Os
versinhos,
estes
frascos sem tinta
onde
pomos o melhor da memória.
Muros
de iluminação, amargas torres,
palavras
somente?
Mas
a quem encomendar a história,
senão
a estas nuvens pequenas
de
espuma?
Heis-de
ficar cegos
de
tanto cerrar os olhos.
Tradução de A.M.
Original:
Los
versitos,
esos
frascos sin tinta
donde
ponemos lo mejor de la memoria.
¿Paredes
de iluminación, torres amargas,
palabras
solamente?
Pero
a quién encomendar nuestra historia,
salvo
a estas pequeñas nubes
de
espuma.
Os
quedaréis ciegos
de
tanto cerrar los ojos.
O poema reflete sobre a fragilidade da poesia e a sua
capacidade de preservar a memória. Os versos são comparados a pequenos frascos
sem tinta, onde guardamos o melhor das nossas recordações. Apesar de questionar
o poder das palavras, o sujeito poético reconhece que só a elas podemos confiar
a nossa história. As imagens de espuma e pequenas nuvens sugerem a efemeridade
da existência. O final constitui um alerta contra a cegueira de quem se recusa
a ver.

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