Que não me roa a inveja,
a pior das maleitas;
que não saiba de vinganças
nem com pretexto de justiça;
que guardião não seja o ódio
de uma extinta alegria;
que o rancor não me tolha
no momento do balanço.
E que tudo assim seja
não para ganhar o Céu,
mas só pra que voe em paz
a minha cinza no esquecimento.
Tradução de A.M.
Original:
Que no me coma la envidia,
la peor enfermedad;
que no sepa de venganza
ni aun cumpliéndose en justicia;
que guardián no sea el odio
de una apagada alegría;
que el rencor no me empobrezca
a la hora del balance.
Y que todo sea así
no para ganarme el Cielo
sino por que vuele en paz
mi ceniza en el olvido.
O poema aborda a herança que deixamos ao mundo, não
necessariamente material, mas sobretudo afetiva e espiritual. O título sugere
um balanço da existência, marcado pela consciência da passagem do tempo e da
fragilidade humana. A escrita poética transforma experiências, recordações e
sentimentos numa forma de permanência, capaz de sobreviver ao desaparecimento
físico. Assim, o poema convida à reflexão sobre a identidade, a memória e o
verdadeiro legado de cada indivíduo.

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