Antonio Hernández - Testamento

 


Que não me roa a inveja,

a pior das maleitas;

que não saiba de vinganças

nem com pretexto de justiça;

que guardião não seja o ódio

de uma extinta alegria;

que o rancor não me tolha

no momento do balanço.

E que tudo assim seja

não para ganhar o Céu,

mas só pra que voe em paz

a minha cinza no esquecimento.


  Tradução de A.M.


  Original:


Que no me coma la envidia,

la peor enfermedad;

que no sepa de venganza

ni aun cumpliéndose en justicia;

que guardián no sea el odio

de una apagada alegría;

que el rencor no me empobrezca

a la hora del balance.

Y que todo sea así

no para ganarme el Cielo

sino por que vuele en paz

mi ceniza en el olvido.


      O poema aborda a herança que deixamos ao mundo, não necessariamente material, mas sobretudo afetiva e espiritual. O título sugere um balanço da existência, marcado pela consciência da passagem do tempo e da fragilidade humana. A escrita poética transforma experiências, recordações e sentimentos numa forma de permanência, capaz de sobreviver ao desaparecimento físico. Assim, o poema convida à reflexão sobre a identidade, a memória e o verdadeiro legado de cada indivíduo.


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