio e a ausência podem intensificar sentimentos, obrigando o sujeito poético a confrontar-se consigo próprio.


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