Cristian Aliaga - Os versinhos / Los versitos

 


Os versinhos,

estes frascos sem tinta

onde pomos o melhor da memória.

Muros de iluminação, amargas torres,

palavras somente?


Mas a quem encomendar a história,

senão a estas nuvens pequenas

de espuma?


Heis-de ficar cegos

de tanto cerrar os olhos.


  Tradução de A.M.


  Original:


Los versitos,

esos frascos sin tinta

donde ponemos lo mejor de la memoria.

¿Paredes de iluminación, torres amargas,

palabras solamente?


Pero a quién encomendar nuestra historia,

salvo a estas pequeñas nubes

de espuma.


Os quedaréis ciegos

de tanto cerrar los ojos.


      O poema reflete sobre a fragilidade da poesia e a sua capacidade de preservar a memória. Os versos são comparados a pequenos frascos sem tinta, onde guardamos o melhor das nossas recordações. Apesar de questionar o poder das palavras, o sujeito poético reconhece que só a elas podemos confiar a nossa história. As imagens de espuma e pequenas nuvens sugerem a efemeridade da existência. O final constitui um alerta contra a cegueira de quem se recusa a ver.


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